Dimension
3 Em terras desconhecidas humanos viram patos[Pt. 1]
Apareço atrás do velho e soco as costas dele, arremessando- para longe. O velho logo se recupera e fica de pé.
− Moleque... Parece que você quer mesmo que eu use meu poder máximo... – Ele fecha os olhos e segura a corrente com a lança.
Começo a sentir uma sensação estranha, e sinto que meu ar vai acabando.
− Assim como eu posso controlar o ar, eu também posso tirá-lo, criança...
Na mesma medida que meu ar vai acabando, minhas forças também vão sumindo.
− N... Não... Não posso... Perder... – Murmuro.
Tropeçando pelo caminho consigo chegar até o velho com dificuldade, e vejo que ele não me percebeu e continua com os olhos fechados, só então que me dou conta de algo. Então, com muito esforço soco a barriga do velho e ele desaparece, fazendo a lança cair no chão e meu ar voltar.
− Finalmente consegui... – Desmaio.
Abro os olhos e minha visão ainda está embaçada, os esfrego e vejo que estou numa sala toda branca e tem um homem ao meu lado.
− Parece que você acordou, meu jovem. Parabéns, você sobreviveu mesmo caindo em um poço radioativo, já verificamos o seu corpo e ele está perfeitamente bem, exceto por algumas alterações “heroicas”, digamos. Ah, e eu sou Joaquim, o chefe da Dimension, muito prazer. – Diz o homem que estava ao meu lado, é impossível descrevê-lo, já que ele parecia duas coisas ao mesmo tempo, um homem e um falcão.
− Prazer, eu sou---
− Soneks. – O homem me interrompe.
Jogo pra ele um olhar frio.
− Mas onde---
− Onde você está? Você está na enfermaria da Dimension. – O homem me interrompe novamente.
− Uh... Ok. – Digo.
− Bom... Eu sei que parece bastante cedo, mas pelo fato do experimento ter dado certo com você, mesmo sendo por um acidente, eu quero te pedir uma coisa. – O homem se levanta.
− Pode pedir. – Digo.
− É o seguinte: Aquele velho que você “matou” faz parte de uma organização chamada “Anti-Dimension”, pois é... Ela foi criada somente para destruir a Dimension e tomar o nosso lugar. Então recentemente eles sequestraram um membro nosso, e sempre que mandamos alguém para resgatá-lo, ninguém volta. Pelo fato de você ter ganhado “poderes”, nós queremos que você resgate-o. Tudo bem para você? Ah, um detalhe, você só tem 20% de chances de voltar com vida, mesmo sendo quem você é.
− Tudo bem, eu aceito, mas---
− Os seus pais? Eu já falei pessoalmente com eles e eles aceitaram, se quiser até te mostro o papel que assinaram concordando que você poderia ficar aqui por tempo indeterminado desde que de vez em quando os fizesse uma visita. – Novamente me interrompe.
− Tudo bem, mas... CARA, SE VOCÊ NÃO PARAR D---
− De lhe interromper você vai me matar? Tudo bem. – Ele acrescenta.
Fecho a cara e coloco a mão na testa.
− Você quer ir agora? Nós já temos tudo preparado, o avião está esperando lá fora. – Joaquim pergunta.
− Ok. – Falo e vou direto para o avião.
~30 minutos depois~
Coloco os fones de ouvido e aproveito para tirar um cochilo, mas sou acordado com vários barulhos de explosão. Pergunto ao piloto o que foi, e ele fala que estamos passando por uma zona de teste de minas explosivas, mas que posso relaxar porque elas não vão nos atingir. Então fecho os olhos para dormir.
~5 horas depois~
Acordo com o piloto me chamando.
− Já pode descer, Soneks. Lembre-se, você deve tentar não chamar atenção e entrar sem que ninguém perceba, tome este fone de ouvido para que possamos nos comunicar. – O piloto me entrega o fone.
Vou em direção a uma montanha que tem uma porta de (aparentemente) ferro e bato na porta.
− Alguém aí? HEY! – Chamo.
− O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO? ERA PRA ENTRAR DISCRETAMENTE! SONEKS! – O piloto grita pelo fone.
− Putz... Esqueci. – Murmuro e me escondo do lado esquerdo da porta.
A porta abre e uma pessoa sai, ou melhor, um ogro sai e olha para o lado direito da porta. Eu aproveito e soco o pescoço dele, o fazendo desmaiar. Pego as roupas dele e visto.
− Vou entrar com essas roupas, acho que vai ficar mais difícil de me notarem assim. – Digo para o piloto pelo fone.
− Ok. – O piloto responde.
Entro e fecho a porta, aproveito para observar o lugar, que tinha as suas paredes pretas com espirais verdes.
− Uou, belo lugar. – Digo.
Ouço barulhos de pegadas e me escondo numa caixa que está ao meu lado. O barulho se aproxima e sinto que estou sendo levantado.
− Cara, você já falou com o Hades? – Pergunta uma voz do lado direito.
− Não, mas tenho um amigo que já falou. Ele disse que nunca mais em toda a vida quer falar novamente com o Hades. – Responde uma voz do lado esquerdo.
Penso: Hades? Hades não é aquele deus do submundo segundo a mitologia grega? Deuses não existem, então não sei por que eles estão conversando sobre isso, mas é melhor eu ouvir mais.
− O meu amigo disse que ao falar com Hades, conseguiu sentir todos os pesadelos do mundo nos 5 minutos e 35 segundos em que falou com ele. Isso deve ser pior do que se matar! Só tomara que ele não nos escute, já que é um deus e disse que pode ouvir tudo o que se passa por aqui. – Fala novamente o da esquerda.
− Ok, agora vamos deixar essa caixa na porta da prisão Anti-Dimension, para que o guarda pegue. E é melhor nem nos aproximarmos muito da porta, pois dizem que todos os prisioneiros de lá são perigosos, a maioria dos presos de lá usam Tesoctors, e o guarda também, a do guarda é a mais perigosa, já que consegue dominar todos os prisioneiros! – Fala o da direita.
− Soneks... – Ouço uma voz masculina.
− Soneks... – Ouço uma voz feminina.
Penso: O quê? Me descobriram? Como?
As vozes desaparecem e volto a ouvir as duas vozes nas laterais conversarem, então sinto que sou colocado no chão e ouço a zoada de uma porta abrindo.
− Abram a caixa. – Ouço uma voz grossa.
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