Digimon Adventure 03 - O Brasão Lendário

11 Capítulo 10 - Um Fastasma Faz Contato.


Notas iniciais
Olá!
Faz um tempinho que não posto, pois estive MUITO ocupada.
Mas nuuunca que eu ia esquecer minha fic!
Enfim, eu escrevia um pouquinho á cada dia, melhorando certas coisas.
Eu acho que ficou bom.
Aproveitem!

Tailmon avançava entre as árvores, aturando a umidade densa da floresta em que se encontrava, com um único e preciso objetivo: Matar.

Era noite, por tanto estava escuro, porém uma lua imensa iluminava tudo de forma quase reconfortante.

Eles precisavam voltar para o Oceano Escuro logo, e ajudar o seu Soberano. O Mestre já esperara tempo demais. Mesmo que ainda sobrassem Digiescolhidos, matar apenas um já seria lucro. Mesmo com apenas um faltando, a vitória já seria das Trevas, sendo que eles só podiam vencer estando todos juntos.

O Mestre parecia bastante interessado em matar uma das crianças em particular. Qual seria o nome dele? Ou dela? Isso não importava. Nada importava. Só correr. E matar em seguida. Simples assim.

Suas patas moviam-se em grande velocidade, ao lado de Gabumon, que tinha uma expressão assassina no rosto. Em seu outro lado havia um Hawkmon furioso e maquiavélico. Assim como todos os outros, antes criaturas tão pacíficas. Antes de um sentimento perturbador invadir cada pedacinho do coração de cada um. O ódio.

Uma de suas luvas enganchou-se numa trepadeira, os outros seguiram sem ela. Com um grunhido frustrado, ela parou, soltando a luva. Por coincidência, a luva que saiu era justamete a que escondia a cicatriz aterradora. Ela ficou por um único segundo com seus olhos fixados na marca vermelha em forma de X, com uma parte de sua mente confusa, como se estivesse esquecendo-se de algo, ou estivesse fazendo algo de errado. Algo que ela já tinha feito antes.

A Digmon gata deu de ombros e recolocou seu acessório de modo brusco, aquela cicatriz lhe trazia lembranças enevoadas, mas mesmo assim medonhas. Antes que pudesse pensar em correr novamente, um ruído ritmado, constante e suave na forma de seu nome fez Tailmon ficar em posição de ataque, suas garras preparadas, olhos estreitados e dentes expostos, á procura da fonte do ruído.

“Um ruído, não.” Pensou. “Pareciamais uma...” Ela não teve tempo de completar seu raciocínio.

“Uma voz?”

“Isso mesmo.” Ela pensou estupidamente, antes de arregalar os olhos, dando um pulo de surpresa.

–Quem está aí? – ela pergunta em voz alta. Nenhum som, quem falara estava em sua mente, mas era real. Tailmon podia jurar que a voz deu uma risadinha sarcástica, que ecoou em sua mente, fazendo o seu pelo branco se arrepiar. Aquela voz era familiar, e seu dono parecia estar sorrindo. – Quem está aí? – ela repetiu, arfando.

“Um velho amigo.”

***


–Patamon! – A voz cortante de Agumon chamou o pequeno hamster voador. Todos pararam abruptamente de correr quando o dinossauro se pronunciou.

O terreno úmido e repleto de folhas grossas, pedras e ramos e trepadeiras presentes num embrulhamento no chão, de forma que é como se as plantas estivessem esperando o momento se enroscar em seu pé, não era assim o mesmo que a Digimon felina estava, metros atrás.

Palmon respirou profundamente, como se fosse possível inspirar clorofila das plantas sadias à sua volta. Agumon se irritou ligeiramente quando o Digimon voador não deu atenção para o seu chamado.

– Patamon! – ele repetiu, mais grave.

Patamon olhou desinteressadamente para o dinossauro como resposta.

–Tailmon ficou para trás.

–E eu com isso? – Patamon retrucou.

–Cale a boca e vá buscá-la. – Veemon ordenou, quase sem emoção nenhuma.

Com uma resmungo alto e furioso, Patamon virou de forma brusca no ar, fazendo com que um cipó quase acertasse seus companheiros, mas o ramo fora rapidamente cortado pelas unhas ágeis de Gabumon.

Ainda resmungando, o pequeno Patamon, irritado, voou tentando achar o caminho certo que voltava para onde eles tinham vindo floresta á dentro. Ele ouviu um farfalhar de folhas, e percebeu que os outros tinham seguido para a clareira onde as crianças estavam sem ele. Por uma estranha razão, ordens do Mestre, talvez, Patamon era tratado com extrema dureza pelos outros. Mas ele não podia questionar. Um subordinado das Trevas jamais deveria questionar.

Finalmente achou a Digimon. Ele voou na direção de Tailmon, que o recebeu com um soco.

–O quê é isso? – Patamon piscou, atordoado. Ele tentou se equilibrar, mas estava despreparado para o ataque, permanecendo no chão que caíra.

–Desculpe, Patamon, mas isso foi necessário. – ela pareceu sincera.

O pequeno Digimon ergueu ligeiramente a cabeça, e percebeu que os olhos de Tailmon tinham voltado ao lindo e claro azul de antes, e não o vermelho sanguinário que ele se acostumara em um breve período de tempo.

Antes que ele pudesse emitir qualquer som, ele sentiu-se paralisado. Patamon começou a tremer suavemente, mas sem conseguir fazer qualquer movimento por conta própria. Então o Digimon sentiu algo diferente atravessando cada célula de seu corpo, fazendo sua pele emitir um brilho dourado intenso, enquanto uma energia forte tomava conta de seu coração, substituindo as Trevas. Ele sentiu uma leve Paz interior, e se permitiu dar um sorriso ameno.

–Tailmon.

–Agora ficou melhor, não? – ela perguntou. Ele assentiu. – Temos que ajudar os outros. – Seus olhos brilhavam em determinação. Sua antiga determinação.

–Você voltou. – ele sussurrou, fechando os olhos brevemente, respirando aliviado. A tormenta em seu coração tinha ido embora. Finalmente. Ele abriu os olhos e riu um pouquinho, um som extremamente inocente. – Você voltou! Eu voltei! Nós voltamos!

–É isso aí, Patamon. Estamos de volta. – ela sorriu. A felina o ajudou a levantar. – Agora, vamos. Precisamos ajudar Kari e os outros!

E com isso, os dois partiram rumo aos digiescolhidos.

Tailmon estava ciente de uma estranha oscilação em forma de Digimon, os seguindo alegremente pelo ar, com um sorriso satisfeito ocupando seu rosto meio arroxeado e o chapéu de bruxo inclinado levemente para trás.

***


–Cara, isso não podia ficar pior. – Davis resmungou.

–Nunca diga isso. – Yolei o repreendeu, com um riso nervoso e com a palavra “pânico” escrita na testa. – Por que sempre que alguém diz isso...

–Furacão Espiral!

–...fica pior! – Sora deu um pulo para o lado, completando a frase e escapando do ataque. Ela emitiu um grito meio agudo de medo quando uma parte do ataque do Pyomon chamuscou uma ponta do seu cabelo. – Fica pior, muito pior!

Eles, mesmo esperando seus parceiros, ficaram meio atordoados com a grande quantidade de fúria vinda dos Digimons. Assim que eles saíram da floresta, Terriermon e Lopmon tentaram digivolver, mas os outros foram mais rápidos no ataque. Por fim, todos foram cercados pelos dez, que fizeram questão de encurralá-los em lugares diferentes,
porém próximos.

–Vamos, mexam-se! – Orgemon gritou no auge da impaciência, para Terriermon e Lopmon, que tentavam á todo custo digivolver, mas não conseguiam arrumar tempo, com Digimons atacando de todos os lados. Willis engoliu em seco, preocupado.

Orgemon tinha tentado orientar as crianças para irem mais fundo na floresta, mas elas tinham insistido em ficar e tentar falar com seus parceiros. Sem sucesso.

O ogro já percebera que não tinha jeito de três digimons, um adulto e dois na forma infantil, cuidarem de dez ao mesmo tempo. Alguns atacavam os três, mas alguns direcionavam seus ataques direto às crianças, elas conseguiam desviar na maioria dos casos, entretanto logo alguém seria fatalmente atingido. E isso em cerca de dois minutos.

–Vamos, pestinha, colabore comigo! – Orgemon bufou irritado para Gomamon, que tinha cravados seus dentes no bastão dele de forma persistente. O Digimon balançou repetidamente o bastão, mas ele não largava. – Solta isso!

–Onde estão Tailmon e Patamon? – Kari perguntou, confusa, dando vários passos para trás. Ela, TK, Ken e Mimi tinham se afastado, ficando perto de algumas árvores com troncos mais fortes, à direita da clareira. Há poucos metros estavam Tai, Cody, Joe, Izzy e Matt.

–Eu acho que eles ainda estão na floresta. – Mimi opinou.

–Mas eles deveriam estar aqui! – TK exclamou, olhando, alucinado, para todos os lados, em meio à confusão, procurando seu melhor amigo em todo o mundo.

Seus olhos moviam-se inquietos, observando várias coisas ao mesmo tempo. Agumon soltando bolas de fogo com o objetivo de queimar as árvores que os cercavam, impossibilitando qualquer tipo de fuga; Gabumon destruindo várias rochas, em seguida as entregando para Palmon atirar em Orgemon, que mal coseguia desviar; Hawkmon puxando o cabelo de Yolei; Tentomon soltando várias descargas elétricas, tentando danificar o computador de Izzy.

Controle. Destruição. Dor.

“A força das Trevas mais uma vez.”

O loiro trincou os dentes com raiva, respirando ofegante e irritado, a luz da lua iluminava levemente sua face aborrecida. Ele fechou os olhos, tentando se acalmar um pouco, mas ainda estava tenso. As Trevas não poderiam fazer tudo que desejassem e matar os habitantes do Digimundo. Não de novo.

“Eu prometo destruir quem estiver fazendo isso.” TK garantiu em pensamento. “Não será como dá última vez...” Ele deu um sorriso pequeno. “Porque dessa vez eu tenho poder para impedir.”

–Parem, parem! – a voz de Patamon interrompeu seu torpor, o trazendo de volta a realidade.

Todos olharam para os dois Digimons que surgiram em meio à vegetação.

–Patamon! – ele gritou.

–Tailmon! – Kari exclamou ao seu lado, aliviada em ver que a Digimon parecia sã. Ela fez a menção de correr até ela, mas Agumon meteu-se em sua frente, afastando-se de Tai, Matt e os outros. Kari recuou, mordendo o lábio. TK ficou na frente dela, como forma de proteção.

–Parem já! – a voz de Tailmon assumiu um tom impossível de ignorar.

Todos os Digimons pararam de atacar, olhando fixamente para Patamon e Tailmon, que estavam, firmes, posicionados de modo que eles ficassem em frente a todos. Os dois encaravam as crianças e os Digimons, confiantes.

–Como, Tailmon? – Armadillomon arqueou uma sobrancelha. Cody estremeceu com o tom frio.

–Eu disse para vocês pararem. – ela repetiu.

–Você não manda aqui. – Agumon lembrou à ela. – Temos que seguir as ordens do Mestre. –Seus olhos vermelhos se estreitaram. – Vocês dois... não trabalham mais para o nosso Mestre. – o dinossauro sussurrou, apenas os Digimons ouviram. Eles deram um silvo baixo, avançando. Tailmon e Patamon não recuaram.

Willis aproveitou o momento de distração.

–Lopmon! Terriermon! – ele berrou, erguendo o Digivice. –Essa é a hora para Digivolver e atacar! – Eles assentiram.

–Não, esperem! – Kari disse rapidamente. Os dois coelhos a
encararam, confusos, assim como as outras crianças.

–Parar? – Yolei arregalou os olhos.

–Como assim? – Davis arfou. "Estamos quase morrendo aqui!"

–Isso não parece algo conveniente. – Ken murmurou.

TK deu um passo á frente, apertando os olhos.

–Eles voltaram ao normal! – ele piscou, aliviado.

–Sim! – Patamon garantiu.

–Agora vocês são nossos inimigos também! – Gabumon rosnou.

–Não, Gabumon. Pare. – Matt suspirou, nervoso. Ele passou as
mãos no cabelo, frustrado.

–Pessoal, vocês não são assim, parem! – Tai se manifestou. Agumon nem ao menos considerou a fala do parceiro.

–Nós não vamos parar... – começou Wormon, sinistro.

–...até todos vocês estarem destruídos! – completou Veemon.

–E vocês, traidores, serão os primeiros! – Palmon sibilou, olhando Tailmon e Patamon. Os Digimons controlados fizeram uma formação, prontos para atacarem, avançando e obrigando todos a formarem uma fileira, num meio círculo. Sobraram Patamon e Tailmon atrás, na defensiva, contra o resto.

Tailmon sorriu desafiadoramente.

–Não. – Kari engasgou quando percebeu o que ia acontecer.

Todos os Digiescolhidos assistiram, atônitos, os dez avançarem juntos na direção de Tailmon, prontos para matá-la.

–PAREM! – O grito voraz ecoou entre as árvores, atravessando o ar como um míssil destruidor. A voz não era de ninguém na clareira. Não pertencia a nenhuma alma viva... Literalmente.

Todos os Digimons controlados pararam abruptamente, recuando poucos passos, olhando assombrados para a figura que flutuava no centro da clareira.

***


Enquanto tudo isso acontecia, Gennai estava aflito em sua nova prisão. Ele fora transferido do campo de força — que reprimia os mais poderosos — para a prisão dentro do castelo, a que aprisionava as antigas e fracas almas Digitais. Ele encarou a parede suja em sua frente — pelo menos onde ele achava que ela estava, no escuro-, com raiva. Pensou em atirar alguma coisa ali, mas não achou nenhuma mísera pedra naquele breu horripilante. Sentou-se no chão frio de pedra, derrotado e infeliz. Sua cabeça latejava de preocupação, além de fraqueza quase absoluta. Enterrou seu rosto as mãos, tentando respirar de forma regular.

–Será que Wizardmon vai conseguir se comunicar com os Digiescolhidos? E se der errado? E se...? — ele ponderou em voz alta, agoniado.

–É claro que ele vai conseguir, pi! – uma vozinha simpática se pronunciou, o assustando. Gennai observou uma mistura engraçada de fada rosa com alguma espécie de bichinho flutuar à sua frente, um velho e querido conhecido. – Você precisa dar mais crédito aos nossos amigos, pi!

–Picklemon está certo. – uma voz masculina e grave disse calmamente. Ao lado de Picklemon, um leão meio humanoide, forte, porém contendo a palidez habitual de um fantasma, surgiu das sombras.

–Leomon. – O idoso murmurou, com uma breve centelha de esperança atravessando seu coração.

– Precisamos confiar nos salvadores desse mundo, Gennai. Eles não irão nos deixar na mão. – Leomon sorriu, brincando com sua espada afiada, agora um mero adereço translúcido. – Sabe, você era mais confiante antigamente.

–Antigamente. – Repetiu Gennai, quase divertido, num tom irônico. –Quando vocês não estavam mortos e eu quase morrendo. E quando não estávamos presos no Oceano Escuro. Bons tempos.

–Você não pode ser assim tão pessimista! – uma voz irritada rosnou, Gennai piscou, surpreso e meio atordoado. Ela já ouvira essa voz. – Essas crianças vão nos salvar! Nunca mais minha existência passará em vão!

–Black...War...Greymon? – Gennai perguntou, completamente incrédulo. – Você também está aqui?

Como resposta, o grande e negro dinossauro surgiu das sombras, de braços cruzados. Seus olhos amarelos transmitiam fúria.

–Sim, estamos todos aqui.

–Todos? – o velho repetiu, cauteloso e olhando para todos os lados, apesar do escuro interminável, os fantasmas emitiam um brilho suave. Gennai ainda não tinha se perguntado o quão espaçosa sua prisão horrível poderia ser. – Todos, quantos?

–Todos. – uma nova voz surgiu, seu dono era um ratinho rosa, com grandes orelhas. Ao lado dele, mais figuras surgiam. – Olá, meu nome é Shuumon! – ele disse, quase alegre.

–Todos! Todos os que morreram nas mãos das Trevas! – Um Gotsumon disse. Ao lado dele, um Digimon abóbora apareceu em meio às sombras.

–Sim, e olha que nós só queríamos nos divertir! Myotismon é muito malvado! – Pumpikmon suspirou. – Espero ainda voltar para aquela cidade algum dia! – seus olhos brilharam e lembranças contento TK e Matt no Japão, há tantos anos, vagaram por sua mente.

–Whamon teve muita sorte! – Gotsumon resmungou, fazendo beicinho. Seus olhos verdes fixaram-se em Gennai. – Sua alma continha dados demais, não conseguiram prendê-la quando morreu, então ela pôde renascer! Mas nos prenderam aqui! E sempre que queremos escapar, aquelas sombras feias nos punem!

A expressão de Gennai suavizou um pouco, enquanto ele mirava cada Digimon ali. Injustiçados, assim como ele. Querendo paz, assim como ele. Amigos.

–Poderiam me responder uma pergunta?

–Claro, pi!

–Por que Wizardmon era mantido fora?

–Uma espécie de punição mental. – falou Leomon. – Aquele Digimon é simplesmente obsecado em voltar á vida, deve ser por causa da Tailmon. Aqui, ele arquitetava, conosco, milhares de planos de fuga e comunicação. Então o novo Mestre do Oceano Escuro o isolou de nós, para que ficasse sufocado no próprio silêncio, sem poder compartilhar sua dor.

–A persistência dele mostra grande honra, pi! – Picklemon falou, dando um sorriso ameno. Ele começou a gesticular com sua varinha, que já não continha mais poder. – Ele é o mais forte de nós, e aquele campo de força o impedia de praticar sua magia para tentar escapar, pi!

“Não é bem assim.” Gennai pensou, contendo um sorriso.

–Desculpe-me. Vocês estão certos. Vamos confiar nas crianças.

Então seu sorriso desapareceu quando ele compreendeu algo.

–O que você disse antes, Leomon? O... Novo Mestre do Oceano Escuro? – ele arquejou. – Como assim? Dragomon foi derrotado?

Leomon apenas assentiu, sombrio.

***


A figura na frente deles era claramente um espírito. Quase que
completamente transparente, cores diversas se encontravam numa mistura translúcida que formava sua imagem. Ele flutuava no ar sem dificuldade. Tinha uma pele estranhamente arroxeada, seu rosto era quase inteiramente coberto, apenas mostrando os olhos verdes e vidrados de fantasma. O bruxo usava uma capa azul escura, um chapéu roxo com uma caveira ameaçadora, botas marrons, um cajado amarelo em formato de sol, com uma rachadura preta no meio. Seu cabelo castanho e espetado estava preso atrás, num rabo de cavalo. Exatamente igual há anos. Como qualquer fantasma... Imutável.

Seus lábios formavam um sorriso um tanto escondido.

–Wizardmon...? – a voz de Kari saiu meio abafada, engasgada em surpresa e felicidade. Os olhos de Tailmon estavam lacrimejados enquanto a felina lutava contra o impulso de tentar abraçá-lo. Willis estava de olhos arregalados, admirado, porém sem compreender quem era aquela figura assombrosa.

Antes que alguém dissesse mais alguma coisa, todos os dez digimons de olhos vermelhos começaram a emitir um brilho intensamente dourado, começando á levitar um pouco. Eles estavam completamente imóveis, tremendo de forma quase imperceptível, com poder irradiando seus corpos.

Um silêncio aterrador tomou conta da clareira quando, com uma leve explosão dourada, os dez Digimons pararam de levitar, caindo, atordoados, no chão. Eles desabaram num círculo, perto dos Digiescolhidos, mas ninguém ousou se mover. Em um mísero segundo suas peles pararam de emitir luminosidade e voltaram ao normal.

–Armadillomon? – Cody quebrou o silêncio com uma voz esperançosa.

O Digimon tatu se remexeu, inquieto, de olhos fechados. Todos os Digiescolhidos, menos TK, Kari e Willis, que mantinham seus olhos vidrados em Wizardmon, se inclinaram para frente, ansiosos. De súbito, os dez pares de olhos abriram-se, revelando seus olhos com cor original, mas um pouco mais brilhantes. Eles piscaram, então sorriram alegremente.

–Cody! – o Digimon riu. Todos se levantaram e correram até seus parceiros, que os abraçaram, aliviados por eles terem voltado ao normal.

–Eu estou tão feliz que você está de volta, Wormon. – Ken murmurou, enquanto colocava seu parceiro gentilmente no chão. Wormon assentiu, contente.

–Minha magia os restaurou. Agora as Trevas não poderão mais controlá-los. – a voz do espectro fez com que todas as cabeças virassem para ele, em silêncio.

–Wizardmon. – Kari repetiu, arquejando em seguida. Os olhos de Izzy estavam arregalados, segurando firmemente o laptop, com sua curiosidade nas alturas. Mimi empalideceu.

–Há quanto tempo... – ele suspirou, nostálgico. Seus olhos verdes estavam meio nublados.

–O que aconteceu? Como...? Por que...? – Tai não conseguiu falar, ele engasgou em choque, sem saber realmente o que dizer.

–Por que você não voltou? – Tailmon perguntou, com a voz tremida, o que ela queria desesperadamente perguntar assim que percebeu que a voz em sua mente era Wizardmon. Ela se aproximou do velho amigo, tentando tocá-lo. Não deu certo.

–Eu tentei. – ele respondeu, frustrado. – Eu tentei, acredite... – ele sussurrou.

–O que está... Acontecendo? – Sora perguntou, de repente. Ela encarou Wizardmon, reformulando a pergunta. – O que aconteceu? Por que você não conseguiu voltar? – a menina perguntou calmamente, vendo que Tai estava preocupado, olhando para a irmã, que parecia meio tonta.

–Eu fui aprisionado.

–Aprisionado? – Joe repetiu, perplexo. Gomamon, que estava
no colo do parceiro, esticou a cabeça para olhar para Wizardmon, inquieto.

–Sim. Quando... morri – o Mago teve dificuldade em falar a última palavra – minha alma ficou presa no Mundo das Trevas, desde então nunca pude retornar. Fiquei preso aqui. Mas consegui fazer um mínimo contato. – ele disse.

Houve um pequeno som de pânico e surpresa vindo de todos.

–Preso no Oceano Escuro...? – Izzy murmurou para ele. O
Digimon assentiu.

–M-mas por quê? – Kari gaguejou. – Por que você foi preso?

–Ele me quer longe de vocês.

–“Ele”? – Tai questionou.

–O ser que controla este lugar... – ele parou de falar – Bem, não tenho muito tempo!

–Como você consegue falar com a gente? – Matt questionou.

–Desde que fui preso, tenho armazenado magia para escapar, mas nunca consegui. Eu estou usando minhas últimas forças mágicas para termos essa conversa, além de fazer com que seus Digimons voltassem ao normal. Eu quero pedir um favor.

–Qual? – TK perguntou.

–Salvem-me.

–Claro! – Kari e Tailmon disseram simultaneamente, de imediato.

Tai assentiu para o espectro. Ele tinha uma espécie de dívida com Wiardmon, uma vez que ele tinha impedido Myotismon de matar sua irmã.

Os demais da primeira geração, fizeram o mesmo, determinados. Davis o olhava com curiosidade, assim como Cody e Yolei. Eles já tinham visto o Mago uma vez, e sabiam sobre sua morte horrível no mundo humano. Ken estava rígido desde a menção do Oceano Escuro, concentrado em seus próprios pensamentos. Willis parecia quase tonto, inebriado pela presença de Wizardmon. Orgemon permaneceu mudo e antento.

–Eu preciso que vocês venham até mim... De algum jeito... – Sua voz ficou um tanto mais fraca e instável. – Picklemon, Gennai... E os outros estão comigo! Pre-precisamos de ajuda!

Sora deu um suspiro de alívio ao saber que Gennai pelo menos estava vivo.

–Picklemon? – Mimi repetiu, perplexa. O Mago assentiu lentamente.

–Não vamos decepcionar você! – Davis pulou, alegre. Veemon fez o sinal de positivo com a mão, confiante. Tai sorriu.

–Wizardmon... – Tailmon murmurou, num sussurro praticamente inaudível.

O fantasma a encarou. Sua imagem tremeluziu, oscilando de forma quase brusca, causando leves vibrações no ar. Então, de repente, a face de Wizardmon se contorceu em um espasmo de angústia e dor absolutas, seu corpo tremeu compulsivamente por nenhuma razão, os assustando. Então sua imagem ficou quase que completamente, antes de sumir por completo, seus lábios formaram sua última sentença: “Salvem-me.”

Sua imagem bruscamente sumiu, de forma estranha, deixando um leve zumbido no ar.

Quase como uma forma de complemento, um grande portal negro, rodando na velocidade da luz, surgiu do meio do nada. Davis inclinou-se de forma quase cautelosa, e só enxergou uma estranha paisagem de areia cinza, envolvida por um grande mar negro.

Ken suspirou de forma quase derrotada.

–Parece que vamos ao Oceano Escuro.


Notas finais
Olha, eu tinha preparado um final beeem diferente, mas ficaria muito cheio, beeeem entupido, e isso eu não quero. Eu vou tentar organizar melhor.
Eu estou gostando cada vez mais da minha história, e ultimamente estou tendo umas ideias ótimas!(me controlando para não contar tudo)
Alguns elementos podem até terem sido deixados de lado, mas nem tudo é o que parece, ainda há coisas que se revelarão.
Acho que o próximo ficará muito legal, estou ansiosa para escrevê-lo!!!! O próximo será interessate, acho eu, com uma proporção maioor da história....
Até a próxima!