Dinastia 1: O Sonho Real
43 Impasses
Notas iniciais
Observei todos os convidados que estavam assistindo ao casamento. Reconheci alguns amigos meus de Seraf, alguns colegas de faculdade, mas a maioria eu não reconhecia. Sabia que tinham muito políticos e membros de outras monarquias, como o Príncipe Charles e a sua esposa Camila da Inglaterra, a princesa Victoria da Suécia e muitos outros. Pela primeira vez, me dei conta o quanto o nosso casamento também era uma cerimônia de Estado.
Na verdade, há dias eu estava me envolvendo no processo de preparação para a minha entrada oficial na família real, mas havia momentos que parecia que eu estava no automático ou que ainda não tinha caído verdadeiramente a ficha do quanto aquilo significava para mim. Por mais que eu tivesse me impressionado com tantas coisas novas que eu descobria sobre eles, sobre suas regras, por mais que eu estudasse todos aqueles protocolos e etiquetas, no fundo ainda não parecia real.
Acho que me dei conta totalmente o quanto tudo era sério quando Esme e eu chegamos ao consultório da ginecologista dela. Era de praxe que todas as futuras esposas de príncipes herdeiros fizessem um teste de fertilidade para garantir que haveriam herdeiros na fila do trono. Era bastante constrangedor e eu vinha adiando esse momento por dias, mas não podia mais passar de hoje, já que faltavam apenas quatro dias para o meu casamento. Esse exame era a prova maior que a monarquia deveria vir em primeiro lugar independente de qualquer coisa.
— Me desculpe por isso Bella. É algo que realmente não está no meu controle. Não quero que pense que estou aqui lhe acompanhando por que quero garantir com certeza que é fértil.
— Não se desculpe. Eu entendo.
— Esse exame é só por vias de burocracia. Mas encare como algo rotineiro, todos os anos, nós todos fazemos exames médicos para assegurar a nossa saúde.
Assenti e ela continuou tentando se explicar. Eu sabia que estava sendo um momento constrangedor para ela também. Comecei a batucar na cadeira da recepção a espera que fossemos chamadas. Eu estava nervosa e com medo. E se o exame desse que eu não era fértil? Que jamais eu poderia ter filhos? Seria um castigo assombroso para mim que nunca tinha desejado ter uma criança. Porém, isso seria ruim para Edward também. Isso poderia comprometer o nosso casamento? Seria terrível se isso acontecesse faltando tão poucos dias para a cerimônia!
— Senhorita Swan? – a atendente chamou.
— Sim.
Levantei depressa e Esme me acompanhou. A atendente depois a médica fizeram uma reverência e nos sentamos já dentro do consultório. A médica se chamava Eva, bem propício, pensei comigo mesma. Ela era até jovem e parecia bastante profissional. Dei graças aos céus por ser uma mulher que faria esse exame, com um homem teria sido ainda pior.
— Bom dia para as duas! Veio fazer o exame de fertilidade Isabella?
— Sim.
— Ótimo! Gostaria de parabenizá-la pelo casamento. Acho que você está realizando o sonho de todas as mulheres de Belgonia.
Sorri meio sem graça, sem saber o que dizer com tanto nervosismo e vergonha.
— Quero garantir, doutora, que esse exame e o resultado dele seja o mais sigiloso possível. Não quero que a mídia fique especulando o que não deve.
— Pode ter certeza que será, majestade.
Abri a bolsa e peguei os resultados dos exames que eu tinha feito. Eram muitos como tipagem sanguínea, glicose, exame de urina e outros mais. Entreguei-os para a médica para agilizar logo o processo, ela percebeu a minha ansiedade e os recebeu. Começou a analisá-los e eu a observava nervosa. Com medo de ela encontrar alguma anomalia que me impedisse de casar com Edward ou que dissessem que eu iria morrer. Eu estava exagerando? Estava, mas eu tinha que pensar em todas as possibilidades.
— Tudo está ok, Isabella, você é bastante saudável! Porém, tem uma coisinha aqui pode atrapalhar.
— O que é? – perguntei já tremendo.
— Seu Rh.
— Como assim?
— Você tem sangue O- e o que consta nos arquivos, é que o príncipe é A+. Vai dar uma incompatibilidade quando o neném for nascer. Por que pode ser que ele herde o tipo de sangue do pai e não o seu e pode gerar uma doença chamada Eritroblastose fetal.
Me curvei derrotada na cadeira. Eu sabia que tinha algum problema. Por que a falta de sorte nunca era o suficiente para mim. Esme tocou a minha mão tentando me consolar.
— Calma Bella. Isso é algo que pode ser resolvido, não é doutora?
— Claro que sim. As chances do primeiro bebê ter essa doença são pequenas. Vamos acompanhar a sua gravidez de perto quando ela acontecer e para que não haja riscos, há injeções de imunoglobulina Rh que são dadas nas 72 horas depois do parto e evitam a produção de anticorpos que causam a sensibilização nas futuras gestações.
Respirei aliviada. Não era algo tão grande assim.
— Bom, vamos para o exame de fertilidade. Há várias maneiras de saber se uma mulher é fértil ou não. Um desses exames é a ultrassom transvaginal. Ele é mais simples e rápida. Você já iniciou as suas atividades sexuais?
— Sim.
— Tem algum problema para você realizar esse exame?
— Problema algum.
— Então, por favor, entre naquele cubículo e troque de roupa.
Fiz o que ela pediu com o mesmo constrangimento de antes. Eu nunca tinha feito isso antes e eu sabia que iria ser desconfortável. Sentei na mesa de exame e a médica inseriu a sonda em mim. Depois, algumas imagens surgiram no monitor e a doutora analisou o meu útero, ovários, trompas, e colo do útero. Esme só observava de longe ainda sentada ao lado da mesa da médica, não querendo atrapalhar nada e nem me constranger ainda mais. A médica sorriu, após o exame e olhou para mim.
— Está tudo certo dentro de você. Não se preocupe que fertilidade não é o seu problema. Só temos que tomar cuidado com o fator Rh-.
— Certo.
Suspirei aliviada e sai sorrindo da clínica com Esme. Ela estava toda sorridente ao meu lado. Provavelmente já sonhando com os futuros netos. Eu me sentia uma pluma nesse momento.
Seguimos para o palácio, onde Edward e eu discutiríamos e assinaríamos o nosso contrato de casamento. Era algo bastante complexo. Claro que nos casamentos normais isso não aconteciam, as pessoas não tinham muita coisa em jogo e nem muito o que oferecer um ao outro. Mas tudo na família real era muito certo e rígido. Tudo tinha que ser preto no branco, na base da lei. Por isso, fui atrás de um advogado que entendesse a legislação real para que pudesse me ajudar. Não foi fácil, mas recebi boas indicações. Na verdade, eu nem estava muito interessada em todos os termos complicados desse contrato, só queria me garantir de algumas coisas e o resto fazia parte.
Quando chegamos ao palácio, encontramos o meu advogado me aguardando na sala de espera. Entramos nós três no escritório de Carlisle, onde o encontramos ao lado de Edward e o advogado do palácio já reunidos. Fui até Edward e sentei ao seu lado e unimos as nossas mãos.
— Estão todos prontos? – perguntou o advogado do palácio.
— Sim. – respondi antes de todos.
— Perfeito. Espero que todos tenham lido o contrato.
— Sim. Eu e a minha cliente estamos cientes dos termos e até posso dizer que está bem justo e condizente com a legislação real. – falou Mathew, o meu advogado. Assenti concordando.
— Claro que está. Queremos que ambas as partes se beneficiem com esse casamento. Mas tem alguns termos que temos que ressaltar para que fique perfeitamente claro antes da assinatura. Gostaria que tivessem com os seus contratos em mãos.
Pegamos o nosso contrato e Edward voltou-se para mim e me disse baixinho de forma bem discreta:
— Preferia que não fosse tão burocrático. Quero que saiba que confio totalmente em você. – Edward falou enquanto batia o olho para mim.
— Eu sei, são ossos do ofício.
Ele sorriu e nos voltamos ao que estava sendo discutido.
— Primeira coisa que temos que deixar claro. – iniciou o advogado do palácio.- Esse casamento será realizado com separação total de bens. Ou seja, todo o patrimônio de ambas as partes continuaram com o seus devidos proprietários em caso de divórcio. Todos de acordo?
— Sim. – Eu e Edward falamos em conjunto.
— Tudo que for adquirido em conjunto após o casamento será divido igualmente para ambos e a duquesa deverá receber a quantia indicada no contrato como pensão, porém perderá o título de sua alteza real e o de nobreza adquirido antes do casamento em caso de divorcio.
Assenti e ele prosseguiu. Nem me espantei já que nunca desejei nada que não fosse meu. Tudo isso tinha ficado bastante claro para mim antes mesmo de eu ler o contrato.
— Ótimo! Vamos seguir para o tópico relacionado aos herdeiros que deverão ser gerados dessa união.
O advogado avançou as páginas do contrato e eu fiquei mais nervosa. Apertei a mão de Edward e ele me olhou com olhar sereno. Sempre quando chegava na parte dos filhos, eu ficava nervosa, era muita pressão que havia em cima disso.
— Vocês deverão obrigatoriamente ter no mínimo dois filhos para que a linha sucessória ao trono real de Belgonia esteja garantido.
— E esses bebês têm que ser meninos? – perguntei.
— Não necessariamente, Bella. – respondeu Carlisle. – Fiz uma mudança na legislação há uns anos atrás que dá direito a mulheres também herdarem o trono. Ou seja, se nascer uma menina primeiro, ela poderá um dia se tornar rainha.
Assenti e o advogado continuou. Pelo menos esse detalhe não pesaria nas minhas costas e nem nas de Edward. Já que em muitos países monárquicos a prioridade masculina na ascendência ao trono era obrigatória. Lembrei das velhas histórias inglesas da Idade Média que muitas rainhas sofriam horrores para tentarem ter um menino e ficavam até doentes por acreditarem que eram culpadas por só terem meninas.
— Enquanto, o primeiro filho ou filha de vocês não nascer e crescer saudável, vocês não podem usar nenhum contraceptivo, após o casamento, que impeça a concepção do herdeiro ao trono.
Olhei para Esme e ela assentiu sem jeito. Edward apertou a minha mão. Eu tinha achado uma bizarrice sem fim quando li essa parte do contrato. Até liguei para Mathew para saber se podíamos modificar alguma coisa com relação a isso. Mas ao que parecia, nada disso poderia ser modificado. Novos herdeiros eram estritamente necessários para a continuidade da monarquia. Ou seja, eu tinha que engravidar o mais rápido possível, independente do que eu tivesse sentindo ou pensando. Nem preciso dizer que eu estava me sentindo uma vaca parideira.
— Nenhum de vocês terão a guarda definitiva unilateral de seus filhos. Eles deverão pertencer aos monarcas vigentes.
Uma luz se acendeu na minha mente quando ouvi isso. Peguei o meu contrato e tentei acompanhar onde ele tinha dito isso, pois eu não me lembrava de ter lido isso antes. Quer dizer que os filhos que eu teria não seriam meus? Como assim? Olhei para o meu advogado e pedi uma explicação.
— Isso está assegurado no contrato?
— Está Bella. – Mathew confirmou. — Isso está presente no código de leis da realeza. Todos os menores de idade que estão até a sexta posição da linha sucessória ao trono são de responsabilidade de suas majestades.
Folhei as páginas novamente e ali estava a bendita cláusula. Tão claro feito água. Como deixei passar essa informação na minha leitura?
— Quer dizer que Edward e eu não teremos direito a nada com relação aos nossos próprios filhos?
— Não é assim, Bella. Você e Edward vão poder ficar com as crianças, cuidar delas e todas as outras coisas, porém, Carlisle e eu por lei temos que nos manter informados de tudo que acontece com eles. – explicou Esme.
— Papai e mamãe terão também direito de palpitar em suas vidas e na educação que lhes daremos por que eles terão na lei a guarda deles. Isso protege a monarquia de perder esses herdeiros. – falou Edward, mas eu continuava abismada e confusa.
— E em caso de divorcio, os seus filhos continuaram as vistas do rei e da rainha e sendo educados e cuidados por eles. – falou o advogado da família real.
— Mas se o divorcio vier a acontecer podemos entrar num acordo. – falou Mathew.
— Sim, é claro. Mas essa cláusula não pode ser alterada.
Minha cabeça rodou. Quer dizer de qualquer forma, eu e Edward não teríamos totais direitos sobre os nossos próprios filhos? Seriamos apenas, na prática, cuidadores deles. Isso me impediria de viajar com eles para onde quisesse, de tê-los comigo se me separasse de Edward e uma série de outras coisas. Isso era muito injusto!
— Bella, quero que entenda que isso não é algo que está em nosso controle. Esme e eu também tivemos que passar por isso quando os nossos filhos nasceram. Porém, eu quero que fique certa que não vamos interferir nos cuidados e na educação que vocês escolherem para os nossos netos. Quero que seja o mais cômodo possível para todos.
Assenti ainda surpresa. Era muito para assimilar. Quer dizer eu teria que engravidar o mais rápido possível, sofrer com o desconforto da gravidez e parto para no final eu não ter direito para com aquela criança? Eu e Edward éramos pais de aluguel, afinal de contas? Aonde é que eu estava quando não vi isso no contrato? Certo que pulei muitas coisas por que ele era bastante longo, mas isso deveria estar em letras garrafais, não é?
O advogado continuou ressaltando mais algumas coisas e minha cabeça ainda girava. Era muito para enfrentar, mas do que qualquer um espera com certeza. A monarquia não era brincadeira mesmo. Só haviam dois motivos para suportar tudo isso, muito amor ou sede de poder. No meu caso era amor demais que me prendia nessa loucura.
Esme não tirava os olhos de mim e eu fiquei imaginando que ela teve que suportar isso em dobro por que a família real não gostava dela também e ela estava aqui firme e forte. Não sei se a mesma de antes, mas tão ativa e presente como ninguém. Ela era mesmo uma guerreira.
Chegou a hora de assinarmos os papeis. Eram tantas cláusulas, regras e protocolos que resolvemos não mexer em nada, ainda mais no meu estado de espírito. Edward assinou primeiro e depois passou a caneta para mim. Olhei bem para ele e fiquei alguns instantes o observando, absorvendo todos aqueles sentimentos que vinham em mim quando eu olhava o seu rosto. Me lembrando de tudo que me fazia gostar nele e de todos os momentos que passamos juntos. Era só por ele que eu estava fazendo isso. Por que eu só sairia perdendo nessa história. Luxo ou poder nenhum pagaria tudo que eu tinha que deixar para trás. A caneta pesou na minha mão e ele me olhou como se pedisse para que eu não desistisse. Se fosse por outro, eu já teria caído fora. Mas eu amava Edward e essas eram as condições para eu ficar com ele. Voltei a minha atenção para os papéis em frente e comecei a assinar um por um, mas ainda com uma pitada de ressentimento. Agora eu não poderia voltar atrás nunca.
Saímos do escritório de Carlisle em silêncio. Eu só queria chorar e expulsar para fora todo aquele peso. Edward pegou a minha mão e me levou até os jardins para darmos uma caminhada. Eu estava mole feito uma gelatina e me sentindo bastante impotente. Edward compreendeu o meu estado, me abraçou e encostou a testa na minha.
— Me desculpe por isso Bella. Juro que se fosse por mim, as coisas não seriam desse jeito, porém, essas leis elas são centenárias e são elas que sustentam essa instituição que vivemos.
— Eu sei, Edward. A culpa não é sua. Mas entenda.... É demais! É muita coisa para abrir mão e coisas muito sérias.
— Eu entendo.
Ele retirou os braços da minha cintura e saiu caminhando. Ele parecia tão chateado quanto eu. Claro que estava, afinal de contas, afetava ele também. Porém, isso era novo para mim e não para ele.
— Eu estou entendendo o porquê de você demorar tanto a aceitar o meu pedido de casamento. Eu fui um egoísta em insistir e te arrastar desse jeito para essa complicação toda. Fui injusto com você, Bella.
Fui até ele e segurei as suas mãos.
— Não quero que se culpe, por favor. Eu aceitei por que eu quis.
— Eu sei. Mas...
Coloquei o dedo em sua boca para impedi-lo de continuar.
— Não diga mais nada. Edward, essa decisão nunca foi entre você ou a minha vida normal. Sempre foi sobre o que eu era e o que eu iria me transformar. Não está sendo fácil para mim esse processo, eu confesso. Eu ainda estou em transe com tudo isso. Mas se eu disse sim a você é por que eu sabia que poderia enfrentar tudo.
— Eu te prometo Bella que não precisará ser tão duro quanto está parecendo. Não precisamos seguir tudo ao pé da letra. O que importa é sermos felizes e é tudo que eu desejo.
— Só quero que prometa uma coisa.
— O que?
— Que vamos fazer isso dar certo, independente de qualquer coisa, vamos continuar unidos nessa batalha.
— Eu prometo. Até o dia em que eu parar de respirar.
Encostei a testa na dele novamente e ele me beijou de leve. É por essas e outras que eu suportava tudo por que eu acreditava que ele valia a pena. E que Deus me ajudasse a encarar tudo como se deve.
Seguimos para Frogmore para termos um momento nosso. Eu não aguentava mais ficar naquele palácio e ter que pensar em todas aquelas regras absurdas outra vez. Nossas mãos não se desgrudavam. Eu não queria deixá-lo de jeito nenhum. Nesse instante, me lembrei do exame e resolvi contar a novidade. Tirei o papel da bolsa e dei a ele.
— Pelo menos vamos poder ter quantos bebês quisermos se depender só do meu corpo.
— Eu sempre soube disso Bella.
— Só temos que nos preocuparmos com o meu RH.
— Ele é negativo.
— Pra variar...
— Não se preocupe, meu anjo, nossos filhos vão ser saudáveis e lindos como você.
— Eles tinham que parecer pelo menos comigo para eu poder ganhar alguma coisa nessa história.
Ri e bati de olho para ele.
— Por mim, eu não teria interferência nenhuma neles.
— Pois, eu quero que sejam iguaizinhos a você.
Ele beijou a minha testa e entramos na minha casa provisória. Tudo estava estranhamente silencioso e isso me espantou. Também todas as luzes estavam desligadas. O que teria acontecido?
— Surpresa!
As luzes se abriram e todos aqueles que mais eu amava saíram de seus lugares cantando os parabéns em uma só voz. Com toda essa agitação dos últimos dias, eu até tinha esquecido o meu aniversário. Estavam todos ali, minha mãe, meu pai, Sue, Phill, Jake, Leah, Angela, Bem e uns amigos da faculdade. Olhei surpresa para Edward e ele me olhou com uma cara suspeita. Era óbvio que ele tinha planejado tudo e a presença de Alice, Rosalie e Emmett me diziam muito sobre isso.
— Seu danado, você planejou tudo e nem me avisou?
— Surpresa é surpresa, meu anjo.
Alice veio com um bolo enorme cheio de velas e as soprei. Eu nunca tinha gostado muito de aniversário, mas esse estava sendo bastante especial.
— Qual foi o seu pedido Bella?
— É segredo Alice! Se conforme com isso. Além do mais, todos que eu amo estão aqui. Eu não poderia querer mais.
E era verdade. No ano passado, eu fiz questão de comemorar o meu aniversário apenas com Edward. Tivemos um jantar romântico e uma noite incrível no quarto dele no campus. Mas estar ali com todos os meus amigos e a minha família me faz me sentir mais confortável e mais amada. Me aproximava de quem eu era e me deixava mais livre de todas as responsabilidades que agora eu tinha que encarar.
Ouvir as conversas aleatórias de Ângela sobre sua vida, as novidades do campus, abraçar o meu pai e saber que ele estava bem ao lado de Sue, ver Jake progredir cada vez mais com Leah, os risos alegres de Claire enquanto ela brincava com Edward, era tudo tão confortável! Os seus problemas eram tão pequenos, suas vidas tão diferentes da minha e pensar que um dia eu tinha essa mesma vida era surreal! Mas sentir o calor deles essa noite me dava uma nova energia e me lembrava que eu nunca estaria sozinha, mesmo num outro universo. Eles sempre estariam ali, não importa o que acontecesse e isso me aproximava mais de quem eu estava deixando ir. E mesmo o quanto eu mudasse ou qualquer coisa que viesse a acontecer, eu manteria a promessa de nunca me afastar deles e sempre manter viva quem eu era.
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