Digimon Champloo
8 Capítulo 7 - A decisão de Gaioumon. Uma dupla é formada!
BanchoLeomon levava Tetsu até a forja para restaurar seu capacete antes que ele não passasse de um monte de metal amassado na cabeça do Metalmamemon. Primeiro analisava-o enquanto este ainda vestia o digimon de pequeno porte. O leão tirava as medidas mentalmente e apegava-se em detalhes importantes com os quais deveria tomar cuidado enquanto fazia suas observações:
– Seu capacete foi usado pra firmar seu crânio, né?
– Como percebeu? – Questionava Tetsu, surpreso.
– Tem alguns parafusos e rebites espalhados em locais estranhos... Seu crânio deveria estar com múltiplas fraturas, mas ele provavelmente já deve conseguir manter a forma enquanto estiver sem o capacete para manter o suporte.
– Você sabe tudo isso só... AAAAAAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!
Tetsu gritava alarmado quando o ferreiro começava a retirar os rebites usando um martelo e um cinzel. Ele não esperava que aquilo fosse ser feito sem aviso, então ansiou que pudesse sentir alguma dor quando escutou o som do martelo batendo na base metálica do cinzel; E ao perceber que era apenas seu medo brincando com seus sentidos, o Metalmamemon se acalmava, respirando fundo, recuperando gradativamente a segurança:
– Então; Você sabe tudo isso só olhando meu capacete?
– Achei que você iria parar de falar enquanto achasse que isso ia doer.
– Apenas responda o que eu perguntei!
– Um ferreiro experiente que se dê valor precisa saber dizer o que é necessário para a manutenção de armas e armaduras, pois estas contam muito sobre seus usuários.
Bancho terminava de remover os parafusos que mantinham o capacete fixo a cabeça de Tetsu e se levantava, o colocando sobre uma mesa para poder melhor analisar os amassos e rachaduras presentes nele:
– Esse capacete me diz que você é um lutador descuidado quanto à própria segurança, confiando mais na resistência da sua armadura do que na sua própria habilidade. Aposto que você deixa que seus oponentes o acertem propositalmente. ... É, você é mais idiota do que eu pensei, projeto de ervilha.
– EU VOU EXPLODIR VOCÊ, SEU LEÃO VELHO!
Tetsu apontava seu canhão na direção do ferreiro, mas este era mais rápido e desparafusava o braço do Metalmamemon, o fazendo cair no chão:
– Também vou dar uma olhada nisso. – Pegava do chão o membro metálico de Tetsu. — Se você não tomar conta desse braço, ele vai acabar explodindo na sua fuça em algum momento. ... E tenho certeza você o usa como porrete também, não é?
– E daí se meu estilo de luta é diferente? Minha armadura e armas são feitas de chrome digizoid, elas não vão quebrar facilmente.
– Isso é verdade... Mas para elas estarem danificadas assim é sinal de que você tem enfrentado oponentes fortes sem tomar cuidado. Você está tentando se matar? – Encarava-o com um olhar sério, beirando o arrogante e debochador.
– Ugh... Pare de opinar sobre a maneira que eu venço minhas batalhas. Eu sei muito bem de quais ataques devo me esquivar ou como usar minha armadura para me defender!
– Certo. Você quem é o guerreiro, então cabe a você decidir como usar seus equipamentos em combate, né? Eu sou apenas o cara que conserta os estragos que gente como você faz.
– Leão chato. – Resmungou Tetsu.
– Agora vai dar uma volta por aí antes que eu decida dar uma martelada na sua cabeça.
– Ce-Certo.
Enquanto Tetsu e BanchoLeomon discutiam; Gaioumon estava sentado do lado de fora da casa, observando o horizonte. Esperava algum sinal do Asuramon, mas até aquele momento nenhum não tivera nenhum tipo de resposta. Assim que Metalmamemon saia da forja, caminhava na direção do samurai, tomando um lugar ao lado dele, ficando em silêncio por alguns segundos:
– Obrigado, espadachim. Achei que aquele fosse meu fim. – Agradecia, quebrando o gelo que se formara entre os dois anteriormente.
– Não foi nada. O senhor lutou bravamente contra o Asuramon, certo? Teria derrotado Vajramon se não fosse pelos seus “súditos”.
– Talvez sim, mas você salvou minha vida de todo jeito... Obrigado.
Ambos voltavam a implantar o silêncio — o que era um pouco constrangedor. Nenhum dos dois tinha para onde ir naquele momento; Um estava esperando uma visita e o outro suas armas estarem prontas para serem usadas. Não eram conhecidos o bastante para ter uma conversa amigável e nem sabiam exatamente sobre o quê conversar:
– Então, você é um espadachim, né? Pretende fazer o que depois de falar com seu amigo?
– Ainda não sei. Este servo acha que deveria procurar por seu antigo mestre, Zanbamon, mas não tem a menor idéia de por onde começar a busca...
– Você acha que o Asuramon tem alguma pista de onde ele pode estar?
– Isso também, mas este servo gostaria de saber o que ele pretende fazer á partir de agora, principalmente.
– Espera um pouco! – Pausa. — Se você não tem mais mestre, por que se refere á si mesmo como servo?
– Não sei. – Gaioumon respondeu pensativo. – Acho que é costume deste servo.
– Você fez de novo! Pare de se chamar de servo!
– Este servo vai tentar!
– Para com isso!
– Per-Perdoe este servo!
– PARA!
Enquanto Tetsu se exaltava tentando fazer o rônin parar de referir á si mesmo como servo, um Kotemon surgia correndo. Estava com algumas faixas pelo corpo e remendos em sua armadura de kendô – assim como na espada de bambu que estava em suas mãos -; Aquele era o mesmo Kotemon que visitava todos os dias a forja e desafiara Vajramon para um duelo. O digimon novato parava em frente ao samurai e ao “ervilha metálica”, fazendo uma breve reverência:
– Boa tarde, salvadores de Hanami!
– Não salvei nada. Eu só queria bater em uns digimons folgados. – Foi a resposta de Tetsu.
– Eu apenas estava seguindo meu dever como estudante do bushido. – Respondeu Gaioumon.
– Mesmo assim vocês protegeram a cidade do Vajramon e os samurais dele. Vão ser reconhecidos como os novos heróis da cidade. Um dia irei ser tão forte quanto vocês! ... Embora eu ache que vai ser fácil alcançar o senhor do canhão.
– Por quê? Eu tenho cara de ser mais fraco que o Gaioumon?
– É que o senhor também é um digimon novato, né? – Questionava Kotemon.
– EU NÃO SOU UM DIGIMON NOVATO! NÃO FIQUE ME JULGANDO PELO MEU TAMANHO!
– Nã-Não é? – Dizia Gaioumon, supreso.
– ATÉ VOCÊ?! EU QUEBRARIA A CARA DOS DOIS SE NÃO ESTIVESSE SEM MEU CAPACETE!
– Ah, bem que eu achei o senhor mais feio hoje. – Caçoou Kotemon.
– EU VOU TE MATAR SEU BAIXINHO FOLGADO!
– Pode vir! Eu acabo com você, seu anãozinho!
Gaioumon não sabia se deveria intervir na peleja dois baixinhos de cabeça esquentada, mas BanchoLeomon o fazia de dentro de sua forja, dando um rugido que fazia com que ambos digimons ficassem em silêncio e suando frio de medo:
– CALEM A BOCA, SEUS ANÕES DE JARDIM! VOCÊS ESTÃO ME IRRITANDO! VÃO FAZER SEU CONCURSO DE QUEM É MAIS BAIXINHO EM OUTRO LUGAR!
– Tá-Tá bom! – Respondiam ao mesmo tempo.
– Hehe... Até eu fico assustado com o BanchoLeomon. – Comentou Gaiou.
Agora os três ficavam sentados em silêncio, sentindo o tempo passar. Um queria falar com Asuramon, outro queria sua arma e capacete de volta o mais rápido possível, enquanto o terceiro queria conseguir uma espada de verdade.
As horas passavam, e já sentindo o cansaço ocioso começar a afetá-los fisicamente; Os três acabaram caindo no sono. Gaioumon dormiu sentado com os braços e pernas cruzados, apenas seus olhos fechados denunciavam que estava dormindo; Tetsu também caiu no sono sentado, mas apoiou as costas em uma das pernas do espadachim; Kotemon, por sua vez, era o mais folgado dos três: deitado no chão e usando a outra pena do rônin como travesseiro. Os três cochilavam tranquilamente, onde o único som que se ouvia naquelas colinas era o metal sendo malhado. ... Acordavam somente quando escutavam os passos pesados de Asuramon, o primeiro a abrir os olhos era o ronin, ele acenava ao ver Asuramon e Aruraumon se aproximando. A planta digital estava carregando o digitama – que antes era Vajramon – enrolado em suas vinhas. Tetsu e o Kotemon acordavam assim que ouviam a saudação da dupla que havia acabado de chegar:
– Olá, Gaiomoun. Espero não ter demorado. Eu não conseguia encontrar o caminho e tive que pedir ajudar. – Se explicava Asuramon.
– Ah, espero não ter estragado o sono de vocês. – Madra, a Aruraumon; Brincava ao ver Tetsu e o Kotemon despertando na mesma hora.
Gaioumon se levantava cuidadosamente para não derrubar os dois digimons que estavam apoiados em suas pernas:
– Vamos para um lugar mais reservado. Quero falar a sós com vocês. – Dizia Gaiou para o Asuramon, em tom de seriedade.
– Tudo bem... Senhora Madra, poderia esperar aqui e tomar conta do digitama?
– Você já me fez vir até aqui contra minha vontade... Vá logo se resolver com o Gaioumon. – Resmungou Madra de cabeça erguida, tomando nos braços o digitama.
– Obrigado.
Os dois ex-servos do feudo de Zanza deixavam o local para trás, buscando um local adequado onde pudessem conversar. Ambos não tinham certeza do que fazer agora que estavam sem mestre... E talvez pudessem chegar á uma resposta agora.
Madra acariciava o digitama enquanto conversava com Tetsu, pois o Kotemon aproveitava aquele momento para ir confrontar o ferreiro, deixando-os sozinhos:
– Então, por que esta aqui, Madra?
– Aquele Asuramon me pediu ajuda para chegar até aqui. Eu não queria ajudá-lo no começo, afinal ele atacou Hanami... Mas ele acabou insistiu tanto que acabei aceitando guiá-lo.
– Seria justo você não o ter ajudado, já que ele estava tentando dominar a sua cidade... Você tem um coração muito gentil.
– Hm... Eu decidi dar uma segunda chance á ele, só. ... Talvez com a conversa que ele venha a ter com Gaioumon, acabe por escolher que caminho irá seguir.
– Quer dizer que você pretende o perdoar? – Tetsu parecia um pouco confuso enquanto fazia a pergunta.
– Não sei. Ele machucou meus amigos e outros moradores de Hanami... Não sinto como se fosse perdoá-lo por se arrepender.
– Você é estranha.
– Você também é. – Madra retrucou na mesma moeda, rindo logo em seguida.
Asuramon e Gaioumon escolhiam conversar próximos de uma das placas que avisavam sobre os perigos que havia na mina daquela região; Não deram importância ao “lembrete”. Quem dava início à conversa era Asuramon. Apenas o rosto com a máscara amarela ganhava destaque naquele momento, e parecia extremamente feliz por saber que seu amigo estava vivo apesar das circunstâncias estranhas do reencontro:
– Gaioumon, estamos surpresos que você esteja vivo. Achamos que você tinha sido derrotado por aquele WarGreymon e seu digiescolhido.
– O BanchoLeomon me salvou. Ainda não sei como ele ficou sabendo sobre mim ou sobre o castelo, mas ele deixou a forja apenas para ir até o castelo Zanza.
– Entendo... Em todo caso, não estamos aqui para falar sobre sua derrota ou aquele dia fatídico, certo? Acredito que ambos queremos descobrir o que fazer a partir de agora.
– Sim... Estamos tão acostumados em seguir ordens que não temos idéia do que fazer, não é? – Dizia Gaioumon com certo tom de afirmação no questionamento.
– Talvez aquele corvo pudesse nos ajudar agora. Ele nunca foi de ligar para o caminho do guerreiro. Acho que ele apenas estava o tempo todo trilhando seus próprios passos, enquanto fingia estar na sombra de um grande senhor feudal.
– Você tem razão, Asuramon-dono. Karatenmon nunca foi como este servo. Enquanto me dedicava inteiramente ao treinamento, ele estava descansando ou se divertindo.
Gaioumon se sentava no chão ao lado da placa e Asuramon fazia o mesmo, esticando as pernas após o ato. O rônin e o artista marcial observaram as nuvens no céu com certo sentimento bucólico, atentos vez ou outra na fumaça escurecida que saia da forja. Agora era Gaiou quem quebrava o silêncio:
– Asuramon, quantos dos generais de Zanbamon foram deixados para trás?
– Seis, acredito. Eu, os cinco Musyamons que se uniram, Vajramon, Karatenmon, a deusa do campo de batalha, Darcmon, e o meteoro dourado, Grademon.
– Então Tactimon-dono e Hisyarumon-dono foram os únicos que deixaram o castelo junto com Zanbamon.
– Acreditamos que apenas o Hisyarumon foi chamado para acompanhá-lo, já que ele ia precisar de ajuda pra carregar a maior parte de seu tesouro. Já Tactimon deve ter previsto o movimento de nosso antigo mestre e se juntou ao grupo na fuga.
– Este servo acha que foi assim que deve ter acontecido. E quanto a Darcmon e Grademon, onde eles estão? – Perguntou com uma mistura de preocupação e curiosidade.
– Os dois foram procurar por Zanbamon. Diziam ter uma dívida eterna com ele.
Gaioumon se calava, afundando em seus próprios pensamentos; Se lembrando das últimas palavras de Vajramon após ser derrotado:
– “Gaioumon, seu último golpe foi deslumbrante. Este foi um dia louvável... Ah, quanto ao meu pai, não sei para onde ele fugiu. Mas parece que membros do feudo de Zanza estão destinados a cruzar seus caminhos, então quando o encontrar, faça-o voltar a ser o digimon honrado que sempre foi...”
Darcmon, Grademon, Tactimon e Hisyarumon... Todos ainda estavam seguindo o antigo mestre deles sem questionar sua atual postura. Mas se até mesmo Vajramon notou a mudança de personalidade que Zanbamon havia passado, possivelmente aqueles quatro também. ... Gaioumon gostaria de entender o motivo por trás da fidelidade daqueles três a um xogum ganancioso que se desviou do caminho do samurai. Finalmente encontrava uma resposta para as várias perguntas que tinha, então anunciava o fato de ter chego a uma conclusão, coincidentemente ao mesmo tempo em que Asuramon iria se manifestar:
– Já sei que caminho seguir!
– Já sabemos que caminho seguir! – Asuramon dizia no plural, se referindo a todas suas cabeças.
– Você também encontrou sua resposta? – Os dois falavam novamente ao mesmo tempo, agora um apontando na direção do outro.
– Diga você primeiro! – Continuavam falando juntos.
– Certo, nós falamos primeiro, então! Iremos retornar ao básico e rever todas nossas técnicas de combate. Iremos retornar até o vulcão do calor infinito. – Contava Asura.
– Eu irei procurar o mestre Zanbamon. Se o que Vajramon disse estiver certo, estamos destinados a cruzar nossos caminhos com o nosso antigo mestre e seus servos.
– Sim, Gaioumon. Caso saiba algo sobre Zanbamon, tente entrar em contato comigo.
Concordava com a cabeça ao pedido do colega. — Vamos criar nossos próprios caminhos á partir de agora. É uma promessa. – Dizia Gaioumon, estendendo a mão para Asuramon, sorrindo.
– Sim, nós iremos, Gaiou! – O Asuramon segurava a mão do rônin com firmeza, fechando a promessa entre eles.
Agora que Gaioumon e Asuramon haviam decidido que caminho seguir, retornavam até a forja de BanchoLeomon, orgulhosos e satisfeitos com suas próprias decisões.
O leão já havia terminado de fazer a manutenção do capacete e canhão de Tetsu e estava os recolocando no lugar, aproveitando – ou sendo obrigado – a conversar com o digimon androide, Metalmamemon:
– Depois que seu capacete estiver preso novamente nesse seu cabeção, o que você vai fazer? Ir procurar alguém pra dar uns socos e aliviar o estresse?
– Eu pretendo ir até o deserto rock’n’sand. Tá tendo uma escavação por lá e parece que encontraram a arma de um royal knight.
– Imagino como ela foi parar lá. – O ferreiro comentava pensativo.
– Não são todos os royal knights que estão na ativa. Dizem que alguns desapareceram e outros foram vencidos em combates terríveis. Talvez o dono da arma encontrada tenha participado de uma batalha mortal naquela região e sua arma indique onde está seu túmulo.
– Até que pra alguém que apanha de propósito, você é bem esperto.
– Eu não apanho de pro-! – Antes de completar a frase, Tetsu gritava de dor ao sentir um dos rebites sendo presos ao capacete e seu crânio.
– Ah, esqueci de avisar que ia começar a prender seu capacete.
– Você devia ter me falado antes de ir martelando minha cabeça!
– Fique calmo. Só faltam sete rebites e oito parafusos.
– Por-Por que você me parece feliz com isso?
Gaioumon e Asuramon chegavam em frente á forja. Primeiro viam um Kotemon brincando de ser avestruz — já que estava com a cabeça enfiada de baixo da terra e tentando a tirar de lá. O asura decidia ajudar o aprendiz de espadachim a se soltar do chão, enquanto o rônin digital entrava na forja, deparando-se com Tetsu pronto para partir. O Metalmamemon estava vestindo seu poncho e colocava seu chapéu na cabeça:
– Obrigado, velhote. Está na hora de partir em direção ao meu objetivo.
– Vai tarde. – Resmungava BanchoLeomon, sentado em uma cadeira próxima da janela.
– Você não devia me expulsar tão friamente!
– E você não devia gritar á cada quinze segundos!
– Você também está gritando agora. – Retrucava Tetsu.
– Com licença. – Dizia Gaioumon, indeciso sobre observar ou apartar a discussão dos dois.
Só agora Tetsu e BanchoLeomon notavam a presença de Gaioumon na entrada da forja. Os dois paravam de brigar instantaneamente, ainda que tivessem o aborrecimento claro em suas expressões:
– E como estão suas feridas, Gaioumon?
– Eu vou ir à busca de respostas, senhor. Vou encontrar meu próprio caminho do guerreiro.
– Já é um bom começo. Por que você não vai junto com essa ervilha até rock’n’sand? Talvez ver a arma de um royal knight e descobrir a história dele acabe servindo de inspiração pra sua jornada.
– Você se importaria se eu fosse junto, MetalMamemon-dono? – Perguntava Gaioumon.
Tetsu cruzava os braços em frente ao corpo, ponderando por alguns segundos. Queria ficar mais forte e por isso queria ir visitar a escavação... Talvez descobrisse uma maneira de aumentar seus poderes lá. No entanto, não seria uma má ideia ter a companhia de um mestre na luta com espadas; Podia aprender alguns golpes novos com ele. E tomava sua decisão:
– Por mim tudo bem, Gaioumon. E me chame de Tetsu.
– Certo, Tetsu-dono. Obrigado por me aceitar em sua viagem.
– Ótimo. Juntos vocês devem ter metade de um cérebro. Talvez um ajude o outro a ficar longe de confusão. – Resmungava mais uma vez o leão em voz alta.
Gaio e Tetsu deixavam a forja de BanchoLeomon, levando consigo alguns mantimentos dados pelo leão e os objetivos que os faziam seguir a jornada. Podiam ouvir a voz de Madra, Asuramon e Kotemon enquanto se despediam e os desejava uma boa viagem. O ferreiro permanecia apenas de braços cruzados, observando aqueles dois seguindo em direção ao próximo desafio que a jornada iria os por á prova... O lembrando de si mesmo quando era mais jovem, cheio de desbravamento e energia.
Há vários quilômetros de Hanami, na vila florestal Chubaka — uma vila construída na copa de várias árvores, habitada principalmente por digimons macacos -; Um visitante ilustre fazia seu banquete pessoal no único restaurante da vila. A presença dele acabou espantando os outros clientes, deixando o local todo para apenas ele e dois de seus capangas. O digimon responsável por deixar toda Chubaka em alerta era Beelzebumon – um demônio digital. Junto a ele estavam dois de seus três escudeiros, Beelstarmon – outro demônio digital com roupas de couro, seu belo corpo feminino apenas a torna mais fatal – e MagnaKidmon – um pistoleiro digital com pernas em forma de revolver. Beelstarmon estava sentada no parapeito de uma das janelas enquanto MagnaKidmon escorado na parede ao lado da entrada do restaurante. Beelzebumon comia sem parar e sem nenhuma preocupação; Quando um “cliente” se apresentava entrando no restaurante:
– Com licença; É aqui que servem a melhor banana split do mundo digital?
– Você é...? – MagnaKidmon estava surpreso com quem passava pela porta.
– Um royal knight aqui?! – Beelstar parecia igualmente surpresa.
O royal knight que invadia aquele banquete particular era Gankoomon – um dos treze royal knights, apesar de não usar armadura ou espadas, é tão poderoso quanto qualquer um deles -; Este se aproximava da mesa na qual Beelzebumon estava sentado, puxava uma das cadeiras e se juntava ao demônio digital em seu banquete que não parava mesmo na presença de um cavaleiro de Yggdrasil. Gankoomon deslizava os dedos pelo bigode, de maneira despreocupada:
– Não esperava encontrar um dos sete grandes senhores demoníacos fora da Dark Area.
Beelzebumon trocava de posição e pegava uma tigela cheia de arroz e carne, e então colocava os pés sobre a mesa, reclinando a cadeira enquanto engolia a comida, empurrando ela com um par de hashis pra dentro da boca:
– Vejo que você não é do tipo que fala de boca cheia. Bem educado da sua parte. – O royal knight riu e então bateu a mão na mesa, fazendo ela tremer. – Você sabe que o número de digimons obesos tem aumentado drasticamente, né? – Disse em tom sério.
– E daí? Não ligo se eles comem demais e se exercitam pouco. – Finalmente Beelzebumon respondia.
– Se esse fosse o único problema. Em minhas andanças eu vi muitos digimons agindo de forma estranha. Sendo gulosos, orgulhosos, invejosos, gananciosos e outras coisas. E só consegui pensar em uma única explicação.
– Eu não estou nem aí pra sua investigação ou para o que os outros demon lords estejam tramando. Não tenho tempo pra esses jogos políticos e tramas que ficam fazendo na dark area. – Engolia mais uma porção generosa de arroz.
– Então você sabe quem está por trás desses acontecimentos, não?
– ... Posso não ligar pra o que eles estão aprontando, mas ainda são meus colegas, e não os entregaria facilmente. – Beelzebumon respondeu, abaixando a tigela de arroz e encarando Gankoomon.
– Assim até fica mais fácil. – Gankoomon colocava a mão de baixo da mesa e a jogava em cima de Beelzebumon – Chabudai Gaeshi!
O demônio digital perdia o equilíbrio com o movimento repentino de Gankoomon, onde seu corpo e a cadeira eram jogados para trás enquanto a mesa — que estava tão dura quanto chrome digizoid; Um metal raro que existe apenas no mundo digital e é quase indestrutível — vinha em sua direção para esmagá-lo contra o chão. E foi quando Beelstarmon e MagnaKidmon se moviam rapidamente para proteger seu líder. Ambos entravam na frente da mesa e a chutavam para longe, com o pistoleiro efetuando um disparo com sua perna que quebrava a mesa em vários pedaços. A mulher demônio sacava um par de revolveres por de baixo de seu sobretudo preto e aplicava quatro disparos contra o royal Knight. Este, por sua vez, usava os punhos para se desviar dos disparos da oponente com extrema facilidade:
– Como esperado: vocês dois se juntaram a briga. Espero que saibam fazer mais do que isso.
– Preste atenção no que fala, queridinho. – Respondeu Beelstar.
Era quando Gankoomon notava que as balas estavam voltando em sua direção. Os revolveres de Beelstarmon disparam balas autônomas que perseguem o alvo até o acertarem ou serem destruídas. Duas balas vinham pela esquerda e as outras duas pela direita. Os punhos de Gankoomon ficavam vermelhos e ele acertava as quatro balas com socos poderosos, que as estilhaçavam no mesmo instante — seu Tekken Seisai. Antes de entrar em combate direto contra a mulher demônio, prosseguia:
– Eu não queria ter de lutar contra subordinados, mas se não tem jeito...
– Apenas lembre-se de não me subestimar por ser uma mulher!
– Pelo contrário; Estou a subestimando por ser um digimon extremo que aceita as ordens de outro.
– Vou arrancar essa sua língua quando tiver acabado com você!
Beelstarmon estava agindo como distração enquanto Beelzebumon planejava a fuga deles. O senhor demoníaco apontava a janela para MagnaKidmon e então levava o indicador e o polegar até a boca, dando um alto e estridente assovio. Uma moto atravessava a parede do restaurante — era Behemoth, o veículo favorito de Beelzebumon. O líder se levantava rapidamente e pulava, montando em sua moto e avançando na direção de Gankoomon, efetuando vários disparos contra ele usando uma de suas shotguns, o forçando a se defender usando os braceletes em seus pulsos:
– Beelstarmon! Se prepara para correr até sua moto! O MagnaKidmon já deu o sinal pra ELE! – Berrava Beelzebumon para a companheira.
– É uma pena, queridinho, mas vou ter que ir embora. – Beelstar saia do restaurante correndo até onde sua moto estava estacionada.
– Não vou deixar vocês fugirem! Desperte, HINUKAMUY!
Gankoomon despertava sua aura de batalha tomava a aparência de um dragão dourado e estava pronto para atacar Beelzebumon em sua behemoth, quando um rugido metálico fazia toda a floresta tremer. Ele parava e olhava o local, confuso; Dando a chance para MagnaKidmon pular na garupa da moto e Beelzebumon sair do restaurante:
– Gankoomon, não mecha com os lordes demoníacos da Dark Area! – Ele acelerava a moto e saltava com ela do alto da árvore, avisando-o.
– Mas que droga! Eles estão escapando!
Ele teve apenas tempo para reclamar, pois antes de conseguir sair do restaurante, este era alvejado por um poderoso ataque que fazia o local todo explodir. Aquele golpe não foi dado por nenhum dos digimons que fugiram de lá, mas pelo terceiro subordinado de Beelzebumon, Gundramon – um gigantesco dragão máquina que tem o corpo coberto de revolveres e pistolas proporcionais ao seu tamanho, ele é tão rápido e poderoso quanto Mugendramon. Beelzebumon conseguia escapar sendo acompanhado pelos Three musketees, o grupo formado por Beelstarmon, MagnaKidmon e Gundramon. Gankoomon conseguia sobreviver ao ataque repentino da gigantesca máquina de guerra graças a sua aura de combate, pois aquele ataque poderia ter aniquilado facilmente a maioria dos digimons de nível extremo, mesmo os que fazem parte dos royal knights:
– Por essa eu realmente não esperava... – Gankoomon dizia enquanto saia de baixo dos escombros do restaurante com ajuda de Hinukamuy, comentando ao ver o que sobrou do local. – Vou ter que ajudar a reconstruir o restaurante.
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