Levi e Kyubimon olhavam da beirada de um precipício. Estavam encurralados por um dos ditadores do Hexágono do Mal.

– Suponho que não tenham saída.

– Davi, João e os outros Domadores Betas vão acabar com a raça de vocês.

O inimigo, que estava gargalhando, urra de raiva e ataca:

– Força das Trevas.

Uma gigantesca energia redonda e alaranjada avança na direção do domador e da sua digimon.

– Cuidado Levi!

A digimon raposa quadrúpede se lança sobre seu domador para livrá-lo do ataque e ambos caem da grande ilha flutuante.

– KYUBIMON

A energia alaranjada explode no local onde o domador e a digimon estavam.

O ditador, após se certificar de que humano e digimon haviam sido destruídos, retorna para o interior do castelo.

A digimon raposa regride para Renamon e abraça Levi para protege-lo durante a queda.

– Renamon! – diz Levi assustado — A gente não vai sobreviver a uma queda dessa altura!

– Minha função é te proteger. Hoje e sempre!

A digimon raposa bípede, de pelagem amarela e luvas roxas até o cotovelo acaba desmaiando.

– A gente não pode morrer. Não agora! RENAMON!

Aos poucos, o digivice que brilhava timidamente segue ganhando brilho e envolve a digimon raposa em um casulo que cresce.

Levi, que até então mantinha contato físico com sua digimon sente os dados da digimon desaparecerem, quando a mesma foi envolta pelo casulo da evolução, e cai.

Instantes antes de tocar o espelho d’água, um campo de força surge embaixo do domador negro e segue desacelerando-o até tocar a água sem muito impacto. Ao se virar para olhar a evolução da sua digimon, Levi novamente vê o casulo de luz envolve-la e logo após, Renamon cai com estrondo na água.

Levi nada até sua digimon e percebe que ela boiava com o rosto para cima, ainda que estivesse desacordada.

– Droga! Como vou fazer pra sair daqui.

Ao longe, Levi escuta um zunido e, ao olhar ao redor, percebe que o Kabuterimon atravessava o oceano. O domador da Renamon começa a gritar e a se movimentar até que consegue chamar a atenção do enorme digimon inseto, que muda de rota e voa de encontro a ele.

O domador de corpo redondo abraçado ao chifre do digimon inseto sorri ao ver Levi.

– Não esperava te encontrar por aqui! O que aconteceu com Renamon? Ela está bem? Devimon te jogou no mar? Pois ele me lançou dentro da cratera de um vulcão dissolvente. Você já ouviu falar nos vulcões dissolventes? Ele dissolve tudo com sua larva roxa. Reduz qualquer coisa a dados! Quero dizer, qualquer coisa digital. Nunca ouvi ninguém falar nada sobre...

– WILL! – grita Levi fazendo-o calar – Precisamos sair daqui! Renamon está esgotada. Você pode nos ajudar?

– Claro! Não precisa dizer duas vezes!

O enorme besouro de exoesqueleto azul e que possui dois pares de braços, pega Renamon e Levi com as mãos e segue voando na direção de um continente.

– Agora você pode me contar tudo o que aconteceu contigo?

– É uma história longa, Will. Mas vamos lá.

João caminha segurando Betamon em seus braços. O garoto seguia por uma estrada que atravessava uma região do Mundo Digital conhecida como “Gramado de Rosas da Meia-Noite”.

Esse gramado verde e macio atrai digimons de vários níveis e espécies. Sempre que se aproxima o inicio de um novo dia, florescem nesse vale, rosas douradas e prateadas fluorescentes que iluminam até as mais escuras das noites.

Domador e digimon estavam animados. Ao contrário do Carlos, Davi, Lúcia, Albert e seus respectivos digimons, eles tinham tido uma boa noite de sono e acordaram com as forças renovadas.

Pela manhã as flores estavam fechadas em enormes botões do tamanho de bolas de futebol.

– Será que o que estava escrito naquela placa lá atrás é verdade? – questiona João.

– Deve ser! Que tal esperarmos aqui até anoitecer pra ver se realmente é tão bonito?

– Não, Betamon! Sinto que é hoje que vamos reencontrar a galera. Precisamos andar logo.

– Também to confiante! É muito bom te ver animado!

João continua andando até que alguns metros a frente um raio cai, assustando-o. No local atingindo pela descarga elétrica, surge o ditador vampiro que havia atacado os domadores em Salvador.

Uma densa nuvem negra começa a dominar o local e a ofuscar a luz do sol.

O digimon réptil de dorso achatado e corpo redondo salta dos braços do seu domador e se coloca em posição defensiva.

– Vamdemon? – exclama o garoto de barba cerrada.

– Sentiram minha falta?

– Nem um pouco, pra ser sincero!

– Verônica teve muita sorte lá na Planície Xadrez. Ela destruiu Devimon e agora irei vingar sua morte.

– Como é que é? Foi Verônica quem destruiu Devimon?

– A digimon treinada por ela conseguiu atingir a Perfeição.

– Não esperava outra coisa dela! No que depender de mim, você será o próximo da lista!

João ergue seu digivice, que passa a brilhar de forma grandiosa. Betamon é envolto pelo casulo de luz e evolui para a serpente vermelha com pequenas nadadeiras ao longo do seu corpo e uma poderosa armadura com um chifre em lâmina sobre a cabeça.

– Muahahahaha.

– Se eu fosse você não estaria gargalhando – provoca o garoto.

– Esse é o problema, João! Você nunca estaria no meu lugar. Os seres humanos são uma raça de seres vivos deprimentes. Merecem a morte.

– Quem merece a morte é você – brada irritado.

– E você acha mesmo que pode me vencer? Você e o Megaseadramon são uns vermes! Lixos da pior espécie.

– CALA A BOCA!

– Muito me admira você está aqui. Não teve a capacidade de destruir seu rival e vai querer dá uma de valentão logo pra cima de mim?

– Meu rival? – questiona sem entender o que o ditador havia dito.

– Ele quer tomar o seu lugar, João. Ele te inveja! Quer ter a Verônica em seus braços.

João fica confuso. Sua respiração ofega e o nervosismo toma conta do seu corpo.

Megaseadramon observa tudo parado no ar, ao lado do seu domador.

– Nesse exato momento Rafael deve está com ela!

João ficava ainda mais confuso e pensativo. Por mais que tivesse ouvido boatos durante a batalha no Deserto do Norte, João temia que o sentimento do garoto loiro pela Verônica fosse real e não uma criação do ditador que o manipulou. E se essa possibilidade realmente existir, a última frase dita por Vamdemon faria todo o sentido do mundo.

O ditador vibrava por dentro. Se conseguisse semear a maldade no coração do João, assim como Devimon havia feito com Rafael, conseguiria fazê-los duelar até a morte. Com o desfalque de dois dos domadores que já possuem digimons no nível Perfeito, destruí-los seria bem mais fácil.

À medida Vamdemon ia falando, um pequeno filete de nuvens negras descia do céu e seguia entrando pelo ouvido direito do garoto.

– NÃO! – brada João levando às mãos a cabeça — Isso só pode ser um pesadelo.

Megaseadramon nota a intenção do ditador em fazer os dois domadores brigarem.

– Não acredite nas palavras do Vamdemon – interfere Megaseadramon — Ele quer levá-lo para o lado das trevas.

Vamdemon olha para Megaseadramon e sorri com ironia.

– Acabe com Rafael! Se não fizer isso, ele pode te surpreender quando menos esperar.

– Não acredite nisso, João! Sabemos bem que Rafael agia assim por causa dos ditadores.

A enorme serpente vermelha estava desesperada com o possível controle do Vamdemon sobre seu domador. Por mais que soubesse que o João é perspicaz, o ditado estava tocando em um assunto crucial, e ainda em aberto, entre João e Rafael.

– Aceite meu conselho, humano! Acabe logo com a pessoa que quer acabar contigo!

– Desgraçado! Não vou deixar que faça isso. Lâmina do Trovão.

O ataque do digimon serpente avança na direção do Vamdemon como um grande trovão. O ditador se protege com sua capa.

João, ainda envolvido pelos pensamentos maléficos do Vamdemon, alimentava seu ódio. A névoa negra seguia penetrando em seu ouvido e dominando sua mente.

– Não se intrometa! Asa Espantosa.

Vamdemon abre sua capa liberando uma nuvem de morcegos na direção do Megaseadramon, que tenta se livrar da técnica lançando outra descarga elétrica. O digimon vampiro que veste um uniforme anil com botões dourados e uma máscara vermelha que lhe cobria apenas os olhos, percebendo que a enorme serpente do João conseguiu destruir seus morcegos e que a técnica avançava na sua direção, dá um salto mortal para trás e consegue se esquivar.

– Não me atrapalhe! – brada o ditador.

– Não vou deixar que controle João do mesmo jeito que o seu aliado fez com Rafael!

– Você não tem direito a escolhas.

Vamdemon cria dois chicotes de energia vermelha, um em cada uma das mãos, e os enrosca no pescoço da serpente. Megaseadramon se debate tentando se livrar enquanto o ditador sorria e o jogava contra o chão diversas vezes.

À medida que ia se preocupando em atacar o digimon de João, Vamdemon seguia perdendo o controle sobre a energia das trevas que estava dominando o garoto. Aos poucos, a nuvem que havia penetrado em sua cabeça seguia retornando para atmosfera e João recuperava toda sua confiança e racionalidade.

O digivice brilha e afasta toda a energia das trevas do corpo do garoto de barba cerrada.

Vamdemon se intimida com a luz emitida pelo aparelho e solta Megaseadramon para poder se proteger com sua capa.

– Como é que eu pude pensar numa atrocidade dessas? Eu não vou me igualar ao Rafael! Agora, mais do que nunca, precisamos estar juntos.

– Vamdemon quis te colocar contra Rafael. Ele queria seguir com o plano do Devimon.

– Eu nunca darei oportunidade para ser controlado.

– Tem certeza, João? Por pouco eu não conseguia instaurar outra discórdia no seu grupo.

– Megaseadramon, acaba com a raça dele! – grita o domador completamente irritado.

A enorme serpente vermelha avança no ditador, que se esquiva de todas as investidas. Vamdemon conseguia se desviar da lâmina presa à armadura da cabeça do Megaseadramon com facilidade e sorria, irritando ainda mais o digimon de João.

– Você precisará de muito mais do que isso para me derrotar.

Megaseadramon seguia investindo com o seu chifre quando repentinamente usa sua calda e consegue chicotear o ditador, que cai no chão e se arrasta por alguns metros.

O ditador rapidamente se põe de pé e contra-ataca:

– Asa Espantosa.

– Explosão de Gelo.

Megaseadramon e Vamdemon disputam força utilizando suas técnicas mais poderosas. O digimon de João empenhava-se ao máximo para destruir o ditador. Vamdemon aumenta a intensidade do seu golpe e consegue englobar o rival, explodindo-o.

A massa de ar gerada pela explosão lança o domador no chão.

Ao se levantar, João percebe que Megaseadramon continuava caído enquanto Vamdemon caminhava na sua direção.

– Megaseadramon cuidado! Vamdemon está indo na sua direção.

A serpente vermelha levanta voo e, antes de conseguir atingir uma boa altura, Vamdemon o segura pela cauda.

– Aonde pensa que vai?

Rapidamente o ditador puxa a enorme serpente para próximo de si e lhe disfere uma sequencia de socos e chutes. A velocidade era tamanha que João apenas visualizava um borrão de tinta se locomover pelos mais variados seguimentos do corpo de Megaseadramon. Apesar da notável diferença de tamanho, Vamdemon seguia demonstrando muitas habilidades durante a batalha.

O ditador salta e passa a levitar.

– Agora chegou o seu fim. Chicote Sangrento.

Verônica caminhava pelas ruas de uma cidade inteiramente feita de metal. A garota, juntamente com Plotmon, já havia se certificado de que o local estava vazio. Não havia encontrado nenhum digimon pelas ruas. Mais a frente, ao passar por um cruzamento e olhar para a direita, percebe que um garoto negro com o cabelo ao estilo moicano conversava com um pequeno dragão roxo com asas presas ao antebraço.

– Olá! – grita a domadora de cabelos cheios e volumosos abaixo do ombro.

Mateus se levanta e a vê chegar.

– Olá! Tudo bem?

Ambos se cumprimentam com beijos no rosto.

– Você é o Mateus, né?

– Isso! Lembro de tu na batalha contra Devimon!

– Todos os domadores estavam lá! – sorri o garoto.

– Acabei de me despedir do Alex. O Victor eu vi ontem.

– Bah! Já cansei de procurar por eles e pelo Albert!

– Depois que derrotamos Devimon, combinamos em reunir todo mundo e tentar uma ofensiva contra os ditadores na base deles.

– Hei! Mateus. Verônica!

Um garoto de voz rouca acompanhado de um pequeno tiranossauro de cor roxa e longa calda se aproxima.

– Pastreli! – retribui a garota acenando.

– Dorumon! – grita Monodramon, digimon do garoto negro.

Bruno Pastreli se aproxima e os cumprimenta.

– Ainda bem que achei vocês aqui na Cidade Maquinária! – diz o garoto com sua voz rouca característica.

– Por quê?

– Estava cansado de andar só, Verônica! Batalhamos muito desde que Devimon nos separou. Ao que tudo indica, O Hexágono do Mal colocou mais soldados pelo Mundo Digital.

– Você seguirá com Mateus! Eu estava explicando a ele que combinei com Victor de reunir todos os domadores da base do hexágono. Vamos atacar com tudo o que tivermos.

– E por que você não vem com a gente? – questiona Monodramon.

– Por que eu tenho que reencontrar meus amigos.

– Nos também vamos – interrompe Mateus — Acho melhor andarmos todos juntos a partir de agora!

– Eu sei! Mas eu tenho que encontrar o pessoal e avisar que Victor, Bruno Soares e Guilherme estão procurando por eles, entende?

– Entendi – responde Bruno Pastreli – Só não concordo!

– Guilherme também não concordou, mas é o melhor a ser feito! Já encontrei o Alex antes de vocês e passei o recado. Logo, logo conseguiremos reunir o pessoal novamente.

Um grande tremor de terra assusta os garotos.

O enorme besouro que possui dois pares de braços e um enorme chifre sobre a cabeça seguia sobrevoando uma cidade medieval até pousar em uma enorme e florida praça.

Kabuterimon deixa Levi e Will, o seu domador, no chão, coloca a Renamon, que ainda estava desacordada, sobre um banco e regride para Tentomon.

Will estava bestificado com toda a história contada pelo Levi.

– Cara, então nós não servimos de nada aqui no Mundo Digital? Somente João, Verônica, Carlos, Lúcia, Davi e Rafael é que têm utilidade?

– Também não vamos tirar conclusões precipitadas! Nosso encontro foi muito rápido. Não tive tempo de questionar tudo o que eu queria.

– Você conseguiu ver os outros ditadores? Como eles são?

– Todos eles são poderosos e possuem forma humanoide.

– Como assim?

– Lembram humanos por possuírem dois braços, duas pernas, tronco e cabeça.

– Pretende fazer o que agora, Levi? – questiona o pequeno besouro mecânico de carapaça vermelha com enormes olhos verdes.

– Eu tenho que encontrar os Domadores Betas o quanto antes. Nossa sobrevivência e retorno pra casa dependem deles!

Continua...