Digimon Emperor

4 Capítulo 3 — O começo de uma aventura! Parte 3: nosso herói encontra humanos!


Notas iniciais
Akiyoshi Hongo, um pacato estudante de 16 anos, veio a um estranho mundo após ser detido por ser cúmplice em um roubo. Ao perceber, estava no DigiMundo, onde vivem os Digimons, seres digitais que podem sentir, rir e chorar. Lá conheceu BlackAgumon, Babamon e Jijimon, Digimons um tanto excêntricos. E então, após algumas explicações de Jijimon sobre uma guerra que assola o Digimundo, descobriu que há outros humanos como ele por lá.

Eram ao todo cinco pessoas em sua frente, três homens e duas mulheres. A maioria deles era jovem como Akiyoshi, exceto por dois que pareciam bem mais velhos. Uma das pessoas foi até o rapaz, uma alta mulher caucasiana de cabelos negros, curtos, com luzes castanhas que vestia um short que cobria até a metade de suas coxas, uma blusa regata amarela e sapatilhas. Ela parecia mais velha e era mais alta que Akiyoshi, fazendo com que ele precisasse olhar para cima.

— Então ele era o que faltava! Ainda bem, ainda bem! — Disse a mulher num grande sorriso de seus finos lábios, agarrando as mãos de Akiyoshi e as balançando. — Muito prazer, meu nome é Eli...

— Ei, mulher! Já combinamos que não iriamos nos chamar pelos nomes verdadeiros, ou esqueceu?

Quem cortou a fala da alta moça foi um rapaz de arrepiados cabelos prateados um pouco mais alto que ela, de longas calças comuns, camisa branca, tênis preto e óculos de metal cor prata e um simples relógio que não marcava as horas. Sua marca era uma jaqueta jeans que tinha escrito “BOLT” dentro de um trovão ciano nas costas, nada para não chamar a atenção.

— Ah, sim, sim... é mesmo... o mundo é um lugar tão perigoso, acabei me esquecendo. Me desculpe, Boltzinho.

— Não me chame assim! É só Bolt. — Disse o rapaz enquanto mostrava o nome marcado nas costas da jaqueta com todo o orgulho possível.

— Tudo bem. Desculpe querido... bem, eu me chamo Mira. É tão bom que todos estejam reunidos aqui. — Comentou a mulher

—O que tem de bom nisso, Mira? — Perguntou outro rapaz, alguém que Akiyoshi reconhecia de muito tempo atrás. — Fomos trazidos aqui contra nossa vontade, fomos enganados... eu digo isso.

Aquele rapaz talvez tivesse a mesma idade de Akiyoshi, tinha os mesmos olhos puxados de um asiático, porém seu cabelo era loiro e seus olhos azuis como um europeu e não parecia ser artificial. Usava apenas um jeans surrado e uma camisa de manga curta qualquer, não parecia se importar muito com a moda por agora. Dispensava qualquer apresentação.

— Hohoho. Enganação? Vocês atenderam o chamado do DigiVice... a culpa é toda de vocês, meus jovens... hahaha. — Comentou Jijimon.

— Velho maldito...

— Tá, tá... calma aí, cara. Fica tranquilo. — Disse o último garoto dos cinco humanos. — Não se preocupa com ele não, japa. Ele é o Ash, ele fica na dele e a gente na nossa, coisa normal, sabe? A propósito... pode me chamar de Dreck. Por quê? Eu sei lá, achei o nome maneiro.

Dreck era um metido à surfista de pele muito bronzeada, parecendo um camarão depois de frito. Bermuda preta, regata azul, chinelo... realmente, um surfista. A única coisa que incomodava Akiyoshi nele era uma cicatriz em seu olho esquerdo, bem profundo, e se perguntava se conseguia enxergar mesmo com isso.

— Pois é, gente... vocês estão se enturmando bem rápido, hein? — Disse uma garota. — Ou são japoneses ou europeus... será que eu sou a única da américa por aqui? Eu sou a Cássia, o prazer é todo de vocês.

Ela era mulata de estatura média, meio gordinha, cabelo afro encaracolado e castanho, olhos de mel, vestindo apenas um longo vestido vermelho que a deixava mais confortável. Parecia ser peculiar. Jijimon riu mais uma vez e dirigiu a palavra para uma árvore.

— E você, jovem garota? Não vai se apresentar?

Estava um silêncio mortal, não havia mais ninguém por lá. Todos podiam jurar que havia seis humanos e Jijimon, mas não. Havia mais um. De trás de uma árvore saiu uma pequena e magra garotinha, muito parecida com uma criança, de pele incrivelmente lívida; usava um longo vestido púrpuro, calças pretas e chapéu florido branco, algo que seria fofo caso ela não demonstrasse uma aura um pouco estranha. Seu rosto era escondido por um véu de noiva e seus encaracolados cabelos ruivo-lilás de pontas laranja, quase apagadas, caiam até seus ombros.

— ... — A última dos seis humanos ficou quieta por uns instantes, até que começou a falar. — Eu não tenho motivo para dizer meu nome... ou então falar como deveriam me chamar... eu não conheço vocês... vocês não me conhecem... e não vão querer me conhecer. Vamos deixar assim, afinal... não vai fazer diferença.

O clima ficou meio pesado agora, e é como dizem: tamanho não é documento. Todos, menos Jijimon, estavam incomodados e perturbados com a presença dela. Ninguém sabia nada sobre ninguém, todos eram estranhos e um vácuo coletivo foi estabelecido. O gelo foi quebrado com uma tosse do velho Digimon que, como de costume, riu.

— Não fiquem assim, crianças. Hahaha. Ela não parece, mas não é tão ruim assim... não é mesmo, jovem Krazy?

— ...

— Hohoho! — E, depois de mais uma tosse, Jijimon voltou a falar sério. — Agora que todos nos apresentamos... podem pegar o DigiVice de vocês?

Alguns estranharam pelo nome, mas a pequena Krazy foi a mais rápida de todos e pegou de seu chapéu, já que o aparelho estava anexado ao mesmo. Bolt pegou de seu casaco. Mira de seu short. Dreck de sua regata. Cássia de seu vestido. Ash e Akiyoshi de seu bolso. Todos estenderam a mão com os DigiVices e uma forte luz foi emitida destes; dessa luz um grande mapa colorido apareceu em forma de holograma. Enquanto todos estavam surpresos Jijimon aproveitou a deixa e começou a explicar:

— Vejam bem... como eu disse antes. Nosso mundo está passando por uma incontrolável guerra... sete poderosos Digimons começaram isto após a destruição do DigiTama de um antigo companheiro deles... e por eles serem tão influentes acabou se espalhando para o mundo. Hahaha!

— Ok... e onde nós entramos nisso, Jijimon? Não espera que lutemos.

— Na verdade é bem assim.

Todos, menos Krazy, soltaram um grande grito de interrogação. Nada daquilo fazia sentido para ninguém, mas a pequena garota não parecia incomodada, na verdade, de baixo do véu de noiva, expressava um grande sorriso de curiosidade e arregalava os olhos por uma aventura interessante. Akiyoshi parou de estender sua mão, largou o aparelho no chão e se afastou aos poucos, não queria aceitar algo do tipo.

— Não! Isso é loucura... não há lógica... é só um sonho... é só um sonho...

— Um sonho poderia fazer isso, querido? — Disse uma misteriosa voz atrás de Akiyoshi.

Atrás de nosso herói uma mão feminina esquerda, de longas e roxas unhas feitas, apareceu de repente, alisando o garoto pelo pescoço. Jijimon ficou tenso e empunhou seu cajado, mas outra mão; com garras e dourada, metálica; apareceu, fazendo um não.

— Não quer que eu machuque o garoto, não é mesmo, Jijimon? — Disse a voz de tom feminino. — E olha, ele é tão bonitinho... poderia eu machucar um pouco e tudo ficaria bem, certo?

— Lilithmon... o que uma dos “Sete Grandes Lordes Demônios” faz aqui em território neutro!? O acordo feito antes de essa guerra começar fez com que todos concordassem em ficarem longe dessa área!

Um riso ecoou por todo o local e a voz finalmente mostrou sua total forma, uma esbelta mulher de estatura média e cabelos negros, amarrados por grampos e uma tiara dourada. Usava uma roupa de couro negro com partes metálicas de cor dourada, coberta por um quimono lilás que mantinha vestida até um pouco em baixo dos ombros. Tinha ao todo quatro asas negras, um par pequeno na nuca e duas médias nas costas. Lilithmon, o Demônio da Lúxuria, uma dos “Sete Grandes Lordes Demônios”.

— Não se afobe velho... este trato foi feito entre os líderes, e meu senhor, VenomMyostimon, não sou eu, não é mesmo, garoto bonitinho? Kuhuhuhu. — Riu Lilith, se deliciando pela vantagem. — Pois bem... quero que me dê esses humanos e juro que não farei mal a nenhum deles... principalmente a essa bela mocinha.

Disse a Digimon apontando para Krazy com sua mão de garras douradas, fazendo a jovem se aproximar aos poucos, mas era impedida pelo velho que colocou seu cajado na frente da garota. Jijimon estava em uma situação delicada. Nenhum dos humanos poderia ajudar e se o velho Digimon tentasse algo, Lilith iria arrancar a vida de Akiyoshi com apenas um movimento. O jovem preso não sabia o que fazer, estava com os olhos fechados, rezando para que isso fosse apenas um sonho ruim e que sua mãe logo o acordaria e o mandaria direto para a escola; era o que ele mais queria. Pela espera, o Digimon em forma de mulher suspirou e fez estalos de decepção com a boca.

— Esperava mais de você, o ancião que sabe de tudo do DigiMundo... mas parece que terei de machucar um pouco esse garoto. — Disse a mulher, já cravando uma unha de sua mão aparentemente humana no rosto do garoto e deslizando lentamente.

— Espere! Tudo bem... eu farei como quiser...

— Kuhuhuhu... muito bem, sabia que entenderia meu la—

— Entende isso, bruxa! — Gritou uma voz feminina mais velha.

Lilithmon levou uma vassourada em sua cabeça por Babamon que havia chegado ao local para ver como estava Jijimon e os outros. Pela dor, largou o garoto que caiu no chão e se arrastou para longe com toda a velocidade possível.

— E-Eu não acredito nisso... — comentou Cássia.

— Essa é minha Bombonzinha! Acerta ela, amor!

Uma guerra estava acontecendo lá. De um lado Lilithmon estava confusa e tentava fugir das vassouradas de Babamon e do outro a velha Digimon tentava acertar a diabólica mulher com toda a sua força possível. Quando finalmente pôde ter a vantagem na batalha, segurou a vassoura da velha e a tirou de sua mão, a jogando longe.

— O que é isso!? Quem é você!?

— Eu que pergunto bruxa! Quem você pensa que é pra chegar aqui na minha casa e ameaçar esse encosto!? — Gritou Babamon enquanto apontava para Akiyoshi.

— Já chega! Minha paciência já se esgotou... farei isso a força! Agulha Nazar!

E então a Digimon recuou a mão esquerda e acumulou energia púrpura que usaria para atirar um raio de energia contra Jijimon e os outros, mas, antes de usar seu ataque, uma bola de fogo a acertou na cabeça, atrapalhando-a. Era BlackAgumon que estava vindo ajudar.

— É o mesmo Digimon de antes... — Comentou Akiyoshi.

— Chama Neném!

Gritou o lagarto enquanto pulava, lançando uma bola de fogo média em direção a Lilithmon que, como se fosse apenas uma brincadeira, dissipou com apenas um tapa. BlackAgumon não teria chances contra um Digimon naquele nível e ele sabia disso. Ninguém teria chance... até que um milagre aconteceu. Jijimon foi se aproximando de Lilithmon, mesmo Babamon gritando para ele não fazer isso. O corpo do velho brilhou como nunca e sua forma aumentou de tamanho.

De corcunda e cheios de pelos para algo a mais, sua altura mudou para algo muito maior do que um humano. Não. Era totalmente diferente de antes. Uma armadura azul e cinza de detalhes dourados agora cobria seu corpo e dez majestosas asas douradas cresceram de suas costas. Sua face era coberta por um capacete que tinha duas pequenas asas nas orelhas e uma estrela de quatro pontas no lugar da face. Jijimon se revelou sendo um Seraphimon.

Lilithmon ficou histérica, era impossível que o imprestável ancião do DigiMundo fosse um Seraphimon, aquele que sumiu desde que a guerra havia começado. Babamon se segurava não gritar e BlackAgumon ficava paralisado de admiração por ver o velho Jijimon virando algo do tipo. Os humanos estavam lá, vendo a cena e, mesmo sem entender muito sobre o que estava acontecendo, não deixaram de ficar impressionados.

— I-Isso é impossível! Um velho Digimon como você... Seraphimon... isso só pode ser um pesadelo!

— Sim, Lilithmon. Isso é um pesadelo que irei botar fim agora!

— Não brinque comigo! Agulha Nazar!

Mais uma vez a Digimon demoníaca recuou sua mão esquerda e acumulou energia púrpura, estendendo a mão e a liberando na ponta de seu dedo indicador um raio de energia que, enquanto seguia o caminho até Seraphimon, matava toda a vida presente no solo, o deixando preto.

— Golpe das Sete Estrelas!

Já Seraphimon invocou em volta de seu corpo sete esferas de luz e as lançou contra o ataque de Lilith. Ambos os ataques se chocaram e a poeira levantou, fazendo com que ninguém pudesse mais ver nada. Babamon e BlackAgumon aproveitaram a chance e se aproximaram dos humanos, ficando do lado deles para caso algo acontecesse.

A poeira já estava abaixando e nenhum sinal de Lilithmon, mas Seraphimon podia ser visto e estava se aproximando de todos. Os humanos, exceto Krazy; que ficou decepcionada pela diversão ter acabado; ficaram aliviados por tudo ter acabado bem. Mas, quando Seraphimon estava chegando perto, uma mão com garras metálicas de cor dourada atravessou suas costas até seu peito, pegando todos de surpresa. Era Lilithmon.

— Kihahahaha. Pensou mesmo que um ataque fraco como esse poderia me impedir, Seraphimon?

— K-Kuh... Babamon... cuide... dos humanos...

Mas, ao invés de se apagar em dados, o corpo de Seraphimon começou a mudar. Suas asas angelicais passaram a mostrar uma aparência demoníaca. Sua armadura reluzente passou a ter a cor negra. Seraphimon estava sendo consumido pelas trevas que Lilithmon passava para ele.

— Mas o que está acontecendo, velha!? — Perguntou BlackAgumon.

— E-Eu... eu não sei... Seraphimon está virando um Digimon Black...!?

— Digimon Black? — Perguntou Bolt.

— No DigiMundo existem variações de um Digimon... BlackAgumon, por exemplo, é uma das variações. Digimons Black são Digimons que foram infectados por vírus e acabaram por ter sua estrutura de dados alterada... assim como está acontecendo com Seraphimon!

Babamon agora estava tensa e séria, não parecia à velha rabugenta de antes. Seraphimon estava sendo tomado pelo poder de Lilithmon e, após ser totalmente corrompido, a demoníaca mulher retirou seu braço do anjo caído.

— Seraphimon? Acho que está enganada, velha... será a idade? Agora ele é BlackSeraphimon! — Gritou ela, confiante. — Agora... meu lindo escravo... ataque-os!

BlackSeraphimon, como um soldado obediente que era agora, aceitou a ordem de jeito silencioso. Voou e, usando o mesmo ataque que antes, invocou em volta de seu corpo sete esferas de cor escura e as lançou contra os escolhidos. Todos, menos Krazy, começaram a correr. Ela estava maravilhada. Parecia algo divertido... um brinquedo divertido para brincar! Ela foi até Lilithmon que a recebeu de braços abertos em um abraço, afinal, Krazy era a escolhida da nação das trevas, governada por VenomMyostimon.

Já os outros seis, junto de Babamon e BlackAgumon, corriam por suas vidas. As esferas negras caiam em cima dos humanos. Bolt foi o primeiro a ser impedido de prosseguir, seguido por Dreck e Ash. Haviam sido acertados pela esfera e seus corpos estavam paralisados, não poderiam se mover por um bom tempo. Apenas sobrava Akiyoshi, Mira, Cássia e os dois Digimons, ainda correndo por suas vidas. Akiyoshi havia percebido os outros três caindo e gritou:

— Precisamos voltar para ajuda-los!

— De jeito nenhum! Não podemos nos arriscar muito! — Gritou Babamon. — Voltaremos depois!

— Mas... — Akiyoshi estava em dúvida, sobre tudo o que estava acontecendo, mas ele desejava ajuda-los.

Fim da linha. Eles se viam diante de um desfiladeiro onde abaixo só havia árvores e um rio, era muito alto para pular e demoraria descer por escalada. Antes que pudessem pensar o que fariam, uma esfera negra acerta o solo na frente deles, abalando a estrutura e a cedendo. Os cinco caiam desfiladeiro abaixo. BlackSeraphimon, com os três garotos capturados, e Lilithmon, com Krazy em seu colo, observavam a queda de longe.

— Não se preocupe, BlackSeraphimon... mesmo que sobrevivam a queda, duvido que durem muito nesta área. Agora vamos, precisamos voltar para o Inferno de Dante.

— Sim, minha senhora.

E assim foram os dois, embora, desaparecendo como vultos e levando os humanos.