Digimon Beta - E as Cartas Acessórias
11 Procurando Aliados
— Gargomon! Você sabe o que fazer. — Grita o domador magro e de olhos verdes.
Blaze e Alex ordenaram que seus digimons atacassem os digimons de Carlos e Igor, logo após Leomon destruir os Darktyrannomons que perseguiam Flávia. Descontente com os rumos da batalha e com as provocações feita pelo amigo de João, o domador de Growmon ordena-o evoluir até o nível Perfeito para, assim, poder atingir seu desafeto com um potente ataque.
Um garoto magro de cabelos castanhos lisos sobre os olhos e um pequeno digimon humanoide azul observavam toda a batalha.
— Leon, precisamos sair daqui! – Grita Veemon, segurando o seu domador pelo braço e fugindo das proximidades da batalha.
Gargomon é envolto por um casulo de luz e rapidamente se transforma em um digimon coelho cyborg, enquanto Dobermon regride para o seu nível Novato.
Uma grande explosão acontece lançando vestígios de pedra para todas as direções.
Leomon habilmente se posiciona na frente de Alex e Blaze, protegendo-os dos fragmentos da explosão com o seu corpo.
Uma grande nuvem de poeira é formada.
Segundos após, os garotos percebem que não havia mais ninguém no local.
— Desgraçado. – Diz Blaze, mais comedido.
Os domadores e digimons ainda conversavam próximos à jaula onde Bárbara e Murilo estavam presos quando um imenso digimon cyborg com pernas que lembram as patas de um coelho e vestindo botas de metal verde surge no céu repentinamente. Seus antebraços são revestidos por canhões de mesma cor, além do quadril, peito, cabeça e das enormes orelhas rígidas e para trás.
— Rapidmon? – Questiona Plotmon ao perceber o vulto que acabara de surgir no céu.
O enorme digimon pousa próximo ao grupo, deixando os três humanos e o digimon cachorro de pelagem clara e calda e orelhas vermelhas, no chão.
— FLÁVIA? – Questiona João se aproximando da garota. — O que você está fazendo aqui?
Rapidmon regride.
— Eu estava seguindo vocês. Queria descobrir o que tanto escondiam. Aí, acabei entrando no portal de luz, e a alguns minutos, se Carlos e esse menino não tivessem aparecido, eu tinha virado comida de dinossauro falante. Eu jurava que eles estivessem extintos a milhões de anos.
— E para completar, os Darktyrannomon que a atacaram foram destruídos pelo Leomon de Alex. – Pontua Carlos.
— Que ódio! – Esbraveja João. — Dá vontade de socar esse cara até deixa-lo de olho roxo.
— Quando você fizer isso me chame que eu vou. – Interfere a garota loira de voz rouca. — Moleque mais chato!
— Outra humana simples. – Pontua Victor vendo a garota conversando com João. — Hoje Culumon põe um ovo!
— E será o primeiro caso de digimon que põe um ovo! – Completa o garoto de traços indígenas arrancando gargalhadas dos domadores e digimons que estavam próximo.
— Até que essa menina que veio com Carlos é bonitinha. – Diz Pastreli, após se recompor.
— Bonitinha é apelido! – Retruca Guilherme. – Ela é muito gata!
— Nunca irei entender esse jeito de falar dos humanos! – Pontua o pequeno dragão roxo de longa e robusta calda.
— Levem essa humana simples para a jaula! – Diz o deus-digimon, de maneira impaciente, após se aproximar do grupo que conversava.
— Quem é simples? – Questiona a amiga de Verônica pondo a mão na cintura. — Você sabe o quanto eu gasto por mês para deixar meu cabelo hidratado? Quantas horas eu gasto me maquiando? Escolhendo uma roupa...
— DEPRESSA! – Interrompe-a.
— Por que aqueles dois estão presos? – Questiona o garoto de olhos azuis.
— Pelo mesmo motivo que essa garota será, Igor. – Diz o domador de Betamon. — Não são domadores e acidentalmente vieram parar no Mundo Digital.
— Pode tirar seu cavalinho da chuva, bonequinho de pelúcia voador. Eu não roubei nada e nem ninguém pra ficar presa feito uma orangotango de circo!
— Flávia facilita as coisas. – Sussurra João, próximo ao ouvido da garota. — Entra na jaula que depois eu te tiro de lá.
— Segue o conselho dele, amiga. – Pede Verônica.
— Estou muito chateada! Me esconderam a história desses bichos. Não confiam em mim.
— A gente não podia te contar! Você está vendo toda essa confusão formada? Isso só por que três pessoas descobriram...
— Não quero desculpas!
Culumon usa seu poder e teletransporta Flávia para dentro da jaula.
A moça se assusta ao perceber que havia saído de um lugar e ido parar em outro num piscar de olhos.
— Bem-vinda ao grupo! – Diz o garoto magro de sorriso largo.
— Me tirem daqui João, Verônica e Carlos! – Esbraveja. – Senão, farei uma baixaria quando sair. AHHHHH!
Uma garota de cabelos castanhos ondulados, lábios carnudos e olhos amendoados caminhava pela Planície Xadrez. Ao seu lado estava uma pequena esfera alaranjada contornada por uma engrenagem que flutuava a poucos centímetros do chão.
— To doida para reencontrar Rafael! Ouvi alguns boatos de que ele é cheio da grana.
— Vocês, humanos, dão muito valor a esse pedaço de papel – Retruca a digimon.
— Solarmon, dinheiro é a coisa mais importante que existe! – Explica a garota. — Tudo gira em torno dele no Mundo Real.
Blaze e Alex se aproximam caminhando acompanhados dos seus digimons.
— Olá! – Cumprimenta o garoto alto e corpulento. – Fernanda, não é?
— Sim. Que bom ver que já está cem por cento recuperado. Sabia que eu ajudei a cuidar de você? – Questiona a garota parando de caminhar e obrigando os garotos e seus digimons a fazerem o mesmo.
— Não! Ninguém me disse isso.
— Já desconfiava... – Sorri. — Os Domadores Beta não dariam crédito a uma simples domadora como eu. Daquele meio, só Rafael é que presta!
Blaze e Alex trocam olhares e esboçam um sorriso.
— Por que você não vai com a cara deles? – Questiona o garoto de olhos rasgados.
— Não se trata de “não ir com a cara deles”, até por que de todos eu tive mais contato com Rafa. Eu, particularmente, achei João egocêntrico; Carlos é tirado a sabichão; Verônica se acha acima do bem e do mal; Lúcia é a típica carioca gostosona sem nada na cabeça; e Davi, é o que se acha o chefão da patota. Rafael foi o único que eu consegui ver no fundo dos olhos uma pureza, sabe? É difícil explicar isso.
— João nunca foi com a minha cara. Por diversas vezes ele veio me socar.
— Me lembro disso. E esse é um dos fatores que reforçam minhas ideias sobre ele. Olha, quero deixar bem claro a vocês que isso é só minha concepção. Não tenho nada contra ninguém. É só o que eu penso.
— Entendemos o recado! – Adverte Blaze. — Não precisa repetir.
Fernanda olha para os amigos com cara de desdém e volta a trilhar seu caminho, com a Solarmon, em direção a Arena Quadrática.
Ao longe, os domadores já podiam ver a suntuosa construção.
Blaze e Alex, acompanhados do Guilmon e do Leomon, as seguem um pouco mais atrás.
— O que foi? – Questiona a garota, enquanto caminhava após notar que os garotos e seus digimons a seguiam.
— Podemos ir contigo?
— Tanto faz, Blaze.
— Isso é um sim?
— Você que sabe!
— Sim ou não? – Insiste.
— Quer vir, venha! Eu não to te impedindo.
— Não precisa ser grossa! – Retruca o garoto de forma mais enérgica.
— Estou sendo sincera e não grosseira, querido.
Antes que ele pudesse retrucar, Alex lhe toma a vez.
— Animada com o torneio?
— Não vim interessada em torneio. Vim aqui para rever Rafael.
— Você está afim dele?
— Acho que sim... Me arrependi de não ter dado uma chance para ele antes.
— Por quê?
— Na época, eu estava namorando e tipo: Jurava que meu relacionamento fosse duradouro e para sempre. – Sorri. — Coitada de mim. Terminamos uma semana após retorna para casa. Junior tem uma ótima condição financeira. Frequentava bons lugares, os melhores de Fortaleza. Só que ele é mão de vaca. Isso me mata!
— Somos dois. – Completa Blaze. — Eu tento agradar ao máximo a pessoa que está comigo. Festas, shoppings, presentes... Acho essencial tudo isso.
— Então você é dos meus. Um homem para me conquistar não pode ser mão de vaca, além de ter uma boa pegada é claro!
Os garotos sorriem.
A garota loira, que continuava presa na jaula com Murilo e Bárbara, fazia uma algazarra passando uma caneca de alumínio entre as barras de metal.
— Que zuada da porra, Flávia! – Diz o garoto, irritado. — Onde que você achou essa caneca?
— Trouxe na bolsa! Uma mulher prevenida vale por duas!
Bárbara e Murilo sorriem.
— EU QUERO SAIR DAQUI! – Grita a garota intensificando a baderna.
João, Verônica e Carlos, que já estavam no interior da Arena, correm até o trio que seguia trancafiado na jaula.
Os digimons os seguem.
— Flávia! Para de loucura! – Pede o garoto de barba cerrada.
— Essa amiga de vocês faz muito barulho. – Pontua Betamon.
— Só paro se me tirarem daqui. — Diz a garota loira fazendo um barulho ainda maior.
João segura a caneca da Flávia e tenta a todo custo tomá-la na moça.
— Larga minha caneca!
— Solta, João! – Pede a garota magra de cabelos volumosos. — Deixa ela extravasar.
— Ela que vá encher o saco de outro com essa barulheira toda!
Flávia e João continuam a disputa pela caneca até que a moça não resiste e solta, ocasionando a queda do amigo.
Carlos, Murilo e os digimons também gargalham da situação.
— O que houve, Murilo? – Pergunta a garota de cabelos cacheados e olhar fugitivo.
— João tentou tomar a caneca de Flávia à força. Sem que ele esperasse, ela soltou a caneca e ele caiu de bunda no chão.
— Agora quero ver você fazer zuada! – Diz o garoto de barba cerrada se levantando.
— Que mala... – pontua o garoto magro de cabelos negros e curtos — Deixa a menina.
— Não se meta na conversa!
A garota loira começa a chorar e abraça Murilo, que a consola.
— Flávia, não faz assim. – Pede Verônica. — Não sabe como me corta o coração vê-la assim.
— Eu quero sair daqui, amiga!
— Nós daremos um jeito de tirar vocês daí o mais rápido possível! Eu prometo.
— Vamos indo. – Propõe João.
— Eu quero ficar aqui! – Pede Terriermon, pulando. – Gostei desses humanos engraçados.
— Não inventa, Terriermon! – Pontua Plotmon.
— Obrigada por me poupar dessa resposta, Plotmon. – Diz o garoto de óculos sorrindo e mudando de assunto, — Culumon daqui a pouco começa a explicar as regras do torneio.
— Vão indo que eu cuido delas! – Diz o garoto que também está preso. — E por favor, vejam lá o que vão fazer conosco.
— Não vai acontecer nada demais. – Diz Verônica. — Pura pressão pode ter certeza!
— Assim espero. Não to gostando nada dessa “pressão”.
— Estão faltando domadores, culú.
Culumon e os demais estavam no campo de batalha da Arena Quadrática.
— Fernanda, Rafael, Davi, Lúcia... – Inicia o pequeno domador que carrega um Patamon sobre a cabeça. – Leo, infelizmente, morreu de forma trágica. Éramos vinte e um domadores, agora somos vinte.
João, Carlos e Verônica se aproximam do grupo.
— Onde vocês estavam, culú? – Questiona. – Vocês foram falar com os humanos simples?
— Culumon parece aquelas crianças quando aprendem uma palavra nova. – Pontua Antônio, levando algumas pessoas a gargalharem.
O deus-digimon o olha de maneira séria.
— Então, culú, — prossegue — vocês irão dizer onde estavam?
— Fomos ao banheiro! – Diz Verônica.
— Os seis?
— É!
— E vocês conversavam sobre o que? – Pergunta João, desconversando.
— Eu estava dizendo que estão faltando Fernanda, Rafael, Davi e Lúcia e que, depois da morte do Leo somos, agora, vinte domadores.
— Suas contas estão erradas, caro colega. – Diz o domador de corpo robusto e olhos verdes surpreendendo a todos.
Guilmon, Alex, Leomon, Fernanda e Solarmon estavam com ele.
— Lembre-se de que Levi, — prossegue Blaze — Renamon e Antylamon perderam a vida por causa dos Domadores Beta.
João, já sem paciência para aturar as indiretas da dupla, tenta retrucar mas é impedido pelo Carlos e pela Verônica.
— Carlos, você por aqui? – Diz o garoto domador do Leomon. — Pensei que tivesse voltado para o Mundo Real, junto com Igor e a menina loira. Saíram morrendo de medo do nosso encontro de agora a pouco.
— Medo? De vocês? — Igor ri de maneira debochada.
Fernanda olha tudo aquilo de maneira estranha. Ela não fazia ideia de que as relações entre os domadores estavam tão estremecidas.
— Fala sério, né, Alex! – Conclui.
— E você Fernanda? – Questiona o garoto de barba cerrada. – Ajudou Rafael, mostrou ser uma pessoa de caráter, de bom coração, e está do lado desses caras?
— Do lado de quem? Eu os encontrei agora no caminho...
— Garota, – diz o domador impaciente — poupe-me de suas mentiras, está bem? Todo mundo sabe que Blaze surtou depois do acidente.
— Surtei? Você é que vai surtar depois da surra que levar, seu otário.
— Eu não faço ideia do que você está falando. – Prossegue Fernanda. — Agora vir me acusando de algo que eu não fiz, João... Só lamento por você, querido. Acabei de reforçar minha ideia em relação a você. Você é egocêntrico.
— Culumon você devia dar um castigo em Blaze e Guilmon. – Interfere o besouro mecânico de cor azul.
— Concordo! – Pontua Antônio. — Se tem uma coisa que odeio é gente mal agradecida.
— Acho que virei o alvo preferencial por aqui.
— Algum motivo deve ter, Blaze. – Diz Luiz Filipe.
— Ai saco! Não te mete se não vai sobrar pra você
— Vamos parando com essa discussão, culú! Só vou esperar os demais chegarem para dar início ao torneio.
— Rafael e Lúcia estão na Austrália, e Davi me disse que não viria. – Adianta-se João. — É melhor fazer o torneio com quem está aqui. Quem não veio foi porque não quis vir.
Alex cutuca Blaze com o cotovelo.
— Olha quem são os demais para ele. – Sorri. – Albert e Mateus não entram na conversa.
— Moleque, não me provoque. Você nunca me desceu...
— Por quê? – Interrompe-o. — Só por que nunca fui um dos seus capachos?
— Quem você está chamando de capacho? – Inicia Carlos.
Mesmo a quinhentos metros de distância da Arena Quadrática, os jovens que estavam presos na jaula criada pelo deus-digimon ouviam a discussão.
— Olha pra lá. – diz Flávia chamando a atenção dos demais para a gritaria dentro da Arena — O pau ta quebrando. João, que é tão paciente com as pessoas no dia a dia, perde a cabeça fácil, fácil aqui nesse mundo.
— Vai rolar pau doido! – O garoto sorri. — Esse João grita demais!
— Quem ta brigando? – Questiona a garota de olhos cor de mel.
— Se não me engano, é João, Carlos, Verônica e os dois garotos e a menina que chegaram nesse instante com digimons a tira colo.
— CHEGA! – Brada o deus-digimon completamente alterado.
Todos os domadores e digimons discutiam e esbravejavam ao mesmo tempo, com exceção do Bruno Soares, Patamon, Will e Tentomon.
— Se querem tanto brigar, culú, esperem pelo torneio.
Antônio sussurra para o seu digimon.
— Estranho, Koka...
— O que?
— Melhor esquecer! Pode ser só impressão.
— Mestre Culumon! – Grita o pequeno digimon sobre a cabeça de Bruninho. – Vamos iniciar logo esse torneio.
— Patamon está certo! – Manifesta-se Victor. – Dita logo as regras do torneio, o que pode e o que não pode. Só assim pra esfriar os ânimos do pessoal.
— Vocês têm razão! – Diz o deus-digimon. – E é dado início ao I Torneio de Domadores de Digimon.
Continua...
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