Após suspeitarem do Domador Perdido, os calouros descobriram que uma dupla de digimons, Etemon e Evilmon, eram os verdadeiros responsáveis pelos ataques surpresas. Apesar de um dos digimons ser um Adulto, o outro era um Perfeito e possuía poderes e velocidades impressionantes. Um por um dos quatro digimons seguiam caindo tamanho o poder do digimon gorila que usa óculos de sol até que, numa arriscada tentativa de vencer a batalha, Stingmon é atingido pelas técnicas dos seus companheiros e dos dois digimons inimigos, não resistindo e retornando à condição de dados, para desespero de Kau.

Os domadores novatos estavam encurralados, e seus digimons totalmente esgotados.

As garras do digimon gorila passam a brilhar.

— Adeus humanos. Pata do maca...

— No puedo dejar que hagas esto! — Leon, o Domador Perdido que observava toda a batalha de dentro de um bueiro, interrompe o ataque de Etemon. – VEEMON!

O pequeno dragão azul é envolvido pelo casulo da evolução, tornando-se Exveemon, que rapidamente voa até Etemon atingindo-o com um forte chute no rosto e lançando-o contra um prédio, que desmorona.

— Ele estava próximo durante todo esse tempo. – Pontua Júnior ao perceber que o Domador Perdido não havia desaparecido, como acreditavam.

O dragão de poderosa calda, asas brancas e lâmina sobre o focinho, avança contra o Evilmon. Com um golpe certeiro de direita, o pequeno digimon demônio é lançado contra o chão e quica, como uma bola, por três vezes antes de parar.

O pequeno digimon logo se põe no ataque.

— Choque do Pesadelo.

O digimon lança uma sequência de ondas sonoras na direção de Exveemon, que cruza os braços na altura do peito, acumulando energia sobre sua cicatriz em forma de xis.

— Corte Duplo. – Brada do digimon de Leon abrindo os braços e lançando sua técnica contra a técnica do rival, fazendo-a explodir.

Os domadores correm na direção do garoto espanhol com seus digimons.

— Valeu por nos ajudar! – Caio agradece, trazendo Kau consigo.

— Rápido. Entrar en la boca de inspección.

O garoto que tem uma franja caída sobre um dos olhos indica o bueiro destampado e os domadores logo entendem o que ele queria falar. Todos entram no local com exceção de Leon, que observava a batalha do seu digimon. Exveemon espancava Evilmon com socos e chutes, não lhe dando chance de contra-atacar. Com um forte golpe, usando o seu antebraço, o dragão humanoide azul lança o pequeno digimon de cabeça contra o chão, fazendo-o desmaiar.

Etemon se levanta em meio aos escombros, como se tivesse se levantando debaixo um macio e confortável edredom.

— De que buraco surgiu? Será que sempre me atacará, assim, de surpresa? – Questiona, enquanto se aproximava.

O digimon de Leon rapidamente pega Evilmon com uma das mãos.

Etemon para de andar, deixando transparecer uma grande preocupação.

— Como rei dessa cidade, ordeno que solte o meu amigo! Não torne a fazer com ele o mesmo que fez ontem!

Exveemon sorri com sarcasmo antes de lançar o pequeno digimon demônio, como uma bola de handball, sobre os prédios e em direção à rua paralela a que eles estavam.

Sem dizer absolutamente nada, o digimon gorila corre atrás do seu amigo.

— Muy bien, Exveemon! – Comemora o domador espanhol.

Seu digimon se aproxima e regride.

— Vamos entrar no bueiro, Leon. Ele retornará dentro de alguns minutos.

Domador e digimon entram no bueiro e se certificam de fechá-lo, para não levantar suspeitas.

As guerreiras da água e do solo seguiam lutando com o digimon de Alex, que havia atingido no nível Perfeito de evolução, quando recebem um poderoso “Chute Ciclone” do Grappleomon, sendo lançadas a uma grande distância.

— Ranamon!

Ranamon não resiste e regride, caindo desacordada.

— Digmon, você está bem?

— Eu vou ficar bem, Bárbara, mas só depois que acabar com esse desgraçado!

Alex e Fernanda não se contém e começam a rir.

— Quanta besteira... – Diz o garoto magro de olhos orientalizados. — Grappleomon, vamos acabar com isso.

— Chute Ciclone.

Grappleomon chuta o ar e lança um poderoso ciclone na Digmon, fazendo-a regredir. O digimon Perfeito também não resiste e regride, tornando-se um pequeno filhote de leão quadrúpede, com grandes patas, topete avermelhado e uma coleira dourada com uma linda pedra verde.

— Alex, me desculpa, eu não consegui manter a Perfeição.

— Depois conversamos, Leormon. E vocês, idiotas, em breve nos acertaremos.

Fernanda pega Solarmon nos braços e, juntamente com Alex e seu digimon Novato, sai andando tranquilamente.

Verônica corre até Plotmon e a segura em seus braços. Murilo se aproxima da Fanbeemon, pegando-a do chão e a levando até Bárbara.

— Será que eles vão voltar?

— Não por agora, Murilo. – Diz Carlos. — Os digimons deles ficaram esgotados.

— Carlos, — inicia o digimon de grandes orelhas disferindo socos e chutes no ar — me deixa dar uma surra em Leormon e Solarmon?

— Eu não quero que Fanbeemon lute. Quero minha casa, quero meus amigos... Quero meu irmão!

— Já podemos voltar pra casa? – Pergunta o garoto magro de sorriso largo.

— Vocês, sim! – Responde o garoto de olhos verdes e óculos de armações negras enquanto Terriermon escalava seu corpo, chegando ao seu ombro. — Eu e Verônica vamos atrás dos demais.

— Só vocês?

— Por enquanto somente eu e Bárbara temos digivice, Murilo. Somente nos duas podemos abrir portais de volta. Eu preciso tirar João, Antônio e Flávia daqui.

— Então vou ajudar vocês! – Pontua a garota que é deficiente visual.

— Alguma de vocês pode fazer o favor de me mandar de volta? Assim... eu não sou domador e não estou disposto a morrer de graça. Já se passaram dois dias desde que eu comecei a fugir de digimons.

Bárbara segura o garoto pelo braço

— Você fica! Preciso de um guia.

— Use Carlos!

— Ele é um domador, Murilo. Não pode me dar atenção. E também, é por pouco tempo. Agora, larga de ser chato e aceite!

— Não sei, não...

— Deixa, Bárbara. — Interfere Verônica. — Até acho melhor ele voltar. Aqui é perigoso demais para um humano simples.

— Ele é quem sabe se volta ou não. Já fiz minha suplica. Agora só depende dele.

Por alguns instantes, Murilo se sente desconfortável. Verônica e Carlos o olhavam de maneira fixa. Ao seu lado, Bárbara, por mais que não pudesse enxergar, estava com a cabeça inclinada na sua direção de tal forma, que aguardava ansiosamente pelas palavras que viriam a seguir.

— Está bem, eu fico! Mas só até acharmos os outros, ok?

— Tudo certo! – Agradece a garota de longos cabelos cacheados, abraçando-o com apenas um dos braços. No outro, carregava a pequena digimon abelha desacordada. – Tinha certeza de que ficaria.

— SAIAM DE ONDE ESTIVEREM!!!

Os gritos de Etemon ecoavam pela enorme cidade. Ele havia retornado ao local da batalha assim que encontrara Evilmon bastante machucado. Trazia o pequeno gárgula em seus braços.

— EXPLODIREI TODA ESSA REGIÃO E VOCÊS NÃO TERÃO ESCAPATÓRIA!

— Vamos embora, Etemon! Novamente aquele Exveemon conseguiu aproveitar que você foi me salvar e fugiu com todos os outros. A essa altura já estão fora dos nossos limites.

— Tem razão, meu amigo! E ai deles que tornem a dar as caras por aqui! A partir de hoje, declaro guerra a todos os humanos!

Etemon segue andando tranquilamente.

Alguns minutos após, a tampa do bueiro localizado no estreito beco segue deslizando para um dos lados de maneira cuidadosa. Leon, o garoto de pele branca e cabelos lisos que teimam em cair sobre um dos olhos, coloca a cabeça cuidadosamente para fora do bueiro e olha em volta, certificando-se de que não havia nenhum digimon por perto.

— Toma cuidado, cara. – Pede Júnior, ainda dentro do bueiro.

— E aí, Leon, — pergunta o pequeno dragão azul, seu digimon — ele está por perto?

— Todos los derechos. Puede dejar.

— O que ele disse? – Questiona o garoto moreno de olhos verdes.

— Que ta tudo certo. Que podemos sair.

Os garotos e os digimons saem do esconderijo prestando atenção em todas as direções.

— Como que você entende o que ele diz?

— Ele é meu domador. Minha obrigação entendê-lo.

— Que legal. Primeiro digimon poliglota que eu conheço. Monô tome vergonha na cara e aprenda a falar russo.

— E pra que ele vai falar russo? – Interfere Lucas. — Por acaso você sabe falar?

— Pessoal, — adverte Júnior com Kudamon sobre seu ombro — vamos parando com a brincadeira. Kau está mal com o que aconteceu ao Stingmon.

O garoto de cabelo verde e braço direito inteiramente tatuado, seguia apático. Não falava nada desde que conseguira se acalmar. Em sua mente, um turbilhão se sensações e emoções não o deixavam vivenciar o que acontecia ao seu redor. Era como se estivesse num mundo paralelo, o qual lhe permitia reviver, mesmo contra sua vontade, a morte do seu Stingmon e suas últimas palavras. “Me desculpe por não tê-lo feito calar a boca quando ordenou. Por ter sido fraco desde o princípio. Por não ter resistido a esses ataques. ”

Júnior segura Kau pelo ombro, fazendo-o retornar à realidade.

— Tenho que achar o digitama dele. – Diz o garoto sem ao menos ser questionado.

— Nós vamos te ajudar, não se preocupe.

— O que é isso, digitama? – Questiona Caio ao Lucas.

— É um ovo de digimon. Se não brincasse tanto, saberia.

— Não amola, quatro olhos!

— Vou cuidar dele desde o início. – Prossegue o domador. — Vou treiná-lo durante todas as etapas até se tornar um digimon muito forte, mais poderoso do que ele era. Vou acabar com a raça daquele Etemon.

O garoto de argolas no nariz e orelhas olha para a tela do seu aparelho de cor prata. Uma seta vermelha seguia, do mesmo modo que acontecia quando ele detectava a presença de Leon, indicando uma direção. Logo abaixo, estava escrito: Cidade do Princípio — Ilha Arquivo.

— Temos que ir para a Cidade do Princípio. Wormmon está lá!

— Mas antes, — diz o garoto mais alto olhando na direção de Veemon e Leon – acho que devemos um pedido de desculpas a vocês.

— Bem lembrado, Júnior. – Concorda Kau. – Vocês nos salvaram e a gente não lhe deu nem chance de falar.

— Eu e Leon seguíamos vocês desde o local do torneio. Estávamos por perto quando vimos que vocês estavam saindo da Arena Quadrática.

— Vimos el momento Etemon atacó a uno por uno de ustedes. Así que nos quedamos escondido, esperando el momento adecuado para atacar.

— Ele iria mata-los quando eu o ataquei e lancei Evilmon para longe, assim como fiz agora a pouco. Aproveitamos o exato momento em que ele saiu atrás do amigo para tirá-los da rua e leva-los até aquela fábrica de aviões.

— Nos habíamos ido a buscar agua y comida cuando vimos que estaban alrededor. Decidimos volver y vimos que ya habían acordado.

— Que vergonha... – Diz Kau com pesar. – Espero que entendam nossa situação e nos desculpem!

— Esto es pasado! Ahora, vamos a buscar para su Digitama.

Blaze rapidamente fica de pé. Lunamon, a pequena digimon que estava na companhia dos humanos simples que estavam trancafiados dentro de uma jaula criada pelo Culumon, havia acordado e tentava fugir.

— Não se mexa, Lunamon! – Ameaça Blaze, caminhando sorrateiramente na direção da pequena digimon.

— O que foi, Blaze? – Diz Bento se aproximando.

O domador se vira para falar algo com o garoto de trejeitos afeminados quando Lunamon inicia sua fuga.

— Ela não pode fugir! – Berra o garoto corpulento completamente perdido.

— Calma, boy. Eu vou te ajudar.

— Eu quero ir com vocês... – Balbucia o pequeno tiranossauro vermelho se esforçando para ficar de pé.

— É melhor você descansar! – Repreende Bento.

— Ouça o que ele disse, Guilmon! A gente dá conta de trazer Lunamon de volta.

Os garotos rapidamente seguem correndo pelo mesmo caminho tomado pela pequena digimon. Blaze sabia que ela não conseguiria ir muito longe, já que ela não possui pernas e se movimentava como os moluscos do Mundo Real.

Após conseguir certa dianteira dos humanos, Lunamon, ciente de que em breve seria alcançada pelos humanos, se abriga dentro de um buraco dentro de um tronco de árvore, permanecendo em silêncio.

Blaze e Bento chegam ao local e param de correr. Não sabiam qual direção tomar.

— E agora? – Pergunta o garoto de cabelos cacheados.

— Ela não deve ter ido muito longe. – Responde Blaze.

Lunamon ouve a conversa dos humanos e, assustada com a possibilidade de ser recapturada, começa a chorar.

— Ta ouvindo? – Sussurra Blaze.

— O que? – Pergunta o garoto no mesmo tom.

— Choro... Ela está aqui por perto.

— Coitadinha! Por que não a deixa ir?

— Não posso. O Alex me mata!

— Teu amigo?

— É... Deve ser!

Os garotos continuam procurando pela Lunamon quando Blaze vê uma movimentação estranha atrás de um arbusto. Sem titubear, o domador pega uma pedra que estava próxima de si e a atira.

Um grito de dor é escutado.

— Acertei!

Detrás do arbusto surge um digimon bípede de pelagem cinza com olhos naturalmente contornados por uma linha negra, além das garras em suas patas serem da mesma cor. Esse digimon hiena, ao perceber que fora atingido por um humano, passa a caminhar na sua direção.

— Blaze... – Diz o irmão da Bárbara se aproximando e segurando um dos braços do garoto com força. – Alvo errado, querido!

O domador de Guilmon saca seu digivice e rastreia informações do digimon a sua frente.

Gazimon, um digimon no nível Novato. Esse digimon de ar misterioso, não é muito confiável. Impiedoso, adora preparar armadilhas para os outros digimons. Sua principal técnica é o “Atordoador Elétrico”.

Gazimon, ao perceber que um dos humanos possuía um digivice, para de avançar.

— Quer dizer que vocês são domadores?

— Somos! – Responde Blaze. – E você, pelo visto, é um digimon bem esperto.

— Não é necessário ter tanta inteligência para saber que um digivice é um digivice, quando se ver um.

— Sempre fala complicado, assim? – Diz Bento, levando Blaze a repreendê-lo com o olhar.

— Quando se tem que sobreviver dia após dia, você aprende a pensar milimetricamente em cada atitude e palavra a ser tomada. Qualquer escolha errada pode lhe custar a vida. Dizem que quando se retorna à condição de dados, perdemos todas informações adquiridas no decorrer da nossa existência.

— Então... – Inicia Blaze. – Já que esclarecemos algumas dúvidas, precisamos ir. Estamos à procura de uma Lunamon. Sabe onde ela está?

— Infelizmente, não! E vejo que você, domador, não está acompanhado do seu digimon. O que o faz ser um alvo em potencial. Ainda mais depois que me acertou com uma pedra.

Bento e Blaze seguiam observando o Gazimon que, aos poucos, voltara a se aproximar.

— E agora? O que a gente faz? – Sussurra o irmão de Bárbara.

Bento ainda aguardava uma resposta de Blaze quando ele lhe segura por uma das mãos, iniciando uma calorosa fuga. Os garotos seguiam correndo e alternando-se entre as árvores e passando no meio de arbustos e troncos caídos, enquanto explosões e risadas eram escutadas logo atrás.

Os calouros, agora acompanhados do mais novo integrante, seguiam voando divididos entre Exveemon e Sunflowmon. O grupo havia acabado de cruzar o limite da cidade governada por Etemon e Evilmon quando, bruscamente, a digimon que tem a cabeça em formato de girassol, resolve aterrissar.

O digimon dragão humanoide de cor azul, que trazia sobre suas costas Júnior e Kudamon, além de carregar Leon em seus braços, pousa ao lado de Sunflowmon.

— O que houve? – Pergunta Júnior, descendo do ombro de Exveemon.

— Acabei de receber uma espécie de torpedo pelo digivice. – Responde Lucas exibindo seu digivice aos demais.

Instantes depois, os outros quatro aparelhos também emitem um sinal sonoro, avisando o recebimento de uma mensagem.

Todos acompanhavam o texto enquanto Júnior lia em voz alta para que seus digimons pudessem ouvir.

Olá Domadores.

Me chamo Culumon, o deus-digimon, e preciso de vocês. Anteriormente eu havia informado que receberiam essa mensagem logo após encontrar o Domador Perdido, culú. Vocês precisaram enfrentar um inimigo muito poderoso, astuto e dotado de grande energia positiva. Ele se encontra parcialmente vulnerável e esse é o melhor momento para atacar, culú. Quero que destruam os digimons e os digivices dos intitulados Domadores Beta, e os digivices e digimons de todos os demais que se aliarem a eles. A segurança do Mundo Digital e do Mundo Real dependem disso, culú.

Boa Sorte. Vocês irão precisar.

Continua...