Alex, domador de olhos orientalizados mantinha seu aliado, Blaze, sob a mira de um revólver. O domador de Guilmon seguia apertando os olhos, como se esperasse pelo pior. Leomon apenas observava a cena, posicionado logo atrás do seu domador, enquanto o pequeno tiranossauro vermelho observava seu domador, sem entender absolutamente nada. Ambos estavam próximos a réplica do Farol da Barra existente no Mundo Digital, quando o domador aos poucos pressiona o gatilho da arma até que um estampido é escutado.

Segundos de total silêncio se faz. Alex seguia sério, de olhos arregalados quando começa a gargalhar. O digimon leão humanoide também sorria, porém de maneira mais contida.

Guilmon estava desesperado e gritava pelo seu domador.

— Blaze! Blaze!

O garoto branco, alto e encorpado estava de pé. Seus olhos estavam apertados e seu ombros contraídos, pressionado o pescoço. Ouvir o barulho da arma de Alex disparando o assustara muito. Aos poucos, ouvindo o chamado de Guilmon, Blaze abre os olhos.

— Tua cara de desespero é impagável. Nem pra levar um tiro você presta!

Alex, ainda gargalhado, se abaixa e pega o digivice de Blaze.

— Bah! Por que fizestes isso? – Diz Blaze, ofegante. — Me deu um baita susto.

— Queria um pouco de silêncio, guri.

O pequeno domador oriental se aproxima do seu aliado, que ainda tremia por conta do susto que levara.

— Tens que aprender que na escola onde tu estudas, eu dou aula. Baixa a bola pro meu lado, certo? Não te forcei a nada! Você tirou suas próprias conclusões com tudo o que te contei.

— Como vou ter certeza de que você tem razão? Levi está vivo, Albert está com a digimon dele. Seus questionamentos para me colocar contra eles vieram abaixo.

Alex se irrita e o segura pelo colarinho, aproximando a arma do seu rosto. Guilmon prontamente passa a rosnar.

— Vai. Já que tu se achas esperto, vai pedir abrigo ao João e veja o que ganhas. Escolheste um caminho sem volta, Blaze.

— E quem lhe disse que quero voltar?

Alex sorri.

— Por que você não me matou?

— Porque eu preciso de você do mesmo jeito que você precisa de mim.

Um grande silêncio se faz por alguns minutos, até que Alex estende seu digivice e abre um portal, caminhando em sua direção acompanhado pelo Leomon.

— E então. – Diz o garoto voltando seu olhar para o aliado. — Vai ficar parado, me olhando?

— Quero meu digivice! – Responde.

— Ele ficará comigo por algum tempo.

Blaze tenta falar algo, mas interrompido.

— Não discuta, guri. Vamos!

Calamon continuava concentrando energia para atacar todos os presentes. Aos poucos Kudamon havia recuperado a consciência. Betamon, Renamon, Solarmon, Lopmon, Veemon e os outros digimons estavam muito esgotados para evoluir. Monodramon ainda estava inconsciente e era carregado por Mateus, nas costas. João estava pensativo. Tinha que descobrir uma maneira de sair dali o quanto antes. O digimon das trevas se mostrou muito poderoso após absorver a carta “Força Extrema”.

— A gente precisa fazer alguma coisa! – Diz Levi.

— Fugir é a única alternativa que me vem à cabeça.

— Por mais que a gente corra não vai adiantar de nada, Albert. – Diz Fernanda, sentando-se no chão como se seu corpo tivesse desmoronado sobre suas pernas. — Todos os nossos esforços foram em vão. — Lágrimas rolam pela sua face.

Solarmon e Júnior, com Kudamon nos braços e Culumon sobre os ombros, se aproximam da domadora.

— Droga! A gente não devia ter mandado as cartas! Se tivéssemos com a teletransporte...

— EU FIZ O QUE ACHEI MELHOR, CARAMBA! – Responde Fernanda aos gritos.

— EU NÃO TO LHE CULPANDO POR NADA! – Retruca Carlos, a altura.

Terriermon observava tudo atentamente.

— Eu vou tentar abrir um portal, culú. Se preparem, pois não tenho muita energia.

Culumon alça voo do ombro do domador calouro e se posiciona à frente dos domadores.

— Você está muito fraco para tentar abrir um portal. – Diz Calamon, que estava em sua forma lobo negro alado.

O triângulo na testa do deus-digimon começa a brilhar e antes que ele pudesse abrir um portal, Calamon usa sua telecinese e o lança com forte impacto contra o chão, machucando-o

— CULUMON!

João corre e pega o pequeno digimon branco nos braços.

— Quem tentar mais uma gracinha será punido.

Terriermon salta do colo de Carlos e grita.

— Você pode ser poderoso, mas não é dois. Não vou deixar que destrua Carlos, eu gosto muito dele.

O domador de olhos verdes atrás dos óculos de armações negras sente um nó subir a sua garganta.

— Pessoal, vamos proteger nossos domadores! – Diz o digimon de grandes orelhas dando um soco no ar e caminhando até se posicionar a frente dos humanos. Aos poucos, os outros digimons o acompanham.

— Volta aqui, Terriermon! Todos nós iremos fugir juntos!

— Relaxa, Carlos. Se eu for destruído, poderei voltar à vida.

— Patamon, volta aqui. Você não vai fazer isso.

O pequeno hamster laranja ignora o grito do seu domador.

Todos os domadores protestavam contra a decisão dos seus parceiros. Naquele momento os digimon obedeciam a uma única voz: Terriermon. Calamon gargalha ao ver a organização de digimons Novatos querendo afrontá-lo.

— Vocês perderam a noção do ridículo ou isso tudo é medo? – Diz o digimon das trevas que continuava preparando a esfera de energia que liberaria um ataque semelhante a uma rajada de fogo.

— Galera, vamos conseguir o máximo de tempo possível para que eles consigam retornar para o Mundo Real.

Todos os digimons estavam determinados a seguir as ordens de Terriermon, que rapidamente olha para o seu domador.

— Quando fomos de encontro a ele, todos vocês abriram portais e irão fugir.

— Isso é loucura, Terriermon. Não dá para abrir portais aqui no Continente Perdido.

— Então fujam para a superfície.

— Vocês podem estar em maioria, mas não farão cócegas ao meu ataque.

Terriermon olhava sério para Calamon. Há alguns minutos era impossível imaginá-lo dessa maneira. A sua direita estavam: Patamon, Plotmon, Renamon, Lopmon, Wormmon e Kudamon. A sua esquerda estavam: Betamon, Lunamon, Solarmon, Lalamon e Veemon.

— Agora!

Todos os digimons avançam na direção de Calamon preparando suas melhores técnicas para atacá-lo. O digimon Extremo, então, dispara seu ataque enquanto os Novatos disparam os seus. As técnicas dos digimons são englobadas pela poderosa técnica de Calamon, que continua avançando na direção deles. Os domadores estavam estáticos, não conseguiam fugir como o ordenado por Terriermon. Todos queriam sair de lá com seus parceiros. O ataque de Calamon atinge os doze digimons do nível Novato. Com a explosão, os domadores são lançados longe.

João se levanta com as costas doendo e o braço esquerdo deslocado, não conseguia movimentá-lo. Ele havia sido o primeiro domador a se levantar. Calamon estava ofegante, observando-os. Os digimons estavam caídos, somente Renamon, Kudamon, Plotmon e Terriermon haviam permanecido em seus níveis evolutivos. João corre e grita pelo Betamon, mas não o vê. Os demais domadores se levantam e fazem o mesmo, sendo que alguns deles sacavam seus digivices para rastrear qual dos pequeninos digimons era o seu. Carlos vê Terriermon caído, desacordado, e vai até ele, pegando-o nos braços. O domador, que possuía um profundo corte no supercílio esquerdo, estava completamente transtornado. Levi, Júnior e Verônica fazem o mesmo. Um digimon redondo, de pele rosada vai até o garoto de barba cerrada, saltitando.

— Você é Betamon?

— Sim. Eu me chamo Koromon.

Koromon, um digimon Em Treinamento. Esse digimon lembra uma bola rosada com longas orelhas. Sua técnica é o Ataque de Bolhas.

Chocomon, um digimon Em Treinamento. Esse digimon que evolui para Lopmon lembra uma pequena larva de cor marrom. Sua técnica é o Ataque de Bolhas.

Moonmon, um digimon Em Treinamento. Esse digimon semelhante a uma gota de cor roxa evolui para a Lunamon. Sua técnica é o Ataque de Bolhas.

Tokomon, um digimon Em Treinamento. Esse digimon branco possui grandes dentes e um maxilar que se desloca para frente evolui para Patamon. Suas técnicas são as bolhas a e mordida.

Kapurimon, um digimon Em Treinamento. Essa pequenina digimon possui uma bela calda peluda e usa um capacete de metal com duas pontas. Ela evolui para Solarmon. Sua técnica é o Giro Rápido.

Budmon, um digimon Em Treinamento. Esse digimon vegetal evolui para Lalamon e lembra uma semente cheia de espinhos venenosos. Locomove-se planando no ar com a sua calda em forma de folha. Sua técnica são os Espinhos Venenosos.

Chibimon, um digimon Em Treinamento. Esse digimon de cor azul lembra muito sua forma evoluída, o Veemon. Ataca os inimigos com tapas estalados.

Kau rapidamente encontra Minomon em meio aos demais e vai em sua direção. Os outros domadores pegam seus digimons nos braços. Levi apoiava a cabeça de Renamon na perna. O domador estava com várias escoriações pelo corpo, principalmente do lado esquerdo do rosto.

— Vocês são resistentes demais para o meu gosto.

Calamon continuava voando. Os domadores se entreolhavam. Fernanda, que estava com um corte na testa e mancava da perna direita, chorava de maneira silenciosa. Flávia já não mais suportava tanta pressão.

— CHEGA! Cansei dessa brincadeira, está bom? – Diz a garota chorando. Moonmon chorava junto com ela. — Eu não escolhi estar aqui. Quero voltar pra casa. Quero minha mãe. Quero voltar a ensaiar com a banda.

Verônica corre até a moça e a consola.

— Calma, Fafá!

— Vejo que só agora vocês se deram conta de que serão destruídos. Quero as cartas!

— As cartas não estão conosco. – Diz João. — Bento e Bárbara as levaram embora.

— Veremos, então.

Calamon estende sua mão na direção de João, de Júnior e de Fernanda. Utilizando-se da telecinese, o digimon em forma de lobo negro levita os três domadores até certa altura e passa a agitá-los em várias direções, na esperança de que alguma Carta Acessória se desprendesse do trio. Fernanda chorava muito, enquanto Júnior e João tentavam manter a calma. Seus digimons haviam ficado no chão e gritavam por eles. O líder dos Domadores Beta sentia como se estivesse dentro de uma batedeira. Sua cabeça girava em todas as direções. Ficar de olhos fechados era a única maneira de amenizar a terrível sensação que ele sentia.

O digimon negro resolve largá-los no chão, soltando-os da altura onde estavam e machucando-os ainda mais. Os três domadores estavam tontos e eram amparados seus amigos.

Terriermon, lentamente, vai recuperando a consciência.

— Você está bem, meu amigo?

— Eu to vivo?

Carlos esboça um sorriso preso.

— Está.

Terriermon, ainda deitado no colo de Carlos, vê Calamon.

— A gente tem que fazer alguma coisa.

— Não dá tempo de fugir, Murilo. – Responde o garoto de cabelo verde e espetado. — Daqui do Continente Perdido não podemos abrir portais.

— Deixarei que clamem pela suas vidas. – Brada Calamon, confiante.

Verônica, Flávia e Fernanda estavam juntas e desesperadas. Poucos domadores conseguiam manter o controle. Lucas também chorava. Um choro que deixava transparecer a todos que não havia saída. João já demonstrava claros sinais de que perdera as esperanças. Sabia que aquele numeroso grupo de treze domadores nada poderia fazer. Para eles, a guerra havia acabado antes mesmo de começar.

— Você está esperando o que, digimon otário? – Brada o domador de Koromon. — Vamos logo, destrua todos nós. Não aguento mais ver as meninas chorando por medo de você. Agora uma coisa lhe digo: Existem outros domadores tão poderosos quantos nós. Para acabarem com sua existência, será um estalar de dedos.

Calamon se irrita com o insulto.

— Cale a boca! Até na hora de morrer vocês são inconvenientes.

— Calamon, – inicia Culumon — você não pode me destruir, culú. Sabe muito bem das consequências.

Calamon a princípio parecia ignorar Culumon, até que, instantes antes de disparar sua técnica contra os domadores, esbraveja.

— ENTÃO SAIA LOGO DAÍ!

João lança Culumon para longe com todas as suas forças. O pequeno digimon seguia como um torpedo até parar no ar. Culumon tenta voar a toda velocidade para próximo dos domadores, ele era o único escudo que possuíam. O digimon das trevas ainda não os haviam destruído por causa da sua presença, já que ele e o Mundo Digital dependem-se mutuamente.

— Venham todos para cá, culú! – O deus-digimon voava desesperado.

— ADEUS!

Calamon cria uma esfera negra sobre a palma da sua mão. Terriermon, em meio ao desespero, se lembra de algo e rapidamente força a gola da camiseta de Carlos como se quisesse rasgá-la. Pendurado ao pescoço do garoto estava um apito de madeira de aproximadamente dez centímetros preso a um cordão. O digimon de longas orelhas apita com força. Dois silvos breves. O som oriundo do objeto de madeira assusta a todos, despertando a curiosidade de alguns.

— O que é isso, digimon louco?

Um lampejo ofuscante acontece. Por detrás dos domadores surge Angler, um simpático Trailmon que ajudou, num dado momento, o grupo de João fugir do Continente Perdido.

— Todos a bordo!

Angler abre as portas de um, dos três vagões que carregava consigo.

— Pessoal, todos para dentro!

Os domadores e digimons correm para dentro do primeiro vagão de Trailmon. João corre de encontro a Culumon e o pega nos braços, levando-o para dentro juntamente com Koromon. Levi consegue acordar Ranamon e também foge do local. Kau, que corria com Minomon nos braços, acaba tropeçando numa pedra e cai. Murilo, que corria um pouco mais à frente do domador, volta e o ajuda a ficar de pé.

— Valeu, Murilo. Agora estamos quites.

— O que?

— Certa vez mandei Stingmon atacar um Drimogemon que te perseguia.

— Ah, então foi você mesmo? Eu já desconfiava.

Os domadores continuavam correndo e, um por um, seguiam entrando no Angler.

— O que significa isso? – Balbucia o digimon negro, incrédulo.

— Terriermon, você foi sensacional! Eu havia me esquecido de Angler.

— Ainda bem que lembrei a tempo.

Carlos corre com Terriermon seguro no seu ombro. Todos os domadores já estavam abordo, faltava apenas os dois.

Calamon observava a tudo, furioso. Não acreditara no que estava acontecendo. Sua ira seguia aumentando a cada segundo.

— MORRAM!

A face negra de Culumon faz surgir uma esfera de energia do tamanho de uma bola de basquete e a lança na direção do domador e do digimon, que haviam lhe dado as costas. Todos os domadores, de dentro do vagão, estavam desesperados.

— Rápido, Carlos! – brada João, se posicionando na porta do vagão e esticando a mão para agarrar Carlos e Angler poder sair do lugar a toda velocidade.

A técnica de Calamon era muito rápida. O domador de barba cerrada pressente que não daria tempo e, antes que pudesse sair do vagão para socorrer seu amigo, Angler fecha as portas. O garoto, desesperado, começa a socar o vidro, tentando quebrá-lo. Seu coração acelerava de maneira surpreendente. A técnica do digimon atinge domador e digimon pelas costas. João olhava nos olhos de Carlos no exato momento. O garoto de estatura mediana, cabelo liso e bagunçado, que usava óculos, deixava transparecer a total confiança que sentia em seu amigo de muitos anos. Confiava que seria salvo. Uma enorme explosão acontece. Angler apita e começa a ganhar velocidade. Verônica também se aproxima da porta aos gritos, socando-a junto com João. Fernanda vira-se de costas para não vê a cena. Flávia fica estática, imóvel, com Moonmon nos braços. João e Verônica queriam acreditar que Carlos e Terriermon estavam bem, quando lá no fundo, já tinha absoluta certeza de que seu amigo havia morrido. A densa nuvem de poeira ofuscava a visão de todos. Angler se desloca em direção ao vilarejo. As casas e construções passavam pelas janelas do vagão a toda velocidade. Os trilhos seguiam se formando e desaparecendo, sempre mantendo a distância de três metros, tanto para frente como para trás.

— CARLOS! CARLOS!

Os gritos de João arrepiavam a todos. Transbordava um sofrimento fora do comum. Grito esse que levava até as pessoas mais secas de sentimentos a rever seus conceitos.

— CARLOOOS!

Continua...

Notas finais
Pessoal, esse foi o penúltimo episódio! Muito obrigado por tudo! e em breve, virá a terceira e última temporada.