Digressões Dimensionais E Vagabundagens
1 O Mundo das Deusas - Primeira Parte
Notas iniciais
Existem coisas nesse mundo que são muito inconvenientes de se explicar. Essa estória é uma delas. Foi há muito tempo, em uma de minhas viagens onde acabei me envolvendo com alguns seres que, provavelmente, jamais encontraria em outro lugar... Sem dúvida foi uma de minhas experiências mais incríveis que tive. E acabei deixando muito pra trás...
Minha peregrinação pelas realidades prosseguia e acabei me deparando com um universo que era tão complexo e esquisito quanto seu pequeno tamanho. Procurei coordenadas adequadas pra abrir o meu portal e então, cheguei. Aquele universo tinha me dado uma aparência muito próxima de minha aparência que eu costumava ter há muito tempo, mas parece que havia recebido aquelas orelhinhas de gato que as pessoas usavam em naqueles encontros joviais de meu astro natal. O traje era nitidamente formal, em tons de azul bastante escuro, um fraque com alguns bordados dourados, sapatos bem lustrados e calças bem confortáveis se me permite dizer.
Onde estava? Ah sim! Eu havia chegado próximo à uma estranha cidade que tinha uma arquitetura muito semelhante à arquitetura da civilização grega do meu mundo, mas parecia um pouco mais moderno. Conseguia sentir a energia arcana emanando daquelas colunas enormes no centro da cidade. Achei bastante peculiar o fato de suas construções serem bem afastadas uma das outras. As casas eram belas por fora. Lembro-me que ali, atrás daquelas árvores, foi a última vez que pensei que lá era um local pacífico.
Revelei-me. Sai das poucas árvores que rodeavam a cidade e caminhei sem medo pelas vias que eram de fato bastante calmas. Desconfiei não haver guardas ou polícia para receber forasteiros ou invasores. Fui caminhando em direção às colunas e logo, o silêncio havia sido quebrado por uma voz masculina que se exaltava:
— Um visitante! Um visitante!
Imediatamente parei, olhei à esquerda e avistei um rapaz que caminhava aceleradamente em minha direção.
— Você é um visitante não é? –Disse o rapaz.
-Sim, sim! Vim de terras bastante longínquas. É um prazer e honra adentrar por esses domínios. Sou conhecido com O Major, estou viajando há tempos e...
-Tudo bem! Tudo bem! –exaltou o rapaz- Meu nome é Duskam, acho que você é o visitante que todos esperavam!
“Será que por mais uma vez eu seria visto como ‘O Escolhido’ como em outros universos?” pensei. Aquele local parecia realmente pacífico até que vi do topo dos Pilares Arcanos uma centelha de energia que vinha em alta velocidade em nossa direção. Eu estava a ponto de correr, mas ao perceber o que o rapaz estava imóvel, imaginei que seria seguro. Enganei-me novamente. A centelha resultou numa pequena explosão de energia que logo revelou figuras inusitadas. Eram moças! Quatro belas moças! Suas vestes eram bastante graciosas, belas e cheias de pedras coloridas, que imaginei que fossem preciosas.
-Quem é você?! –perguntou impositivamente a moça da frente-
— Sou O Major, é com muito pra...
-Por que não está prestando reverência às Deusas?! –Gritou novamente a moça da frente.
Logo vi que algumas pessoas haviam saído de suas residências para prestar reverência às moças, então imediatamente, prestei a devida reverência.
-Ótimo. Melhor assim. Então seu nome é Major forasteiro. – disse imponente, a moça
-Sim, sim senhora.
-Nessas terras existem regras muito severas para pessoa que confrontam as Deusas, está ciente disso?
-Com certeza. Em que posso ser útil, diviníssimas?
Rindo em conjunto, as belas garotas aparentemente comentavam sobre mim e logo uma delas disse:
-Parece que você realmente sabe seu lugar por aqui não? Venha conosco.
-É bom obedecer as Deusas, forasteiro – Disse Duskam que parecia que havia ficado paralisado após a aparição das moças.
-Sim, divinas.
Dei alguns passos à frente e elas explodiram energia da mesma maneira como haviam chegado, e logo percebi que estava dentro dum túnel de energia que eu havia imaginado ser uma centelha.
-Quais são vossos nomes? –perguntei.
— Amaya, Hyuuga, Neko e Miku. – respondeu a Amaya apontando para si e para as demais enquanto dizia os nomes.
Neste momento pude prestar atenção na aparência delas. Eram realmente belas. Amaya parecia bastante impositiva e explosiva, mas seu semblante denunciava que havia algo além daquela dureza. Suas roupas eram douradas com pedras âmbar incrustadas em diversas partes de suas vestes. Hyuuga parecia desconfiada de tudo e sempre estava atenta a cada movimento de cada um naquele raio de energia que ligava o solo ao topo do pilar que já podia ser visto. Neko era serena. Vez ou outra bocejava e parecia ser bem tranqüila. Mas a que mais me chamou atenção foi a Miku. Vez ou outra ela olhava para mim e sorria. Ao mesmo tempo em que eu sorria em contrapartida, sentia alguma coisa muito estranha. Uma agonia mesclada com certo conforto.
-Chegamos. –disse Neko.
Era o lugar mais belo que já tinha visto.
Fale com o autor