Digimon Adventure 3.0: Luz Vs Trevas

47 A ilusão de Lotusmon! ChaosMetalSeadramon


Notas iniciais
Enquete. Se você descobrisse que o Ray tentou matar alguém da sua família, você o perdoaria mesmo ele estando arrependido? Se ele te pedisse perdão, o perdoaria? Boa Leitura.

CAPÍTULO 047

Ao escutar as palavras provindas da boca de Márcia, em que a mesma disse que seus filhos eram Paulo e Lúcia, a portadora do brasão da Luz que ele tanto perseguiu e quase matou, ele literalmente entrou em um momento depressivo em sua vida. Algo que nem mesmo ele podia explicar. Um ódio por si mesmo, um rancor por si mesmo. Era algo que o perturbava dia e noite até que viesse o estopim para que a sua angústia aumentasse cada vez mais. Arrependido, sim estava, mas não saberia se as pessoas o perdoariam pelos seus crimes no passado.

Crimes que foram muitos. Primeiro que conseguiu a proeza de entrar no digimundo. Segundo que alterou coisas no digimundo por meio de sua superinteligência. Terceiro, criou um digimon terrível na forma extrema com seu próprio DNA, como a Lilithmon, na qual manteve relações sexuais, mudando assim a ordem natural do digimundo. Após isso treinou seis digimons até ficarem nas suas formas extremas — Ornismon e Lilithmon foram os únicos que não foram treinados, pois já estavam na forma extrema. Após isso, começou a criar um verdadeiro Império às escondidas para não chamar a atenção — seu irmão fora escolhido como digiescolhido justamente há três anos para detê-lo. Assim se manteve na identidade de ShadowLord opressor, cruel e sádico. Daí, sabendo da existência de novos digiescolhidos, ele tentou roubar as digitamas, mas acaba roubando a de Lucemon, doando um pouco de seu DNA. Tempo depois filiou-se ao Exército Negro, um dos braços da Aranha, e pôs Lilithmon como comandante geral, A Grande Soberano. Depois recrutou Paulo e Impmon para fazerem parte do exército. Meses depois desfez seu exército e investiu pesado contra o brasão da Luz de Lúcia e chegou muito perto de matá-la. Matou inúmeros digimons, chegando a destruir até mais que o cruel KingEtemon. Arrependeu-se quando agrediu o próprio irmão e viu o erro que cometeu.

Ele sabia disso. Estava ciente que cometera atitudes bárbaras no seu passado sombrio. No entanto, ele se arrependeu e queria buscar o perdão. Mas não sabia se Márcia o perdoaria se um dia descobrisse toda a verdade.

— RAY!! — gritou Márcia — O que está acontecendo? Desde que eu contei sobre mim você reage muito estranho. Por que está calado?

— Desculpa, Márcia. Eu fiquei pensando em alguns problemas pessoais. Não fique tão preocupada assim — disse ele.

— Não me dê outro susto desse — ela escorou a cabeça no ombro dele — eu gosto de você, não quero te ver triste.

— Eu não estou triste. É melhor nós irmos. Está ficando tarde.

Eles se levantaram da areia da praia e voltaram para a pousada. Ray não tirava a preocupação de sua mente.


Uma câmera voadora filmava toda a região. Lilithmon a enviou para procurar Conceição e os demais, mas, sem êxito, ela desistiu das buscas. Entretanto o objeto ainda filmava a região e filmou o casal Ray e Márcia na praia.

— Mestra Lilithmon, mestra Lilithmon! — gritou o mordomo, batendo na porta do quarto dela.

— O que aconteceu? Por que esse escândalo?

— Venha aqui alguns minutos, tem algo importantíssimo que a senhora precisa ver — disse Insekimon.

Lilithmon foi até a sala e sentou-se no seu sofá negro. Daí o servo ligou o telão e bem na frente dela apareceu Ray e Márcia abraçados na praia. A digimon não conseguiu acreditar no que via.

— Ray, ele... Está vivo! Como é possível? Ele não morreu naquele ataque... — depois viu Márcia na transmissão — Opa, quem é aquela ao lado dele? Odeio dividir o que é meu.

— O que a mestra fará?

— Eu sei onde eles estão. A praia da pousada, alguns quilômetros ao sul daqui. Amanhã de manhã bem cedo farei uma visitinha ao casal de pombinhos. Darei uma segunda chance ao meu amado. Será que ele voltará para mim?

— Não sei mestra, mas acho que não.

— Então ele terá que arcar com as consequências. Que serão muitas — Lilithmon levantou-se novamente e foi até a varanda observar a torre negra quase concluída. — Existe um segredo por trás daquela torre. Um dia irei descobrir.

...

— Disparo da Morte! — Beelzebumon atacava com sua arma, mas Lotusmon se esquivava de todos. — Droga, ela é muito rápida.

— Não desista, Beelzebumon — disse Paulo.

No entanto, o digimon de Paulo estava muito cansado e não conseguia levar a luta adiante, até que ele voltou à forma de criança e caindo no chão. Paulo, claro, foi ajudá-lo.

— Desculpa, mano, mas eu não consegui vencê-la. Estou muito cansado — lamentou Impmon.

— Eu que peço desculpa por mandá-lo lutar ainda fraco — falou o garoto.

— Não adiantaria de absolutamente nada. Mesmo se me acertasse com seu ataque ainda assim nada aconteceria. Na verdade aqui é uma ilusão minha que eu criei. Nesta floresta, o meu poder aumenta significativamente a ponto de criar ilusões e controlar a natureza — disse Lotusmon.

— Ilusão? Então se você não está aqui, onde está? — perguntou Mia.

— Bem distante de qualquer um de vocês. Agora eu percebi que vocês não são tão parceiros assim. Um brigando com o outro. Que feio! Principalmente quando são afetados pelo meu jardim das discórdias. O jardim mais amaldiçoado que existe — na mesma hora a vista de um paraíso se transformou radicalmente. As flores murcham, a grama seca e o lago fica sujo. Tudo isso assustou os digiescolhidos — Essa é a verdadeira aparência do meu jardim. Tomada pelas trevas hahahahaha.

— Que horror — disse Rose.

— Agora eu tenho algo interessante para lhes dizer. Não só apenas sou perita em ilusão, mas eu sou capaz de abrir portais para outros cantos no Digimundo. O que significa que a união de todos acaba aqui. A partir de agora, eu abrirei dois portais, daí vocês se separarão em dois grupos. Se não concordarem, os mato agora mesmo.

— Separar? Droga — resmungou Paulo.

— Eu concordo em nos separar — disse Ruan sem hesitar.

Os demais digiescolhidos olharam surpresos para o espanhol. Ele foi bem egoísta.

— Muito bem então... — ela abriu dois portais — ...podem escolher quem vai com quem.

— Eu e minha irmã iremos juntos — disse o líder.

— Eu também vou contigo, Paulo — disse Mia. — Farei companhia a vocês, tanto eu como Betamon.

— Vamos nós três — disse Paulo. Logo eles três atravessaram com seus digimons.

— Sobrou nós. Então ficaremos juntos — disse Jin. Ruan, Rose e Jin atravessaram o outro portal com seus digimons.

Nesse momento as ilusões desaparecem. A vista do jardim voltou ao normal e a ilusão de Lotusmon sumiu.


A digimau saiu do seu transe e voltou ao normal. Blossomon ainda continuava na sala até receber uma ordem de sua mestra.

— Agora que os digiescolhidos se separaram, será muito mais fácil derrotá-los. Que pena eu não ter poderes ofensivos na forma de ilusão. Os enganei direitinho, dizendo que, se não passassem pelos portais, eu os mataria. Blossomon, você está autorizado a atacar o grupo que ainda ficou nesta floresta. Quanto ao outro grupo, eu sei mais ou menos para onde foram.

— Sim mestra.

...

Ray ficou em um quarto e Márcia em outro. Eles nunca ficavam no mesmo quarto, pois segundo ela era intimidade até demais dormirem juntos.

A pousada era grande. Com vários quartos de tamanhos médios. Uma vista de frente ao mar era o cartão postal desse estabelecimento. Vários digimons se hospedavam, porém havia quartos preparados para seres humanos também.

Ray aproveitou o começo de noite para se lavar e cuidar de sua higiene. Cada quarto tinha um banheiro com chveiro, banheira e vaso sanitário. O rapaz despiu-se e foi para a banheira. Ele queria um momento de descanso, paz consigo mesmo. Uma banho relaxante era tudo para ele no momento. Não pensou em mais nada.

— Será que eu digo a verdade para ela? Digo de uma vez que eu quase matei a filha dela? Nunca senti tanto medo como estou sentindo agora, mas tenho que reunir toda a coragem possível e impossível pra falar pra ela amanhã — disse consigo mesmo.

Márcia tomou banho cedo e foi se deitar mais cedo. A partir do dia seguinte ela e seu namorado partiriam para outro lugar do digimundo e precisavam estar dispostos. Ela, apesar de deitada, não dormia e pensou no jeito sério que Ray ficou logo depois de voltarem da praia.

...

FLORESTA WIRELESS

Ruan, Rose e Jin foram parar na mesma floresta em que estavam. Tanto eles como os digimons não sabiam para onde foram parar, pois o lugar da floresta era desconhecido.

— Pessoal nós viemos parar na mesma floresta. Isso quer dizer que Lotusmon continua sendo a nossa inimiga — disse Rose já triste por não ter saído de lá.

— Jin, acho que não estamos no mesmo lugar — disse Mushmon.

— Com certeza que não, a floresta está mais densa do que antes e as árvores ficaram mais altas. Pode haver uma trilha aqui por perto — respondeu o japonês.

De fato, a parte de Wireless em que estavam parecia mais uma floresta pré-histórica.

— Eu não acredito que fui injusto com o Paulo — lamentou Ruan — Fui duro e arrogante. Peguei muito pesado com ele.

— Não lamente, não foi a sua culpa. Foi aquele jardim — disse Hagurumon.

— Sim, mas antes de entrar naquele jardim eu já estava tomado pela inveja por ele ser o líder do grupo e ficar dando ordens — disse o espanhol.

Algo se movimentou entre a mata.

— Hahahahaha então os digiescolhidos estão perto do nosso quartel-general? Que coincidência.

— Quem está aí? — perguntou Ruan.

— Sou eu — Blossomon saiu de trás de uma imensa árvore. — Digiescolhidos, durante esses cinco dias, eu nunca tive a oportunidade de lutar contra vocês, porém a minha oportunidade chegou. Vocês serão punidos.

— Nunca conseguirá nos deter — disse o loiro.

— De novo Blossomon! — bradou Rosemary.

— Ele parece ser diferente daquele que derrotei — falou Palmon.

— E de fato é. O poder dele supera os 30 mil — avisou Jin.

— Hagurumon digivolve para... Guardromon. Granada de Destruição! — o golpe atinge o digimau, mas nada acontece.

— Com esses ataques simples não conseguirá me derrotar — o digimau prendeu Guardromon com seus braços e o jogou para longe.

— Guardromon! — bradou Ruan.

— Palmon digivolve para... Togemon. — Toma essa seu valentão — ela partiu pra cima de Blossomon e deu um soco bem na cara dele.

O digimau recebeu o golpe e ficou furioso.

— Droga. Eu não posso perder pra um cacto idiota como esse. Shuriken de Folha — o golpe atinge a digimon de Rose, fazendo-a cair.

— Togemon você está bem? — perguntou a menina.

— Sim. Precisamos derrotar esse digimon — disse a digimon.

— Deixem conosco — disse Jin.

— Mushroomon Megadigivolve para... Pinochimon!

— Hã? Acha que um nanico feito você pode me deter?

— Posso, eu tenho certeza. Toma essa, Marreta! — Pinochimon deu um golpe com sua marreta, jogando Blossomon para bem longe — Hahaha! Adeus, florzinha.

— Haaaa vocês me pagam! — e foi jogado pra bem longe mesmo.

— Precisamos nos esconder dos inimigos antes que eles nos achem — Ruan.

Então eles foram procurar algum esconderijo dentro da floresta, mas não foi fácil achar, já que os domínios de Lotusmon tinha poucas cavernas para se abrigar. Mesmo assim, eles tiveram êxito de encontrar uma caverna, pequena, próxima ao quartel general da lorde das trevas. Eles passaram a noite depois de um longo dia de lutas.


Um terceiro digimon misterioso na forma extrema — um dos que foram ao Vale Ocultado — os observava de perto, sem deixar que sua identidade fosse revelada. Ele era o terceiro e último do trio de digimaus que serviam como generais para o Patamon das Trevas. Ele ficou observando as crianças durante esses cinco dias que se passaram.

— Hehehehe que vontade louca de me intrometer nessa guerra e acabar de vez com os digiescolhidos, mas o mestre MagnaAngemon disse que deixemos os digiescolhidos com os Lordes das Trevas. O mestre MagnaAngemon foi realmente astuto e inteligente quando fez um pacto com aquele ser humano chamado Shadowking Aranha. Com seu poder drenado por Shadowking, conseguiu colocar uma semente das trevas no humano que se dizia ShadowLord e controlá-lo. Como doou praticamente todo o seu poder para essa missão única, ele reduziu a um simples Patamon numa bolha de proteção no mundo das trevas. Com a bolha, ele se protegeu das trevas ao seu redor. Muito inteligente da parte dele. Agora ele busca sua liberdade do mundo das trevas e, para isso, a torre negra precisa ser concluída. Hehehehe cinco anos de maldades e o ShadowLord nunca notou que o verdadeiro mal está no topo do seu prédio. Ali está a causa de todo o mal hehehehehehe.

...

ILHA ARQUIVO

Dias após a partida dos digiescolhidos, a ilha passou por um período curtíssimo de paz. Entretanto, com a chegada dos Lordes das Trevas, a região deixou de ser ensolarada e passou a ficar sempre nublada. Uma parte do Oceano Net ficou com uma coloração barrenta, com aspecto de suja, atrapalhando toda a vida marinha.

ChaosMetalSeadramon era o responsável por espalhar dados de vírus poluentes na água. Ele e o seu exército receberam a missão por parte de Lilithmon para que impedissem o trânsito entre as ilhas e o continente.

— O que vai ser da ilha? O que vai ser dos bebês? Eles não param de chegar. Já são milhares — falou Elecmon para Monzaemon.

— Temos que nos preparar para sairmos daqui.

— Sair, Monzaemon? A Cidade do Princípio é o meu lar. Para onde vou? E os bebês?

O urso pressentia que a Ilha Arquivo já não era mais um lugar seguro.

Nesse ínterim, Leomon e Orgemon voltaram a brigar na montanha central. O ogro não descansava um minuto após retornar do continente.

— Que foi, Leomon? Ficou fraco demais? Se quiser chorar, eu posso te dar um tempinho.

— Eu treinei duro esses dias. Não seja presunçoso, Orgemon.

Os dois usaram os punhos para golpearem entre si. Se separaram ao olharem o céu ficar vermelho.

— O que está acontecendo?

— Não desvie atenção, idiota! — Orgemon socou Leomon.

O ogro foi com tudo para cima do rival caído, mas foi impedido por Dinohumon.

— Precisa de ajuda, Leomon? — perguntou Nashi.

— Não — o homem besta se levantou. — Esse é mais um dia comum entre mim e Orgemon.

O ogro empurrou Dinohumon e avisou que não queria ser incomodado com baboseiras de digiescolhidos. Deu um pulo e adentrou na floresta.

— Orgemon é sempre esquentado.

— Mas o que vocês fazem aqui? Pensei que tinham se juntado aos outros.

Nashi coçou a cabeça e disse que decidiu não ficar junto dos 6 principais. O garoto falou a respeito dos lordes das trevas e de todas as batalhas que os demais travavam.

— Mas você não me respondeu do porquê está aqui...

— Sabe o que é? Um dos lordes controla boa parte do oceano. Ele nos atacou num arquipélago há poucos quilômetros daqui. Então o nosso próximo destino foi aqui.

Leomon cruzou os braços e olhou o horizonte. Perguntou se o motivo do clima estar estranho era influência de um lorde.

— Creio que sim.

— Não vai demorar muito para que o inimigo ataque a Ilha Arquivo. Não que eu esteja culpando você por ter se refugiado aqui, mas é bom estar preparado para lutar.

Leomon já conhecia Nashi há mais tempo do que os novos digiescolhidos.


Orgemon derrubou uma árvore e preparou para fazer lenha para fogueira. O ogro vivia uma vida pacata e sem fortes emoções, exceto quando decidia lutar contra Leomon.

— Esse céu me lembra quando Devimon governava a ilha. Parece que as coisas nunca mudam neste mundo. Quando um canalha sai, outro entra.

...

Amanheceu no digimundo, mas antes que isso acontecesse, Lilithmon se arrumou para o encontro com seu ex-marido. Ela ficou na forma humana e colocou o seu famoso vestido preto com sapatos da mesma cor. Ela queria ficar apresentável quando aparecesse diante do seu ex-amado. Saiu pelo elevador até o subsolo onde pegou a limousine.

O carro saiu da garagem e foi até o destino.

— Ai Ray, eu quero ver a sua cara quando me vir parada na sua frente. Menino mau, escondendo-se de mim esse tempo todo, isso não foi nada legal.

— Mestra, para onde vamos? — perguntou o motorista Vegiemon.

— Praia da pousada de Taomon. É um tanto perto, deve ser uns cinquenta quilômetros ao sul daqui. Pode ir direto e arrancar com esse carro, eu quero chegar o mais cedo possível lá.

— Certo, mestra — ele apertou um botão e o carro avançou rapidamente em alta velocidade.

...

Paulo, Impmon, Lúcia, Lucemon, Mia e Betamon saíram do portal e foram parar numa praia muito distante da floresta. Já era noite e ficar exposto ali era muito perigoso.

— Paulo, o que foi? — indagou Mia.

— Não acha estranho? Parece que voltamos para a Ilha Arquivo.

Mia correu por boa parte da praia e reconheceu que aquela era a praia em que vira Paulo pela primeira vez. Foi ali que o seu parceiro havia evoluído para Betamon depois de vencer alguns Crabmons.

— A comunicação está falha. Não entendo — Paulo tentou de todas as formas se comunicar com Jin.

Lúcia andou poucos metros e viu a água barrenta. O local onde as ondas quebravam estava preto, como se fosse um tipo de fuligem.

— Provavelmente um lorde está causando isso — respondeu Lucemon.

Paulo sentou na areia e tentou raciocinar. Não fazia sentido terem voltado ao ponto de partida da aventura.

— Talvez a Ilha Arquivo esteja ameaçada — comentou a americana.

Betamon sentiu a presença de alguém observando-os. O parceiro de Mia deu um pulo e adentrou na moita. O digimon era um Gizamon.

— Você não era capanga do Picodevimon? — perguntou Betamon já preparando um choque.

Gizamon pediu clemência e que havia saído do Exército Negro desde a morte de SkullMeramon.

— Coitadinho. Ele está com a patinha machucada — Lúcia se aproximou dele e pegou na pata dianteira.

Mia perguntou o motivo daquele ferimento. Gizamon respondeu que o oceano já não era um lugar mais seguro. Que o ChaosMetalSeadramon havia expandido o seu domínio.

— Então estamos sob o domínio dele? Talvez não tenha sido ruim voltarmos à Ilha Arquivo — falou Paulo.

Betamon ficou furioso com o que houve no oceano. Ainda sentia a humilhação que teve por causa do lorde.

— Mas antes de tudo, precisamos de um lugar para ficarmos à noite — disse Mia.

Gizamon avisou que sabia de um lugar para passar a noite. Ele levou as crianças para uma cabana de madeira.

— Isso são pranchas de surfe. Não tinha notado esse lugar — Paulo.

Mia se aproximou das pranchas e ficou analisando. Desde um bom tempo que não praticava. Sua vida havia mudado muito desde que se tornara digiescolhida.

— Mia?

— Como deve estar Emma? Não pude salvá-la até agora.

— Mia?

— Não fomos bons o bastante? Quase uma semana e sequer destruímos Lotusmon. Pelo contrário, nós fugimos.

— MIA!

— Betamon?

— Você tava triste.

A garota se abaixou e fez carinho no seu parceiro. Falou para ele não se preocupar tanto.

— Isso é um depósito. Mas de quem? — questionou Paulo.

O curioso caso da cabana misteriosa onde havia muitas pranchas. As crianças aproveitaram e passaram a noite nela.


Nas profundezas do Oceano Net, ChaosMetalSeadramon arquitetava os seus próximos passos. O vilão flutuava nas águas, parado, apenas dormindo.

Os servos dele eram os Ebidramons. Mas havia um comandante que era o mais forte crustáceo.

— Acharam os digiescolhidos? — perguntou o comandante Gusokumon.

Os Ebidramons negaram.

ChaosMetalSeadramon abriu os olhos e subiu à superficie. Ele havia acabado de receber uma mensagem mental de Lotusmon avisando que uma parte dos digiescolhidos pararam em seus domínios.


Amanheceu. Paulo foi o último a acordar. Levantou e saiu um pouco. Viu todos sentados à beira da praia.

— Vai nessa, Mia! — gritava Betamon.

Os demais assistiam à havaiana surfar. Mesmo naquela água escura, ela arriscou fazer algumas manobras.

Depois do pequeno show da surfista, eles capturaram alguns peixes e fizeram uma fogueira. Se alimentaram bem.

Um Ebidramon surgiu de repente de dentro da água e foi atacar as crianças. Orgemon saiu da floresta e utilizou o seu porrete para dar uma golpeada certeira na cara do digimon crustáceo.

— Quem é você? — perguntou Paulo.

— Eu sempre vou ter uma dívida com aquele humano chamado Jo Kiddo e aquela chamada Mimi Tachikawa. É por isso que eu ajudei dessa vez.

DIGIMON: ORGEMON

ATRIBUTO: VÍRUS

NÍVEL: ADULTO

NPD: 15.000

DESCRIÇÃO: UM DIGIMON OGRO QUE SE ASSEMELHA A UM ONI. TEM UM TEMPERAMENTO EXPLOSIVO E ADORA SEMPRE ESTAR EM BATALHAS

Orgemon explicou que havia sido um inimigo passado dos digiescolhidos, mas que havia mudado para que pudesse manter a paz na Ilha Arquivo.

— Por que não nos ajudou contra DarkMeramon? — Paulo quis saber do ogro.

— Eu poderia não responder, mas o farei. Acontece que eu estava dormindo. E o Leomon ajudou vocês, não?

A água começou a borbulhar. Orgemon falou para eles saírem logo dali e correu para dentro da mata.

— Precisamos ficar longe desses digimaus — Paulo seguiu Orgemon imediatamente.

Impmon e os outros foram atrás.


Na praia, o Ebidramon retornou. Ele estava pronto para caçar os digiescolhidos. Os outros quatro semelhantes surgiram em seguida. Ocorreu a reunião dos Ebidramons.

— Você foi um tolo por ter perdido!

— Exato, um tolo.

— O mestre pode até te destruir.

— Melhor aguardarmos o comandante.

— Calem-se!! Eu não sou subordinado de vocês. Irei atrás dos digiescolhidos eu mesmo.

Um grande redemoinho surgiu. ChaosMetalSeadramon saiu e ficou diante dos seus capangas. O comandante Gusokumon também apareceu.

— Você pode descontar toda essa raiva agora. Ebidramons, chegou o momento de irmos atrás das crianças escolhidas. Não se segurem quando as virem. Entenderam?

— Sim, mestre!

— O mesmo vale para você, Gusokumon. Agora vão! A caça começou.

Os digimaus entraram na Ilha Arquivo.


Leomon, Nashi e Kotemon ajudaram os Koromons a fugirem para um local mais seguro. Monzaemon levou todos os ovos e bebês dentro de uma grande rede de pesca e saiu puxando. Orgemon levou Paulo e os outros para a sua casa numa caverna.

Um raio atingiu o topo da montanha. As nuvens escureceram. Nem parecia mais uma manhã. A influência de ChaosMetalSeadramon era forte demais.

— Os digiescolhidos e os seus digimons estão escondidos nesta ilha. E eu serei conhecido como o lorde que os destruiu primeiro.

A serpente metálica escura voou e passou por toda a extensão da ilha.

Nashi, Leomon e Kotemon se esconderam. Viram a sombra do vilão passar por suas cabeças.

— Aquele é o vilão da vez? — perguntou Orgemon.

— É — Mia respondeu.

Betamon ficou com cara de raiva ao ver o monstro passar por eles.

ChaosMetalSeadramon chegou ao topo da montanha e ficou vendo todo o território da ilha. Seu ponto de vista era muito privilegiado.

— Ainda não posso soltar o meu Rio de Sangue, pois mataria os meus subordinados. Farei quanto eu tiver certeza de que os pestinhas estão aqui.

Enquanto o vilão vigiava de cima, Orgemon ofereceu abrigo aos heróis. Mas avisou que provavelmente aquele local seria revistado por alguém.

— Precisamos descansar um pouco. Impmon pode ficar na forma extrema.

— Mas Paulo... não sabemos o real poder do ChaosMetalSeadramon. Lembra que o Modo Explosivo do Beelzebumon não derrotou Lotusmon? — Mia relembrou uma luta que tiveram nesses cinco dias.

— Nem me lembre. Vencemos KingEtemon e KingChessmon facilmente. Mas os lordes restantes estão em outro patamar.

Eles pararam a conversa subitamente ao ouvirem um barulho no lado de fora da caverna.

...

Ray arrumou-se bem cedo. Estava com uma cara péssima como se não tivesse dormido na noite anterior. Ele com certeza não se sentia nos seus melhores dias, porque ele contaria toda a verdade à sua amada. Assim que saiu do seu quarto, foi até o de Márcia chamá-la para irem embora dali o quanto antes. A moça ainda se arrumava, colocando o velho hidratante no corpo.

— Então eu vou esperar no lado de fora.

— Sim, espere. Daqui a pouco eu vou.

Ele deu um beijo no rosto dela e saiu. Assim que pôs os pés pra fora da pousada, ele deu de cara com Lilithmon, que tinha acabado de chegar. O cara tomou o maior susto de sua vida.

— Olá, Ray, querido. Há quanto tempo não nos vemos? — disse a mulher olhando-o dos pés à cabeça. — O que aconteceu? Sua aparência mudou muito. Seus cabelos cresceram um pouco, veste roupas normais...

— LILITHMON!!!! — o homem levou um susto — C-como me encontrou?

Lilithmon começou a rir da cara de bobo que ele fazia ao vê-la parada na sua frente.

...

MAR DAS TREVAS

— Acorda, pequeno demônio. Como foi o sono depois de anos e anos? — perguntou Shadowking Aranha flutuando dentro do mar das trevas.

— Finalmente consegui me libertar depois do nosso acordo. Pensei que vagaria pelas trevas para a eternidade desde que fui preso por aqueles digiescolhidos.

O Patamon das Trevas começa a abrir os olhos vagarosamente. Seus olhos eram vermelhos em vez de azuis. Ele ascendeu com sua bolha de proteção até chegar a superfície do mar. Saiu, só depois que acordou.

— Finalmente eu consegui voltar depois de cinco anos nesse estado. Ah, é você. Prometeu-me a liberdade definitiva deste lugar. Já fiz a minha parte do acordo. Agora quero que honre a sua parte do acordo — ele ficou sobre o mar continuando na bolha, pois se saísse seria encobrido pelas trevas e viraria um SkullSatamon, mas com a bolha ele estava prestes a virar um MagnaAngemon.

— Claro que eu vou honrar com a minha parte. Não se preocupe, pequeno gafanhoto. Sou um homem de palavra. Quando eu falo, cumpro. A torre negra está prestes a ser usada por completo e a tua liberdade definitiva para fora deste lugar.

O Patamon olhou com um semblante malicioso para o loiro. Seu objetivo máximo era retornar para o digimundo o quanto antes.

— Não se importa de eu usar os seus capachos, não? Precisei de um para invadir uma ilha do digimundo. Eu só passei aqui para vê-lo, pois eu já sabia da hora exata do seu despertar. Mas preciso ir para Firewall e dominar a parte oculta do digimundo.

— E aquele ser humano chamado ShadowLord que você pôs a semente das trevas? O meu poder drenado.

King olhou com desprezo.

— Ele foi derrotado pelos digiescolhidos por ser um humano fraco. Mas agora estamos ganhando tempo com os Lordes das Trevas. Enquanto eles mantêm os pirralhos ocupados, arquiteto meus planos na surdina. Nem eles, nem os Dez Anciãos fazem a mínima ideia do que eu pretendo a longo prazo. Kukuku.

O Patamon das Trevas bocejou e voltou a dormir dentro da bolha. Ficou farto de escutar Shadowking Aranha. Mas era notável que os dois fizeram um grande acordo no passado e agora o acordo estava para ser concluído.

O Shadowking Aranha, o dono absoluto do Exército Negro, era uma incógnita. Não era conhecido pelos digiescolhidos, nem Weiz, nem Lordes e também Gennai. Nada. Conseguia se infiltrar nos dois mundos livremente e aparentemente era extremamente poderoso. Mas apenas duas pessoas sabiam sobre ele: Mimi Tachikawa, porque se encontrara com ela em Miami usando o seu nome verdadeiro, Adrien King; e Ray Kyoto, porque foi ele o responsável de mudar a personalidade do rapaz. Adrien era como um professor para Ray, mas o Kyoto mais velho servira apenas de fantoche para as ambições do psicopata dono da Aranha.

...

Um Ebidramon apareceu diante do Monzaemon e Elecmon e ameaçou eliminar todos os bebês se não falassem sobre o paradeiro dos humanos. O urso, porém, não sabia e nem falaria se soubesse.

— Então eu vou ter satisfação em parti-los ao meio con a minha pinça — Ebidramon ameaçou. O fato do seu braço direito ter uma pinça igual à boca de um Kuwagamon era que deixava as coisas mais intimidadoras.

O vilão ameaçou atacar a dupla, porém foi impedido por Leomon e Dinohumon.

— Escondam-se — falou Nashi para os digimons.

O fato era que nem Monzaemon seria capaz de lutar contra o capanga do lorde, pois seu poder era baixíssimo.

Ebidramon avançou na direção dos dois e utilizou as pinças para atacar. Primeiro atacou Leomon, que se defendeu com a espada, e depois deu uma rabada em Dinohumon.

— Mais uma evolução, Dinohumon — Nashi segurou o Brasão do Conhecimento.

— Dinohumon superdigivolve para... Knightmon!

O cavaleiro utilizou o escudo para impedir que Ebidramon atacasse com as pinças. Depois, com a lâmina da espada deitada, acertou a cabeça do digimon lagosta como um martelo. O capanga ficou com os olhos espiralados. Knightmon segurou o crustáceo pela cauda, girou e soltou.

— Ele virou estrela — disse Nashi ao olhar para o céu.

— Melhor encontrarmos um local melhor — Leomon.

Os digiescolhidos retornaram para a Ilha Arquivo. E uma nova crise surgiu com a chegada do lorde e seu exército.

Notas finais
O que acontecerá com os digiescolhidos agora que estão separados? Uma nova ameaça surge com ChaosMetalSeadramon por perto. E Lilithmon, o que quer com Ray? Até a próxima.