Digimon Beta - E o Hexágono do Mal
13 A Amizade de Terriermon e Carlos
Apesar de ter uma aparência inofensiva, Terriermon estava disposto a defender sua vida e não se entregaria tão facilmente. Estava pronto para atacar a qualquer momento, assim como Betamon, Plotmon e Gotsumon. Os digimons se encaravam por longos segundos, com semblantes fechados e atenção redobrada. Um silêncio assustador reinava naquela quadra aos fundos do colégio.
– Sinceramente, não quero brigar – diz Terriermon sentando no chão, sorrindo e abraçando suas orelhas carinhosamente.
– Você não pode ficar aqui. Tem que retornar ao Mundo Digital – diz Plotmon.
– Me diz como eu faço pra voltar que eu volto!
– Eu não sei te dizer isso!
– Então não exija de mim algo que você não sabe! – Terriermon fica de ponta cabeça, apoiado pelas orelhas e de braços e pernas cruzadas.
– Terriermon – interfere Betamon – Nossa função aqui é mandar os digimons selvagens de volta ao Mundo Digital. E o único caminho que conhecemos é esse!
– Betamon, pare de conversa fiada e acabe com ele – grita João.
– Barbatana Bumerangue.
Betamon lança sua barbatana, que segue girando no ar. Terriermon fica de pé e inclina seu corpo para trás, se livrando da técnica, que passa a centímetros do seu peito.
– Precisará mais do que isso para me destruir! – diz Terriermon após voltar à posição original.
A barbatana faz o retorno e atinge a nuca do digimon, deixando-o desacordado no chão.
– Desmaiou? – pergunta Lúcia incrédula diante da facilidade com que Terriermon foi derrotado.
Gotsumon se aproxima e o vira de barriga pra cima.
– Totalmente apagado!
– Beta, destrua-o logo antes que acorde – ordena João.
– Ele está desmaiado! É humilhante atacar alguém que não pode se defender.
– Se tivesse outro jeito – pontua Verônica — Se tivéssemos como mandar os digimons de volta sem precisar destruí-los.
– Se conseguíssemos abrir um portal para enviá-lo de volta, seria mais fácil – diz Lúcia – Infelizmente ainda não desvendamos o enigma do Arquivo Digimon.
– Enigma? Que enigma?
– O enigma que te mandei na sexta-feira, Verônica. Eu avisei com antecedência.
– Lembro que você me avisou. Só que eu não recebi nada!
– Certeza amiga?
– Claro. Meu computador quebrou e eu pedi pro Carlos consertá-lo.
– Será que ele leu?
– Acho que não! Ele é de confiança.
– Você ainda confia nele?
Verônica fica pensativa com a indagação de Lúcia.
– Anda Betamon! Acabe logo com isso – diz João.
Betamon, mesmo contra sua vontade, se preparava para atacar quando ouve um grito:
– NÃO! Não faça isso Betamon.
Carlos estava no portão de acesso à quadra.
– E por que não? – pergunta João.
– Por que ele não representa nenhum risco para nós – Carlos rapidamente se põe na frente do Terriermon desmaiado.
– E quem me garante isso? Você?
– Anteontem me deparei com esse digimon na praça perto de casa, e ele me disse que queria voltar pro Mundo Digital. Ta na cara que ele veio por acidente! Não acho justo destruí-lo.
– Não entendo por que você quer proteger esse digimon. A não ser que você seja o domador dele.
– Eu? Domador de Terriermon? Cale a boca! Agora todos os digimons que aparecem por aqui são meus. Você nem sabe mais o que fala.
– Carlos – interfere Verônica — Você é o domador desse Terriermon?
– EU NÃO SEI! Só estou indo em sua defesa por que ele é um digimon bacana.
– Também não senti nenhuma ameaça vinda dele – diz Plotmon.
– Ele parece ser bacana mesmo – afirma Gotsumon.
– Estão vendo? Não há necessidade de destruí-lo – diz Carlos.
– A nossa função é essa. Os domadores têm que proteger o Mundo Real dos digimons.
– Quem te disse isso João? Prove que o que você diz é verdade.
– Não tenho como te provar. Eu digo pela lógica.
– Eu sei que tem lógica, mas esse digimon é inocente. Não merece ter esse fim. Lúcia, Verônica, vocês concordam comigo?
– Rapaz... Não me faça pergunta difícil – Lúcia coça a nuca.
– Agora eu fiquei confusa – diz Verônica completamente perdida em meio à discussão sobre o destino do pequeno Terriermon, que permanecia desacordado.
– Carlos, chega de teatrinho. Saia da minha frente!
– NÃO!
– Lúcia, mande Gotsumon segurar Carlos, enquanto Betamon destrói Terriermon.
Carlos implora olhando no fundo dos olhos da domadora carioca.
– Por favor, Lúcia, não faça isso.
– João – chama Verônica — Se esse digimon for realmente de Carlos, ainda assim quer destruí-lo?
– Carlos – pergunta João — Esse Terriermon é seu?
– Não sei te dizer caramba!
– Então não posso fazer nada por você.
– João eu não estou te reconhecendo!
– Por que Verônica?
– Você está tratando os digimons como se fossem objetos.
– Eu sei que eles têm vida e que não são meros objetos. Mas você tem que entender que a presença deles aqui, no nosso mundo, não é normal.
– Você lembra o que me disse depois da discussão com Carlos? Que não iria perdoá-lo se algo de mais grave acontecesse ao Betamon. Então por que você quer destruir esse digimon? Vamos deixá-lo livre. Ele não nos causará nenhum mal.
– Deixem-me explicar uma coisa – Verônica, João e Carlos voltam sua atenção para Lúcia — Uma das nossas funções é não permitir a entrada de digimons no Mundo Real. Só que por outro lado, Terriermon não nos causou nenhum problema.
– É melhor destruí-lo o quando antes – prossegue João irredutível — Vá que ele consiga evoluir e fique mais forte que os nossos digimons?
– Se for pensarmos por esse lado...
– Ele não pode evoluir sem um domador – grita Carlos.
Verônica se estressa com a discussão.
– Chega! Que saco! Eu vou embora. Vamos Plotmon!
– Você vai aonde? – pergunta João.
– Vou pra minha casa! Estou decidida de que é o melhor a se fazer agora!
Terriermon, aos poucos, se levanta por trás de Carlos.
– Por que todo mundo resolveu me dar pancada na cabeça?!
– Você está bem? – pergunta Carlos agachando.
– Se afaste de mim!
– Calma, estou aqui pra te proteger.
– Eu não confio nos humanos... Vocês querem me destruir!
– Dá pra facilitar nosso trabalho, ou ta difícil? – pergunta João.
– Não enche! – responde Carlos no mesmo tom — Terriermon fuja logo! Não sei por quanto tempo conseguirei impedi-los.
– Por que você está me ajudando? – pergunta o pequeno com os olhos brilhando.
– Quando te encontrei na noite de segunda, lá na praça após cair da árvore, vi sinceridade em seu olhar, e medo por estar em um lugar estranho.
– João se decida: Ou vai ou fica! – impõe Verônica com Plotmon nos braços, já saindo da quadra.
– Só vou para casa depois que converter esse digimon em dados. Betamon, agora!
– Choque Elétrico.
O raio de eletricidade de Betamon passa pelo Carlos, indo de encontro ao Terriermon, que dá um forte salto para trás.
– Fogo Ardente.
Terriermon lança uma rajada de minúsculas esferas de energia verde pela boca, atingindo Betamon entre os olhos. O digimon de barbatana laranja tentava uma ofensiva, mas a técnica de Terriermon aparentava ser bem dolorosa.
Carlos se afasta para não ser atingido.
– Betamon, não desista! – encoraja João.
– Gotsumon, vá ajudá-lo.
Após a ordem de sua domadora, Gotsumon corre até Terriermon e lhe acerta um soco no estômago, forçando-o a parar o ataque. O boneco de pedra tenta atingir uma joelhada no rosto do oponente quando o mesmo segue dando cambalhota para se afastar e em seguida contra-ataca.
– Pequeno Tornado.
O digimon de longas orelhas gira a uma incrível velocidade, criando um tornado, o qual ele lança na direção de Betamon e Gotsumon, que não conseguem se fixar no chão e são lançados contra a trave do futsal.
– Verônica, posso ir? – pergunta Plotmon ainda nos braços de sua domadora.
– É melhor você ficar.
Gotsumon e Betamon rapidamente se põem de pé. Enquanto Gotsumon avança correndo, Betamon dá um pequeno salto e gira no ar, fazendo com que sua lâmina, por conta da velocidade de giro, adquire poder de corte.
Carlos observa calado Terriermon enfrentar dois oponentes ao mesmo tempo. Em meio a saltos e rodopios defensivos, o garoto de cabelo bagunçado e olhos verdes atrás dos óculos de armação preta, pensava na possibilidade daquele ser seu parceiro digimon.
– Choque Elétrico.
– Punho de Pedra.
Terriermon não consegue desviar do raio e, após ser eletrocutado, recebe uma pedrada no estômago e cai de joelhos sentindo fortes dores.
Carlos corre em sua direção e agacha.
– Desista de lutar! Volte para a praça e fique escondido.
– Se eu fizer isso, esse humano não vai me deixar em paz.
– Gotsumon. Segure Carlos enquanto Betamon faz o restante – ordena Lúcia.
Gotsumon caminha até Carlos, que agarra Terriermon e implora:
– Lúcia, pare com isso!
– João tem razão quanto a permanência deste digimon. Ele pode evoluir e nos dar muita dor de cabeça.
– Rajada Azul.
A rajada de fogo azul avança na direção dos olhos de Gotsumon, que rapidamente cruza os braços na frente do rosto para se proteger.
Um digimon bípede de pele amarela, calda rígida, grandes garras nas mãos e nos pés, chifre pontiagudo sobre a cabeça, e uma manta branca com listras em azul que envolve sua cabeça, costas e braços, se põe de braços abertos na frente de Carlos e Terriermon.
– Não se aproxime!
Verônica e João olham atônitos o repentino aparecimento daquele digimon. A manta branca com listras azuis que o digimon carrega, muito lembrava a pele de Garurumon. Digimon esse responsável pelos constantes ataques ao João, e pela discussão de Carlos e Verônica na manhã do dia anterior.
Lúcia saca seu digivice e recolhe informações do digimon.
Gabumon, um digimon Novato. Esse digimon canino possui um único chifre e usa uma manta que o protege das fortes oscilações de temperatura. Sua técnica é a “Rajada Azul”.
– Quer dizer que Gabumon é seu digimon? – pergunta João irritado.
– Como? – interroga Carlos sem entender – Não! É a primeira vez que vejo esse digimon na minha frente.
– Chega de mentiras, Carlos! A manta que esse digimon carrega é idêntica à pele de Garurumon.
– Não acredito que você foi capaz de mentir pra mim durante todos esses dias – diz Verônica decepcionada.
– Carlos – diz Gabumon – se precisar, eu irei evoluir!
– Por que você quer me proteger? Eu nem te conheço!
– Você continua com a mentira! Ele acabou de lhe pedi permissão para evoluir – João pressiona seu digivice na mão — Agora chegou minha vez. Vou fazer contigo tudo o que Garurumon fez com a gente, principalmente comigo. Betamon evolua!
Betamon acata a ordem do seu domador e evolui. Gabumon o acompanha no movimento e também evolui. Carlos, com Terriermon nos braços, se afasta dos digimons Adultos.
– Rajada Uivante.
Garurumon dispara contra Seadramon, que consegue se esquivar. A técnica atinge a parede do colégio, destruindo-a.
– Plotmon, vá e não deixe que eles destruam o colégio.
Plotmon salta dos braços da sua domadora.
– Ajude-a Gotsumon.
Os digimons das garotas evoluem para Tailmon e Icemon, e partem para o ataque.
O digimon de gelo dispara seu raio congelante contra Garurumon que, por conta da sua pele, não é congelado. Seadramon então aproveita seu descuido e o chicoteia, lançando-o contra a arquibancada. Tailmon não titubeia, avança velozmente e o atinge com vários socos pelo corpo. A digimon felina mais parecia um borrão de tinta atingindo Garurumon, que tentava se por de pé e logo em seguida caía, por conta dos fortes golpes desferidos pela oponente. Tailmon finaliza com um chute debaixo do queixo e salta, aproximando-se dos seus aliados. Garurumon estava bastante debilitado com as fortes investidas que acabara de recebe e, antes que conseguisse contra-atacar, recebe outra “Bomba de Neve”.
– E aí Carlos? — pergunta João sorrindo — Qual é a sensação de ser atacado e ver seu digimon sofrer?
Continua...
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