Diga que me quer.

66 (..) Tento te esquecer, mas não consigo ♪


Eu estava com muita preguiça de levantar da cama. Fiquei até tarde conversando com o Pablo ontem no skype e estou morrendo de sono. Tentei dormir de novo, quando o Vitor bateu na porta do meu quarto.

- Pode entrar amigo.

- Como você está?

- To bem e você?

- Também. Que carinha é essa?

- Acho que me arrependi de ter aceitado ir no aniversário do Pablo.

- Porque? Vocês ficaram conversando até que horas ontem?

- Até tarde. Sei lá, eu acho que seria melhor se eu não fosse.

- Porque Fatinha? Você não acha que tá na hora de você dar uma chance pra quem realmente gosta de você? Ou você ainda acha que o Bruno vai vir aqui dizer que gosta de você? Olha pra você. Depois que você conheceu esse cara você deixou de sair, de sorrir, ficou uma menina triste. Não usa as mesmas roupas de antes. Isso tudo valeu a pena? Tenho certeza que não, porque se tivesse, ele estaria com você agora.

- Sei que ele jamais faria isso. Quer saber, você tá certo amigo. Eu vou nessa festa e o que tiver que ser, vai ser. O Pablo me ajudou muito e ele gosta muito de mim. Vou dar valor pra quem merece.

- Assim que eu gosto de te ver. Decidida e sorrindo. E não triste por causa daquele babaca.

- Vou me arrumar. Vou ir trabalhar hoje.

- Vai sim. Irei resolver umas coisas, mais tarde estarei de volta.

- Tudo bem, até mais tarde então. — ele me deu um beijo na testa e saiu.

Vesti meu 'uniforme' de trabalho e fui até o hostel. O Michel não queria me deixar trabalhar por achar que eu ainda estava me sentindo mal. Mas conversei com ele e disse que já estava me sentindo bem melhor. Fiquei a tarde toda trabalhando no hostel e decidi ficar no turno da noite também. Minha mãe já tinha ido embora e pra não ficar sozinha em casa, já que o Vitor não estava, decidi vir pra cá.

- Fatinha, se quiser sair pra comer alguma coisa, pode sair, tudo bem? Você ficou aqui e já são 21h e ainda não comeu nada.

- Vou ali na lanchonete então rapidinho e daqui a pouco eu volto.

- Tudo bem. Eu fico aqui.

Eu estava morrendo de fome e precisava sair pra comer mesmo. Eu estava com saudades do hostel. Estava pensando até em dormir aqui hoje. Naquele meu quartinho. Pensando nisso me veio um turbilhão de lembranças na cabeça. Boas, ruins, de alegria e de tristeza. Mas eu sorrio por que são apenas lembranças. E as coisas que aconteceram que me entristece, estão no passado. E eu não quero me lembrar mais disso. Quero pensar no futuro.

Estava andando pela calçada e não sabia se eu ia ao Misturama ou na sorveteria. Fui então para o Misturama na intenção de comer algo que me desse sustância. Pedi qualquer coisa lá naquele cardápio cheio de coisas. Fiquei fitando o Misturama e reparando os detalhes, quando a Morg veio trazer meu pedido. Olhei pra ela e sorri.

- Fatinha, está aqui seu pedido.

- Obrigada Morg. — eu disse meio que cabisbaixa. E acho que ela percebeu.

- Aconteceu alguma coisa?

- Nada não.

- Tudo bem. Qualquer coisa pode me chamar.

- Obrigada. — ela disse e sumiu da minha vista.

Então comecei a comer. O Nando começou a cantar umas músicas de MPB e eu fiquei sorrindo lembrando quando eu cheguei aqui no Rio. E então, para acabar com os meus pensamentos tranquilos, o Bruno chegou no Misturama com o Rasta e com o Nélio. Engoli o suco que eu estava bebendo e tentei disfarçar o olhar. Eu não queria me levantar e ir para o hostel naquele momento. Queria ficar ali mais um pouco, pegando um ar.

Procurei na minha bolsa meu celular e o meu headfone. Eu precisava ouvir alguma música e ignorar a presença do Bruno. E então a Mog veio até minha mesa.

- Vai querer mais alguma coisa, Fatinha?

- Não. Obrigada Morg. – eu disse me levantando e saindo do Misturama.

Fui até a pracinha e me sentei em um dos bancos que havia lá. Fiquei olhando para o Bruno e os amigos dele e eles pareciam felizes. Estavam rindo sem parar, até que o Bruno olhou pra mim. Merda. Odeio essa parte de quando a pessoa te olha no mesmo instante que você olha pra ela.

Fiquei nervosa e tentei desviar o olhar. Sentei-me de costas para o Misturama, só assim eu não iria vê-lo lá. Meu celular vibrou. Era um sms do Vitor.

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Onde você está? Passei em frente o hostel e não te vi.

Estou sentada na pracinha. O Michel me deixou sair pra comer alguma coisa e ainda não tive coragem de voltar.

Acabei de chegar em casa. Vai ficar no turno da noite hoje?

Sim. Preciso distrair minha mente um pouco.

Vou sair com a Lia. Tudo bem se chegar tarde hoje?

Divirta-se amigo.

Obrigada. Qualquer coisa me liga. Te amo. Quando eu acabar aqui, passo aí pra te dar um beijo.

Tudo bem. Até daqui a pouco.

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Eu coloquei o celular na bolsa e continuei ouvindo a música. Senti alguma coisa molhar minhas costas. Olhei pra luz e percebi que estava chovendo. Que droga. Logo agora que eu queria ficar aqui, sentada? Pensei bem e achei melhor ignorar a chuva. Fiquei ali sentada, sentindo aqueles pingos de chuva, caírem de leve nas minhas costas. Até que pude ver a sombra de alguém. A pessoa se sentou ao meu lado.

- Chegou tão rápido. Vai sair com a.... – tentei continuar, mas parei quando vi quem era.

- Cheguei rápido?

- Pensei que era outra pessoa.

- Que outra pessoa?

- O Vitor.

- Ata. Quem mais seria, né. — ele disse com voz de desaprovação.

- Tá fazendo o que aqui? – eu perguntei e voltei a olhar pra ele.

- Vim dizer que se você ficar na chuva, vai acabar ficando resfriada.

- Bruno, muito obrigada. Mas eu sei disso, não precisava falar.

- Precisa ser grossa desse jeito? Só queria ser legal com você.

- Então faz o seguinte, me deixa em paz. – eu disse me levantando; quando tentei sair, ele segurou meu braço.

- Espera.

- O que você quer? – eu disse já ficando nervosa por estar tão perto dele assim.

- Conversar.

- Eu tenho que trabalhar agora, por favor. Me solta.

- Tudo bem. – ele disse me dando um beijo no canto da boca e soltando meu braço.

Como eu queria beijá-lo naquele momento. Sentir o calor de um abraço, mas saí correndo antes que eu chegasse mais perto e fossemos parar no meu quarto e depois eu me arrependeria de tudo, de novo.

Segui até o hostel e encontrei o Vitor sentado no banquinho, devia estar esperando a Lia. O abracei forte.

- O que ele queria?

- Nada. Só dizer que se eu ficasse na chuva, poderia pegar ficar resfriada, como se eu não soubesse disso.

- Entendi. – ela me abraçou de novo. – Vai ficar no hostel até que horas?

- Não sei. Vou dormir aqui hoje, tá?

- Por que?

- Estou com saudades do meu quarto. – eu disse já com os olhos cheios de lágrimas.

- Tem certeza?

- Sim. Está esperando a Lia?

- Não. Ela já está no carro. Eu saí e te vi na pracinha e quando eu ia falar com você, vi o Bruno se aproximar, por isso não fui.

- Entendi. Tudo bem, pode ir.

- Fica bem. Qualquer coisa me liga, Fatinha. Qualquer coisa mesmo.

- Ligo sim amigo. Cuida bem da Lia. Te amo. — dei um beijo no rosto dele e ele se soltou de mim e foi para o carro.

Não sei porque mas me soltar dos braços no Vitor naquele momento foi tão ruim. Ele é como um irmão pra mim, e depois que a mamãe foi embora ele tem me dado carinho. E eu sinto falta, me sinto em perigo quando ele não está por perto. Mas estou feliz pela Lia estar se dando bem com ele. Ela merece ser feliz depois de tudo isso que aconteceu com o Dinho.

Antes de entrar para o Hostel olhei para a pracinha e vi o Bruno ainda sentado, agora não mais sozinho, havia alguém com ele e não era nem o Rasta e nem o Nélio. Era uma mulher. Balancei a cabeça negativamente e pensei no quanto idiota eu sou por ainda gostar desse babaca. Entrei para o Hostel e avistei Michel sentado na recepção.

- Desculpa a demora.

- Não precisa pedir desculpa, Fatinha. Tudo bem. Foi até bom eu ficar aqui, que deu pra resolver umas coisas. — ele disse e eu sorri. — Vai querer ficar aqui mesmo?

- Sim. E se não tivesse problema, gostaria de dormir aqui hoje também.

- Não tem problema não, Fatinha. O quarto tá lá do mesmo jeito. Mas porque? Seu apartamento tá em obra, alguma coisa assim?

- Não. É só saudade mesmo.

- Entendi. Então pode ficar à vontade. Vou pra minha casa. Qualquer coisa, pode ligar pro meu celular.

- Tudo bem Michel. Qualquer coisa eu ligo.

- Tchau Fatinha.

- Tchau.

Enfim, sozinha. Sentei no balcão, revisei alguns relatórios. Quando deu 00h eu tranquei a porta do Hostel. Eu morria de medo de ficar sozinha aqui com essa porta aberta. Vai que chega alguém e assalta esse lugar. Pelo menos com a porta trancada eu posso ter tempo pra correr.