— Gargomon! Você sabe o que fazer. — Grita o domador magro e de olhos verdes.

Blaze e Alex ordenaram que seus digimons atacassem os digimons de Carlos e Igor, logo após Leomon destruir os Darktyrannomons que perseguiam Flávia. Descontente com os rumos da batalha e com as provocações feita pelo amigo de João, o domador de Growmon ordena-o evoluir até o nível Perfeito para, assim, poder atingir seu desafeto com um potente ataque.

Um garoto magro de cabelos castanhos lisos sobre os olhos e um pequeno digimon humanoide azul observavam toda a batalha.

— Leon, precisamos sair daqui! – Grita Veemon, segurando o seu domador pelo braço e fugindo das proximidades da batalha.

Gargomon é envolto por um casulo de luz e rapidamente se transforma em um digimon coelho cyborg, enquanto Dobermon regride para o seu nível Novato.

Uma grande explosão acontece lançando vestígios de pedra para todas as direções.

Leomon habilmente se posiciona na frente de Alex e Blaze, protegendo-os dos fragmentos da explosão com o seu corpo.

Uma grande nuvem de poeira é formada.

Segundos após, os garotos percebem que não havia mais ninguém no local.

— Desgraçado. – Diz Blaze, mais comedido.

Os domadores e digimons ainda conversavam próximos à jaula onde Bárbara e Murilo estavam presos quando um imenso digimon cyborg com pernas que lembram as patas de um coelho e vestindo botas de metal verde surge no céu repentinamente. Seus antebraços são revestidos por canhões de mesma cor, além do quadril, peito, cabeça e das enormes orelhas rígidas e para trás.

— Rapidmon? – Questiona Plotmon ao perceber o vulto que acabara de surgir no céu.

O enorme digimon pousa próximo ao grupo, deixando os três humanos e o digimon cachorro de pelagem clara e calda e orelhas vermelhas, no chão.

— FLÁVIA? – Questiona João se aproximando da garota. — O que você está fazendo aqui?

Rapidmon regride.

— Eu estava seguindo vocês. Queria descobrir o que tanto escondiam. Aí, acabei entrando no portal de luz, e a alguns minutos, se Carlos e esse menino não tivessem aparecido, eu tinha virado comida de dinossauro falante. Eu jurava que eles estivessem extintos a milhões de anos.

— E para completar, os Darktyrannomon que a atacaram foram destruídos pelo Leomon de Alex. – Pontua Carlos.

— Que ódio! – Esbraveja João. — Dá vontade de socar esse cara até deixa-lo de olho roxo.

— Quando você fizer isso me chame que eu vou. – Interfere a garota loira de voz rouca. — Moleque mais chato!

— Outra humana simples. – Pontua Victor vendo a garota conversando com João. — Hoje Culumon põe um ovo!

— E será o primeiro caso de digimon que põe um ovo! – Completa o garoto de traços indígenas arrancando gargalhadas dos domadores e digimons que estavam próximo.

— Até que essa menina que veio com Carlos é bonitinha. – Diz Pastreli, após se recompor.

— Bonitinha é apelido! – Retruca Guilherme. – Ela é muito gata!

— Nunca irei entender esse jeito de falar dos humanos! – Pontua o pequeno dragão roxo de longa e robusta calda.

— Levem essa humana simples para a jaula! – Diz o deus-digimon, de maneira impaciente, após se aproximar do grupo que conversava.

— Quem é simples? – Questiona a amiga de Verônica pondo a mão na cintura. — Você sabe o quanto eu gasto por mês para deixar meu cabelo hidratado? Quantas horas eu gasto me maquiando? Escolhendo uma roupa...

— DEPRESSA! – Interrompe-a.

— Por que aqueles dois estão presos? – Questiona o garoto de olhos azuis.

— Pelo mesmo motivo que essa garota será, Igor. – Diz o domador de Betamon. — Não são domadores e acidentalmente vieram parar no Mundo Digital.

— Pode tirar seu cavalinho da chuva, bonequinho de pelúcia voador. Eu não roubei nada e nem ninguém pra ficar presa feito uma orangotango de circo!

— Flávia facilita as coisas. – Sussurra João, próximo ao ouvido da garota. — Entra na jaula que depois eu te tiro de lá.

— Segue o conselho dele, amiga. – Pede Verônica.

— Estou muito chateada! Me esconderam a história desses bichos. Não confiam em mim.

— A gente não podia te contar! Você está vendo toda essa confusão formada? Isso só por que três pessoas descobriram...

— Não quero desculpas!

Culumon usa seu poder e teletransporta Flávia para dentro da jaula.

A moça se assusta ao perceber que havia saído de um lugar e ido parar em outro num piscar de olhos.

— Bem-vinda ao grupo! – Diz o garoto magro de sorriso largo.

— Me tirem daqui João, Verônica e Carlos! – Esbraveja. – Senão, farei uma baixaria quando sair. AHHHHH!

Uma garota de cabelos castanhos ondulados, lábios carnudos e olhos amendoados caminhava pela Planície Xadrez. Ao seu lado estava uma pequena esfera alaranjada contornada por uma engrenagem que flutuava a poucos centímetros do chão.

— To doida para reencontrar Rafael! Ouvi alguns boatos de que ele é cheio da grana.

— Vocês, humanos, dão muito valor a esse pedaço de papel – Retruca a digimon.

— Solarmon, dinheiro é a coisa mais importante que existe! – Explica a garota. — Tudo gira em torno dele no Mundo Real.

Blaze e Alex se aproximam caminhando acompanhados dos seus digimons.

— Olá! – Cumprimenta o garoto alto e corpulento. – Fernanda, não é?

— Sim. Que bom ver que já está cem por cento recuperado. Sabia que eu ajudei a cuidar de você? – Questiona a garota parando de caminhar e obrigando os garotos e seus digimons a fazerem o mesmo.

— Não! Ninguém me disse isso.

— Já desconfiava... – Sorri. — Os Domadores Beta não dariam crédito a uma simples domadora como eu. Daquele meio, só Rafael é que presta!

Blaze e Alex trocam olhares e esboçam um sorriso.

— Por que você não vai com a cara deles? – Questiona o garoto de olhos rasgados.

— Não se trata de “não ir com a cara deles”, até por que de todos eu tive mais contato com Rafa. Eu, particularmente, achei João egocêntrico; Carlos é tirado a sabichão; Verônica se acha acima do bem e do mal; Lúcia é a típica carioca gostosona sem nada na cabeça; e Davi, é o que se acha o chefão da patota. Rafael foi o único que eu consegui ver no fundo dos olhos uma pureza, sabe? É difícil explicar isso.

— João nunca foi com a minha cara. Por diversas vezes ele veio me socar.

— Me lembro disso. E esse é um dos fatores que reforçam minhas ideias sobre ele. Olha, quero deixar bem claro a vocês que isso é só minha concepção. Não tenho nada contra ninguém. É só o que eu penso.

— Entendemos o recado! – Adverte Blaze. — Não precisa repetir.

Fernanda olha para os amigos com cara de desdém e volta a trilhar seu caminho, com a Solarmon, em direção a Arena Quadrática.

Ao longe, os domadores já podiam ver a suntuosa construção.

Blaze e Alex, acompanhados do Guilmon e do Leomon, as seguem um pouco mais atrás.

— O que foi? – Questiona a garota, enquanto caminhava após notar que os garotos e seus digimons a seguiam.

— Podemos ir contigo?

— Tanto faz, Blaze.

— Isso é um sim?

— Você que sabe!

— Sim ou não? – Insiste.

— Quer vir, venha! Eu não to te impedindo.

— Não precisa ser grossa! – Retruca o garoto de forma mais enérgica.

— Estou sendo sincera e não grosseira, querido.

Antes que ele pudesse retrucar, Alex lhe toma a vez.

— Animada com o torneio?

— Não vim interessada em torneio. Vim aqui para rever Rafael.

— Você está afim dele?

— Acho que sim... Me arrependi de não ter dado uma chance para ele antes.

— Por quê?

— Na época, eu estava namorando e tipo: Jurava que meu relacionamento fosse duradouro e para sempre. – Sorri. — Coitada de mim. Terminamos uma semana após retorna para casa. Junior tem uma ótima condição financeira. Frequentava bons lugares, os melhores de Fortaleza. Só que ele é mão de vaca. Isso me mata!

— Somos dois. – Completa Blaze. — Eu tento agradar ao máximo a pessoa que está comigo. Festas, shoppings, presentes... Acho essencial tudo isso.

— Então você é dos meus. Um homem para me conquistar não pode ser mão de vaca, além de ter uma boa pegada é claro!

Os garotos sorriem.

A garota loira, que continuava presa na jaula com Murilo e Bárbara, fazia uma algazarra passando uma caneca de alumínio entre as barras de metal.

— Que zuada da porra, Flávia! – Diz o garoto, irritado. — Onde que você achou essa caneca?

— Trouxe na bolsa! Uma mulher prevenida vale por duas!

Bárbara e Murilo sorriem.

— EU QUERO SAIR DAQUI! – Grita a garota intensificando a baderna.

João, Verônica e Carlos, que já estavam no interior da Arena, correm até o trio que seguia trancafiado na jaula.

Os digimons os seguem.

— Flávia! Para de loucura! – Pede o garoto de barba cerrada.

— Essa amiga de vocês faz muito barulho. – Pontua Betamon.

— Só paro se me tirarem daqui. — Diz a garota loira fazendo um barulho ainda maior.

João segura a caneca da Flávia e tenta a todo custo tomá-la na moça.

— Larga minha caneca!

— Solta, João! – Pede a garota magra de cabelos volumosos. — Deixa ela extravasar.

— Ela que vá encher o saco de outro com essa barulheira toda!

Flávia e João continuam a disputa pela caneca até que a moça não resiste e solta, ocasionando a queda do amigo.

Carlos, Murilo e os digimons também gargalham da situação.

— O que houve, Murilo? – Pergunta a garota de cabelos cacheados e olhar fugitivo.

— João tentou tomar a caneca de Flávia à força. Sem que ele esperasse, ela soltou a caneca e ele caiu de bunda no chão.

— Agora quero ver você fazer zuada! – Diz o garoto de barba cerrada se levantando.

— Que mala... – pontua o garoto magro de cabelos negros e curtos — Deixa a menina.

— Não se meta na conversa!

A garota loira começa a chorar e abraça Murilo, que a consola.

— Flávia, não faz assim. – Pede Verônica. — Não sabe como me corta o coração vê-la assim.

— Eu quero sair daqui, amiga!

— Nós daremos um jeito de tirar vocês daí o mais rápido possível! Eu prometo.

— Vamos indo. – Propõe João.

— Eu quero ficar aqui! – Pede Terriermon, pulando. – Gostei desses humanos engraçados.

— Não inventa, Terriermon! – Pontua Plotmon.

— Obrigada por me poupar dessa resposta, Plotmon. – Diz o garoto de óculos sorrindo e mudando de assunto, — Culumon daqui a pouco começa a explicar as regras do torneio.

— Vão indo que eu cuido delas! – Diz o garoto que também está preso. — E por favor, vejam lá o que vão fazer conosco.

— Não vai acontecer nada demais. – Diz Verônica. — Pura pressão pode ter certeza!

— Assim espero. Não to gostando nada dessa “pressão”.

— Estão faltando domadores, culú.

Culumon e os demais estavam no campo de batalha da Arena Quadrática.

— Fernanda, Rafael, Davi, Lúcia... – Inicia o pequeno domador que carrega um Patamon sobre a cabeça. – Leo, infelizmente, morreu de forma trágica. Éramos vinte e um domadores, agora somos vinte.

João, Carlos e Verônica se aproximam do grupo.

— Onde vocês estavam, culú? – Questiona. – Vocês foram falar com os humanos simples?

— Culumon parece aquelas crianças quando aprendem uma palavra nova. – Pontua Antônio, levando algumas pessoas a gargalharem.

O deus-digimon o olha de maneira séria.

— Então, culú, — prossegue — vocês irão dizer onde estavam?

— Fomos ao banheiro! – Diz Verônica.

— Os seis?

— É!

— E vocês conversavam sobre o que? – Pergunta João, desconversando.

— Eu estava dizendo que estão faltando Fernanda, Rafael, Davi e Lúcia e que, depois da morte do Leo somos, agora, vinte domadores.

— Suas contas estão erradas, caro colega. – Diz o domador de corpo robusto e olhos verdes surpreendendo a todos.

Guilmon, Alex, Leomon, Fernanda e Solarmon estavam com ele.

— Lembre-se de que Levi, — prossegue Blaze — Renamon e Antylamon perderam a vida por causa dos Domadores Beta.

João, já sem paciência para aturar as indiretas da dupla, tenta retrucar mas é impedido pelo Carlos e pela Verônica.

— Carlos, você por aqui? – Diz o garoto domador do Leomon. — Pensei que tivesse voltado para o Mundo Real, junto com Igor e a menina loira. Saíram morrendo de medo do nosso encontro de agora a pouco.

— Medo? De vocês? — Igor ri de maneira debochada.

Fernanda olha tudo aquilo de maneira estranha. Ela não fazia ideia de que as relações entre os domadores estavam tão estremecidas.

— Fala sério, né, Alex! – Conclui.

— E você Fernanda? – Questiona o garoto de barba cerrada. – Ajudou Rafael, mostrou ser uma pessoa de caráter, de bom coração, e está do lado desses caras?

— Do lado de quem? Eu os encontrei agora no caminho...

— Garota, – diz o domador impaciente — poupe-me de suas mentiras, está bem? Todo mundo sabe que Blaze surtou depois do acidente.

— Surtei? Você é que vai surtar depois da surra que levar, seu otário.

— Eu não faço ideia do que você está falando. – Prossegue Fernanda. — Agora vir me acusando de algo que eu não fiz, João... Só lamento por você, querido. Acabei de reforçar minha ideia em relação a você. Você é egocêntrico.

— Culumon você devia dar um castigo em Blaze e Guilmon. – Interfere o besouro mecânico de cor azul.

— Concordo! – Pontua Antônio. — Se tem uma coisa que odeio é gente mal agradecida.

— Acho que virei o alvo preferencial por aqui.

— Algum motivo deve ter, Blaze. – Diz Luiz Filipe.

— Ai saco! Não te mete se não vai sobrar pra você

— Vamos parando com essa discussão, culú! Só vou esperar os demais chegarem para dar início ao torneio.

— Rafael e Lúcia estão na Austrália, e Davi me disse que não viria. – Adianta-se João. — É melhor fazer o torneio com quem está aqui. Quem não veio foi porque não quis vir.

Alex cutuca Blaze com o cotovelo.

— Olha quem são os demais para ele. – Sorri. – Albert e Mateus não entram na conversa.

— Moleque, não me provoque. Você nunca me desceu...

— Por quê? – Interrompe-o. — Só por que nunca fui um dos seus capachos?

— Quem você está chamando de capacho? – Inicia Carlos.

Mesmo a quinhentos metros de distância da Arena Quadrática, os jovens que estavam presos na jaula criada pelo deus-digimon ouviam a discussão.

— Olha pra lá. – diz Flávia chamando a atenção dos demais para a gritaria dentro da Arena — O pau ta quebrando. João, que é tão paciente com as pessoas no dia a dia, perde a cabeça fácil, fácil aqui nesse mundo.

— Vai rolar pau doido! – O garoto sorri. — Esse João grita demais!

— Quem ta brigando? – Questiona a garota de olhos cor de mel.

— Se não me engano, é João, Carlos, Verônica e os dois garotos e a menina que chegaram nesse instante com digimons a tira colo.

— CHEGA! – Brada o deus-digimon completamente alterado.

Todos os domadores e digimons discutiam e esbravejavam ao mesmo tempo, com exceção do Bruno Soares, Patamon, Will e Tentomon.

— Se querem tanto brigar, culú, esperem pelo torneio.

Antônio sussurra para o seu digimon.

— Estranho, Koka...

— O que?

— Melhor esquecer! Pode ser só impressão.

— Mestre Culumon! – Grita o pequeno digimon sobre a cabeça de Bruninho. – Vamos iniciar logo esse torneio.

— Patamon está certo! – Manifesta-se Victor. – Dita logo as regras do torneio, o que pode e o que não pode. Só assim pra esfriar os ânimos do pessoal.

— Vocês têm razão! – Diz o deus-digimon. – E é dado início ao I Torneio de Domadores de Digimon.

Continua...