Dirty Bit
6 Misery
Notas iniciais
4 anos. Poucas lembranças. Lágrimas.
O garotinho andava em meio a todas aquelas crianças e tudo no que podia pensar era no quanto cada uma ali era diferente, tanto na idade quanto nas atitudes, algumas poucas corriam por aí rindo com os amigos, a maioria tinha um semblante rude e amargo, outras sentavam em frente a troncos de árvores e soluçavam alto com o rosto entre as mãos. Esses eram os que mais pareciam aquele garotinho, que chorava e secava as lagrimas que já caiam em suas roupas. Já o homem que o acompanhava não parecia dar muita bola para qualquer um deles, apenas os olhava com desprezo e seguia seu caminho sem se preocupar se o garotinho o seguia ou não.
Depois de certo tempo andando os dois se encontravam no meio de uma série de construções de madeira em forma de um U de cabeça para baixo. O homem o guiou até uma casinha especifica, assim que se aproximaram o menino pode ouvir risadas.
Risadas. Alegria. Esperança...
O homem abriu a porta bruscamente, fazendo as duas pessoas que estavam lá dentro se assustarem e se calarem. Uma delas era um moreno de olhos verdes e cabelo rebelde que aparentava uns 7 anos. A outra era uma ruiva magrinha que aparentava 3 ou 4. Os dois estavam sentados em uma das camas simples, ele estava com as mãos na barriga dela como se estivesse fazendo cócegas na mesma a pouco tempo.
Sem uma única palavra o homem empurrou o garotinho para dentro violentamente, derrubando-o de joelhos ali dentro e sem mais delongas saiu e bateu a porta atrás de si. O garotinho voltou a chorar e o moreno andou até ele em silêncio com a ruivinha logo atrás de si, e parou logo a frente do garoto de joelhos e se inclinou.
— Por que você está chorando?
— Estou com medo — respondeu em um fiapo.
— Você não tem mais motivos para ter medo, agora tem quem te proteja.
O garotinho o olhou com olhos brilhantes e curiosos:
— Você vai me proteger?
O moreno se limitou a sorrir, o sorriso mais verdadeiro e convidativo que o garotinho já tinha visto.
— É uma promessa.
— O que é uma promessa? — perguntou, pegando a mão que o mais velho estendeu e se levantando.
O garoto fez uma careta diante da pergunta e pareceu pensar na resposta, mas a ruivinha que estava atrás dele abraçando uma de suas coxas quem respondeu.
— É algo que você promete pra alguém e que não pode quebrar de jeito nenhum!
— E por que não se pode quebrar uma promessa?
O moreno olhou para ele e sorriu:
— Não sei bem como explicar. Quando prometer algo a alguém e chegar a hora de cumprir você acha a resposta.
O garoto mais novo sorriu de volta para o mais velho e o abraçou:
— Então eu prometo que nunca vou ter medo quando você estiver do meu lado. Prometo que vamos ser uma família. Você vai ser meu irmão mais velho. — então pegou o pulso da ruivinha com uma das mãos e a puxou para o abraço dando-lhe logo depois um beijo na bochecha — E você vai ser a minha linda esposa.
PRIIIIIM. PRIIIIIM. PRIIIIIM.
Acordei com o coração disparado. Por algum motivo meus olhos jorravam garrafões de lágrimas e meus ombros pesavam. Mal controlava a respiração. Cobri aboca com a mão enquanto minha cabeça raciocinava.
Não, pensei aquele moreno não poderia ser o...
— ANNABETH — Percy praticamente metralhava a porta do lado de fora — VOCÊ ESTÁ ATRASADA CARALHO! ANDAAAAAAA!
Olhei para o despertador. 7:15. Lasquei-me.
Em uma espécie de se vira nos trinta tomei banho, me arrumei, escovei os dentes e passei maquiagem. Desci correndo as escadarias tão depressa que a última coisa que eu percebi antes do acidente foi o jumento do Percy subindo as escadas em alta velocidade com um copo na mão.
BAM. SPLASH. TUM. TUM. TUM. BUM!
Sim. Colidimos. Percy derramou o liquido (que agora eu sei que era leite) na própria roupa e antes que pudesse discursar em protesto caiu e, como todo infiel que cai dessa maldita escada, me puxou pelos cabelos compartilhando essa dolorosa experiência comigo. O primeiro abraço apertado de Percy Jackson e Annabeth Chase. Cadê o álbum da família numa hora dessas?
Assim que chegamos ao chão Percy se levantou parecendo uma espécie de Hitler ao leite após ver um comunista judeu gay falando mau de seu partido. Teria rido por anos se não estivesse ocupada tentando recuperar meu estado emocional e físico após a segunda queda livre na semana.
— OLHA A MERDA QUE VOCÊ FEZ! — berrou.
— TIROU AS PALAVRAS DA MINHA BOCA GAROTÃO!
— A CULPA FOI SUA!
— MAS EU NÃO FIZ NADA!
Percy Jogou as mãos para o alto e depois as usou para bater na própria coxa e sorriu sarcástico.
— Ah sim desculpe, tinha esquecido que quando eu subia as escadas com o meu leite um elefante voador me aplicou um golpe de judô e depois usou sua margarida mágica para me fazer botar a culpa em você!
— Ah, Vai se fo-
— PERCY! ANNABETH — Atena berrou — SÃO 7:30 DA MANHÃ VOCÊS NÃO PERCEBEM QUE ESTÃO INCOMODANDO OS VIZINHOS DO PLANETA AO LADO COM ESSA MERDA DE GRITARIA?
— Ahn, Querida — Papai cutucou-a gentilmente — Você também está gritando.
— ISSO NÃO VEM AO CASO!
Percy, que até agora assistia ao showzinho se virou para mim:
— Quero saber com que roupa eu vou para o colégio agora.
— Qual é o problema dessa? — perguntei com um sorriso sarcástico.
— Nenhum, é que, sabe?!... ELA ESTÁ ENCHARCADA DE LEITE.
— Bem, no seu primeiro dia você foi encharcado de café, então na sua primeira sexta na Goode estreie homenageando nosso querido leite ninho. Quem sabe próxima segunda você não vai de dona benta?...
— Vai tomar no-
— PAREM! — Atena gritou com o dedo nas têmporas — Vocês dois estão parecendo duas criancinhas!
— Mas foi ele quem começou — argumentei o apontando e batendo o pé.
— Foi nada — Percy retrucou fazendo minha mãe bater na própria testa se virando para o meu pai.
— Ta vendo só? Agora você acredita no que eu disse ser uma boa ideia?
— Bem... — Papai olhou para nós, que no momento trocávamos tapinhas como, detesto admitir, duas criancinhas — Talvez.
Paramos e olhamos para ele quase instantaneamente, dizendo em uníssono.
— Talvez o que?
— Ok, — começou Atena como se quisesse dizer essa frase a muito tempo — Vocês vão a um acampamento recém lançado para irmãos que não se dão bem, o nome é Acampamento meio sangue.
— QUE? — berramos.
— Ah crianças, vamos — papai tentou ajudar — Não vai ser tão ruim. Muitos amigos de vocês vão com os irmãos. Travis e Connor. Leo e Charles. Nico e Hazel. A Silena vai com a Drew e alguma outra irmã que esqueci o nome...
— Toda essa gente vai? — considerei e nos entre olhamos — Então não deve ser tão ruim. Quando vamos mãe?
Ela sorriu com escárnio:
— Todos os finais de semana, começando por este!
Me senti cair dura e grogue para trás com um baque surdo enquanto Percy suspirava algo como “Não faltava mais nada”. E realmente; ISSO ERA TUDO O QUE FALTAVA PARA MINHA MISÉRIA TOTAL!
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I am in misery there ain't nobody who can comfort me
Oh yeah
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