Notas iniciais
O capítulo de hoje está um pouco pesado, se preparem para o que vocês vão ler e se segurem nas cadeiras. Porém, ele é necessário para vocês compreenderem o que aconteceu com Edward e como a personalidade dele se moldou. Também vou dar umas dicas para vocês sobre o grande segredo dessa família. Enfim, espero que gostem do capítulo! Boa Leitura!

— É uma sensação insuportável! Uma dor esmagadora! Tão profunda que não te permite que você enxergue nada na sua frente. Era exatamente isso que me faltava, enxergar perspectivas no futuro. Eu me sentia inútil! Desesperado! Só queria chorar e sumir. Por que eu não via sentido na minha vida.

— Por que a sua vida não tinha sentido?

— Por que eu me sentia um imprestável! Como um cara como eu, que tinha pavor que as pessoas me tocassem, me vissem, que falassem de mim iria poder assumir um trono? Eu sufoco só de lembrar o quão horrível eu me sentia! Eu não me achava capaz de assumir uma responsabilidade tão grande! Como eu poderia? Me diga! Eu nem sabia como governar a minha própria vida imagine um país! Eu olhava para o meu pai e via a esperança que ele depositava em mim e eu sofria ainda mais. Eu queria que ele tivesse orgulho de mim e não queria que ele sofresse mais.

— Mas você não parou para pensar que levaria um tempo para que você efetivamente assumisse a responsabilidade que lhe era cabida?

— Eu não pensava isso na época. Eu tinha apenas 15 anos e um garoto dessa idade não costuma pensar nessas coisas. De repente, eu estava ali... Com uma bomba nas minhas mãos que eu não sabia desligar, com tudo desmoronando a minha volta. Eu perdi a minha namorada, a minha privacidade, a minha vida... Eu tinha raiva de Emmett! Eu queria chamá-lo de volta para que ele resolvesse os problemas dele, mas ele tinha ido embora e me deixado ali para resolver tudo.

— E foi aí que resolveu tentar o suicídio?

— Foi... Tinha umas vozes na minha cabeça que gritavam comigo o tempo inteiro. Me diziam o quanto eu era fraco, o quanto eu era um estúpido por não conseguir fazer aquilo que esperavam de mim. Eu só queria acabar com aquela dor que estava me consumindo. Eu não aguentava mais! Viver não fazia mais sentido para mim e morrer seria a única forma de acabar com aquela dor.

As lágrimas caiam nos olhos de Edward. Ele estava deitado no divã e tocava os seus cabelos num gesto nervoso. Apertava as mãos e as passava no rosto. Eu assistia o depoimento dele com um misto de dor e curiosidade. Mas à medida que ele ia avançando na história e ela cada vez mais se tornava mais sombria, eu sentia como se uma faca me atravessasse. Eu mal podia acreditar que o que ele tinha passado tinha sido tão profundo!

— Enquanto a navalha cortava a minha carne, eu não sentia dor, era o contrário, eu sentia alívio. Tudo estava esvaindo de dentro de mim junto com o sangue que jorrava sem parar. De repente, uma moleza me tomou, eu achei que estava morrendo e sorri. Se Alice não tivesse chegado, eu não estaria aqui agora.

Os olhos de Edward estavam vidrados em outra direção, como se tivesse preso as lembranças que ele tanto queria esconder. Mas, como um impulso, ele começou a chorar desesperadamente, tinha acordado do transe e o psicólogo resolveu encerrar a seção. Corri para onde ele estava e o abracei calorosamente para fazê-lo entender que ele estava ali comigo e não há nove atrás.

Fora duro convencê-lo a começar a ter seções com o psicólogo. No começo, ele ia, mas não falava nada, não confiava no profissional ali sentado para ouvi-lo. Quando começou a colaborar apenas falava em monossílabos e mentia descaradamente. Até que eu convenci ao psicólogo que Edward só falaria se eu tivesse presente e foi exatamente isso que aconteceu. Então, ele logo começou a usar uns truques para poder fazer com que Edward falasse e foram dias ele fazendo pequenas perguntas, comendo pelas beiradas até ganhar a confiança de seu paciente teimoso. E hoje, Edward tinha se libertado e contado a parte mais difícil e crucial para a resolução de seus problemas. Eu me sentia orgulhosa dele, mas também sentia um pouco de pena.

— Está tudo bem, meu amor. Eu estou orgulhosa de você!

Edward me abraçava como se eu fosse sumir de repente. Peguei o seu rosto e beijei-o. Aos poucos, ele foi se acalmando e correspondia os meus beijos. Por fim, consegui ver um sorriso fraco em seu rosto. Encostei a minha testa na dele e acariciei o seu rosto.

— Eu te amo. – falei.

— Eu mais ainda.

Íamos nos beijar novamente, mas o toque estridente do celular dele nos atrapalhou. Ele pôs a mão no bolso de trás e atendeu. Pela cara dele, eu sabia que era Nick o lembrando de algum compromisso.

— Eu sei Nick! Eu não esqueci. Tá! Eu já estou indo!

Ele desligou revirando os olhos e eu sorri.

— Era Nick me lembrando das minhas aulas de voo. Como se eu pudesse esquecer!

— Então vamos. Não queremos dar motivos para ele passar mais carões em você.

— Chato! Vou despedi-lo!

— Não, vai não. Nick só está fazendo o trabalho dele.

Puxei-o para fora do quarto de hóspedes da casa de Joseph Mathews e o agradeci por mais uma vez ajudar a salvar a vida do meu Edward. Saímos em direção ao carro, onde John nos aguardava.

Uns dias depois que voltamos de Clarence, Carlisle propôs a Edward que ele começasse a fazer umas aulas de voo para que depois ele entrasse na força área de Belgonia. Como futuro monarca, ele deveria ser parte de alguma instituição do país, exercito, marinha ou aeronáutica. Carlisle achou que esta última seria melhor para o filho. No fundo, eu sabia que era uma desculpa, por que na verdade, eles queriam mesmo era manter a mente dele ocupada com medo que ele tentasse alguma besteira.

Porém, o plano tinha dado mesmo certo. Edward estava gostando de suas aulas de voo e se mantinha bastante entretido. Ele era inteligente e já tinha aprendido vários comandos. Carlisle o tinha liberado da maioria dos compromissos oficiais da agenda dele para que ele se dedicasse as aulas e eu sentia que isso tinha agradado demais Edward. Ele só falava dessas aulas!

Chegamos ao centro de voos e o medo de vê-lo nas alturas começou a me tomar novamente. Eu tinha um verdadeiro pavor de saber que ele poderia estar correndo perigo.

— Não vai ficar para ver as aulas, não é?

— Não.

Ele me abraçou e me deu um beijo gostoso.

— Deixa de ser boba vai! Fica aqui comigo.

Pus o dedo nos lábios dele e neguei com a cabeça.

— Você sabe que eu tenho medo de vê-lo nesse helicóptero.

— Pois, pode ficar sabendo que eu vou fazer você perder esse medo. Quando eu aprender a voar aí eu levo você comigo para fazermos uma viagem por esse céu imenso.

— Deus me livre!

Ele riu e me abraçou novamente. Beijou os meus cabelos e quase me fez desistir de ir, mas eu não podia. Dessa vez o motivo que me levaria a sair dali era sério.

— Eu tenho que ir. Jake está me esperando para fazermos a matrícula dele na faculdade. – menti.

— Ok. Te espero no meu quarto mais tarde?

— Sim.

Edward beijou a minha testa e saiu em direção ao helicóptero. Esperei ele está lá em cima para poder sair. Eu não queria que ele soubesse para onde eu iria. Entrei no carro e pedi para John me levar até o palácio. Ele nem se surpreendeu, pois já sabia dos meus planos desde o início.

Eu iria até o palácio ter uma conversa com Carlisle. Íamos discutir o problema de Edward e eu ia atualizá-lo sobre os seus progressos. Desde que cheguei de Clarence com Edward, eu e os pais dele tínhamos bolado uma estratégia para mantê-lo no tratamento e eu particularmente estava ativamente envolvida no processo, porém, eu achava que eles deveriam saber a real situação do problema dele. Eu seria bem sincera hoje e abriria todo o jogo com Carlisle. Por isso, eu não queria que Edward soubesse para que ele não pensasse algo errado de nós. Eu conhecia bem a cabeça dele para imaginar que ele nos acusaria de estarmos fazendo um complô contra ele.

Assim que cheguei, fui acompanhada pelo mordomo até o escritório do rei no palácio. Pedi para não ser anunciada, pois ele estava me esperando. O mordomo saiu e eu coloquei a mão na porta com a intenção de bater, mas uma discussão lá dentro me chamou atenção. Tinham duas pessoas brigando e eu sentia que a voz alterada era de Emmett. Desisti de entrar e fiquei ali fora decidindo se saia dali ou aguardava. Resolvi ficar.

— Não posso fazer o que você está me pedindo, Emmett. – disse Carlisle num tom mais baixo.

— Você nunca faz nada mesmo por mim, não é?

— O que mais você quer que eu faça Emmett? Eu não já fiz demais?

Resolvi abrir um pouco a porta para ver o que se passava. Emmett andava de um lado para o outro bastante agitado e Carlisle permanecia sentado atrás de sua mesa.

— O que você fez? Posso saber? Eu fui o sacrificado dessa história?

— Não fale uma coisa dessas Emmett por que não foi isso que aconteceu nesse mesmo escritório há nove anos atrás. – disse Carlisle que parecia mais alterado agora.

— E o que eu ganhei com isso, hã? Vocês só pensam Edward e nos problemas dele. Ninguém pensou em mim em nenhum momento!

Carlisle se levantou e foi até Emmett e ele se afastou. Estava muito irritado e também agia de um jeito esquisito que não parecia o natural dele. Fechei um pouco a porta para que eles não me vissem.

— Emmett, meu filho, eu amo você! A única coisa que eu e sua mãe pensamos foi no seu próprio bem. Mas parece que você não quer se ajudar.

— Não me venha com essa história de novo. Eu estou bom! Droga! Rosalie diz essas coisas para vocês, mas não é verdade. Ela diz isso por que está chateada comigo.

— Não dá para conversar assim, Emmett! Esse não é o seu verdadeiro eu. Quem começou a colocar essas besteiradas na sua cabeça, ein? Por que você não pensa dessa forma.

— Quem é você para dizer o que eu penso?

Carlisle segurou os braços do filho e o fez parar de andar de um lado para o outro. Mas o seu peito se agitava de um jeito incomum. Parecia que ele estava sufocando, mas na verdade estava com muita raiva.

— Filho, você é um adulto agora. Já está casado e passou da hora de você amadurecer.

Emmett parecia que ia explodir. Tirou os braços de seu pai dos seus e continuou andando descontroladamente pela sala. Eu nunca tinha visto algo assim antes. Ele parecia completamente fora do controle.

— Se você não der o que eu estou pedindo, eu vou contar para a imprensa tudo que aconteceu aqui nessa sala há nove anos atrás.

Carlisle deu sorriso triste e virou o rosto para o lado. Respirou fundo tentando se acalmar e olhou novamente para Emmett.

— Você não vai contar nada por que não há o que contar. Não aconteceu nada de mirabolante aqui no passado. Você fez as suas escolhas e devia estar administrando-as melhor. Olhe para o seu irmão, ele está procurando se tratar e você deve fazer o mesmo.

— É tudo que tem a me dizer?

Carlisle nada disse e Emmett se enfureceu ainda mais.

— Eu não sou o Edward, ok? Eu sei que você sempre quis que eu fosse como ele, mas eu não sou! E nem quero ser! Dá para me aceitar como eu sou?

Carlisle olhou para ele surpreso com o que ele tinha dito e sem dizer mais nada, Emmett saiu exasperado da sala passando por mim rapidamente e sem se dar contar que eu estava ali. O mais incrível é que Carlisle parecia não está tão assustado ou surpreso com a atitude de seu filho como eu estava. Acho que ele já estava acostumado.

Fiquei no corredor sem saber o que fazer, se eu entrava ou ia embora. Olhei para a sala e Carlisle estava novamente atrás de sua mesa com as mãos no rosto. Parecia triste e eu resolvi entrar. Quando ele ouviu os meus passos se aproximando dele, levantou a cabeça e me olhou. Seu rosto estava tomado de dor e eu simplesmente mudei as minhas intenções iniciais completamente.

— Desculpe-me por entrar assim, eu...

— Não tem problema Bella. Por favor se sente.

Obedeci o pedido dele e fiquei em silêncio por não saber o que dizer depois da cena que eu tinha presenciado. Carlisle tentava arrumar a sua mesa para tentar se recompor e um dos jornais o chamou atenção. A manchete dizia: “O Rei Carlisle fica em excelente classificação na pesquisa de popularidade e se prepara para ter um ótimo início de década.”. Ele parece que se irritou com o que tinha lido e arremessou o jornal para longe da mesa.

— Como é mesmo irônica essa minha vida! O que vale tudo isso sem nem ao menos sei resolver os problemas de minha própria família?

Ele olhou para mim em busca de uma resposta, mas eu estava assustada demais para dizer alguma coisa.

— Você o viu não foi? – continuei sem responder e ele continuou: — Não se preocupe, ele não é assim na maior parte do tempo.

— Eu imagino que não seja... – falei me embolando um pouco com as palavras, me sentindo culpada por ter escutado uma discussão familiar. – Desculpe por favor! Eu não queria ter visto nada.

— Esqueça isso, por favor. Me conte sobre Edward.

— Ele está indo muito bem! – dei um sorriso animado e ele pareceu se iluminar. – Agora ele está seguindo com o tratamento direitinho. Acho que o plano do psicólogo deu certo afinal de contas.

— Que maravilha! Isso é ótimo! Não sabe como eu fico feliz em ouvir isso.

— Ele hoje resolveu desabafar e nos contou o ponto chave do que ele passou... Você sabe... Quando ele teve depressão. Nós acreditamos que a partir daí vamos poder solucionar o problema dele.

Carlisle deu um leve sorriso para mim, mas eu sentia a sua dor intensa e um cansaço eminente em seus olhos. Era engraçado como ele conseguia disfarçar o que realmente estava sentindo através de um sorriso. Eu tinha percebido isso em Esme também. Eles tinham sido moldados de tal forma que conseguiriam disfarçar quaisquer sentimentos numa fachada alegre. Podiam enganar o público lá fora, mas não a mim.

— Sabe, eu nunca entendi por que os meninos passaram por isso. Acho que Esme e eu erramos na educação deles em algum ponto. No começo, eu e ela fazíamos questão de estarmos muito próximos deles, mas depois que eu assumi o trono as coisas se descontrolaram e não tivemos mais tempo para acompanhá-los. Colocávamos culpa nos hormônios da adolescência. Que tudo ia passar, mas não era bem assim, não é?

— Se me permite ser sincera, senhor, eu acho que o problema vem antes disso. Não sei exatamente se você ou Esme são inteiramente culpados, mas houve sim uma séria distinção de tratamento entre os dois e a questão da sucessão estava interligada a isso. Nem Emmett e nem Edward souberam lidar com essa situação. Ambos tinham muito medo dessa responsabilidade e expressavam isso cada um a sua maneira.

— Está me dizendo que acha que os meninos brigavam pelo trono? Por que não é verdade. Emmett e Edward sempre foram muito ligados. Não acho que Edward tenha um dia sonhado em tomar o lugar do irmão.

— Não pensou mesmo. Ele provavelmente nem pensava em sucedê-lo até isso acontecer e ai que estava o problema. Edward não foi bem preparado para isso.

— Acho que não foi mesmo... Tudo aconteceu tão rápido! Não tivemos tempo para prepará-lo. De minha parte, eu nunca o incentivei a pensar na possibilidade de ele ser o próximo na linha.

— Eu acredito. A questão é que naturalmente existe entre irmãos uma certa “rivalidade”, se assim podemos chamar, pelo amor e atenção dos pais. Mas não necessariamente significa que eles se odeiem. Os dois são fascinados por vocês, em especial por você, Carlisle. Mas a diferença que vocês lidavam com as personalidades deles, a posição que Emmett devia exercer, prejudicou no modo como eles encaravam a própria vida e a questão do trono aumentou isso para uma forma ainda maior. Eles queriam inconsciente agradá-lo, mas não sabiam como por que nem eles conseguiam entender os seus próprios conflitos.

— Tem razão... De certa forma, eu nunca consegui lidar muito bem com Emmett. Edward era mais fácil... – admitiu ele com uma pitada de vergonha. — Fui um tolo!

— Se me permite dizer, acho que agora isso não importa mais. O que deve ser feito é que vocês se sentem e coloquem as cartas na mesa, para a partir daí encontrarem uma solução para o problema de ambos.

Carlisle pôs a mão nos cabelos ainda se sentindo nervoso. Era evidente que ele estava cansado de tudo isso. Afinal esse conflito já vinha se perdurando por nove anos.

— Edward têm muita sorte de ter você ao lado dele. – disse ele com um sorriso doce. – Obrigado por tudo!

— Não há de quer. – corei.

— Me conte mais sobre o tratamento de Edward. – falou mudando de assunto.

Comecei a contá-lo tudo que estava sendo feito para a cura de Edward e também sobre um pouco de seu dia a dia. Mas na minha cabeça não saia à imagem de Emmett incontrolável há minutos atrás. Fiquei pensando em que pedido ele teria feito e que Carlisle havia negado. Ele tinha ameaçado o pai de contar sobre a tal famosa conversa dos dois antes de sua abdicação para a impressa. Carlisle parece não ter levado muito á serio isso. Será que realmente nada de mais tinha acontecido como ele mesmo afirmara? O que mais tinha escondido nessa história? Eu precisava saber para poder entender Edward completamente e fazê-lo superar tudo e seguirmos em frente.

Notas finais
E aí o que acharam? Quais as teorias agora? Comentem bastante! Comentem muito! Mas antes de me despedir de vocês não posso deixar de agradecer a lelinhacullen, Aika, Cupcakeimperfeito, Talita Martins e lulucatelli pelos comentários animadores! Um beijão e até breve!