Digimon Beta - E as Cartas Acessórias
6 Que Venha o Torneio!
— Um torneio? – Questiona João desligando o chuveiro.
— Não sabe o que é um torneiro? – Prossegue Verônica vendo-o pegar uma toalha que estava pendurada próximo ao box e se envolver nela.
O garoto sai do banheiro e é seguido pela garota de cabelos castanhos que vestia uma calça jeans.
— Lógico que sei! Mas com que interesse ele fará isso?
— Culumon vai fazer um torneio para sabermos quem é o melhor domador.
O domador de olhos azuis e cabelos negros estava sentado sobre uma cama quando lê a mensagem em seu aparelho prateado.
— Que legal! – Responde o digimon idêntico a um cachorro, porém com pelagem clara e orelhas e calda vermelha. — Mas ele deve ter feito regras!
Nesse momento, um cachorro totalmente negro de pelagem longa e lisa entra no ambiente e começa a rosnar para o digimon.
— Igor, tira esse digimon chato daqui!
— Ele não é um digimon, Labramon. Já te expliquei que ele é um cachorro. Fora Toddy!
O cachorro sai do quarto cabisbaixo.
— Ele fica querendo me morder. Qualquer dia desses eu destruo ele!
— Nem pensar! Não é para fazer nada de mal com ele!
— Torneio? Eu quero é distância daquele lugar.
Diz a garota cabelos castanhos e ondulados, lábios carnudos e olhos amendoados, deitando na cama e abraçando um travesseiro rosa e forma de coração.
— Pensando bem, seria uma ótima oportunidade de reencontrar Rafael.
— Fernanda... – Balbucia a digimon engrenagem laranja dentro do guarda-roupas.
— Ele não tinha nada que se meter! – Diz Blaze, furioso, enquanto caminhava por uma rua.
Um garoto de pele branca, cabelos negros e olhos rasgados o acompanhava.
— Por que não me chamou? Eu estava lá!
— Não daria tempo, Alex. Tudo aconteceu muito rápido. Eu estava ouvindo música quando senti o digivice vibrar. Procurei pelo Guilmon ele já estava caído. O que Carlos queria interferindo numa briga entre dois digimons?
— Quando eu digo que os Domadores Beta se sentem acima do bem e do mal você acha que é exagero. Só porque os digimons deles podem evoluir para o nível Extremo eles acham que devem mandar e desmandar. Ditar o que e certo e o que é errado.
— Você não sabe a vontade que eu tenho de fazê-los enxergar que não são melhores do que ninguém.
— Você recebeu a mensagem do torneio? – Questiona Alex mudando de assunto.
— Recebi. E não sei por que, mas já sei quem são os favoritos.
— Do que adianta participar desse torneio se já existe um vencedor. Só que andei pensando e sei como podemos usá-lo ao nosso favor.
— Como assim?
— É o seguinte...
Alex conta ao Blaze qual era o seu plano para vencer o torneio.
João está falando ao digivice, como se portasse um celular, enquanto caminhava pelo corredor do colégio.
— Por que, não?
— Eu to atolado lá na faculdade. – Responde o garoto ruivo do outro lado da linha.
— Sem você o torneiro não vai ter graça, Davi. Lúcia e Rafael já não irão.
— Por quê?
— Não ficou sabendo?
— O que aconteceu com eles?
— Foram pra Austrália! Rafael vai morar lá e Lúcia, a passeio.
— Me pegou de surpresa, agora. Ficaremos desfalcados do Rafael!
— Primo, vou ter que desligar. Pedi pra ir ao banheiro e to de papo contigo.
— Foi mal, João. Eu que to te atrapalhando.
— Relaxe. Ligue mais vezes ou, então, apareça. Fazendo conexão no Mundo Digital fica mais rápido e de graça vir pra cá.
— Pode deixar. – Sorri. — Mande um beijo pra Verônica e um abraço pro Carlos.
— Mando sim. Tchau.
Ao encerrar a ligação, João é surpreendido por uma mão que o segura pelo ombro.
— Você me assustou, seu deba! – Diz com ar de riso. — Pensei que era a coordenadora.
— Ta aprendendo as gírias de Palmon, é? – Questiona Carlos, gargalhando.
— Me amarrei nessa!
— Professora Júlia ta louca contigo! Você pediu para ir ao banheiro e até agora...
— Nem me fale. Davi me ligou e ficamos jogando conversa fora.
— Você é louco? – Pontua o garoto limpando os óculos com barra da camiseta que vestia — Se alguém te pega falando ao celular em horário de aula...
— Eu tava ferrado! – Sorri.
— Vamos logo pra sala para não piorar sua situação!
Os garotos seguem caminhando.
— Ele não vai participar do torneio! – Avisa o garoto de barba.
— Sério? Eu também acho que não irei.
— Não diga isso nem de brincadeira!
— Ah, pessoal! Eu nunca gostei desse lance de batalhar! E Terriermon, também, não.
Carlos estava no quarto de João enquanto explicava-se Verônica.
— Não diga isso nem de brincadeira! – Exclama a garota de olhar estonteante.
— Foi o que eu disse a ele ontem pela manhã! – Interfere João saindo do banheiro.
— Tô de onda com vocês! É claro que eu quero participar desse torneio. – Diz, sentando-se em frente ao computador.
— Com certeza esse torneio terá regras. Até porque somos os favoritos. Quem foi mesmo que derrotou os ditadores? Quem? Quem? – Gaba-se.
— Ai, João, cresce! Culumon inventou esse torneio só para reaproximar os domadores.
— Faz sentido! – Concorda o garoto de óculos.
Flávia se aproxima de ponta de pé, em silêncio, e passa a ouvir a conversa dos amigos atrás da porta do quarto que estava entreaberta.
— Vamos que horas para o Mundo Digital? – Questiona João.
— Bem cedinho, antes das nove. – Explica Verônica. — Todos devem estar lá segundo a última mensagem recebida.
— Em pleno domingo? – Sorri. — Alguém tem que reconfigurar os dados do Culumon!
— As atitudes de Blaze me preocupam, e muito, sabiam? Tudo bem que ele nunca foi um cara de fácil aproximação. Ele tem uma personalidade forte e até impactante. Só que para agir assim, deve ter um bom motivo.
— A pancada na cabeça? – Propõe a garota magra.
— Pode ser.
— Influência de algum ditador? – Diz João.
— Fora de cogitação! Destruímos todos eles!
— E então...
— Quando encontrei Guilmon ele me chamou de mentiroso e queria a todo o custo lutar com Floramon. Ele diz que somos mentirosos porque não demos notícias de Blaze a ele durante esse tempo, e porque ele julga que sejamos culpados pelo acidente.
— Será que isso tem a ver com Alex? Ele não vai com a minha cara e todo mundo sabe. Quando Rafael e eu fomos entregar o digivice ao Blaze, ele estava lá!
Flávia entra no quarto rapidamente e esbraveja:
— Vocês vão me contar a verdade! Toda a verdade sobre esse tal de Mundo Digital, de digivice, de Blaze... Quero saber tudo!
Blaze anda de maneira calma pelo seu quarto com o digivice nas mãos. Sua mente viajava em suas conversas com Alex e nos acontecimentos mais recentes. Tinha que descobrir um jeito de mostrar a todos a verdadeira face de Carlos. Tinha que apoiar Alex em sua vingança contra João que, apesar dele não ter entendido nada, ajudaria pelo simples fato de Alex ter o alertado. Nunca conseguiria esquecer a humilhação imposta pelo domador de Terriermon.
— Guilmon, está preparado para o grande torneio?
— Estou! — Exclama o digimon, animado, sentado sobre a cama.
Blaze sorri.
— Amanhã teremos um grande encontro! Tenho que alertar os outros domadores.
— Getúlio. – Grita Lucíula batendo na porta insistentemente. — Você está conversando com quem?
— Dá um tempo, mãe! Nem ficar trancado no quarto eu posso? Que saco!
— Leomon vamos treinar pesado para esse torneio! Temos que ganhar de qualquer jeito.
Alex e seu digimon treinavam várias horas por dia. Leomon seguia disferindo socos e chutes no ar, além de golpes com sua espada. A cada dia, era nítida a melhora de Leomon em força e técnicas. Tanto treinamento o deixou estável no nível Adulto. Ele só retorna ao nível Novato, a ser um Leormon, quando está muito cansado ou se assim desejar. Durante o treinamento, acatando uma ordem dada pelo Alex, o digimon metade homem metade leão dispara o seu “Punho do Rei das Feras”, técnica em que ele lança uma energia de cor alaranjada proveniente do seu punho, destruindo várias árvores próximas até se chocar contra uma velha construção, levando-a abaixo.
Logo depois um digimon humanoide de mesma estatura que Leomon passava distraído pelo local. Carregava nas mãos um enorme tacape de ossos. Enormes dentes na boca que teimava em permanecer aberta. Um par de chifres sobre a cabeça que possuía longos cabelos brancos que lhe chegava até a cintura. Veste um short preto assim como os boxeadores.
Leomon curva-se diante do seu domador.
— Mestre, posso colocar todos os seus ensinamentos em prática?
O domador olha para o digimon humanoide de pele verde e aparência horrenda, e esboça um sorriso maquiavélico.
— Deve!
Leomon rapidamente avança no digimon e lhe dá um chute na cabeça, jogando-o no chão.
Alex rapidamente saca seu digivice e recolhe informações.
Orgemon, um digimon no nível Adulto. Esse ogro é muito cruel e ataca tudo que passa pela sua frente. É o inimigo mortal do Leomon. Uma batalha entre eles só termina com a destruição de um. Sua técnica é o “Punho do Rei Supremo”.
Orgemon se levanta, ainda tonto, e percebe que foi atacado pelo Leomon.
— Covarde! Ataque pela frente. Punho do Rei Supremo.
— Punho do Rei das Feras.
Ambos os ataques chocam-se no ar, gerando uma imensa explosão que lança os dois digimons contra o chão. Leomon, prontamente se põe de pé e, antes que seu rival conseguisse fazer o mesmo, avança em sua direção de espada em punho.
Orgemon, ao sentir a aproximação do digimon leão de forma humanoide, se defende do golpe com seu tacape de osso, que tem uma das extremidades revestida por pregos. Os dois digimons passam a duelar utilizando suas armas com extrema velocidade. Alex mal conseguia acompanhar a movimentação dos digimons Adulto, que mais pareciam vultos coloridos correndo de um lado a outro, subindo, descendo, pulando em copas de árvores ou derrubando-as, em meio ao gramado.
— Leomon! – Esbraveja o garoto magro de olhos rasgados. — Pare de segui-lo e tente sentir sua presença!
Leomon logo entende a ordem do seu domador e para de correr, permanecendo em pé e de olhos fechados. Ainda empunhava sua espada.
Orgemon seguia se movimentando rápido. Esperava pelo momento certo de atacar.
Era nítido o desgaste dos dois digimons por causa da intensa luta, tanto Leomon quanto Orgemon estavam ofegantes.
— Agora, Leomon!
Leomon rapidamente ataca pela sua direita com a espada. A sintonia entre domador e digimon impressionaria até mesmo os Domadores Beta. Ao abrir os olhos, o digimon leão percebe que conseguiu ferir gravemente seu inimigo. Leomon havia perfurado o seu abdômen.
Orgemon continuava parado, estático, com o seu tacape em posição de ataque a menos de vinte centímetros da cabeça do seu alvo. Ao simples movimento do rival de retirar a espada, o ogro verde desaba.
— Excelente, Leomon. – Parabeniza o garoto. — Agora finalize o que começou.
— Punho do Rei das Feras.
O ataque do digimon Adulto destrói o seu rival, que se dissolve em milhões de dados.
Em uma praça, Murilo, o amigo de Levi que Davi conheceu a alguns dias, estudava um texto para um espetáculo que ele estrearia em breve com seu grupo de teatro.
Sonho de uma Noite de Verão
William Shakespeare
ATO I
CENA I
Atenas. O Palácio de Teseu.
Entram Teseu, Hipólita, Filóstrato e pessoas da corte.
TESEU — Aproxima-se o dia de nossas núpcias, bela Hipólita.
HIPÓLITA — Daqui a quatro dias e quatro noites, a lua cor de prata iluminará a noite do nosso matrimônio.
TESEU — (para Filóstrato) Convide todos os atenienses para a festa de meu casamento! Quer que todos estejam muito alegres e que a tristeza não seja nossa hóspede! (sai de Filóstrato) Eu lutei para conquistar seu coração, Hipólita, mas ao desposar você não quero saber de lutas, quero somente música, danças e festejos.
(Entram Egeu, Hérmia, Lisandro e Demétrio)
EGEU — Salve, Teseu, nobre homem!
TESEU — Salve, bom Egeu. Aconteceu algum problema?
Ao erguer a cabeça e olhar ao redor, Murilo avista o garoto ruivo que conhecera há poucos dias e rapidamente guarda o texto do espetáculo em sua mochila e, após algumas tentavas de chamar sua atenção, resolve segui-lo. Ele cruza algumas ruas e avenidas, enquanto o garoto magro de cabelos castanhos continuava a segui-lo.
Davi usava fones de ouvido ao mesmo tempo que lia alguns papeis que estavam em suas mãos. Próximo a sua casa o digivice verde se desprende da alça da sua mochila e cai, sem que notasse.
Murilo corre até o aparelho e o pega do chão.
— Davi, seu celular! – Grita o rapaz, que novamente não é escutado.
O garoto admira o objeto eletrônico que ele pensava ser um celular. Apesar do formato quase que semelhante, um olhar mais atento perceberia que se trata de outro aparelho.
O digivice verde começa a brilhar, atiçando ainda mais a curiosidade do rapaz que, por um descuido o deixa cair no chão. Automaticamente um portal de luz é aberto, sugando Murilo e se fechando logo em seguida.
Instantes após, o garoto alto e ruivo sai da sua casa, aflito, e a alguns metros percebe que seu digivice estava no chão.
— Que bom que te encontrei!
Davi recolhe o aparelho e volta para casa.
Continua...
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