Digimon Beta - E o Domador Inicial

26 O Retorno do Hexágono do Mal


— Vivi como um dos piores seres que já passaram pelo Mundo Digital graças ao deus-digimon. E logo ele que foi bondoso com o digimon capaz de força-lo a cometer as piores atrocidades, me fez passar por isso!

— Você sempre foi digno de pena, culú. E não terá um bom final.

— Depois que você me deu uma aparência horripilante, rastejei por vários quilômetros até conseguir a ajuda de um Megadramon, que me levou a fábrica de uma cidade próxima. Lá, produzimos algumas ferragens para meus pés, por isso ando com certa dificuldade.

Os garotos se olhavam assustados. Aquele digimon, juntamente com o deus-digimon, acabara de descrever tudo o que acontecera contigo com muito ódio e rancor. Estava claro que ele não era aliado de Calamon e muito menos de Culumon. Era um ser ambicioso capaz de tudo para conquistar o que quer.

— Como sei que estão curiosos — prossegue o digimon. – Chegou a hora de relevar minha verdadeira forma.

Rapidamente, o digimon se transforma na frente dos humanos. Seu sobretudo, botas e cartola desaparecem, dando lugar a uma múmia de aparência horripilante e que usa hastes de ferro na canela que lhe dão sustentação para ficar de pé. Sua bengala transforma-se em uma enorme metralhadora, sendo utilizada como muleta. Ataduras gastas e frouxas passam a envolver seus braços e pernas. Enormes garras negras nascem nos dedos das mãos e dos pés. Chifres brotam do seu ombro. Seu olho esquerdo explode e o direito torna-se vermelho como brasa, além dos dentes desaliarem e se amontoarem, adquirindo uma aparência horrorosa, com cáries e saliva em excesso. Cintos estavam atados aos braços, pernas e cinturas, e um tecido roxo atado a sua cabeça.

Vários domadores e digimons se assustam com a aparência do digimon inimigo. Seu cheiro, que muito lembra um cadáver em estado de putrefação, exala por todo o local.

— Realmente, — manifesta-se João – Culumon te condenou a algo muito pior do que uma simples desintegração, uma conversão em dados.

— Não me arrependo em nenhum momento de ter dito ao Beelzebumon que escolhesse Devimon ao invés de você. Você seria capaz de traí-los e se aliar aos domadores.

— Sozinho, — prossegue o digimon múmia — consegui acabar com um dos domadores antes mesmo de você reassumir o poder. E conseguiria ter feito muito mais sem a sua ajuda. Do mesmo jeito que fiz recentemente.

— Aquele domador era um imprestável! Não fez a mínima falta ao seu grupo.

Lúcia, João, Verônica e todos os demais domadores antigos ficam perplexos com o que escutam. A garota negra de corpo torneado começa a chorar. Sua face transbordava raiva.

— Foi você quem atropelou o Léo? Então aquilo não foi um simples acidente?

— De maneira alguma, Lúcia – responde Mummymon sem alterar o tom de voz. – E você seria a próxima. Te segui por vários meses aqui no Mundo Real, mas não consegui uma boa oportunidade de te matar. Admito que deixei escapar algumas.

— Eu não vou te perdoar nunca! Gotsumon, vamos acabar com ele!

A garota negra rapidamente saca seu digivice e ordena a evolução do seu digimon inteiramente feito de pedra, que logo se torna o gigantesco digimon que carrega um vulcão sobre as costas.

João puxa Júnior pelo braço.

— Tire Levi e Renamon de lá. Não vou conseguir segurá-la por muito tempo.

O garoto alto e magro rapidamente começa a correr com o digimon furão, que logo se transforma no digimon raposa que possui uma foice no lugar da calda. Leppamon segue correndo com seu domador sobre as costas e cada vez mais se aproximava do domador e da digimon desacordados no campo de batalha. Ancientvolcamon rapidamente gira o seu corpo, trazendo o vulcão para frente, e dispara uma rajada de magma incandescente no Mummymon, que prontamente desvia com um enorme salto. Leppamon e Júnior já tinham resgatado Levi e Renamon quando a investida do digimon de Lúcia atinge o exato local onde estavam, explodindo.

— Ataduras Serpentes.

Mummymon lança as ataduras dos seus braços, que se enroscam no gigantesco digimon redondo como a lua, eletrocutando-o de maneira contínua.

— Ancientvolcamon! – brada Lúcia desesperada.

— Imperialdramon, — diz o garoto espanhol – ajude o digimon de Lúcia.

— Não! Pare! – pede a garota. – Essa luta é nossa! Irei vingar a morte de Léo e dos demais.

O digimon extremo, mesmo recebendo uma poderosa descarga, consegue enroscar seus braços nas ataduras do oponente, puxando-o para próximo de si e lançando uma rajada de magma a queima-roupa.

Mummymon cai no chão com alguns ferimentos.

— Idiota!!! – brada o digimon múmia para Ancientvolcamon. – Você não pode defender essa humana e esse deus-digimon. Não deve proteger ninguém! Devem lutar por si mesmo.

— Não perca seu tempo discutindo com ele, — ordena a garota morena de musculatura definida – acabe logo com isso.

— Supernova!

Ancientvolcamon inflama seu corpo e se lança a uma grande velocidade contra o inimigo, sem lhe dar chance de defesa. Uma grande explosão acontece e Mummymon é lançado contra o Farol da Barra, caindo desacordado.

Um grande e momentâneo silêncio se faz.

— Vamos destruir Blastmon! – brada Imperialdramon apontando seu canhão na direção do digimon feito de diamante. – Laser Positrônico.

— Tornado Cortante – diz a digimon coelho com as mãos transformadas em machado, braços esticados e girando no próprio eixo.

— Lanterna Colossal.

— Bomba de Mel.

— Corte Graduoso – brada o cavaleiro dourado evoluído a partir de Dorumon tocando ambas as espadas no chão, criando uma onda de energia.

— Impacto Extremo – diz Cyberdramon após saltas a uma grande altura e girar com as mãos espalmadas e unidas acima da cabeça, criando uma poderosa energia vermelha ao redor de si.

Blastmon novamente faz como da primeira vez e cruza os braços a frente do corpo, protegendo-se da explosão. Porém, o digimon Extremo de Leon havia sido mais rápido e usara suas garras nas costas do digimon, transpassando-o. Imperialdramon não espera por um contra-ataque do oponente e dispara o seu “Laser Positrônico” próximo ao ferimento do digimon tatu de cristal, explodindo-o.

Os dados negros do digimon Extremo, juntamente com os poucos dados multicoloridos que faziam parte do seu corpo seguiam dispersos pelo ar, até se unirem aos casulos de energia que envolviam os domadores. Os seis digimons Extremo estavam ao lado, desacordados, como desde o início.

— Agora chegou a nossa hora de entrar na batalha – diz João enquanto olhava o digimon das trevas, que estava muito distante. – Vamos todos evoluir!

— Esperem! – brada Calamon. – É chegada a hora de vocês reencontrarem velhos amigos. Mas primeiro, preciso de um pouco mais de dados.

Lentamente, o digivice que estava dentro do bolso da bermuda do Lucas, começa a se dissolver em dados, assim como Lalamon, que entra em desespero.

— Me ajudem! – grita a digimon redonda como uma uva.

Igor, que estava próxima dela, a abraça com força e corre sem destino certo, numa tentativa irracional de livrar a pequena digimon da desintegração. Porém, Lalamon segue se desintegrando até que a última parte do seu corpo desaparecesse por completo.

Os dados da pequena digimon e do digivice do seu domador segue soltos pelo céu até se unirem aos casulos de luz negra que envolviam os garotos. Instantaneamente, as esferas de energia passam a emitir um forte brilho, além de pulsarem como corações.

— Agora lhes apresento os meus Imperadores! Saiam, minhas criaturas, e dominem o mundo-humano!

Como que numa explosão multicolorida, os casulos que englobavam os domadores se dissolvem, assim como toda a energia negra ao redor de Calamon. Os domadores mais antigos se surpreendem ao verem as novas formas que Kau, Guilherme, Bruninho, Bento, Alex e Blaze haviam adquirido.

— O que está acontecendo? – questiona Bárbara à Flávia e Murilo, que estavam próximos.

— Os garotos sequestrados por Calamon foram transformados em digimons – responde o domador magro com um Patamon sobre a cabeça.

Ao lado do casulo da forma final de Wormmon, Grandiskuwagamon, surge o digimon vampiro humanoide de cabelos loiros, presas salientes, uniforme anil com botões dourados e longa capa preta, além de botas e luvas de couro. Acompanhando Lotusmon estava um digimon demônio esguio, com chifres, longos braços que se aproximam do joelho, mãos gigantescas e asas como as de morcego. Próximo a Metaletemon, o digimon cadavérico com botas, luvas, asas, e um bastão de ossos, surge. Com o arcanjo de asas douradas estava o digimon dragão humanoide negro de poderosas garras nas mãos. E com Dukemon e Madleomon estavam o digimon que possui três olhos e que usa calça e jaquetas de couro, além do digimon bobo da corte de calça verde, botas amarelas, além de um blazer com mangas bufantes.

— Sentiu nossa falta, Culumon? – indaga Beelzebumon com ar jocoso.

— Nem um pouco, culú.

— Usei toda a energia disponível no Mundo Digital para trazer meus ditadores de volta à cena. Agora, estamos em pé de igualdade, maninho!

— Não acredito que ele tenha sido capaz de faz isso! – diz Bruno Pastreli completamente bestificado com o que estava vendo.

— Todo aquele inferno em que vivíamos vai voltar – pontua Albert enquanto limpava seus óculos de lentes redondas.

— Precisaremos nos unir mais do que nunca – alerta o pequeno garoto loiro abraçado ao seu Agumon, bastante ferido.

— Teremos que dar suporte aos Beta – diz Will de uma maneira tão séria que causou um breve espanto nos seus amigos. – Eles poderão precisar da gente.

— Vocês fizeram as contas direito? – alerta o garoto de cabelo preto e olhos azuis. – Se Guilherme e os outros foram transformados em ditadores, agora temos treze inimigos.

— Bah, tens razão! – concorda Mateus. – São nove digimons Extremo, dois Perfeito, um Adulto e o Calamon.

João prontamente ergue seu digivice, sendo seguido por Verônica, Rafael, Davi e Antônio. Em fração de segundos, Metalseadramon, Ophanimon, Metalgarurumon, Rosemon e Tyrantkabuterimon surgem no campo de batalha.

— Acho que precisamos ir com eles! – pontua Júnior se aproximando de Murilo, Flávia, Bárbara e Fernanda.

Levi estava deitado mais atrás, ao lado de Renamon.

— Nós estamos prontos! – brada a voz de Leon vinda de Imperialdramon.

— Solarmon, precisamos lutar com todas as nossas forças.

— Está bem, Fernanda! Sua coragem me dá forças para lutar.

Fernanda e a pequena digimon em forma de engrenagem fundem-se em um único casulo de evolução, originando um enorme tiranossauro mecânico vermelho com dois canhões sobre as costas e uma das patas superiores em formato de pinça.

— Cannonbeemon e eu estamos prontas! – diz Bárbara.

— Leppamon, precisamos do Qilinmon agora!

O digimon raposa prontamente ouve o pedido do seu domador e evolui para seu nível Perfeito, um híbrido entre dragão e pégaso, com asas brancas, calda dourada e escamas verdes sobre a cabeça, pescoço e costas.

— A gente precisa ajudar, Murilo – pontua Flávia de maneira séria. – Mas Kazemon e Yashamon não fizeram grande diferença a poucos instantes, quando tentamos atacar Calamon.

— Angemon e Lekismon podem evoluir! – alerta o garoto, pegando as mãos da colega domadora. – A gente precisa se concentrar, se aproximar mentalmente de Lunamon e Patamon. Talvez, assim, consigamos o mesmo que Bárbara conseguiu a pouco.

A garota rouca de voz e corpo escultural esboça um leve sorriso.

— Podemos tentar!

Murilo e Flávia comprimem seus digivices entre as mãos com bastante força, concentrando-se. Uma forte luz se desprende do aparelho deles, fazendo com que seus digimons fossem envoltos por casulos de luz.

Patamon cresce assustadoramente até seu casulo se dissolver, revelando a presença de um gigantesco digimon robô em forma de anjo. Suas pernas são propulsores que liberam uma enorme quantidade de ar, o que lhe possibilita se deslocar como se flutuasse a pouco menos de um metro do chão. Carrega uma pequena cruz sobre a cabeça, além de possuir pequenas asas nas costas e um cristal azul no peito. Sua coloração é azul com detalhes em dourado.

Lunamon também cresce, porém bem menos que Patamon, tornando-se uma digimon coelho bípede com botas de metal nas patas inferiores e uma lâmina semicircular, como uma guilhotina, e um bastão com outra lâmina parecida com a primeira na sua extremidade, nas patas superiores. Usa um capacete de metal no qual há duas fitas rosas presas na parte superior. Ombreiras pontiagudas, cotoveleiras e luvas de metal. Sobre o corpo, uma blusa azul evidencia um farto decote e uma espécie de avental de cintura, metálico, cobrindo sua traseira.

— Conseguimos, Murilo! – vibra a garota.

Verônica, ao ver tamanha felicidade dos amigos, rastreia informações acerca dos digimons dos seus colegas.

Shakkoumon, um digimon no nível Perfeito. Um digimon arcanjo máquina muito gentil, mesmo sendo um robô de rosto inexpressivo. Apesar de não possuir pés, joelhos e cotovelos, sua cabeça consegue girar 360°, favorecendo uma ofensiva em todas as direções. Sua principal técnica é o “Raio de Luz”.

Crescemon, uma digimon no nível Perfeito. Essa digimon coelho de forma humanoide é extremamente ágil e sabe usar o que está a sua volta a seu favor. O bastão em uma das mãos e a lâmina solta em outra, podem se unir, gerando uma técnica conhecida como “Bumerangue Lunar”.

Rapidamente os domadores se unem próximo a Levi e Renamon, que permaneciam desacordados.

— Quem tem digimons do nível Extremo devem atacar os digimons e os ditadores Extremo – avisa João. – Murilo, Albert e Júnior se concentrem no Skullsatamon. Flávia, Bárbara e Will cuidem de Vamdemon, enquanto Mateus, Igor e Pastreli cuidarão de Devimon. E lembrem-se: Nossos amigos estão dentro dos corpos dos ditadores. Devemos ter cuidado com suas vidas.

A enorme serpente de metal avança na direção de Beelzebumon enquanto os seus companheiros seguiam as ordens dadas pelo João. Metalseadramon abocanha o digimon rival, que tentava se livrar da mordida. O digimon serpente seguia girando em pleno ar enquanto forçava fechar a boca, para desespero do ditador, que pressionava sua mandíbula no sentido oposto. Beelzebumon dispara um laser de energia a partir do seu olho central dentro da boca de Metalseadramon, ferindo-o e conseguindo se livrar. O ditador que usa roupas de couro saca as espingardas de calibre doze que estão presas ao coturno esquerdo e as costas, e dispara contra o digimon do líder dos domadores, que consegue desviar.

Ophanimon seguia disparando raios multicoloridos a partir da sua lança dourada na direção do leão humanoide de juba negra, longos braços e olhos vermelhos. Madleomon seguia desviando da investida com saltos e rolamentos pelo chão. Já Ancientvolcamon digladiava contra Grandiskuwagamon. Ambos seguiam disputando força. Lotusmon e Rosemon seguiam trocando tapas, socos e puxões de cabelo.

— Bafo Congelante – diz Metalgarurumon lançando uma rajada congelante na direção do ditador completamente negro que possui enormes garras, que se protege retirando os escudos que carrega nas costas e trazendo-o a frente do seu corpo.

O enorme digimon de Antônio seguia tentando chicotear Dukemon com suas caldas. Já o digimon de Blaze, por sua vez, utilizava-se de seu escudo e de sua lança para se proteger.

Imperialdramon seguia disferindo socos na direção do ditador bobo da corte, que desviava com maestria enquanto gargalhava de maneira provocativa. Metaletemon fazia o mesmo contra Chaosdramon.

Os digimons de Murilo, Albert e Júnior atacavam o ditador esquelético com suas melhores técnicas; Atlurkabuterimon, Crescemon e Cannonbeemon também investiam contra Vamdemon; Cerberumon, Grademon e Cyberdramon lutavam contra o ditador demônio.

Os domadores seguiam próximos uns dos outros, observando a grande batalha que se iniciava, quando um grito assusta a todos os presentes:

— JOÃO!

— Painho? – responde o garoto, assustado, ao vê-lo no campo de batalha um pouco mais à frente dos jornalistas.

Continua...