Digimon Beta - E as Cartas Acessórias
9 Arena Quadrática
Os tiranossauros negros que cercaram a garota loira estavam dispostos a destruí-la.
— Vamos logo pôr um fim nisso! – Diz o primeiro digimon que se manifestou. — Ao meu sinal, atacaremos juntos. Um... Dois... Três!
— SOCORRO!
— PAREM AGORA!
O grito que ecoa dentro da depressão atrai a atenção dos quatro digimons negros que rapidamente olham na direção de onde ele veio.
O garoto de estatura e peso mediano, cabelos negros e curtos e olhos azuis, estava montado em um cachorro negro esquelético de olhos vermelhos.
— Outro humano? E domador, pelo visto. – Pontua o digimon que acabara de falar. — Pessoal, temos três alvos agora!
Carlos surge correndo, logo depois, com Terriermon nos braços.
— Flávia!
— Carlos! – Responde a garota, desesperada.
O domador de óculos coloca seu digimon no chão e rastreia informações dos oponentes com o seu digivice.
Darktyrannomon, um digimon no nível Adulto. Esse tiranossauro nada mais é do que um Tyrannomon possuído por vírus malignos. Ataca os oponentes com a “Explosão de Fogo”.
— Vamos acabar com ela! – Prossegue o tiranossauro de barbatanas verdes por toda a extensão das costas e calda. — Logo depois, destruiremos esses dois domadores e seus digimons.
Os Darktyrannomons avançam na direção da Flávia com as caldas emanando energia.
Igor desce das costas do digimon canino.
— Vá, Dobermon!
— Terriermon, – ordena Carlos – evolua para Gargomon!
O digivice brilha e instantaneamente o pequeno digimon de grandes orelhas é envolto por um casulo de luz, transformando-se em um enorme coelho de corpo robusto. Veste calça jeans, além de trazer duas cintas de munição cruzadas em seu peito e poderosas metralhadoras acopladas em suas mãos.
Gargomon e Dobermon avançam na direção da garota loira, que estava em perigo.
Os digimon dinossauros atacam.
— Explosão de Fogo.
Antes que os ataques pudessem pulverizar Flávia, Dobermon consegue tirá-la da rota de colisão, segurando-a pelo colarinho da camiseta com sua boca. O cachorro negro cadavérico a leva próximo do seu domador e do Carlos, que logo a abraça.
A garota estava em pânico.
— Carlos me tira daqui, por favor!
— Calma, Flávia! – Pede o domador de Gargomon. – Já está tudo bem!
O digimon coelho gigante dispara suas metralhadoras contra os tiranossauros.
Os oponentes se irritam com a investida e se preparavam para atacá-lo quando são surpreendidos pelo uivo do Dobermon, que os impede de usar suas técnicas.
— O que Dobermon ta fazendo? – Pergunta Carlos.
— Essa técnica se chama “Reino Cinzento”. – Responde Igor. — Com esse uivo ele impede que os inimigos utilizem suas técnicas.
Dois dos digimons atacam o coelho Adulto e o cachorro esquelético com suas caldas, jogando um contra o outro.
— Não funcionou?
— É que essa técnica, Carlos, só funciona com ataques que não tenham contato corporal.
— Vamos acabar com os humanos! – Brada um dos Darktyrannomons.
Os quatro tiranossauros negros correm ladeira acima, saindo da depressão e avançando na direção dos domadores e da Flávia, que se desespera.
Ela se livra dos braços do garoto e o sacode pelos ombros.
— Me tira daqui, Carlos. Eu to com medo! Eu não quero morrer!
O garoto, ao ver que Gargomon e Dobermon estavam caídos, não titubeia e rapidamente a segura por um dos braços e começa a correr, numa tentativa de fuga dos tiranossauros.
Igor o acompanha e também corre.
Não muito distante do local onde Carlos e Igor batalhavam, juntamente com seus digimons, para salvar Flávia de um grupo de quatro Darktyrannomons, uma grande arena havia sido erguida pelo Culumon para sediar o “I Torneio de Domadores de Digimon”. Uma bela e imponente construção de forma quadrada, possuindo as cores branco, preto e azul, se ostentava na Planície Xadrez, local que foi palco da terrível batalha entre Anjos e Demônios.
Quatro enormes portões de acesso estavam dispostos em cada face do formato quadrangular da construção. Em seu interior há trinta dormitórios com banheiros, salão comum, cozinha, varandas. O local da arena onde efetivamente acontecerão as batalhas era um terreno do tamanho de um campo de futebol, descoberto, só que no lugar do gramado havia um piso inteiramente branco e a vinte centímetros do solo. Arquibancadas circundavam todo o campo de batalha e um imenso telão de quatro lados estava suspenso sobre o campo de batalha.
Alguns domadores já haviam chegado ao Mundo Digital e estavam dispersos pela arquibancada.
João, Verônica, Betamon e Plotmon já haviam conhecido todas as dependências da Arena e estavam sentados na primeira fileira da arquibancada.
— Carlos demorou... – Pontua o garoto passando a mão pela barba.
— Terriermon deve ter encontrado alguma macieira. – Pontua Betamon. – Ele é louco por maçã.
No lado oposto da Arena, um digimon besouro mecânico, semelhante ao Kokabuterimon só que na cor vermelha, e com garras pontiagudas nas extremidades de um par de braços, estava sentado em uma poltrona.
— Will nunca mais veio me ver.
— TENTOMON!!!
Ao olhar para o lado, o besouro mecânico vermelho percebe que o garoto de pele branca e corpo roliço corria na sua direção.
Tentomon rapidamente levanta voo e avança na direção do garoto de bochechas rosadas, lançando-se sobre ele e o derrubando.
— Estava com saudades de você! – Diz o garoto, sorrindo.
— Você se esqueceu de mim!
— Não te esqueci, não! – Explica-se. — É que minha mãe está controlando meus passos por causa do incidente de seis meses. Ela pensa que eu posso fugir de novo a qualquer momento.
— Hei! – Brada Victor, se aproximando acompanhado do Agumon.
Will e Tentomon se levantam.
— Will como é que você ta?
— Eu to bem, Victor. E você, Agumon, como que ta?
— Eu to legal!
— Você viu Luiz Filipe? – Questiona o garoto de cabelos loiro. — Ele estava aqui até agora a pouco.
— Eu acabei de chegar. – Responde. – Não sei te dizer.
Há alguns quilômetros da Arena, ainda no território da Planície Xadrez, um portal se abre e de dentro dele surgem Blaze, Guilmon, Alex e Leomon.
— Vamos colocar nosso plano em ação. Hoje vamos desmascarar os Domadores Beta.
— Não quero perder meu tempo com eles, Alex. Só vou fazer o que combinamos!
— Você tem que entender, cara, que eles não vão deixar barato o que quer que façamos. Você sabe muito bem como eles são. Fora que todos os demais estão apoiando eles.
— Sempre tem um e outro que é do contra.
— To doido para ver a cara de João... Ele deve ta com nos dois atravessados desde aquele dia que ele foi levar seu digivice.
— Ah! Manda João, e quem mais quiser ir, catar coquinho! – Esbraveja o garoto alto e encorpado. — Não sou obrigado a agradar ninguém!
O pequeno tiranossauro vermelho sente um odor diferente no ar e começa a farejá-lo insistentemente.
Leomon também o acompanha.
— O que você dois tanto farejam? – Pergunta o garoto de feição oriental.
— Sinto cheiro de batalha, Alex! – Responde Guilmon.
— Vindo de onde? Da Arena?
— Não! – Responde o digimon que tem corpo humano e cabeça de leão. — De outro lugar próximo daqui.
O olhar de Guilmon fica possuído pelo extinto predador.
— Também sinto o cheiro de Terriermon.
— Carlos já está por aqui? – Questiona Blaze trazendo certa malícia na voz.
Guilmon confirma balançando a cabeça.
Leomon estende um dos braços para a direção oposta à Arena.
— Eles estão nessa direção!
Carlos, Igor e Flávia seguiam correndo, estavam próximos da floresta formada pelo gigantesco pé de melancia, quando perceber que os quatro Darktyrannomons estava muito próximos.
— Não vamos conseguir! – Grita a garota.
— Lazer Negro.
Dobermon lança dois raios lazer vermelho pelos olhos e atinge um dos tiranossauros nas costas, lançando-o contra outros dois e derrubando-os.
O digimon que restava de pé seguia avançando na direção dos humanos.
— GARGOMON!
O digimon coelho seguia correndo mais lentamente que Dobermon quando, após ouvir o grito do seu domador, direciona suas metralhadoras para o chão. Gargomon é impulsionado como um torpedo, cruzando o céu e caindo de pé entre o tiranossauro e os garotos. Rapidamente o digimon se volta na direção do inimigo e energiza a metralhadora da mão direita.
— Soco Animal.
O digimon coelho, que tem a mesma altura que o seu domador e enormes orelhas, disfere um potente soco contra a barriga do Darktyrannomon, atravessando-a. Instantes depois, o digimon negro se torna bilhões de bits.
— Valeu, Gargomon.
— Não tem de que, Carlos!
Flávia chorava copiosamente abraçada ao Carlos.
— Eu te imploro, meu amigo: Me tira desse inferno!
— Confie em mim.
Outro Darktyrannomon se aproximava por trás dos humanos, mas é surpreendido pelo ataque do Dobermon que o destrói.
— Agora só restam três deles! – Brada Igor.
Os três tiranossauros negros se aproximavam lentamente enquanto Gargomon e Dobermon se preparavam para ataca-los. Um grande clima de tensão se espalhava por todo o ambiente quando um som de aplauso ecoa atrás dos humanos.
Blaze aplaudia e sorria, enquanto Alex, Guilmon e Leomon estavam ao seu lado sorrindo.
— Blaze? – Questiona o garoto de olhos azuis, sorrindo.
— Vê se não enche o saco, Blaze! – Responde o garoto de óculos, assustando Igor.
— O que aconteceu entre vocês?
— Logo, logo você ficará sabendo!
— Nossa, Carlos! – Prossegue o domador do pequeno tiranossauro vermelho. – Não sabia que você era tão mal educado. Está agindo assim só por que trouxe sua namoradinha para passear pelo Mundo Digital?
— Isso aqui que é Mundo Digital? –Pergunta Flávia ainda abraçada ao Carlos.
— Na boa, Blaze. – Responde o garoto ignorando a pergunta feita pela garota. – Estamos ocupados demais para perdermos tempo com você!
— O problema são esses dois Darktyrannomons? – Questiona o garoto magro e mais baixo, ao lado do Blaze.
Alex estala os dedos e instantaneamente o seu digimon desaparece no ar.
Carlos, Igor e Flávia se assustam com o repentino desaparecimento do digimon leão.
Gargomon e Dobermon seguiam observando os três tiranossauros quando os mesmos são atingidos por um borrão de tinta.
Leomon para na frente dos Darktyrannomons, revelando estar empunhando sua espada. Ao guardá-la na bainha, os três digimons se tornam dados na frente de todos os demais.
O Domador Beta se espanta com tamanha velocidade e força demonstradas pelo digimon do Alex.
— Acho que poderemos conversa agora. Não? – Questiona Blaze, com sarcasmo.
João, Verônica e seus digimons seguiam conversando e caminhando pela arquibancada quando encontram Antônio, Kokabuterimon, Guilherme e Floramon sentados e gargalhando.
— Antônio! – Grita Betamon, que estava nos braços do seu domador.
O garoto de braços e pernas fortes juntamente com o seu digimon besouro, se levanta e os cumprimenta.
— Carlos me contou o que aconteceu... – Inicia o garoto de barba cerrada.
— Blaze enlouqueceu! – Diz o garoto de maneira enfática. — Não tenho outra explicação pra isso. Dar ouvidos a Guilmon sem ao menos saber o que de fato aconteceu.
— E você Kokabuterimon, está bem?
— Estou sim, João!
— Eu já avisei Floramon que se eles tentarem alguma coisa, é pra ela atacar!
— Infelizmente não tiro sua razão, Guilherme! – Pontua João.
— Ah gente... – Diz Verônica visivelmente incomodada. — Essa história de Blaze... Sei lá! Por mais que eu acredite em vocês, mas parece brincadeira.
— Brincadeira? Espera ele chegar que você verá!
— E Carlos que não aparece....
— Será que ele encontrou Blaze por aí? – Diz Guilherme.
— Ah não! Vocês só podem estar brincando comigo!
— Ok, Verônica! – Diz Antônio. – Você tem todo o direito de acreditar, ou não, na gente. Eu também não acreditaria nessa história se não visse com os meus próprios olhos. Aquele garoto centrado, sempre disposto a ajudar e um líder nato, deve ter morrido no exato momento em que caiu de cabeça no chão.
— Acho melhor a gente entrar em contato com Carlos para saber o que aconteceu. – propõe o garoto alto, magro e desengonçado.
Sons de pesadas passadas aos galopes atrai a atenção de João, Antônio, Verônica, Guilherme, seus digimons e todos os demais domadores que estavam dispersos pela arquibancada da Arena Quadrática. O domador de traços indígenas entra por um dos portões montado no seu digimon cachorro que usa luvas e cachecol vermelhos, e trazendo consigo um garoto magro de pele branca e cabelos negros.
— Luiz Filipe trouxe um estranho pro Mundo Digital? – Pontua João sem entender.
— Vamos ver com ele o que aconteceu! – Propõe a garota de olhar estonteante.
Os garotos e digimons seguem pelos corredores, descem as escadas e chegam ao local onde acontecerão as batalhas.
Luiz Filipe já havia descido das costas do seu digimon quando João e os demais domadores se aproximaram.
Murilo permanecia montado no Gaogamon e observando tudo ao redor.
— Quem ele é? – Questiona João.
— Encontrei esse cara fugindo de um Drimogemon e um Numemon.
— Coitado... – Diz Antônio, sorrindo. — Como que ele veio parar aqui?
— Ele disse que mexeu no digivice de Davi! – Responde Luiz Filipe.
Verônica caminha até o rapaz, que seguia distraído observando tudo ao seu redor, quando é impedida por um grito:
— NÃO!
Culumon chega à Arena voando por um dos portões de acesso.
— Vocês sabem que os humanos simples não podem saber da existência dos digimons. – Prossegue o deus-digimon. — Se você for conversar com ele, é natural que conte algo e acabe atrapalhando ainda mais nosso segredo.
— Até que, enfim, você resolveu aparecer! – Diz João de maneira irônica.
— Esse torneio em pleno domingo de manhã foi covardia, Culumon! – Pontua Will.
A pequena digimon semelhante a um cachorrinho de pelúcia, que usa uma coleira dourada e tem olhos azuis, corre para próximo do jovem.
— Hei! Você é amigo de Davi?
— Não! O conheço de vista. Ele é amigo de um amigo meu que está desaparecido, o Levi.
Plotmon se assusta com a revelação feita pelo garoto e corre até sua domadora, que seguia conversando com os demais domadores acerca da melhor atitude a ser tomada.
— Verônica! Verônica! – Chama a digimon insistentemente. — Ele é amigo do Levi!
Todos se assustam ao ouvir a descoberta feita pela Plotmon.
— Tem certeza, Plotmon?
— Tenho! Acabei de perguntar a ele!
— Já disse que não devemos conversar com ele! – Esbraveja o deus-digimon.
— Já sei! – Brada Will. — Vamos prendê-lo em algum lugar enquanto resolvemos o que fazer. Até por que, vá que ele resolva fugir e seja atacado por algum digimon.
— Apoiado Will. – Diz Victor. — É a única saída que vejo no momento.
— Mas, pessoal, nada de machucá-lo!
— Ninguém aqui vai machucá-lo, Verônica! – Responde o domador de Tentomon.
Instantaneamente, Culumon cria uma jaula em volta de Murilo, que se desespera ao perceber que estava preso.
O enorme digimon cachorro regride para um pequeno cachorro azul bípede que usa luvas de boxe e uma faixa vermelha atada a cabeça.
— Me solta! – Diz o garoto sacodindo a jaula. — O que vocês querem comigo?
O deus-digimon segue levitando a jaula para o lado de fora da Arena Quadrática enquanto os domadores e digimons o seguiam durante o percurso.
O pequeno digimon branco que voa com o auxílio das orelhas abertas como um leque, caminha em diagonal, após sair por um dos portões de acesso.
— O que eu fiz de errado caramba? – Questiona o jovem assim que Culumon aterrissa a jaula que o prendia.
Todos estavam a mais de cinquenta metros da suntuosa construção.
— Tente manter a calma. – Pede Verônica se aproximando da jaula junto com Plotmon. — Ficar nervoso agora só vai atrapalhar.
— Queria ver se você estivesse no meu lugar...
— É o seguinte, cara: — diz o garoto de barba interrompendo o humano simples e a sua namorada — Você não poderia vir parar aqui! Ninguém além de nós, no mundo inteiro, sabe da existência dos digimons. Você lembra de quando, há aproximadamente seis meses, a mídia começou a divulgar aparições de monstros em Salvador?
Murilo balança a cabeça de forma positiva.
— Então – Prossegue. — Alguns digimons foram enviados ao Mundo Real para...
— Você está falando demais, culú! – Culumon o interrompe.
— Ele já sabe do mais crucial! – Interfere Victor, tentando apaziguar o clima de tensão. – Agora, o que temos o fazer é que pedir total segredo a ele.
— Ou então... – balbucia o domador praticante de Kung Fu.
— Então o que Antônio? – questiona Guilherme em alto e bom tom.
O domador permanece pensativo, olhando fixamente para um único ponto no chão.
— Adianta Antônio! – Diz João. – Desembucha!
— Ou então, Culumon poderia dar um digivice para ele!
Todos se assustam com a proposta do garoto.
— Transformá-lo em um domador? – Questiona Verônica, incrédula.
— Eu? Domador? – Balbucia Murilo.
Continua...
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