Notas iniciais
Esse capítulo é inteirinho dedicado a AIKA que me deixou tão honrada ao ler a recomendação que ela tinha escrito para a minha história. Quero lhe dizer, Aika, que você é uma das minhas leitoras mais especiais! Amo os seus comentários e teorias. Aguardo sempre a sua opinião por que sei que vai vir sempre alguma coisa boa e interessante. Espero que goste do capítulo! Boa Leitura!

Nos viramos e vimos uma garotinha linda, loirinha vindo em nossa direção. Era Michelle, uma de nossas daminhas, ainda era parente, mesmo que distante, de Edward. Ela havia participado antes do casamento de Emmett e Rosalie e sabia exatamente o que estava fazendo como se aquele fosse à função de sua vida. Ela trazia as nossas alianças num pequeno travesseiro. O padre as pegou e abençoou.

— Ó Deus, que fizestes várias alianças com os homens através de Noé, Abraão, Moisés, prometendo-lhes proteção carinhosa e dando-lhes a missão de formar, no vosso amor, o vosso povo, para o nascimento do vosso Filho Jesus Cristo, abençoai agora estas alianças que Edward e Isabella vão usar. Fazei que elas sejam o sinal da promessa mútua de proteção, fidelidade, amor, e uma lembrança contínua da missão que receberam de Vós: preparar um ambiente humano e cheio de amor para testemunhar a vossa presença no mundo. Por Cristo, Nosso Senhor.

Fizemos o sinal da cruz e eu olhei nervosa para Edward e de repente veio a minha mente o dia em que formos para Clarence tentar passar um tempo juntos para curar as nossas inseguranças. Acho que só quando vi Edward ali caído no chão, quando descobri que poderia perdê-lo, é que tive a real noção de que eu não poderia viver sem ele e que éramos um time e isso nunca mudaria independente de qualquer situação.

Naquele dia, Edward me olhava com uma cara de surpresa e realmente era esse o sentimento que deveria estar dentro dele, afinal eu só havia contado a ele que iríamos passar uma semana em Clarence assim que chegamos do Hospital. Carlisle e Esme haviam nos deixado no quarto dele e se despediram de nós sem muitos comentários, apenas deixaram mil recomendações a Edward e ele ouvia tudo sem entender. Os deixei sozinhos por um momento para que conversassem enquanto seguia para o meu quarto aprontar as minhas malas. Enquanto arrumava as minhas coisas, eu mal podia me conter de tanta ansiedade. Eu sabia que a situação não era totalmente propicia, mas nada pagava uma semana inteirinha com Edward.

Quando cheguei no quarto dele fui logo recebida com sua cara de total surpresa ao me ver arrastando uma mala.

— O que está fazendo?

— Vamos passar uma semana em Clarence.

— O que?

— É isso mesmo que você ouviu. Eu combinei com os seus pais que queria passar um tempo de verdade com você para que a gente pudesse se entender e eles gentilmente nos ofereceram o palácio de Clarence para ficarmos.

— Eu não consigo acreditar. – disse ele sorrindo. – Vocês agora são cúmplices?

— Nós só queremos o seu bem.

Fui até o guarda roupa dele e peguei a mala e comecei a por as roupas dele dentro.

— Deixa que eu faço isso. – falou enquanto se juntava a mim.

Virei o rosto dele para mim. Era quase impossível não se envolver naquela imensidão azul de seus olhos.

— Vamos aproveitar essa semana para ajeitar as coisas. Para melhorarmos a confiança que temos um no outro.

— Eu já confio em você, Bella, não precisamos ir a Clarence para que isso aconteça.

— É, mas agora é diferente. Há muitas coisas erradas dentro de nós mesmos que precisam ser consertadas e para que isso aconteça é necessário que confiemos um no outro.

Edward abaixou o rosto, meio constrangido e eu acariciei os seus cabelos.

— Vamos usar esse tempo juntos para nos conhecermos melhor e tentarmos superar qualquer coisa que estejam nos atrapalhando. Você promete que vai tentar?

—Tudo bem. – ele prometeu baixinho.

— Tem outra coisa que eu quero que você prometa.

Ele me olhou novamente com curiosidade.

— Sem mais remédios, sem mais segredos e nem atos impensáveis. Toda vez que se sentir triste, eu quero que me procure e converse comigo, promete?

— Prometo.

Enrosquei os meus braços em torno do pescoço dele e beijei-o carinhosamente. Sua língua passeava pela minha boca e eu sentia um desejo enorme de aprofundar aquele beijo para outras coisinhas mais, porém eu sabia que John já estava nos esperando lá fora. Descolei os nossos lábios dando pequenos selinhos nele.

— Termine de arrumar as suas coisas.

Ele deu sorriso maroto e recomeçou a colocar as suas roupas na mala. Aproveitei para ir ao banheiro e jogar fora todos aqueles remédios malditos. Abri o armário decidida, sabendo que Edward me observava e peguei o vidro do antidepressivo e despejei todo seu conteúdo no aparelho sanitário e ainda quebrei todo o vidro e joguei o resto fora. Edward ria com o meu gesto. Eu preferia prevenir e deixar aquela tentação bem longe dele.

Depois de arrumar tudo formos até o carro. Eram mais ou menos uma hora e meia de viagem até Clarence. Permanecemos em silêncio durante todo o percurso. Ficamos apenas fazendo carinhos um no outro e observando a paisagem lá fora. Era impossível não se encantar com as belezas do caminho! Com todo o centro histórico de Genove e com as paisagens naturais de Cordinia. Porém, nada era comparado a beleza de Clarence. A cidade era tão rica devido às minas de pedras preciosas, mas parecia um pequeno povoado medieval saído direto dos livros de História. Era uma cidade simples e bela.

Seguimos direto para o palácio de Clarence e adentramos num pequeno paraíso. Abri a boca impressionada com toda beleza e grandiosidade. Eu já tinha vindo aqui antes com Edward, porém não chegara a reparar direito no lugar. O prédio tinha dois andares e trazia traços antigos que lembravam os velhos casarões do século XIX, porém não tão suntuoso quanto o palácio de Belgravia.

Descemos do carro e Edward me abraçou também olhando para a fachada do palácio. Respirou fundo como se quisesse absorver toda a atmosfera do ambiente e sorriu.

— Seja bem vinda de volta a Clarence.

— É tão lindo!

— Verdade. Passei tantos momentos felizes aqui!

— Então, a sua mãe acertou na escolha, afinal?

— Claro que sim. O palácio foi feito para isso, para ser um lar de bons momentos. Um abrigo seguro para os dias de folga. Nós sempre viemos aqui nas férias de verão e durante o feriado de fim de ano.

— Deve ser muito bom mesmo para descansar.

Ele pegou a minha mão e adentramos o ambiente. O saguão de entrada era enorme e logo de cara vi duas grandes escadas brancas que levavam para o andar de cima. Acho que qualquer criança se sentiria livre aqui. Eu mesma me sentia leve como uma pluma.

— Quer conhecer mais o palácio?

— É claro. Quero conhecer tudo!

Sai na frente adentrando uma das portas de acesso no saguão. Era uma sala bem bonita, decorada com papeis de parede vermelhos e com dois enormes lustres que davam uma elegância incomum ao ambiente. As poltronas combinavam com o tom do ambiente que também haviam diversos quadros. Mas o que me chamou atenção foi uma das fotos que ficavam expostas ali. Era uma bem antiga que mostrava Carlisle e Esme ainda bem jovens com os seus três filhos ainda pequenos. Era uma foto do batizado de Alice e todos eles pareciam bem naturais e felizes nela. Eu podia imaginar em qual ponto as coisas se transformariam para um lado bem negro.

— Essa é uma das salas de visita do palácio. – Edward falou atrás de mim.

Ao perceber minha curiosidade com um dos porta retratos e veio ver de que foto se tratava. Ele sorriu ao ver qual era.

— É uma foto antiga do batizado de Alice, é uma das preferidas dos meus pais.

— É uma foto muito bonita!

— Concordo. Éramos muito felizes nessa época. Não tínhamos um trono nas nossas costas.

— Seus pais eram mais felizes quando não eram rei e rainha, então?

— Podemos dizer que sim. Imagina, eles nessa época da foto eram praticamente recém-casados e estavam construindo a sua família. Não tinham muitas obrigações além dos compromissos oficiais e os cuidados com os filhos. Como eles não podiam ser felizes?

Devolvi o porta retrato ao lugar e peguei outro onde havia uma foto de Esme e Carlisle ainda mais jovens. Essa eu conhecia, era a foto oficial de noivado dos dois. Eu a tinha visto com a minha mãe na internet quando pesquisávamos sobre eles. Desviei o meu olhar para Edward e ele também parecia absorto num quadro enorme de seus pais que estava na parede. Na pintura, estava Carlisle sentado todo vestido com o manto e com uma coroa na cabeça, e Esme também com os mesmos acessórios de pé ao lado dele. Com certeza esse quadro foi pintado representando a coroação dos dois como os atuais monarcas de Belgonia.

— Eu sempre quis entender por que vocês se sentem assim tão oprimidos diante da ideia do trono e das obrigações monárquicas. Qualquer um se sentiria muito idealizado diante de tal posição.

— Acho que opressão não é a palavra certa. Afinal, a monarquia tem o seu lado bom. Ser rei ou rainha é uma honra realmente, nos proporciona a fazermos muitas coisas boas, porém ela também traz muitas responsabilidades. Você passa a abdicar da sua vida em nome do seu povo. Não tendo mais direito à liberdade, apenas obrigações. Além do que você se ver diante de tanto poder que pode te consumir se não tiver cuidado. É algo duro que jamais ninguém que não passou por isso vai entender.

— Acha que a vida de vocês seria melhor se não tivessem um país para cuidar?

Ele pensou por um instante e deu um sorriso de leve.

— É difícil imaginar como seria. Já que desde o principio já sabíamos que iria acontecer. Porém, eu acredito que talvez fosse mais fácil para todos nós se fossemos pessoas comuns.

Abracei-o e encostei o meu queixo no peito dele. Edward nunca teria escolha. Sempre estaria destinado a esse futuro tão grandioso e pesado demais. Imagino que esse medo do poder e da responsabilidade de governar um país tenha assustado não só a ele, mas toda a família, fazendo com que eles fizessem coisas absurdas. De repente me lembrei o que Esme me falou no hospital e fiquei me perguntando o que ela teria feito de tão avassalador e ruim que a abalara tanto?

— Emmett chorou horrores quando se deu conta que ele seria o próximo na linha de sucessão.

— Foi mesmo? – falei enquanto tentava imaginar a cena. Emmett não parecia um homem que chorava.

— Emmett sempre detestou o fato de um dia herdar o trono de Belgonia. Ele sempre foi um espírito livre e foi mimado o suficiente para achar que podia fazer tudo que queria e o que ele desejava não tinha nada a ver com o que cobravam dele.

— E você? O que sentiu quando soube que seria você a suceder o seu pai e não Emmett?

Ele me olhou com firmeza pela primeira vez e eu sabia que ele estava tentando de verdade se abrir comigo, falar sobre coisas que ele tinha empurrado para o fundo da mente para que essas lembranças não doessem mais dentro dele. Mas às vezes a dor era necessária.

— Foi a pior sensação que senti. – falou enquanto pegava uma foto dele com aproximadamente oito anos vestindo a farda do colégio a qual estudou. – Eu sempre fui absurdamente tímido. Sempre me escondia de qualquer problema e incontáveis vezes Emmett teve que me defender das provocações de uns colegas chatos da escola. Eu vi no meu irmão um grande herói e eu gostava que ele tivesse lá nos protegendo, nos guiando, recebendo todas as atenções... Eu gostava de estar debaixo da sombra dele.

— E ai de repente todos os holofotes viraram-se para você.

— E todos os olhos estavam em mim e eu me sentia como um cachorrinho perdido sem saber o que fazer com toda aquela atenção e expectativas em cima de mim. Eu queria apenas desaparecer.

Ele fechou os olhos com força se lembrando daqueles tumultuosos anos de sua adolescência. Eu sabia que toda essa transição tinha sido muito traumática para ele e eu comecei a entender a sua psicologia. Edward tinha uma personalidade frágil, cercada de muitas incertezas e medos, isso nunca foi trabalhado nele durante a infância e o problema foi só crescendo e ficando pior com os anos. Na verdade, acho que Esme e Carlisle apesar de se preocuparem com isso nunca souberam lidar com a personalidade de ambos os filhos, o impulsivo Emmett e o sensível Edward. E quando as coisas saíram do controle já não tinha mais o que fazer. Na verdade, ninguém esperava que o jogo virasse de repente e Edward fosse o próximo a ganhar a coroa, nem puderam se preparar para isso.

— E pensar que se o meu tio avô não tivesse morrido isso nunca teria acontecido... Estaríamos longe do trono e dessa confusão toda.

— Como assim?

Edward pegou um porta retrato ainda maior e me mostrou. Era uma foto bem antiga da rainha Mary, do Rei Vincent e todos os seus oito filhos. O momento provavelmente foi registrado um pouco antes da tragédia que abalou a família durante a Segunda Guerra Mundial.

— Quem assumiria o trono era o filho mais velho deles, o príncipe Lourenzo, que morreu junto com os pais no trem que sofreu o atentado pelos alemães.

— Então quer dizer que você não é o único segundo filho a tomar a frente na linha de sucessão?

— Não. Engraçado como a História se repete, não é?

— E você já imaginou o que você estaria fazendo agora se não fosse príncipe?

— Eu estaria me formando em medicina. Eu sempre me interessei pelo corpo humano e sempre achei um máximo o funcionamento dele. Mas isso jamais vai acontecer, não é? – o entusiasmo em sua voz se transformou em tristeza. – E ainda estarei fadado a passar esse legado para os meus futuros filhos que também não terão escolha nenhuma...

Por um milésimo de segundo veio um pensamento em minha mente e imaginei vendo o meu filho com Edward também sofrendo como o pai por um dia não poder realizar os seus grandes sonhos e desejos. Uma tristeza me abateu, mas logo afastei esse pensamento da minha mente, eu não podia imaginar essas coisas.

Encostei a minha cabeça na testa de Edward e ele beijou os meus cabelos. A monarquia tinha mesmo um preço muito alto que nem todos estavam dispostos a pagar.

Notas finais
Agradeço também a Talita Martins, Anna, Cupcakeimperfeito, juaassaid e lelinhacullen pelos comentários incríveis! Nem preciso dizer que quero muitos comentários nesse capítulo também né? Aguardo-os ansiosamente! E antes que eu esqueça, coloquei nesse capítulos algumas fotos para ajudar vocês a viajaram pela história e nos cenários. Para vê-las basta apertar no link inseridos em cima de algumas palavras que vão estar em destaque ;)