Dimensões em Colapso

3 Tubulações, Estratégia e Sombras


A noite permanecia densa, e a fenda próxima à parede ruída continuava a pulsar como uma ferida aberta no tecido da realidade. O ar vibrava, emitindo um zumbido grave que parecia atingir diretamente os ossos.


Allen Walker foi o primeiro a se aproximar. Seu braço exorcista tremia, reagindo à energia obscura que escapava da fenda. Ele ergueu a mão, os olhos fixos no vazio que se retorcia.


— Isso… não é apenas uma rachadura no espaço. — murmurou, a voz grave. — É um rasgo entre realidades. Eu já vi algo parecido quando Akuma tentavam atravessar dimensões, mas nunca nessa escala. Se não fecharmos, tudo pode ser engolido.


Naruto cerrou os punhos, pronto para agir.

— Então vamos destruir isso!


Allen balançou a cabeça. — Não é tão simples. Esta fenda não foi criada por acaso. Ela está sendo forçada… controlada.


Goku se inclinou para frente, curioso, com seu jeito simples. — Hehe… então é só achar quem tá controlando e derrotar ele, certo?


Antes que Allen pudesse responder, uma voz inesperada ecoou pelo ambiente, firme e quase debochada:


— Ah, cérebros de músculo… vocês nunca mudam.


De trás dos destroços, uma silhueta esguia se aproximou. Cabelos arrepiados esverdeados refletiam a luz da lua, e os olhos afiados carregavam a confiança de quem sempre sabia mais. Vestindo seu casaco branco surrado, Senku Ishigami caminhou até o grupo.


— Esse fenômeno não é só espiritual ou místico, é científico. — disse, ajustando um pequeno dispositivo improvisado em suas mãos. — E por mais que o exorcista aqui tenha razão em parte… — lançou um olhar para Allen, com um meio sorriso irônico — …ele está interpretando só a superfície.


Allen o encarou, confuso, mas sem hostilidade. — Então, explique.


Senku ergueu o dispositivo, que projetou uma imagem rudimentar das linhas energéticas ao redor da fenda. — Vocês não são daqui. Nenhum de vocês. — falou com clareza. — Este mundo é uma confluência artificial, um ponto de interseção onde múltiplos universos estão sendo colapsados de propósito.


Naruto arregalou os olhos. — Como assim… “não somos daqui”?


— Exato. — Senku sorriu, cruzando os braços. — Vocês foram puxados de suas realidades originais e lançados nesse tabuleiro. E por quê? Porque cada um de vocês carrega algo que ainda não despertou totalmente. Um poder latente. Uma força que vai além do que conhecem.


Saitama, que até então observava quieto, levantou a mão preguiçosamente. — Então… isso explica por que eu sinto que não pertenço aqui?


Senku apontou para ele com um gesto rápido. — Bingo, careca. Sua intuição não mentiu. Esse mundo está tentando despertar vocês, forçando os limites de cada realidade para criar algo capaz de resistir ao Portal Absoluto.


Goku abriu um sorriso empolgado. — Hehe, então isso significa que eu posso ficar ainda mais forte? Excelente!


Naruto apertou os punhos, determinado. — Se é esse o caminho para salvar todo mundo, então eu tô dentro!


Allen, no entanto, manteve a expressão séria. — Mas se tudo isso foi arquitetado… quem está por trás?


Senku suspirou, com aquele ar cético mas calculista. — Essa é a pergunta de um milhão. Mas posso garantir uma coisa: a Ceita Satânica não só sabe disso… como também está acelerando o processo. Eles querem que esse poder desperte — mas sob controle deles.


Um silêncio pesado caiu sobre o grupo. O brilho da fenda pulsava ainda mais forte, como se reagisse às palavras de Senku.


Saitama quebrou o silêncio, com seu jeito simples. — Bom… se alguém quiser me controlar, vai ter que pagar caro pelo tomate do mercado.


Allen encarou a fenda, sentindo um arrepio percorrer sua espinha.

— Então está decidido. Precisamos entender não só como fechar essas fendas… mas também como despertar esse poder antes que a Ceita o faça primeiro.


A noite se fechava sobre eles, mas naquele instante, sob o zumbido da fenda e as palavras de Senku, a verdade começava a ser revelada. O jogo era maior do que qualquer um deles havia imaginado.


Enquanto os ventos das fendas rugiam por diferentes partes da cidade, nos subterrâneos enferrujados Mario e Luigi percorriam labirintos de canos e túneis de manutenção. O cheiro de ferrugem, graxa e água estagnada impregnava o ar, misturado ao eco metálico de seus passos.


— Mamma mia… — resmungou Mario, ajeitando o boné vermelho. — Desde que essas fendas começaram, os canos estão mais instáveis. Tem pressão em lugares que nunca deveriam ter.


Luigi, com a lanterna tremendo em mãos, observava os riscos de rachaduras que pulsavam uma luz estranha, como se energia viva estivesse passando pelos encanamentos. — Mario… eu acho que esses canos não estão ligados só à água. Parece… parece que a cidade inteira está sendo sugada pra algo.


Mario suspirou fundo. — Então temos que fechar essas rotas. Se a gente deixar escapar energia por aqui, o caos chega antes da gente.


Com suas ferramentas, os irmãos encanadores reforçavam tubulações, mas o que viam não era apenas obra civil — era como se os canos fossem artérias do próprio mundo, conduzindo energia entre universos.


Enquanto isso, em outro ponto da cidade, Senku Ishigami caminhava lado a lado com Shikamaru. O gênio científico e o mestre estrategista formavam uma dupla improvável, mas de sinergia natural.


Senku abria esquemas improvisados em folhas rasgadas, cheios de cálculos e anotações, enquanto Shikamaru observava as conexões entre mapas e movimentações de tropas inimigas.


— Se quisermos entender essas fendas, precisamos cruzar ciência com lógica militar. — disse Senku, ajustando o casaco. — Sozinho, eu calculo a estrutura. Você lê os padrões de quem está por trás.


Shikamaru coçou a nuca, olhando para o céu noturno. — Que problema… Mas faz sentido. A Ceita Satânica não está atacando ao acaso. Estão testando nossos pontos fracos, e logo vão avançar de verdade.


— Exato. — Senku sorriu. — Cabe a nós antecipar cada movimento antes deles.


E como se suas palavras fossem prenúncio, a Ceita Satânica fez sua primeira jogada.


Nas ruas largas do centro, três figuras emergiram de uma fenda negra que rasgou o ar.


* Um guerreiro encapuzado com foices que gotejavam um líquido sombrio.

* Uma mulher de olhos vermelhos, cuja voz ressoava como cântico.

* E uma massa disforme, um monstro feito de carne e sombras, que arrastava correntes pelo chão.


Seus passos faziam o chão tremer, e as janelas se estilhaçaram com a pressão espiritual que emanava deles.


Naruto, Goku, Allen e Saitama sentiram a energia imediatamente e correram para o confronto. Naruto sacou kunais, Goku cerrou os punhos ansioso, Allen ergueu o braço exorcista e Saitama apenas suspirou, enfiando as mãos nos bolsos.


Mas antes do primeiro golpe cair, uma rajada de balas demoníacas atravessou o ar, acertando o chão entre os heróis e os emissários da Ceita.


Dos telhados, Dante surgiu. Sua capa vermelha esvoaçava ao vento, a espada Rebellion apoiada no ombro. Ele sorriu com ironia, mas seus olhos estavam sérios.


— Heh… parece que vocês chamaram reforço sem perceber. — disse, atirando mais duas vezes com suas pistolas. — Se a Ceita mandou esses cães de guarda, então o jogo começou de verdade.


A mulher de olhos vermelhos ergueu a voz em um cântico que distorceu o espaço, e o monstro de correntes avançou contra eles. Naruto ativou seus clones, Goku se lançou com um grito, e Allen canalizou a luz do Innocence.


E ali, sob as ruas quebradas e a lua manchada, a batalha pela sobrevivência começou de fato — com Dante, o filho de Sparda, agora ao lado dos heróis.