Dirty Bit
4 Smile
Notas iniciais
Os garotos mal saíram do carro que os cochichos sobre o novato gostosão, BadBoy, rebelde e encrenqueiro que foi visto pela primeira vez na Goode saindo de uma viatura policial rondaram por todo lado.
Mandou bem Percy!
Dioniso, nosso diretor também conhecido como senhor D., empurrava tudo quanto é gente para uma tentativa esforçada de espremer aquela banha entre os alunos até que parou bem ao meu lado.
— Bom dia! — disse Percy sorrindo sarcasticamente e arrancado risadinhas de todos ali, tirando o diretor e os policiais — O céu está legal hoje, não?
Nico e Leo o deram uma cotovelada, mas não conseguiram disfarçar muito bem que estavam quase soltando uma boa risada.
Dioniso se aproximou do meu ouvido:
“Por favor! Não me diga que esse é o tal do garoto que seus pais me falaram que vai estudar por aqui”
“Não tem nem ideia do quanto eu gostaria de negar isso”
Ele suspirou frustrado e respirou fundo provavelmente contando até dez:
— Você é o diretor dessa escola cujo esses três afirmam estudar? — Perguntou o policial que veio com eles no carro em um tom severo e ríspido.
— Infelizmente é o que parece.
— Pois saiba que esse seu aluno de olhos verdes explodiu a máquina de café do Starbucks com o nariz do vendedor enquanto os outros dois filmavam — WTF?
Percy, Nico e Leo começaram a rir, provavelmente relembrando a cena, enquanto todo mundo falava ao mesmo tempo querendo ver o vídeo. Mas o diretor acabou dando um grito exigindo ordem que broxou as vozes de todos, exceto, para variar, a de Percy, que continuou rindo sem nem sequer se preocupar em abaixar o tom pouco se fudendo para o diretor os policiais que estavam ali, depois de um tempinho acabou fazendo Leo e Nico voltarem a rir.
— Como isso aconteceu? — o diretor desistiu de encarar fixamente os 3 com raiva e se voltou para o policial careca, que de acordo com o cartaz se chamava Spinelle.
— Eu não sei bem, já que eles se recusaram a mostrar o vídeo e quando eu e minha equipe chegamos no endereço da denuncia do próprio vendedor tudo já tinha acontecido e tudo que achamos foi tudo sujo de café, ele chorando por causa da queimadura e esses daí correndo para o carro e tentando escapar!
— Só não conseguimos por que não era eu no volante! — Acrescentou, desnecessariamente, Percy olhando para para Leo.
— Corrigindo — Leo se defendeu — Só não conseguimos por que por que dois jumentos que nunca se alimentaram na vida praticamente imploraram para voltarmos e pegarmos os cafés enquanto viaturas policiais estavam se aproximando.
— Ei, qual é? Eu já tinha pago por aquela merda daquele café! — Defendeu-se Nico.
— Ok então, senhor mão de vaca! Apenas não bote a culpa de termos sidos pegos em mim! — Leo apontou o próprio peito com o polegar.
— DO MESMO JEITO! — Percy entrou na discussão — Se tivéssemos saído dali com o carro a mais que 60 km/h teríamos conseguido! Só acho...
— Nhá nem vem! Até onde eu sei nem teríamos viaturas policiais atrás de nós caso alguém não tivesse se estressado com o pobre coitado do vendedor e enfiado o nariz dele no buraco que sai o café com a maquina ligada!
Sabe aquele momento em que você está tão concentrado em uma discussão com seus amigos que você conheceu hoje que acaba esquecendo que tem um colégio inteiro, incluindo o diretor, e 6 viaturas policiais olhando para sua cara? Pois é. Quem nunca?
— Nisso eu concordo — Nico pelo visto mudou de lado.
— Eu tive meus motivos, ok? E depois, não me lembro muito bem de vocês terem tentado impedir alguma coisa...
— CALEM A BOCA! — a voz de Dioniso saiu tão alta e ameaçadora que nem Percy foi burro o suficiente para continuar falando.
— Enfim, o vendedor deu queixa e isso vai estar registrado na ficha policial dos três assim que o garoto que falta dizer o nome. — ele olhou Percy.
Percy fez algo que eu acharia mais improvável que ele dar um soco na própria cara. Ele abaixou os olhos para os sapatos.
— Diga seu nome, filho! — Disse Quiron, nosso supervisor, que eu não percebi estar logo atrás de mim até agora — Qual é o problema?
Percy começou a bater os pés nervosamente no chão enquanto mordia o lábio inferior. Levantou a cabeça depois de um tempo batendo frustradamente na coxa enquanto olhava para os dois lados quase desesperado. Então acabei me lembrando sobre o que meu pai tinha me dito sobre suas diversas confusões
Por isso ele não quer dizer o nome. Já que de acordo com as leis caso você tenha 5 queixas e eles te pegarem uma sexta vez é cadeia. Comecei a raciocinar. Mas por que ele está tão preocupado já que essa regra só se aplica com quem já foi... É ISSO! Estralei mentalmente os dedos entendendo o real problema ali. Percy Já foi preso! Se eles pegarem a ficha dele e somar a sua Prisão com mais 5 queixas e essa ele vai ser preso de novo! E na certa ele já tem as 5! Elogiei mentalmente minha inteligencia.
Ok. Essa era minha chance perfeita para me livrar de uma vez por todas dessa peste. Basta dizer o nome dele:
— Eu sei o nome dele — me pronunciei e todos olharam para mim na mesma hora, menos Percy, que fechou os olhos com força.
— E qual é garota? — perguntou Spinelle.
Olhei para os dois lados e arrebitei o nariz:
— Peter Johnson — O. QUE. FOI. QUE. EU. FIZ?
Percy levantou a cabeça na mesma hora parecendo bem mais surpreso que agradecido. Pisquei três vezes confusa com o que tinha feito. Por que diabos eu fiz isso? ERA A MINHA CHANCE PERFEITA!
— Ok, como o vendedor apenas deu queixa sem processar você não vai comigo! Mas saiba que eu estou de olho e você! — Spinelle apontou a cara de Percy quase o tocando, e pelo visto isso o fez sair do transe.
— Não obrigado — respondeu sarcástico — Perfiro bolas mamárias que bolas escrotais!
O policial agarrou a gola da blusa dele, que não teve nem como se defender devido as algemas:
— Eu deveria prende-lo só pela respostinha seu moleque insolente!
— Ok. Ok. Parou — o diretor afastou os dois — Apenas solta as malditas algemas desses imprestáveis e da punição cuido eu!
Com certa relutância o policial soltou as algemas dos três, mas voltou a ficar cara a cara com Percy logo depois:
— Dessa vez passa! Mas vou me lembrar do seu rosto. Não pense que está com sorte só por causa disso!
A ultima coisa que Percy pareceu foi intimidado:
— Aprendi a conviver sem contar com o que chamam de sorte desde que nasci!
A frase pareceu pegar o policial de surpresa, mas ele só parou de encarar Percy quando seu companheiro o chamou, então ele e os outros entraram em seus respectivos carros e saíram dali sem mais uma palavra.
Dioniso esperou pacientemente os carros se afastarem para olhar novamente a multidão de alunos e professores que olhavam para o garoto de olhos verdes simplesmente embasbacados:
— O QUE DIABOS VOCÊS AINDA ESTÃO FAZENDO AQUI? — berrou — As aulas voltaram à sete minutos! — então começou a bater palminhas — Fora. FORA.
Todos correram de volta para dentro, alguns ainda olhando o novato por cima dos ombros vendo, assim como eu, os três irem para diretoria com um diretor furioso logo atrás.
Depois de sobreviver a duas horas escutando o tagarelar de dois professores sobre química e geografia fui para o banheiro trocar a saia de líder de torcida pelo short de educação física animada. Afinal, era a ultima aula. É a unica que junta todos os jogadores de basquete e todas as líderes de torcida e nós podemos apenas nos sentar em uma roda e conversar todos os 50 minutos, já que a escola nos libera dos exercícios. YAY.
Depois de me vestir fui para a quadra e logo avistei a rodinha de líderes de torcida e jogadores. Sentei entre Silena e Ethan e não me surpreendi ao ver que o assunto ali era apenas um: O novato.
— Qual é o nome dele mesmo? — Perguntou Katie — Peter Johnson?
— Na verdade é Percy Jackson — respondi indiferente — mas se descobrissem o nome verdadeiro iam prender ele de novo.
— De novo?— Connor arregalou os olhos — Então ele já foi preso?
— Na califórnia! — continuei indiferente.
— Preciso conhecer esse cara — ele e o irmão gêmeo falaram em uníssono.
— Peraí — indagou Drew — como você sabe isso tudo sobre ele?
— Ah, essa é fácil! — Lá vem Silena — Isso é por que ele tá morando com a Annie!
Valeu Miga! Te devo essa!
— Que? — perguntou Ethan — Como assim? Por que?
Levei um bom tempo para explicar tudo do começo, mas quando acabei eles pelo ao menos pareceram acreditar, mas a primeira a quebrar o silêncio foi Rachel:
— Nós temos que visitar mais sua casa amiga!
As meninas soltaram risadinhas.
— Eu também to curioso — disse Frank — Não desse jeito! — se apressou em dizer quando os garotos o olharam estranho — é só que esse cara parece interessante.
Os meninos concordaram, menos Ethan, que ainda parecia com raiva por algum motivo. Bem,... Foda-se!
E assim a aula acabou, nos despedimos e agora estava apenas eu e Silena indo em direção ao estacionamento. Assim que sentamos nos bancos do carro mandei uma mensagem para o whatsapp de Leo.
“Cadê Percy?”
Uns tempos depois ele retornou.
Ta na detenção com a gente! Da para acreditar que vamos ficar os próximos 3 meses nessa porra até 5 horas caralho?
“Hahá se fuderam! Ta vendo no que dar andar com esse garoto?”
Ta ta! Mas que ele é legal ele é! Enfim, a gente vai ficar até 5 horas aqui então eu levo ele em casa hoje falou?
Olhei o celular, eram duas horas!
“Ok então! Até mais Leo!
XOXO”
Depois de deixar Silena em casa, tomei um bom banho e deitei na minha cama pegando um livro para ler enquanto escutava música. Mal notei o tempo passar até que alguém bate de leve na porta do meu quarto. Levantei os olhos e vi Percy com o uniforme do colégio encostado no batente da porta me olhando:
— Posso entrar?
Sorri de lado:
— Já entrou!
— Então saiba que não vale a pena dizer para eu sair.
Ele veio em minha direção e eu sentei na cama enquanto ele encostava agora na parede bem ao meu lado.
— Então...? — perguntei.
Ele suspirou:
— Foi bem legal o que você fez hoje mais cedo.
— Nem pense que eu não estou arrependida! — fiz bico e cruzei os braços.
Quando achei que Percy ia falar algo grosseiro e sair do meu quarto batendo a porta, ele se inclinou e encostou a boca perto da minha testa tocando a parte de trás da minha cabeça com uma das mãos, sem beijar apenas tocou minha testa com os lábios de fraco. Nem percebi quando meu bico ou meus pensamentos desapareceram e meus braços relaxaram.
— De qualquer jeito — ele se afastou com um leve sorriso de lado — Obrigado! Você me livrou de uma encrenca feia.
— Hun! — cruzei os braços e fiz bico de novo empinando o nariz — Apenas não espere que isso aconteça novamente! Eu não sei se você é o garoto mais corajoso ou o mais idiota que eu já conheci.
Ele riu de leve, apertando os olhos verdes enquanto sorria e eu pensei pela primeira vez no quanto aquele garoto é realmente bonito.
— Cedo ou tarde você encontra essa resposta! — então se virou e saiu do meu quarto dando uma piscadela antes de fechar a porta.
Suspirei balançando negativamente a cabeça de leve e mal notando que ainda estava sorrindo.
Com certeza o mais idiota!
–-
And that's why I smile
It's been a while
Since everyday and everything has felt this
Right
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