Dinastia Camari
4 O encontro
Está do mesmo jeito que eu deixei a 8 meses, completamente fechado exceto por duas pequenas aberturas que eu usava como entrada e saída, meus rabiscos e desenhos na parede, o nome daqueles que eu havia conhecido e morreram... E 8 meses de sujeira acumulados. O teto era muito baixo o que fazia eu com meus 1,76m de altura quase encostar a cabeça no teto.
Pode parecer estranho e é muito estranho, mas eu gostava muito dali por causa da sensação de nostalgia. Ninguém normal iria gostar de relembrar de uma fase da sua vida tão ruim quanto essa minha fase, mas eu gostava. Não por causa do sofrimento nem nada moralista do tipo: É graças a isso que sou quem sou hoje.
Gosto de relembrar aquela época por que apesar de tudo eu me sentia livre, não tinha tanto peso pra carregar e... Tinha amigos, que já estão mortos, pelas mãos do tempo ou do maldito Rei Negro. Estou tão distraído com meus pensamentos que nem percebo a confusão que está rolando lá fora até uma jovem entrar, o que me faz acordar para realidade.
Fico ali parado olhando para ela, sem palavra e sem entender o que está acontecendo, então ouço do lado de fora – Para onde aquela fedelha foi? – diz um Cavaleiro, então duas pessoas param na frente da mini entrada.
Nesse momento meu cérebro volta a funcionar e entendo a situação, ela está fugindo dos Cavaleiros do Rei Negro e está tão focada naqueles dois que não percebe que estou ali atrás dela. Droga, se a pegarem eu irei junto e ainda vão descobrir o meu lugar secreto, penso rápido e percebo que não tenho escolha a não ser ajuda-la, afinal também quero saber como ela descobriu esse lugar.
Eu a agarro por trás tapando sua boca para evitar que ela grite – Se quer sair dessa, faça o que eu mandar e sem barulho – minha voz sai quase inaudível, mas a proximidade quase total de minha boca e seu ouvido faz a mensagem chegar bem nítida e ela concorda com a cabeça.
Eu solto-a e vou até a outra saída conferir se está tudo limpo e por sorte não vejo nenhum Cavaleiro – Vamos – digo sussurrando para ela voltando para o esconderijo. Tinha algo estranho nela, nunca a vi neste Feudo.
Ela me encara seria como se me analisasse e começa a andar na minha direção, saio mais uma vez verificando de novo e faço sinal para que ela me siga e juntos entramos em um beco e escalamos um dos edifícios, esse tem 3 andares, é o mais alto do quarteirão e vai nos dar uma boa visão da área – Agora é só esperar um pouco e... – quando noto, ela já está no teto ao lado, correndo.
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