Digimon Adventure 03 - O Brasão Lendário
17 Capítulo 16 - As Duas Forças do Amor
Notas iniciais
Bem, primeiro, dessa vez não vou me desculpar tanto assim pela demora. Descobri que estava vendo essa fic como uma obrigação que deveria cumprir. Porém descobri que, na verdade, não é isso. Essa fic é tanto um hobbie quando uma espécie de "terapia" para mim. Quando a escrevo, sinto-me muito bem... Relembro de tempos que gostaria que voltassem.
Pedirei desculpas apenas uma vez: Desculpa. Demorei pra caramba, né? Pois bem, acontececeram, bem aqui, no mundo real - infinitamente longe dos Digiescolhidos e suas aventuras (que pena) - uma série de problemas pessoais que não me deixaram postar... :(
Mas, enfim, vou colocar vocês á par dos acontecimentos da fic:
A primeira parte desse capítulo se passsa durante os capítulos em que o grupo de Tai - lembram que eles se dividiram em dois grupos? - estava enfrentando Devimon e suas sombras do mal. Lembram que, alguns capítulos atrás, o grupo da Sora e dos outros encontrou o Brasão do Amor nas pedras de gelo? (Melhor relerem). Então, a primeira parte desse capítulo é a partir disso. Não se surpreendam com o fato de não ter muita ação aqui. Devido aos outros acontecimentos da fic, eu precisei fazer um capítulo paradão para equilibrar as coisas. Sério, aconselho-os a ler novamente para ter o ritmo com vocês na hora de ler!
Esse capítulo teve os propósitos de: Mostrar mais algumas coisas sobre como os Brasões serão dados aos novatos e aos veteranos; Centralizar na recuperação do Brasão do Amor; Centrar no grupo que eu deixara anteriormente de lado e no "sumiço temporário" de dois personagens, pois pretendo inserir diálogos bem legais a partir disso.
Foi, basicamente, a introdução para coisas mais emocionantes ao decorrer da histórias, mas é um capítulo importante, mesmo que seja sem ação.
Por fim, gostaria de agradecer à Pink Love, que deixou aqui gentilmente uma recomendação e comentários lindos! Obrigada! Assim retomei novamente o ânimo para escrever!
Aproveitem!
Um tempo antes do capítulo anterior:
Digimundo:
Sora Takenouchi sentia-se impotente.
– Ok, será que alguém tem a menor ideia do que fazer agora? — Mimi gemeu, cansada, enquanto, em um mundo paralelo ao Digital, ocorria a voraz batalha dos outros Digiescolhidos contra as Sombras de Devimon e seu terrível mestre.
Os outros adolescentes e os seus Digimons não se deram o trabalho de responder. O sol brilhava de um jeito leve, porém era o mínimo de calor que eles podiam ter em meio a toda aquela neve no Mundo Digital.
O frio parecia aumentar cada vez mais, como se, aos poucos, o calor do sol estivesse congelando também, e sendo substituído por uma realidade gélida e sem vida, que se alastrava rapidamente, consumindo os dados.
Sora, Matt, Cody, Mimi, Joe, Yolei e seus Digimons tinham formado um círculo em torno das pedras de gelo, ao lado da caverna escura. Eles haviam perdido a noção do tempo, pois todos entraram em um transe perplexo, principalmente os escolhidos ali presentes que pertenciam à primeira geração, que ficaram muito tempo sem ver a imagem de um Brasão na frente deles.
Todos estavam espantados, encarando a placa entalhada no gelo. O coração peculiar que era o símbolo da virtude pertencente à Sora Takenouchi, sempre fora muito poderoso...
...agora o Brasão estava quase morto, consumido pelas Trevas de Devimon.
Enquanto Sora e os outros Digiescolhidos da primeira aventura estavam vivendo suas vidas normais no mundo real, os Brasões foram perdendo sua força, ficando cada vez mais fracos, enquanto eles mesmos começavam a esquecer as características que os tornaram os salvadores dos mundos...Mais de uma vez.
O Brasão do amor estava bem debilitado, opaco e gelado, parecendo realmente estar congelado no esquecimento e na dor causadas pela Escuridão, que o aprisionara ali, com o intuito de moldar o Digimundo e transformá-lo em Mundo das Trevas.
A força da Escuridão mais uma vez ameaçava os mundos, porém dessa vez o poder deles estava literalmente sendo aniquilado pelo inimigo, sem a menor piedade.
Sora apenas conseguia encarar, tremendo, sua maior virtude desaparecendo da existência...
Para toda a eternidade.
–Droga! — Cody berrou de repente, assustando todos e os despertando do transe. O menino apertava os punhos.
–Cody — disse Armadillomon suavemente — Qual o problema?
–D-desculpe. — ele gaguejou, vermelho, e Joe colocou de forma reconfortante a mão no ombro do menino mais novo que havia herdado seus brasões e tinha um grande senso de justiça. — Eu não consigo aguentar... — Suspirou — Como alguém pode ter tanta maldade dentro de si, e fazer isso com o Brasão da Sora?
–Existe mais maldade do que você imagina, Cody. — Matt murmurou secamente, e Gabumon suspirou.
–Isso é imperdoável! -o mais novo exclamou, irritado, deixando a maioria surpreso. Armadillomon deu um leve sorriso triste.
–É tudo minha culpa. -A voz de Sora falhou bastante, a ruiva era de fato a mais abalada. Pyomon olhou a parceira, preocupada.
–O que você está dizendo, Sora? — A voz doce de Mimi não conseguiu confortá-la. — É claro que não é.
–É, sim! — Sora arfou, irritada e em desespero. — Olhem como meu Brasão está... Ele está tão fraco, quase morto, e a culpa é minha.
–Sora, você não tem culpa do seu Brasão ter enfraquecido enquanto estávamos no mundo real. Foi inevitável. — Disse Matt, movendo seus braços para abraçar a namorada.
–Inevitável? — Sora repetiu, transtornada com as palavras do loiro, não deixando ele abraçá-la. — O que você quis dizer com isso?
–E-eu não quis... -Matt ficou confuso.
–Ele não disse isso por mal. — Yolei manifestou-se. — Só que você não tinha como impedir...
–Eu tinha. — a ruiva disse gravemente. — Não percebem o que está acontecendo?! Estamos perdendo aos poucos nossas características!
–C-como assim? -Perguntou Gomamon, confuso. — O Joe está perdendo a confiança dele?
–Não apenas ele. -Sora suspirou. — Todos nós estamos.
–O que você quer dizer com isso, Sora? — Mimi perguntou, franzindo a testa.
–Por que vocês acham que as Trevas conseguiram dominar o Digimundo tão facilmente como Gennai falou? E qual vocês acham que é o motivo do meu Brasão ter sido infectado pela Escuridão assim?
–As Trevas aumentaram... — Cody tentou raciocinar.
–Não apenas isso. -Joe começou a compreender, interrompendo-o. — O Mundo Digital está fraco porque nossas características estão sumindo dos nossos corações.
–Isso é possível? -Palmon olhou para Mimi, assustada, que deu de ombros.
–Talvez. — Foi Matt quem respondeu, e Gabumon franziu a testa. — E é por isso que precisamos libertar seu Brasão, Sora. Não só o seu, o de todos nós. Só assim vamos enfrentar nossos maiores medos e recuperar todo o poder das nossas virtudes.
Simultaneamente, todos olharam para o coração aprisionado no gelo.
–Ele parece tão fraco... – Suspirou Mimi, chutando um pouco de neve. Palmon olhou de forma significativa para aparceira. Ela se recompôs logo em seguida, estava tentando ser forte por causa de Sora. — Mas conseguiremos!
Yolei permanecia calada ao lado de Hawkmon, muito pensativa.
Sora fez seu caminho pela neve junto com Pyomon, aproximando-se com cuidado de seu Brasão. Encostou seus dedos na camada fria de gelo, franzindo a testa para a placa congelada.
–Eu...Não sinto nada.- Ela disse lentamente. — Eu não sei como fazer isso... E-eu não sei como libertá-lo...
–Nem eu. — Disse Pyomon.
Sora, irritada, bateu furiosamente na pedra de gelo.
–Eu não consigo nem ao menos libertar meu próprio brasão! — Ela grunhiu. Todos se entreolharam, preocupados com a amiga.
–Como você não sabe libertá-lo? — Cody perguntou curiosamente, como sempre. — É o seu Brasão, Sora.
–Eu simplesmente não sei... — Sora suspirou, frustrada. Ela olhou para o Digivice, que estava com sua tela completamente negra, como se refletisse as Trevas que corrompiam a virtude dela. Uma lágrima lentamente desceu pela sua bochecha, fazendo Mimi e Matt simultaneamente dar um passo na direção da ruiva.
–Sora... ?- Joe murmurou, confuso. Sora sempre foi uma das pessoas mais fortes que ele tinha conhecido, e era raro ela demonstrar qualquer tipo de fraqueza.
–Meu Brasão sempre teve dificuldade em brilhar... — Ela murmurou, sentando-se lentamente na neve.
–Hum? — Armadillomon piscou, confuso. Os mais velhos sabiam ao que ela se referia com perfeição.
–Eu não o encontrei de verdade. Nanomon estava com ele, e quase me matou para consegui-lo. — Sora disse, com o olhar completamente perdido no passado, na época de suas primeiras aventuras do Mundo Digital. — Ele foi um dos últimos à brilhar... Eu acreditava que não sabia o que era o amor, que não sabia o que ele significava e que nem mesmo minha mãe me amava.
–Mas você sabia o que o amor significava. — Disse Mimi, tentando reconfortar a melhor amiga.
Matt tinha uma expressão angustiada no rosto.
“Talvez, se Tai estivesse aqui, ele saberia o que dizer... Ele sempre entendeu Sora muito melhor do que eu...” Pensou com tristeza.
–Não... — Disse Sora, baixinho, enterrando o rosto nos joelhos. Pyomon colocou uma asa no braço dela suavemente. — Eu aprendi neste mundo, Mimi. Mas, agora, eu acho que todo o amor que eu tinha... Está sumindo. — Ela engasgou.
A ruiva levantou a cabeça por um segundo antes de enterrá-la novamente, e, no pequeno tempo em que sua cabeça estava erguida, os Digiescolhidos viram que seus olhos geralmente tom de caramelo estavam pretos, sombriamente escurecidos na íris. Joe e Matt lembraram-se da vez em que eles estavam numa caverna inteiramente de Trevas, e Sora entrou em um transe profundo.
Todos a olharam, perplexos, sem conseguir dizer nada.
–Ah, faça-me o favor, Sora! — Yolei exclamou de repente, muito irritada, assustando a todos. Sora levantou a cabeça, sobressaltada. — Pare de dizer besteiras!
–Y-yolei...? — Cody piscou, estarrecido.
–Eu não sei por que está tão difícil libertá-lo, seu Brasão está muito bem trancado mesmo. – Yolei ponderou, olhando-a diretamente nos olhos, de forma obstinada. – Mas você não pode pensar desse jeito! Nunca! Você é uma das veteranas, Sora, uma das pessoas que eu realmente mais admiro aqui... – Sora deu um pequeno sorriso– Não pode pensar assim. Seu Brasão pode ter ficado adormecido e trancado pelas Trevas enquanto estávamos no Mundo Real, mas ele não morreu e nem nunca morrerá!
Sora pareceu meio surpresa com o discurso, e sorriu. Yolei ficou mais aliviada quando o olhar de Sora retomou um pouco de seu brilho natural.
–Mas, Yolei, depois que todos nós estivermos com nossas placas, Ophanimon disse que vamos ter que enfrentar nossos maiores medos para vencermos as Trevas! Eu acho que sei qual será o meu desafio. Não sei se estou preparada para isso...
–Acho que ninguém está. – Disse ela seriamente, e todos os outros concordaram com a cabeça.
–Aposto que Joe não está. — Gomamon implicou, sorrindo e ganhando um olhar fulminante do menino de óculos.
– Mas nós somos os Digiescolhidos, não somos? Vamos conseguir enfrentar e derrotar nossos medos. – Ela franziu a testa. – Anos atrás, eu duvidava muito disso, no início. Muito mesmo. Mas alguém me disse que, um dia, eu agradeceria muito por ter conhecido um Digimon.
Sora sorriu, lembrando que ela falou isso no dia em que Yolei foi ao Digimundo pela primeira vez.
Muita coisa havia mudado desde então.
–Sim... Eu realmente estava falando sério.
–Vamos recuperar o poder dos nossos Brasões e destruir o inimigo! – Yolei sorriu, parecendo estar muito animada. As lentes de seus óculos brilharam, e Hawkmon parecia contente também. – E, para isso, vamos precisar do seu Amor!
–Você está errada. –Sora se levantou, deixando Yolei e os demais novamente confusos.
–E-estou...?
–Nós vamos precisar do nosso amor. – Sora sorriu. – De todo o amor que há nos nossos corações. Yolei, você realmente é a herdeira do Brasão do Amor. Há muito dele em seu coração. E, graças a isso, eu tenho uma ideia!
–Uma ideia? — Cody pareceu bem interessado e curioso. — Digo, precisamos libertá-lo o mais rápido possível, e encontrar TK e os outros!
–Tem razão. -Concordou Matt, um tanto preocupado com o irmão mais novo. Mesmo sabendo que TK conseguia se cuidar sozinho, não podia evitar.
–Eles devem estar bem.- Disse Gabumon calmamente.
–Como você fará isso, Sora? — Mimi perguntou.
–Eu não farei. — A ruiva declarou. Diante dos rostos dos amigos, ela esclareceu.- Yolei me ajudará. Lembram do que Andromon e Kentarumon disseram? Os novatos ganharão o Brasão correspondente ao Digiovo que possuem.
–Nesse caso... – Disse Yolei, compreendendo. Então ela deu um berro, assustando Hawkmon. –BINGO!!! O Brasão do Amor é meu também!
–Não grita desse jeito, Yolei! — Exclamou Hawkmon, assustado.
–Isso mesmo. – Disse a ruiva calmamente, ignorando o pedido do Digimon. – Vamos?
A menina de cabelos roxos assentiu, e as duas postaram-se diante da pedra de gelo, com expressões extremamente decididas em seus rostos meio pálidos por causa do frio. Hawkmon e Pyomon entreolharam-se, enquanto os outros se afastaram, apenas por precaução.
Elas simultaneamente colocaram a mão sobre o coração, fechando suavemente os olhos, respirando fundo. O Digivice das duas começou a emitir um brilho vermelho, mais intenso do que o que o Digivice da Sora emanava um tempo atrás...
Agora as duas forças do Amor estavam juntas, atuando como uma só.
Imagens de todas as pessoas que as duas amavam apareceram em suas mentes e elas sorriram. Pyomon e Hawkmon sentiram-se cada vez mais fortes. O amor cresceu cada vez mais no coração das duas. O sentimento ficou tão forte que o brilho dos Digivices fez um rastro vermelho no ar, como um raio, na direção da pedra de gelo. Esta se rachou em pedacinhos minúsculos e cristalinos que se espalharam pela neve, ficando invisíveis.
Entre dos cacos de gelo, estava uma espécie de placa retangular.Mas dessa vez não parecia sem vida, pelo contrário, brilhavam como nunca, como se a força de todos os corações juntos estivesse dentro dela.
O Brasão do Amor fora despertado.
O poder dele ainda não tinha sido completamente restaurado, para isso os Digiescolhidos teriam que enfrentar seus maiores medos. Mas parte do seu poder estava recuperada.
A placa flutuou calmamente até Sora, enfiando-se com facilidade em seu colar. Houve um minuto de silêncio, eles permaneceram meio atordoados. De repente, o colar de Sora transferiu um raio de luz vermelha em forma de retângulo ao colar de Yolei, que começou a oscilar, e, no lugar correto, apareceu uma placa idêntica à de Sora.
Mas pela metade.
–Mas, o quê...? – Matt piscou, quebrando o silêncio.
–Por que não está inteira? – Mimi perguntou, confusa.
–E-eu não sei. – Yolei franziu a testa, encarando o coração peculiar pela metade em seu colar. Hawkmon a olhou preocupado. – Era pra isso ter acontecido? E a outra metade do Brasão?
–Será que algo deu errado?
–Não, Hawkmon. – Disse Joe, sério. O estudante de medicina parecia também calmo.
–O que foi, Joe? –Cody perguntou. – No que você está pensando?
–Vejam bem, Kentarumon e Andromon disseram que os novatos teriam seus Brasões respectivos aos Brasões dos Digiovos. – Ele lembrou. – Está pela metade por que aí entrará metade do Brasão da Sinceridade.
–Faz sentido. – Matt concordou, assentindo. Ele olhou pra Sora, que parecia mais radiante, e sorriu. Ela devolveu o sorriso por um momento, mas desviou um pouco o olhar em seguida, e Matt franziu a testa.
“Por que será que a Sora está agindo estranho comigo ultimamente...?”
–Ainda bem que conseguimos. – Joe sorriu, aliviado. – Ou melhor, vocês conseguiram!
–Foi excelente. – Cody concordou.
–Que ótimo! – Mimi sorriu de orelha a orelha, praticamente pulando. – Estou louca para despertar meu... Digo, nosso – ela olhou para uma sorridente Yolei – Brasão, onde quer que ele esteja! – Ela aplaudiu um pouco. – E sem contar que o seu colar vai ficar muito legal, metade amor e metade sinceridade! Quanto estilo!
Uma gota em estilo mangá surgiu na cabeça de todos.
–Mimi, você não muda nunca, né? – Palmon perguntou, e todos riram alegremente, enquanto a garota fazia uma cara meio indignada, porém divertida.
Eles permaneceram rindo por um momento, esquecendo o estresse que fora cruelmente jogado em seus ombros, o estresse de salvar o mundo. Eles continuaram rindo, aproveitando que eles poderiam ter um pouco de paz, pelo menos por uns poucos minutos.
Ah, e que poucos minutos seriam aqueles de paz...
Gomamon soltou um grito de repente, e todos olharam perplexos para ele. O Digimon encarava algo no ar, que inicialmente nenhum deles percebeu, mas aos poucos ficou claro: Uma fenda dimensional, que se abria lenta e silenciosamente. Mais claramente, um portal. Aumentou de forma brusca, e o ar oscilou. Um imenso vórtex negro surgiu flutuando, e todos deram um passo longo para trás.
Era um portal que se abrira do Mundo das Trevas.
Antes que qualquer um pudesse raciocinar mais alguma coisa, o portal praticamente cuspiu várias formas distintas, que aterrissaram com um baque surdo na neve.
–TAI! – Matt e Sora arregalaram os olhos ao mesmo tempo, ao reconhecer o amigo de joelhos na neve. Eles fizeram menção de ir até ele e os outros, mas pararam de repente. Ao lado de Tai, estavam Koromon, Davis, DemiVeemon, Ken, Minomom, Izzy, Motimon, Willis, Gummymon e Kokomon. Tai segurava firmemente um chapéu branco de pescador.
O chapéu de TK.
Um pouquinho mais longe, estavam Kari, Salamon e mais três formas, dentre elas três pareciam translúcidas. Três fantasmas.
Eles ficaram boquiabertos em reconhecer Wizardmon, Leomon e Picklemon, seus velhos — e mortos — amigos.
Eles tinham voltado do Oceano Escuro.
Matt engasgou de forma apavorada quando percebeu algo:
TK não estava com eles.
– O que aconteceu com o meu irmão?
***
Takeru Takaishi grunhiu, despertando do que pareceu um sono profundo. A cabeça do loiro latejava, e seus punhos estavam cerrados fortemente. Abriu lentamente os olhos azuis, que ainda refletiam a fúria por ter visto Devimon matando Gennai.
–Patamon... — Ele chamou debilmente perante à escuridão. Então outro rosto veio à sua mente com urgência. — Kari... Kari...?
A falta de resposta o deu alívio. Se ela não estava ali, com ele, era provável que estivesse segura com Tai e os outros, onde quer que eles estivessem.
“Onde eu estou...?”
Gemendo, ficou consciente de estar acorrentado com algemas negras à uma parede de mesma cor. TK tinha vários arranhões em seu rosto e por todo o corpo, manchando sua pele branca de vermelho. Mesmo nessas condições, grande parte de seus pensamentos concentrava-se em desejar que Kari estivesse bem depois de tudo aquilo. Ele morreria se descobrisse que Devimon conseguira machucá-la.
Olhou para seu corpo: Suas roupas estavam rasgadas em algumas partes, e o adolescente parecia um tanto fraco, mas havia algo que lutava bravamente para continuar em seu coração: Esperança.
–Droga. — Ele arfou, tenso. Mesmo estando escuro, sabia perfeitamente onde estava.
Ele era um prisioneiro no castelo de Devimon.
Um barulho estranho ecoou em sua pequena prisão, o de patas pisando no chão negro lustroso. Estreitou os olhos para as trevas, perguntando-se onde estava Patamon e se ele estava bem, desejando que ele estivesse ali para ajudá-lo.
–Quem está aí? — TK manteve sua voz firme.
Uma forma movimentou-se apressadamente no breu. TK conteu um suspiro de alívio ao perceber que a forma era pequena demais para ser Devimon. Ficou rígido por um segundo interminável. Tomou um susto quando a forma chegou mais perto, revelando um velho amigo que ele achou estar morto.
–Elecmon?!
***
–GENNAI MORREU? — Mimi berrou, com lágrimas escorredo loucamente por suas bochechas. Palmon estava quase começando a chorar também, e o resto estava com os olhos brilhando, tristes.
–Calma, Digiescolhida da Sinceridade, pi! — Disse Picklemon em seu colo.
–Sim. — Ken deu um sussurro baixinho ao lado de Yolei, que estava triste, assim como os demais. O digiescolhido da Bondade recuperara sua placa, mas não se sentia melhor em nada: Um de seus grandes amigos ficara preso no Mundo das Trevas e um morrera para jamais voltar.
Os doze Digiescolhidos, agora finalmente reunidos, sentados em círculo na neve, estavam em um silêncio profundo. Mesmo Willis, que mal conhecia Gennai, sentia-se irritado e com um grande pesar no coração. Os Digimons pareciam deprimidos, fitando a superfície branca e gelada que nem parecia os incomodar mais.
Matt estava furioso.
–Eu não acredito nisso! — O loiro berrou, com uma expressão assassina. — Eu não acredito que aquele morcego estúpido voltou e pegou o meu irmão! Droga! — Seus olhos azuis estavam brilhando de ódio, seus punhos cerrados ao máximo. Tai estava com os dentes trincados de irritação.
–Eu sinto muito Matt. — Ele disse gravemente.
–Por quê? — Sora perguntou, já que Matt parecia não querer falar com Tai desde que eles chegaram.
–Eu não pude fazer nada para impedir. — Disse Tai miseravelmente. — Sinto muito, amigo. — Matt não o olhou.
–Ei, a culpa também não foi sua! — Disse Davis, sério. Anos atrás ele poderia jogar a culpa em TK por não ter os seguido para o portal, mas não faria isso. Tinha amadurecido o suficiente. — Acho que a culpa não foi de ninguém, apenas daquele morcego imbecil!
–Verdade. — Leomon disse, calmo. Quando ele e os outros fantasmas apareceram, Joe e os outros mal acreditaram. Tai e o grupo que foi para o Mundo das Trevas contara tudo a eles, assim como eles também contaram o que aconteceu. Agora que todos estavam à par de todos os acontecimentos, precisavam discutir o que fazer. — Devimon sempre falava do Digiescolhido da Esperança, ele realmente deseja destruí-lo. Precisamos salvá-lo de imediato.
–Isso, se ele estiver vivo. — Disse Wizardmon calmamente, quase como não se importasse, fazendo todos o olharem exasperados. — O que foi?- Perguntou inocentemente. Picklemon suspirou.
Kari deixou escapar um soluço repleto de sofrimento.
–Tenho certeza de que ele está vivo. — Disse Salamon suavemente para Kari, mandando um olhar fulminante ao Wizardmon. Não era como se o mago não se importasse, mas não estava acostumado à trabalhar em uma equipe.
Izzy mexia loucamente em seu laptop, também lutando com a tristeza. Tentomon o observava.
–Precisamos ir agora resgatá-lo! E Patamon também! — Exclamou Cody de repente, agitado. Armadillomon concordou.
–Os Digimons estão fracos depois de lutarem contra Devimon.- Observou Willis, segurando seus dois parceiros na forma de treinamento.
–Então, você quer deixar meu irmão lá? — Matt praticamente rosnou para o americano. — Você quer deixar o TK no Mundo das Trevas?!
–N-não, eu não disse isso! — Willis disse rapidamente ao menino mais velho.
–Calma, Matt. — Sora falou, firme. Willis apenas encarava Matt, perplexo.
O loiro desviou o olhar. Em seguida, encarou Tai de forma furiosa.
–Você me decepcionou, Taichi. — Disse friamente. — Você não devia ter o deixado para trás!
Tai suspirou. Ele se sentia péssimo por ter falhado com o amigo desse jeito. Péssimo por ter assistido Gennai morrer e não poder impedir. Péssimo por ter falhado como líder. Péssimo por ver sua irmã sofrer assim por causa de TK. Péssimo por tê-lo deixado à mercê do velho inimigo.
–Eu sinto muito...
Matt levantou-se bruscamente, ainda muito irritado, e em seguida se dirigiu à floresta. Gabumon o seguiu, correndo, gritando alucinadamente o nome no parceiro.
–Matt! — Joe arregalou os olhos negros por trás das lentes. — Volte aqui! É muito perigoso ir agora à floresta!
Mas ele já havia ido.
–Melhor o seguirmos. -Sugeriu Yolei. — Nervoso assim irá se meter em problemas.
–Ele parece querer ficar sozinho. — Disse Ken suavemente. Nesse momento percebeu estar com o braço em torno de Yolei, pois a consolara sobre a morte de Gennai. Rapidamente tirou seu braço, corando, assim como ela.
“Eu não sabia que o Matt se preocupava tanto com o TK assim..” Pensou Davis.
Sora franziu a testa. Em seguida olhou para Tai, indo a sua direção.
–Não se culpe por nada. — Abraçou-o, meio sem jeito. Os dois permaneceram assim por um breve momento, um tanto corados.
–Precisamos bolar um plano para resgatar o TK! — Disse Cody, preocupado com o parceiro de DNA. -Temos que ir ao Mundo das Trevas!
–Receio que não seja possível. — Izzy falou de repente, desgrudando os olhos da tela do laptop.
–Como assim? — Mimi e Willis perguntaram ao mesmo tempo. Joe e Cody encararam o amigo, curiosos.
–Eu venho tentando abrir o portal desde que chegamos aqui. — Disse o ruivo. — Parece que Gennai o trancou por completo!
–Nós... Não temos como salvá-lo? — Os ombros de Cody caíram em decepção. Todos ficaram em silêncio por um segundo, assimilando a notícia.
“Preciso investigar e descobrir o porquê de Gennai ter fechados os portais...” Pensou Izzy.
–Droga! – Tai explodiu. O líder mais velho parecia querer socar algo, e Davis também. Mesmo com sua rivalidade com TK, ele era um de seus melhores amigos. — Eu não acredito que não tem jeito de ir para o Oceano Escuro!
–Gente! — Yolei berrou de repente, assustando todos.
–O quê? — Ken ficou alarmado. — Qual o problema?
–A Kari! — A menina de cabelos roxos gritou. — Ela sumiu!
–O quê? — Tai arregalou os olhos. Ele virou-se bruscamente para onde a irmã estava sentada minutos antes.
Não havia ninguém.
–Kari?! — Davis chamou, confuso. Tai estava assustado. Ele se evolveu tanto na conversa com Matt e os outros que nem reparara quando a irmã sumiu... De novo!
–Onde ela pode ter...?- Joe foi interrompido:
–Quietos! — Ordenou Salamon, ao lado de Wizardmon. Os dois velhos amigos conversavam. — Eu sei para onde ela foi!
–Pra onde? — Tai exigiu.
–Ela foi atrás do Matt na floresta. Ela quer falar algo com ele sobre o TK. — Salamon esclareceu, calma. — Eu não fui com ela porque ela pediu para eu ficar, e eu respeitei. Não devem estar longe, não se preocupem.
–Como não? — Tai perguntou. — E se acontecer alguma coisa com a minha irmã?
Quando Mimi e Sora iam gritar com ele para se acalmar, ele se dirigiu à floresta — seguido por Agumon-, mas um enorme estrondo interrompeu-o em sua ação, fazendo-o cair no chão.
Uma explosão.
Em apenas um segundo, o incêndio começou, uma parede de fogo irrompeu no ar e a parte da floresta onde Matt, Gabumon e Kari estavam ficou em chamas.
Notas finais
Temo bastante que eu não tenha dividido bem os acontecimentos e que isso tenha prejudicado a leitura da fic... Por exemplo, o fato de ter ficado muito parado... Eu pretendia fazer diferente, deixar mais curto, mas por um ato de compensação à vocês e por incapacidade minha de mudar, pois eu gostei mais assim, ficou desse jeito. Sinto se esse capítulo não ficou tão bom quanto o anterior, acho que pelo fato de eu estar há tempos sem tocar nessa história - o que me deuxou insegura e com muito medo. Muito medo mesmo...
Mas, partindo do propósito que escrevi isso por prazer, ficou ótimo! >.<
~Então, alguma ideia do porquê dos Brasões serem libertados de formas diferentes, demorando mais ou menos tempo? O que será que isso tem a ver com as virtudes das crianças? Onde está Ophanimon? E Devimon? Matt e Kari ficarão bem? O que ela queria falar com Matt? Izzy poderá descobrir sobre os mistérios que andam rondando os Brasões? ~Perguntas e mais perguntas que ainda serão respondidas! :D
Bem, é isso... Eu gostei de como ficou, mas estão apreensiva por ter ficado tanto tempo sem escrever, não sei mais o que esperar, sabem? Nossa, que medo.
Ah, e não se preocupem, esse não foi nem de longe o capítulo final, pois eu fiz uma promessa de fazer esta fic até o fim!!!! Prometo tentar me dedicar mais!! Farei um bom capítulo para seguir este, e mais outro, e mais outro... :)
PS: Há reviews que eu ainda não respondi em ambas das minhas histórias, vou fazer isso amanhã. Sem contar com o fato de que preciso dar uma "olhada" pelo site para ver como as oturas fics andam... Tudo ao seu tempo! :)
Abraços!
Bia Star Fiction.
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