Dinastia de Cinza

13 DECLARAÇÕES IMPERDOÁVEIS


A chegada foi anunciada antes mesmo que o carro oficial cruzasse os portões discretos da casa de praia. O comboio negro destoava do cenário paradisíaco como uma mancha de autoridade no meio da liberdade. Bella estava sentada na areia com Emmett e Jasper quando ouviu o som dos motores ao longe. Ela não precisou olhar para saber quem era. Sentiu. Como sempre sentia quando Edward se aproximava — não como um homem comum, mas como uma mudança de pressão no ar. Alice, que organizava uma cesta de frutas para um lanche improvisado, congelou por um segundo antes de forçar um sorriso animado demais.

Edward saiu do carro primeiro, impecável como se estivesse entrando em uma coletiva de imprensa e não em um fim de semana informal. Carlisle veio logo atrás, postura firme, olhos avaliadores, enquanto Esme desceu com um olhar mais suave, quase ansioso. Edward viu Bella rindo. Viu a areia nos pés dela. Viu Emmett sentado perto demais. E algo dentro dele, já fragilizado pelas últimas semanas, se contraiu com violência silenciosa.

Bella levantou-se com naturalidade, mas não correu até ele. Não havia cena romântica. Não havia saudade escancarada. Havia distância educada.

— Vieram fiscalizar o litoral ou sentiram falta da brisa do mar? — ela provocou, cruzando os braços.

Edward inclinou a cabeça, analisando-a.

— Vim buscar minha esposa.

Emmett levantou-se devagar, limpando as mãos na bermuda.

— Ela não está perdida.

O silêncio entre os dois era carregado. Jasper percebeu primeiro e se aproximou, como quem tenta conter uma faísca antes que vire incêndio.

Ao longo do dia, os momentos entre Bella e Emmett continuaram pequenos, mas intensos o suficiente para incomodar. Ele a desafiava para corridas na areia. Ela aceitava. Ele fingia tropeçar para fazê-la cair junto. Ela ria alto demais. Era leveza pura. Não havia cálculo, nem tensão estratégica. Apenas cumplicidade. Edward observava cada gesto como se estivesse assistindo à própria substituição.

No fim da tarde, ele puxou Jasper para o lado da casa, longe das janelas.

— Isso é algum tipo de piada? — Edward perguntou, a voz baixa, mas carregada de raiva contida.

— Eles estão se divertindo. Só isso.

— Ele está flertando com a minha esposa.

Jasper sustentou o olhar do amigo.

— E você está com medo de que ela perceba como é estar com alguém que não a faz duvidar de si mesma.

A frase foi um soco mais eficaz que qualquer golpe físico. Edward fechou o punho, respirando fundo.

— Ele é meu irmão.

— Então talvez você devesse agir como marido antes de agir como presidente.

Enquanto isso, Bella estava na varanda com Alice, que mantinha os braços cruzados e o olhar sério demais para a ocasião.

— Eu preciso te pedir uma coisa — Alice começou.

— Se for para eu fingir que está tudo bem, eu já estou fazendo isso.

— Não é isso. É sobre Emmett.

Bella enrijeceu.

— O que tem ele?

— Não se envolva com ele. Se quiser dar troco no Edward, escolha qualquer homem no planeta. Mas não meu irmão. Não faça isso com eles.

Bella sentiu a ofensa como um estalo.

— Você acha que eu sou esse tipo de mulher?

— Eu acho que você está magoada. E pessoas magoadas fazem escolhas perigosas.

O orgulho de Bella se ergueu como muralha.

— Obrigada pela confiança.

Ela se afastou. E, a partir dali, fechou-se. Não riu tanto. Não provocou tanto. Apenas observou.

À noite, Alice organizou um luau na praia, determinado a forçar leveza onde havia tensão. Lanternas pendiam das árvores, uma fogueira crepitava no centro, música baixa misturava-se ao som do mar. Esme conversava com Carlisle mais afastados, tentando ignorar a tensão palpável entre os filhos.

Bella estava sentada na areia, abraçando os joelhos, quando Emmett se aproximou com dois copos.

— Você está com cara de quem quer socar alguém.

— Talvez eu queira.

Ele sentou ao lado dela.

— Então começa por mim. Eu aguento.

Ela riu, apesar de tudo. E aquele riso mudou o clima ao redor deles. Emmett a observou por alguns segundos, sério demais.

— Sabia que o seu sorriso consegue ser mais bonito que a lua e todas as estrelas juntas?

A frase saiu alta. Clara. Inevitável.

Edward ouviu.

Em dois passos, ele estava diante do irmão.

— Repete.

— Eu disse que o sorriso dela é bonito — Emmett respondeu, firme.

O primeiro soco veio rápido demais para qualquer intervenção. O segundo também. A briga não era apenas física — era meses de tensão acumulada explodindo. Jasper tentou separar. Carlisle gritou. Alice ficou imóvel, em choque.

Foi Esme quem entrou no meio, literalmente empurrando os dois homens adultos para longe um do outro com autoridade que nenhum deles ousou desafiar.

— Chega! — a voz dela cortou o ar como navalha. — Vocês não são adolescentes brigando por território. São homens. Ajam como tal.

Os dois estavam machucados, respiração pesada, orgulho ferido.

— Vocês estão de castigo — Esme declarou, furiosa. — E não estou brincando.

Horas depois, Edward entrou no quarto que dividia com Bella. Ela estava sentada na beira da cama, segurando o colar de diamante entre os dedos.

— Veio terminar o que começou na praia? — ela perguntou, sem olhar para ele.

Ele aproximou-se devagar.

— Eu não suporto ver você com ele.

Bella levantou-se, colocando o colar na mão dele.

— Então talvez você devesse ter pensado nisso antes de me dar motivos para procurar conforto em outro lugar. Eu não quero ser apenas uma esposa por conveniência, Edward. Eu quero ser amada.

— Você é amada! — ele explodiu. — Eu te amo! Como você pode sequer cogitar amar o Emmett? Ele é um crianção!

Ela sustentou o olhar dele.

— Eu não amo o Emmett como homem. Eu o amo como irmão. Como amigo. Quem eu amo como homem é você.

O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pela respiração pesada dos dois. Edward a puxou pela cintura, beijando-a com intensidade quase desesperada. Não era apenas desejo — era reafirmação. Era medo transformado em toque. A noite foi quente, profunda, carregada de reconciliação e necessidade. Não havia espaço para dúvidas ali, apenas para o que sentiam.

Na manhã seguinte, com o sol invadindo o quarto, Edward segurou o rosto dela com delicadeza.

— Me perdoa. Fica ao meu lado. Eu preciso de você.

Ele contou sobre o bebê. Sobre o vazio que sentiu ao segurá-lo. Sobre a culpa. Bella o ouviu em silêncio e, pela primeira vez, não julgou. Apenas o abraçou.

Mais tarde, os dois fizeram um piquenique na praia, longe de todos. Riram. Comeram frutas direto da cesta. Caminharam descalços na água fria. Por algumas horas, pareceram apenas um casal jovem tentando se encontrar no meio do caos.

Da varanda da casa, Emmett observava em silêncio. Esme aproximou-se, percebendo o olhar dele fixo demais.

— Está tudo bem? — ela perguntou suavemente.

Ele demorou alguns segundos para responder.

— Eu estou apaixonado pela esposa do meu irmão.

Esme fechou os olhos por um instante, como se já previsse que aquela história ainda estava longe de terminar.