Digimon Beta - E as Cartas Acessórias
49 Reescrevendo o Passado
Murilo e Verônica seguiam buscando novas cartas pelo Continente Perdido. Assim que a dupla conseguiu a primeira carta, foi surpreendida pelo Vadermon, digimon alienígena que encontraram no labirinto secreto que os levou pela primeira vez ao continente localizado no núcleo do Mundo Digital.
Os domadores e seus digimons seguiam numa afronta contra o digimon Perfeito, porém não obtiveram muito êxito. Após Murilo propor uma “separação” da dupla, a fim de dificultar o trabalho de Vadermon, Ranamon é atingida, regride e desmaia. Sem saber qual atitude tomar, a domadora resolve utilizar a carta “Cronômetro”, é surpreendida por um brilho no seu aparelho e uma mensagem que dizia o seguinte: “Esse segredo deverá ser guardado. O tempo estará sobre sua influência a partir de agora”.
Num piscar de olhos, domadora e digimon estavam em um lugar completamente diferente da praia onde batalhavam contra o digimon alienígena no Continente Perdido. Não havia nenhum sinal de Vadermon, Yashamon ou Murilo.
Lentamente, a pequena digimon que lembra um cachorrinho de pelúcia com coleira dourada e bochechas rosadas, desperta.
— O que aconteceu, Verônica?
— Você acabou desmaiando depois que foi atingida por um fragmento do meteoro de Vadermon e desmaiou.
Verônica se levanta, ainda com Plotmon nos braços, e olha em volta. Estavam na divisa entre uma densa floresta e um descampado. Ao longe, era possível ver algumas árvores carbonizadas e outras que pegavam fogo.
— Onde estamos? Cadê Murilo e Yashamon?
— Não sei dizer. Não consigo vê-los por perto.
A domadora e sua digimon continuavam observando em volta, até que uma grande sombra se aproxima do local onde estavam. Plotmon e Verônica olham para cima e notam que haviam retornado à superfície, já que no subterrâneo não existe o céu de aparência azul, apenas uma parede côncava onde havia incrustrada uma esfera incandescente e nuvens que levitavam sem direção certa.
— O que será isso? – Questiona a pequena digimon.
Uma grande massa de terra pairava sobre elas. A domadora olhava para o objeto voador com muita curiosidade. Plotmon também observa até que seu semblante rapidamente muda. De curiosa ela se torna temerosa e salta dos braços da sua domadora em direção ao chão.
— Verônica, rápido, me siga!
A pequena digimon corre em direção a floresta e se esconde atrás do enorme tronco.
Verônica a segue, igualmente assustada.
— O que aconteceu, Plotmon? Blaze está por perto?
A digimon estava bestificada e olhava constantemente em volta e para a grande massa de terra voadora.
— Será que não percebe? – Questiona Plotmon.
— O que?
— Essa ilha flutuante... Psiu!
A digimon rapidamente silencia, levando sua domadora a agachar ao seu lado, também em silêncio. Da grande massa de terra flutuante, descem três digimons de formas humanas. Verônica os observa de costas até perceber de que se tratava dos três ditadores Extremos: Piedmon, Blackwargreymon e Beelzebumon. Verônica grita de pânico ao constatar que se tratava deles, mas rapidamente é interrompida por Plotmon. Piedmon rapidamente olha para trás por conta do ruído. Verônica e Plotmon estavam encolhidas no chão atrás do tronco da árvore, e assustadas. O digimon bobo da corte olha na direção em que a domadora estava, porém só vê as árvores. Beelzebumon e Blackwargreymon, que nada tinham escutado, começam a andar. Piedmon acelera os passos e logo os acompanha.
Verônica e Plotmon observam os ditadores se distanciarem.
— Até que enfim irei batalhar.
Blackwargreymon e Beelzebumon sorriem com a observação de Piedmon.
A onda branca passa pelos ditadores.
— Skullsatamon foi destruído. – Pontua o ditador que veste com calça e jaqueta de couro, além de possuir duas espingardas.
Verônica e Plotmon também sentem a passagem da onda branca.
— Esse é o momento ideal para destruirmos esses domadores de uma vez por todas.
— Tenha calma, Blackwargreymon. – Pede Beelzebumon. — Nunca te disseram que a pressa é inimiga da perfeição?
Os ditadores continuam caminhando, enquanto são observados por Verônica e Plotmon.
— É isso! — Brada a garota. — A carta Cronômetro deve nos ter mandado de volta no tempo.
— Será mesmo, Verônica?
— Assim que eu ativei essa carta, uma mensagem surgiu no meu digivice dizendo que o tempo está sob minha influência.
Após a passagem da onda branca, um caminho de árvores havia se formado e seguia até o topo de um pequeno morro. Verônica e Plotmon seguiram os ditadores andando por entre as árvores, e se escondendo sempre que necessário. Beelzebumon, Piedmon e Blackwargreymon sobem o morro e encontram os seis Domadores Beta, incluindo o garoto negro domador da Renamon.
Verônica e Plotmon observam tudo às escondidas.
— Voltamos exatamente para o momento quando os ditadores vieram até nós.
— Escuta. – Pede Plotmon à Verônica.
A garota silencia e volta a escutar a conversa dos domadores com os ditadores.
— Sinceramente, não pensei que fossem capazes de chegar tão longe. – Diz Beelzebumon.
— Todos prontos? – Grita João empunhando seu digivices e sendo seguido pelos demais.
— João! – Interrompe Betamon. — Eu não consigo. Me desculpa.
— Carlos, eu também não.
— Nem eu, Lúcia! Só evoluímos por causa da Angewomon.
— Então nós iremos cuidar deles. – Diz o garoto ruivo tomando a frente. — Pronta Palmon?
— Você parece que não me conhece. – Retruca a digimon. — Já nasci pronta, meu bem.
Os digivices de cores verde, amarelo, vermelho e prata brilham e envolvem os respectivos digimons em casulos de luz.
Palmon, Plotmon, Gabumon e Renamon atingem o nível Adulto de evolução.
Verônica e Plotmon que vieram do futuro, observavam.
— Nossa, que saudades da minha evolução. – Balbucia a digimon, nostálgica.
A domadora acaricia Plotmon com um sentimento de pesar.
— O quê? – Brada, indignado, o líder dos ditadores. — Me recuso a lutar com vocês nesse nível de evolução. Blackwargreymon, se você quiser, acabe com eles.
— Blackwargreymon, – interfere o digimon bobo da corte — deixe ao menos um dos domadores para mim. Não é justo que fique com toda a diversão só para você!
— Entendido, caro colega!
O ditador negro de grandes armaduras com garras sobre ambos os braços, avança nos digimons que haviam evoluído.
— Beelzebumon, — prossegue Piedmon ao digimon de três olhos – creio que, agora, minha presença não seja necessária aqui. Retornarei ao castelo. Preciso fazer algo.
O digimon que carrega nas costas quatro espadas dentro de bainhas que formam um xis, levita a poucos centímetros do chão e se desloca rapidamente na direção do castelo.
— Desgraçados! – Diz João. — Estão fazendo gozação com a nossa cara!
— Nos devíamos ter seguido o conselho de Levi. – Pontua Lúcia. — Precisamos montar uma estratégia de fuga.
Blackwargreymon mostra através da sua força por quê é um dos ditadores do Mundo Digital. Os quatro digimons avançam ao mesmo tempo no digimon negro, que os lançam de costas no chão com um simples movimento de braço.
— TAILMON!
— Eu não vou resistir por muito tempo. – Diz a digimon felina de olhos azuis. — Minhas técnicas não adiantam de nada!
Verônica olhava apreensiva, por entre as árvores, para a batalha. Plotmon sentia tudo o que a Tailmon sofria ao receber cada golpe do ditador.
— Aguenta firme. Eles não podem desconfiar que estamos aqui. Sabe-se lá o que aconteceria conosco se houvesse um encontro nosso. Passado e futuro, juntos, no mesmo tempo.
— Vocês são uma grande piada! – Pontua o lorde demônio que carrega uma espingarda de cano duplo preso a bota da perna esquerda.
— Cale a boca miserável! – Berra o domador de barba cerrada.
— Vou lhe dar um motivo a mais para sorrir. – Diz o domador loiro transbordando confiança — GARURUMON!
O digivices vermelho brilha mais intensamente, permitindo a evolução do digimon.
— Kyubimon, dê o seu melhor nessa batalha!
O digivice prata também brilha e possibilita a digimon raposa a evoluir para o nível Perfeito.
O digimon lobo lutador seguia atacando o ditador negro com socos e chutes, e o mesmo seguia se desviando as investidas.
— Isso é o máximo que pode fazer?
Weregarurumon consegue passar uma rasteira no rival e salta para o lado, deixando o caminho livre para a digimon do Levi lançar suas “Cartas Mortais” no ditador, explodindo-o.
Todos os domadores começam a comemorar o feito, com exceção de Levi.
— Isso não foi o bastante! – Pontua o domador.
Blackwargreymon se levanta como se nada tivesse acontecido e caminha na direção do Weregarurumon e da Taomon.
Togemon e Tailmon avançam no ditador.
— Soco Supersônico.
— Soco de Gato.
O digimon dragão se esquiva com facilidade dos golpes das digimons do nível Adulto e as atinge com chutes, levando-as a regredir.
Plotmon e Palmon caem aos pés dos seus domadores, que as pegam no colo.
Verônica do futuro observava a aflição estampada na face de cada um dos domadores, inclusive na sua. Levi era o único que conseguia manter uma frieza aparente. Plotmon também observava toda movimentação, apesar das fortes dores que estava sentindo.
— Verônica, – diz a digimon com certa dificuldade — temos que salvar Levi.
A garota de cabelos volumosos não acredita no que ouve. A pequena digimon só podia ter enlouquecido por conta das dores que sentia.
— Não podemos interferir.
— O que nos impede? — Insiste. — O digivice disse que, a partir de agora, o tempo estará sobre sua influência.
Verônica fica pensativa. “Será que Plotmon tem razão? ”
Weregarurumon espalma suas mãos e segura a imensa esfera de energia. Suas patas traseiras seguiam rasgando o chão até que o digimon de Rafael não consegue resistir e é englobado pela técnica do ditador, explodindo.
— WEREGARURUMON! – Grita Rafael, desesperado.
Após se dissipar a grande nuvem de poeira da explosão, os domadores veem o pequeno digimon que possui um único chifre sobre a cabeça desacordado e cheio de feridas pelo corpo.
Taomon dissolve o escudo e vai para frente de batalha.
— Agora somos só você e eu, Taomon. – Diz o ditador de grandes garras negras. — Irei te destruir primeiro e depois cuidarei dos demais.
O ditador bobo da corte retorna ao campo de batalha montado em um monociclo.
— Acabei de fazer o que tinha de ser feito!
O ditador joga o monociclo de lado.
— E o que você foi fazer? – Questiona o ditador que veste jaqueta e calça de couro.
— Coloquei Culumon para ver a destruição dos seus tão estimados Domadores Beta!
O ditador motoqueiro gargalha levando os demais ditadores a gargalharem contigo.
— Esse é o momento, pessoal! – Grita João assustando os seus colegas. – Precisamos fugir!
Todos os domadores tentam correr na direção contrária a que se encontravam os ditadores, somente Levi e Taomon ficam parados.
Davi o segura pelo braço.
— Vamos fugir!
Davi começa a puxá-lo e o domador de Taomon se livra do amigo.
— O que aconteceu contigo? – Questiona o garoto ruivo sem entender o porquê da atitude brusca. — Nunca te vi dessa maneira.
— Fujam enquanto é tempo! – Responde o garoto.
Os ditadores percebem a grande movimentação dos humanos e seus digimons, param de gargalhar e passam a observá-los.
— Fujam? Como assim? Você vem com a gente!
Davi torna a puxá-lo pelo braço e Levi se livra enfurecido.
— FUJAM LOGO, DROGA! Só vocês podem destruir esses ditadores! Se ficarem aqui, do jeito que estão, serão destruídos.
— Você vem com a gente! – Diz João se aproximando e ajudando o seu primo a pegar o domador contra a sua vontade.
— TAOMON!
O grito de Levi faz com que sua digimon utilizasse de sua magia para afastar João e Davi do seu domador. A digimon envolve-os junto com os demais domadores e digimons em uma esfera de energia que levitava a trinta centímetros do chão.
Davi se desespera e começa a socar o escudo, tentando rompê-lo.
— Pare com isso! Deixe a gente sair daqui.
João também faz o mesmo e passa a socar e chutar a barreira de energia.
— Isso é perigoso demais! Você precisa vir com a gente.
Verônica e Lúcia começam a chorar.
— Levi, isso é suicídio! – Grita Carlos nervoso.
— Não os enfrente sozinho, cara! – Pontua Rafael.
Os três ditadores sorriem com o desespero dos Domadores Beta.
O domador negro se vira na direção da esfera de energia, que estava mais atrás dele e da sua digimon. Com lágrimas rolando pela face e voz embargada diz:
— A vida é feita de escolhas! A minha foi fazer com que vocês consigam mais experiência e possam evoluir seus digimons ao nível Extremo. Minha função como domador está sendo cumprida agora. Espero que vocês consigam cumprir a função que lhes foi designada. Destruam os ditadores e salvem os dois mundos.
— Não vou deixar que fujam! – Brada Beelzebumon sacando suas espingardas e apontando-as na direção dos domadores. — Todos vocês terão o mesmo fim!
Os três ditadores avançam a direção dos domadores.
— AGORA, TAOMON! – Grita Levi, expondo uma determinação irracional que poderia lhe custar a vida.
Taomon faz um movimento com as patas, como se empurrasse algo, e lança a esfera de energia com os Domadores Betas a uma grande velocidade para longe do local.
— LEVI! – Grita o líder dos domadores num misto de desespero e culpa.
Ainda escondida entre as árvores, Plotmon e Verônica veem as técnicas dos ditadores se fundirem e avançarem na direção de Levi e Taomon, enquanto os Domadores Beta e seus digimons se distanciavam a uma incrível velocidade dentro do escudo esférico. O digivice de Verônica surpreendentemente brilha e Plotmon é tomada pela poderosa luz da evolução, tornando-se a imponente arcanjo de forma feminina que veste um provocante maiô branco, além de uma única luva em uma das mãos.
Disposta a salvar Levi, Verônica utiliza a carta “Teletransporte”, materializando-se com Angewomon na frente do garoto e de Taomon, que tentava barrar a técnica no exato momento.
— O que estão fazendo aqui? – Questiona, assustado. — Como conseguiram sair do escudo?
— Agora não é o momento para perguntas, Levi. Angewomon, pronta?
A digimon, que havia se materializado ao lado de Taomon, acena com a cabeça.
— Encanto do Paraíso.
— Escrita do Destino.
As técnicas avançam de encontro ao ataque emitido pelos ditadores. Esses, por sua vez, não conseguiram ver Verônica e Angewomon. Discretamente, a domadora utiliza mais uma vez a Carta Acessória e Angewomon teletransporta todos daquele lugar.
Uma grande explosão acontece.
— Como que você conseguiu fazer isso?
Levi estava ofegante ao lado da digimon raposa do nível Novato instantes após se teletransportarem para o Farol que existia no Mundo Digital.
Verônica estava com Plotmon nos braços.
— Angewomon consegue se teletransportar. Por sorte, conseguimos chegar a tempo.
— Fiquei com muito medo de morrer. Passou um flashback de toda minha vida e de tudo o que eu já passei. Realmente achei que morreria.
A domadora magra e de cabelos volumosos sorri para Levi, que retribui sorrindo.
Plotmon cochicha no ouvido da sua domadora, enquanto o garoto conversava com sua digimon, que estava bastante cansada e machucada.
— Precisamos retornar. Deixamos Murilo e Yashamon batalhando com Vadermon.
— Verdade. – Concorda a domadora. — Mas como que vamos fazer? Se o levarmos conosco, teremos que contar tudo a ele, e a mensagem disse que não podemos revelar isso a ninguém.
— Não podemos deixa-lo aqui. Se ele ficar preso nesse tempo pode modificar tudo o que está para acontecer. Ele tem que ir conosco. Ele não pertence mais a esse tempo.
Verônica concorda com as palavras ditas pela sua digimon e caminha até o domador negro, que estava encostado no farol com Renamon.
— Como que ela está? – Pergunta.
— Renamon ficará bem. Ela é forte e logo se recuperará. Tenho orgulho da minha digimon.
— Preciso te contar algo. Pode parecer brincadeira, mas eu tenho como provar tudo isso.
Um tremor de terra acontece e Verônica acaba caindo no chão.
— Será que nos descobriram?
Os domadores e os digimons ficam em alerta até que uma voz ecoa, assustando-os.
— Vejo que alguém tem posse de algo que almejo há muito tempo.
Levi e Verônica olham, aflitos, para todas as direções. Queriam encontrar o dono da voz.
— Não sabemos do que está falando. – Diz a domadora. Plotmon estava ao seu lado.
Levi solta um gemido de dor. Um dardo havia acertado seu braço direito e outro dardo havia atingido Renamon nas costas. O garoto retira o dardo e o deixar cair por entre os dedos. O domador e sua digimon aos poucos estavam perdendo a consciência.
— Fuja, Verônica. Volte para onde estão os demais. Vocês precisam destruir os ditadores.
— Destruir os ditadores não será tão fácil. – Pontua a voz misteriosa.
Levi acaba desfalecendo e Renamon desmaia logo em seguida, aos pés do farol.
— O que você fez com ele? – Pergunta a domadora de digivice em punho. — Quem é você?
A voz começa a gargalhar.
— Me entregue as cartas que possui. Há anos que venho procurando alguém que pudesse livrá-las daquele cofre para mim.
A garota fica surpresa. Ninguém naquele espaço-temporal sabia das Cartas Acessórias.
— Não sei do que está falando. – Diz a domadora tentando despistar.
— Não me faça de idiota! Eu vi que se teletransportou há poucos minutos.
— Não tenho nenhuma carta!
— Então, terei que pegá-las a força.
Continua...
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