Diga que me quer.

35 .. Bruno liga pra Fatinha e ela finge desinteresse


A Juliana desligou a chamada porque ela sabia que o Bruno ia me ligar. Eu fiquei nervosa. Sem saber o que fazer. Eu estava suando frio, meu coração batendo a mil, então decidi não atender. Quando fui apertar pra cancelar a chamada, SEM QUERER, apertei em aceitar. Minha mãos estavam tremendo muito. E quando me dei conta, puf, ele apareceu na tela do meu computador. Estava sem camisa, barba por fazer e de cabelo bagunçado. Meu deus, eu quase desmaiei. Fiquei paralisada, senti meu rosto queimar. Eu estava muito sem graça.

– Oi. — ele disse dando um sorriso malicioso.

Não respondi e tentei desviar o olhar. Eu estava com um misto de sentimentos dentro do peito, minha cabeça estava fervendo.

– Fala comigo, Fatinha. — ele disse com uma voz calma, suave, e tentadora.

– O que você quer? — eu disse tentando ser a mais fria possível.

– Tudo bem?

– Como você achou meu skype? — eu disse irritada.

– Tudo bem? — ele perguntou de novo.

– Estava tudo ótimo até você me ligar. — eu disse me irritando cada vez mais. — Como você consegue ser tão cara de pau assim? — eu disse alterando a voz. Agora sim eu estava irritada, porém triste. Mas jamais deixaria ele perceber isso.

– Desculpa se estou te atrapalhando. Eu só queria saber como você estava. — ele disse fazendo cara de preocupado. Embora eu estivesse demonstrando muito raiva, me derreti toda ao ver ele fazendo aquela carinha. Minha deusa interior sentou, cruzou os braços e gritou: PARA COM ISSO. DESLIGA ISSO AGORA.

– Eu estava me sentindo aliviada por saber que você ficaria longe por muito tempo. Feliz aí com a sua noiva, namorada, sei lá do que você chama ela. Mas infelizmente tire a péssima notícia de que amanhã você vai voltar e o inferno na minha vida vai recomeçar, Bruno. Porque você não fica aí com ela? Tipo, pra sempre?

– Você quer que eu fique longe, então? — ele disse sério.

– Faz o que você quiser, Bruno.

– E se eu quiser voltar e te ver?

Gelei. Meu deus do céu. Será que essa tortura não iria acabar nunca? Porque ele faz isso comigo? Porque?

– Volta se você quiser. Só não te garanto que eu vou querer te ver também.

– Não fala assim porque se não eu acredito. — ele disse sorrindo.

– Como você achou meu skype?

– Olha pra mim que eu respondo. Você tá falando comigo e olhando pro nada.

Respirei fundo e com o coração batendo a mil, tentei me controlar. Eu não pudia olhar pra ele que me dava vontade de chorar, vontade de gritar pedindo pra ele vir e ficar comigo. Vê-lo do outro lado da tela sem poder tocá-lo era tortura demais pra mim. Respirei fundo mais uma vez e olhei. Ele parecia estar me encarando afim de me intimidar com aquele olhar tão.. sedutor.

– Fala. — eu disse com a voz quase que falha.

– Depois que a Ana foi embora, me senti sozinho. Liguei pra Ju e ela me disse que você tinha mandando um sms pedindo pra ela entrar no skype. Aí eu resolvi criar um pra falar com você.. quer dizer, começar a usar isso. Acho legal poder conversar com as pessoas quando não estamos perto delas.

– Então foi ela. Eu sabia. A Juliana me paga. — eu disse pensando alto.

Depois me veio na cabeça o que ele falou no começo. Como assim a Ana foi embora? Será que ela foi pra Brasília? Mas se ela tivesse ido o Vitor me contaria. E o filho deles? Como assim? Minha barriga deu uma pontada.

– A Ana foi pra onde? — eu perguntei

– Amanhã eu queria conversar com você sobre isso.

– Porque deixou a mulher que está carregando um filho seu na barriga ir pra um lugar sem você? — eu disse e meus olhos se enxeram de lágrimas.

– Fatinha, eu não vou conversar com você sobre isso agora. Amanhã quero falar com você pessoalmente e explicar isso.

– A Ana viajou para Brasília?

Caramba. Nem me dei conta. E acabei falando demais. Fiquei nervosa. Pude perceber que ele mudou o humor na hora. Parecia intrigado.

– Como assim Brasília? A Juliana te contou alguma coisa?

– Não me contou nada não. — eu disse tentando disfarçar meu constrangimento.

– Olha, se ela te contou alguma coisa e se é por isso que você tá me tratando assim, quero pedir pra que deixe eu te explicar amanhã quando eu chegar, por favor.

– Bruno, a Juliana não me contou nada. Mas você é muito cara de pau mesmo, né? Você fica comigo, depois joga na minha cara que eu sou uma roubada e ainda pergunta porque eu to te tratando assim? Tem coisa pior do que isso, Bruno? Você não deve saber né. Quer saber, Tchau. — eu disse ameaçando desligar.

– NÃO DESLIGA. — ele disse rapidamente.

– Meu celular está tocando.

– Atende, eu espero você falar.

Me levantei pra pegar o celular que havia ficado em cima da mesa da cozinha. Quando vi no visor, era o Vitor.


Chamada: Vitor → Fatinha

– Oi amigo, o que houve? ... — Não porque eu saberia? ... — Pra sua casa? Como assim e o B... — quando eu ia começar a falar, me lembrei que o Bruno estava ouvindo tudo.

– Amigo, espera aí rapidinho. Não desliga, eu já falo com você.

Disse e coloquei o celular na mesinha que havia do lado do sofá e falei com o Bruno.

– Bruno eu preciso desligar.

– Não, por favor. Quero falar com você.

– Tenho uma ligação importante.

– Mais importante do que ouvir o que eu tenho pra te falar?

– Qualquer coisa nesse mundo é mais importante pra mim do que você, Bruno. Tchau. — disse e desliguei a chamada. Me senti aliviada por não ter mais que ficar me segurando pra não chorar. Aquela conversa estava me fazendo mal.