Dinastia 1: O Sonho Real
8 Descobertas
Notas iniciais
Eu mal tinha consciência de Carlisle de pé ao lado dele, e nem do padre atrás deles dois. Eu não vi minha mãe de onde ela devia estar sentada na primeira fileira, nem a minha família nova, ou nenhum dos meus convidados – eles teriam que esperar até mais tarde. Tudo o que eu realmente via era o rosto de Edward; ele encheu minha visão e dominou minha mente. Os olhos dele estavam claros, seu rosto perfeito estava quase parecendo severo com a profundidade de suas emoções. E aí, quando ele encontrou meu olhar abismado, ele se quebrou em um sorriso feliz de tirar o fôlego. Era o nosso momento e nada mais importava.
***
— Estou ansiosa! – Falei enquanto Edward me levava até a porta do dormitório dele.
— Eu confesso que eu também estou. Não dizem que é no nossos quartos que escondemos os nossos maiores segredos? Hoje eu mostrarei os meus para você.
Dei um sorrisinho e ele abriu a porta. A gente havia ensaiado esse momento muitas vezes, o dia em que eu conheceria o quarto dele na universidade. Podia parecer uma coisa pequena, mas era algo bem grande para mim e também para ele. Era a oportunidade que teríamos de nos conhecer melhor e dividir melhor os pesos da balança já que todos os nossos encontros eram no meu quarto.
O cenário na minha frente era diferente de tudo que eu poderia imaginar, é claro. Isso nem poderia ser chamado de dormitório por que mais parecia um mini apartamento com direito a cozinha e um banheiro. Tudo estava bem arrumado. Tinha uma vista legal para o jardim da universidade e era bem espaçoso.
Ao lado da cama dele havia muitas estantes, algumas delas abarrotadas de livros e outras de discos e CDs. Inclusive, ele tinha uma enorme TV e um som que tocava todas as mídias sonoras. Não havia tantas fotos assim, o que mostrava um pouco de impessoalidade. Fui direto a estante de livros observar alguns títulos que estavam ali. Tinha muito clássicos como “Crime e Castigo” e algumas obras de Shakespeare e Dickens. Mas também tinha muita literatura moderna. Edward tinha um gosto bem eclético.
— Esses são apenas alguns livros. Boa parte deles estão lá no palácio.
Tentei imaginar o tanto de livros que poderia haver lá e fiquei logo animada. Segui para a estante de discos e percebi o quanto ele gostava de música e principalmente de colecionar vinis, que poderia ser considerado algo raro, já que atualmente as mídias digitais dominam tudo. Ele também era bem eclético com relação à música. Mas ele priorizava ter os álbuns principais de cada estilo. Sorri ao reconhecer o disco de Debussy, eu o tinha quando morava com a minha mãe nos Estados Unidos.
— Conhece Debussy? — perguntou
— Algumas. Só as mais clássicas.
— A minha preferida é Clair De Lune. Essa foi uma das primeiras músicas que comecei a tocar no piano.
— Você toca?
— Sim. Desde os meus 8 anos. Como vê, eu amo música também.
— Me diga alguma coisa que você não consegue fazer?
— Muitas coisas, acredite. E você toca alguma coisa?
— Não. A minha mãe arranhava um pouco de piano e é por isso que eu conheci Debussy. Mas eu mesma não tenho menor talento.
— Que tipo de música você gosta?
— Na verdade eu não tenho muitas preferidas. Mas eu gosto de rock e algumas músicas pop. No momento eu tenho escutado bastante Muse.
Ele logo foi à estante e pegou o último álbum deles e colocou para tocar. Segui com a minha observação para próximo da TV onde estavam alguns DVDs. Eram quase todos seriados. Tinha Friends, How I Met Your Mother, Fringe e Arquivo X, bem eclético mais uma vez e tinha o gosto maravilhoso também, pois eu também gosto bastante de todas elas.
— Qual a sua preferida? – falei apontando para os DVDs.
— Friends é claro, mas acaba que todas tem um lugar no meu coração de alguma forma.
— E você? Gosta de séries também ou você só via para me agradar?
— Claro que não! Eu adoro séries também. Dessa sua coleção eu acrescentaria Gilmore Girls que eu amo!
Ele deu um sorriso e me abraçou por trás. Ficamos um pouco olhando a paisagem da janela até ele perguntar:
— E aí? Aprovado?
— Sim. Eu só não esperava que fosse tão grande.
— Isso foi a minha irmã. Alice sempre foi muito exagerada. Ela queria ela mesma escolher o quarto e fazer a decoração toda. Tive que pará-la um pouco por que senão nada iria ter a minha cara.
— Como é a sua irmã?
— Bom, ela é mais nova do que eu, baixinha e muito espevitada. – Eu ri da descrição dele e tentei imaginar como ela seria. – Mas não existe no mundo pessoa mais alegre e prestativa do que ela. Uma figura!
— Deve ser muito legal ter irmãos. Eu sempre quis ter um mais velho que eu. Mas claro que isso jamais seria possível.
— Por que?
— Meus pais se conheceram num verão e se casaram assim que a minha mãe descobriu que estava grávida. Eu fui uma imprudência de dois jovens tolos. Quando eu completei seis meses a minha mãe me levou junto para os Estados Unidos para morarmos com os meus avós.
— Não gosto que você se veja dessa forma Bella. De qualquer forma você foi fruto do amor deles.
— Isso seria romântico demais para descrever o relacionamento dos dois. Eles não combinavam em nada, na verdade, eu nem sei por que deu certo no começo. Minha mãe passou a vida inteira me alertando dos perigos de um relacionamento imprudente.
— E acha que isso influenciou em alguma coisa nos seus relacionamentos amorosos?
— Eu acho que sim, sabe, eu nunca fui de ir atrás de homem nenhum. Eu no fundo tinha medo de que não desse certo e eu me decepcionasse.
Ele pegou a minha mão e beijou.
— Não quero que pense isso do nosso relacionamento. Eu realmente quero que dê bastante certo por que eu gosto de você, Bella, e eu quando eu gosto é pra valer.
— Você é a minha exceção.
Edward me abraçou com força e nos beijamos. Deus sabia o quanto eu quera que isso desse certo, embora que no fundo eu sentisse um pouco de desconfiança, mas eu estava envolvida demais e não queria ter que voltar atrás.
De repente senti um cheiro estranho. Parecia que algo estava queimando na cozinha. Desgrudei de Edward e olhei para ele com uma cara de interrogação? Será que ele estava querendo demonstrar os seus dotes culinários?
— Edward que cheiro é esse?
Ele despertou do transe e bateu na testa.
— Droga!
Correu apressado para a cozinha e tirou do forno alguma coisa agora irreconhecível. Fui até ele para ajudá-lo e vi que eram almôndegas ao molho. Dei um sorriso meio sem graça e ele me olhou com uma expressão desolada.
— Não tem problema Edward. Não mesmo.
— Eu sou mesmo um idiota! Como pude esquecer que tinha deixado essas almôndegas no fogo? Eu queria fazer algo especial para nós dois já que é a primeira vez que vem aqui. Mas como pode ver, eu sou um verdadeiro desastre.
Ele pôs as mãos no rosto e se se encostou ao balcão. Fui até ele, tirei as mãos do rosto dele e o beijei. Ele era tão fofo! Jesus, eu não merecia alguém assim!
— Isso acontece com todo mundo Edward. Eu na verdade fico até meio lisonjeada por poder experimentar os seus dotes culinários que eu nem sabia que tinha.
Um sorriso fraco apareceu em seus lábios e ele assentiu.
— Eu sei cozinhar alguma coisa. Eu sempre fui muito curioso e então eu pedi a cozinheira lá do palácio para me ensinar algumas coisas.
— Que chique!
— Ainda bem que nem tudo está perdido. Ainda tem alguma coisa que não se perdeu.
— Ótimo! A gente faz uma salada rápida e está tudo maravilhoso.
Ele depressa abriu a geladeira que estava bem abastecida e pegou tudo que precisamos. Ajudei-o a cortar os legumes para preparar a nossa salada.
— E você? Sabe cozinhar alguma coisa?
— Sei. Quem você acha que fazia praticamente todas as refeições lá em casa?
— Não acredito!
— Sério. Meus pais não são bons na cozinha, principalmente a minha mãe, então eu tive que aprender muito cedo.
— Você meio que era a adulta da casa então.
— Sim, praticamente. Não que eu não gostasse. Eu meio que gostava de cuidar da minha mãe.
— Interessante a sua maturidade Bella. Geralmente pessoas da sua idade não costumam ser assim.
— Eu sei. Eu nunca me senti meio normal. Minha mãe sempre dizia que eu nasci com 30 anos e a cada ano envelheço mais 10.
— Eu não te acho anormal. Acho um bom exemplo para muita gente, até mais velha, se quer saber. Eu admiro o seu jeito de ser.
Ri meio envergonhada. Eu sabia que as minhas bochechas estavam queimando.
— Sabe que eu ficava me sentindo culpada por ser assim. Eu ficava observando as outras garotas e ficava pensando se o jeito delas não era mais legal do que o meu. Mas por mais que eu tentasse continuava na mesma.
— Eu sei bem o que é isso. Eu também nunca fui muito da “galera” como o meu irmão, por exemplo. Eu sempre fui mais recluso e tímido. Também ficava me sentindo culpado o tempo inteiro principalmente depois que eu passei a ser o próximo na linha sucessória. Aquilo me matou por que eu pensava que jamais poderia assumir uma missão dessas. Eu até entrei em depressão, acredita?
— Sério?
— Sim. – Edward olhou para baixo meio envergonhado. As mãos tremiam um pouco. Esse assunto só poderia ser muito difícil para ele. – Eu nunca falei sobre isso antes. Foi um período realmente difícil! A minha vida inteira eu cresci a sombra de Emmett, vendo-o ser o melhor, o mais simpático, o mais energético, o mais bonito... E eu gostava disso. Eu nunca quis muita atenção para mim e de repente eu tinha todas e um futuro que eu não esperava e pela qual eu não estava acostumado. Eu me achava muito inferior ao cargo e às vezes eu ainda me acho.
— Deve ser mesmo muito complicado, mas eu realmente acho que você irá conseguir um dia.
— Obrigado pela confiança Bella.
Peguei nas mãos tremulas dele e as beijei.
— E como você conseguiu sair da depressão?
— Sabe aquele escritor que formos visitar? Ele foi uma grande ajuda para me fazer entender que cada um tinha o seu jeito e que ser diferente não era errado. Meus pais também me deram muita força.
— Sabe que eu nunca imaginei que você tivesse passado por isso!
— Ninguém sabe disso. Todo mundo prefere acreditar no estereótipo do príncipe encantado, mas a realidade é bem diferente. Ainda estou aprendendo a superar os meus medos. Não é isso que temos que fazer a cada segundo dessa vida?
— Sim. Então somos duas almas perdidas que se encontraram?
— Somos sim e eu estou muito feliz que isso tenha acontecido.
— E eu.
Nos beijamos mais uma vez sem nos importar se estávamos nos sujando com a comida. De todo o coração eu queria que desse certo por que eu me sentia bem demais estando com ele. É como se nada no mundo mais importasse. Eu só queria beijá-lo, amá-lo, abraçá-lo como se tudo fosse acabar hoje.
Em seguida pormos a mesa e iniciamos o nosso jantar romântico. Edward ficou me olhando com uma cara de ansiedade. Tenho que confessar até fiquei surpresa com o sabor da comida. Estava bom, muito bom, na verdade. Ele era mesmo um homem de muitos talentos.
— Está aprovado cozinheiro.
— Está mesmo? Ou está querendo só me agradar?
— Não. Estou sendo sincera. Está muito bom. Vou ter que compensá-lo também com um jantar.
— Mal posso esperar!
O CD que estava tocando parou e ele levantou-se pôs um jazz. Aproveitou também e nos serviu um bom vinho.
— É engraçado que existem acontecimentos na nossa vida que servem para transformar a gente, para nos tirar da nossa zona de conforto e nos fazer crescer.
— Sim, é verdade. Mas é essa a graça de tudo. Essas surpresas que a vida nos dá. Seria muito monótono se nada mudasse.
— Mas sabe que mesmo se eu não tivesse herdando o trono um dia, eu seguiria tentando transformar a vida das pessoas de alguma forma. É até engraçado por que eu gosto dessa coisa de administrar. Meu pai tinha razão em dizer que eu tinha um dom escondido.
— E você já fez planos?
— Não muitos. Não quero pensar na possibilidade de administrar agora por que isso significaria que meu pai estaria morto e isso eu não quero que aconteça tão cedo. Mas eu seguiria com projetos que ajudassem as pessoas a se desenvolverem economicamente. Investir em educação que é bastante importante e em tecnologia. Por que tudo isso ajuda o país a evoluir.
— Interessante por que eu estava vendo alguns programas que o governo faz para os agricultores, é tudo mundo bom, mas ainda falta tanto! É mesmo necessário ter um investimento de base para que as coisas cresçam.
— É exatamente isso que eu penso. Investir em educação, capacitação e inserir um recurso inicial para que eles possam investir nos seus sítios ou pequenos negócios. Belgonia precisa deixar de ter a sua principal fonte de renda a exploração dos metais preciosos.
— Verdade.
De repente pensei em Jacob. O tanto de inteligência e força de vontade que ele tem dava para levantar aquelas terras em dois tempos. Mas dinheiro ainda era tudo. Precisava também que os grandes olhassem um pouco mais para eles também.
— Edward, eu posso lhe fazer um pedido?
— Todos que quiser.
— Visite os pequenos fazendeiros no interior, conheça o trabalho deles e as dificuldades. Tente abraçar a causa deles. Aposto que estará fazendo um grande diferencial para eles e para você também.
— Eu prometo que farei isso.
— E outra coisa.
— Sim?
— Nunca perca o seu interesse em ajudar os outros. Eu tenho certeza que você será um grande monarca se puder fazer tudo que puder em prol dos mais necessitados.
— Essa será a minha palavra de ordem.
O abracei com força. Eu certamente estarei o acompanhando mesmo que no futuro a gente não esteja mais juntos. Mas certamente eu nunca o tiraria do meu coração. Estremeci ao pensar nisso. No fundo eu não queria me distanciar dele nunca. Ele me beijou novamente como se também não quisesse que eu escapasse, movia os lábios devagar, tão doce, tão sereno, parecendo querer saborear cada sensação, a cada hora, cada suspiro, fazendo todo o meu corpo se arrepiar.
Suas mãos passaram a percorrer o meu rosto e descendo para o meu corpo. Puxei para mais perto e senti tudo aquecer dentro de mim. Eu o queria muito, não importava nada mais. Eu queria aproveitar enquanto eu estava tendo a oportunidade de estar junto dele. Edward parece ter entendido o recado, me pôs mais junto dele e assim iniciamos uma dança sensual de exploramento como nunca tínhamos feito antes.
— Sabe... Nós formos feitos para ficarmos juntos.
— Para sempre...
Esse momento era tão perfeito, tão correto, que não havia nenhuma dúvida disso. Os braços dele me cercaram, me segurando contra ele, tão unidos como nunca.
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