Diga que me quer.
69 (..) Bruno assume que gosta de Fatinha.
POV Bruno
Eu não conseguia dormir de jeito nenhum. Alguma coisa estava me incomodando, mas eu não sabia o que. Vesti uma roupa e decidi ir na rua. Sei lá o que me deu naquele momento. Já era tarde demais, mas eu não conseguia mais ficar dentro de casa.
Quando fechei a porta do apartamento pude ouvir conversas, quando consegui olhar para o final do corredor era a Lia e aquele amiguinho da Fatinha. Na boa, como esse cara pode tá fazendo isso?
Pegando as duas? A Lia e a Fatinha são melhores amigas. Me subiu um ódio ainda maior desse babaca. Passei por eles bolado e fui pra portaria.
Chegando lá fiquei sentado na calçada conversando com o Severino. Ficamos falando de um monte de coisa, até que vi a Fatinha em frente o hostel de novo. Mas o que essa garota tá fazendo uma hora dessa na rua? E sozinha ainda por cima? Enquanto o cara que mora com ela tá pegando a Lia?
– A Fatinha é muito gente boa, né cara. Eu gosto muito dessa menina.- o Severino falou e eu quase não estava prestando atenção.
– Severino, ela sempre fica na frente do hostel essa hora? Já são 2:30h da madrugada.
– Pelo que me parece, ela está triste.
– Será? Vou lá saber o que houve.
Cheguei lá e ela estava de costas pra mim. Tentei não assustá-la, mas pude ouvir que ela conversava no telefone com alguém.
– Michel pelo amor de deus, ele entrou no meu quarto, tentou me... — ela não conseguia dizer, estava muito nervosa, então eu apareci na frente dela. Ela pulou nos meus braços largando o telefone no banco.
– Fatinha, o que houve? Porque você tá assim? — eu fiquei nervoso ao vê-la chorando tanto daquele jeito.
– Bruno, me abraça por favor. — ela disse me apertando mais ainda.
– Você está tremendo de frio, vamos entrar.
Fomos para o quarto dela. Chegando lá ela se sentou na cama enquanto eu pegava água com açúcar e tentava acalmá-la.
– O que houve? — eu perguntei me sentando ao lado dela. — Com quem você estava falando no telefone?
– Com o Michel, dono do hostel. Bruno foi horrível. Veio um cara aqui na porta do meu quarto, ele estava bêbado e tentou entrar aqui. Eu fiquei desesperada. Saí correndo e liguei pro Michel.
– Como foi isso Fatinha? Esse cara é hóspede do hostel?
– Sim. Mas eu mandei ele sumir daqui e ele foi embora. Foi horrível Bruno. — ela disse e grudou no meu pescoço, me envolvendo de novo em um abraço forte.
Eu não aguentei vê-la daquele jeito. Me senti um babaca por não ter defendido ela. Por vê-la chorar desesperadamente na minha frente.
– Calma, eu to aqui com você. — eu disse dando um beijo de leve na testa dela. — Fatinha, mas porque você não está no seu apartamento?
– Eu quis dormir aqui hoje.
– Porque?
– Sei lá, me deu saudade do meu quarto e quis vir pra cá.
– Porque deu saudade? — eu disse e ela soltou a minha mão e se levantou da cama.
– Por nada Bruno. Eu acho melhor você ir. Já está tarde. — ela disse indo em direção da porta. Me levantei e fui pra perto dela.
– Não vou deixar você aqui sozinha. — eu disse impedindo que ela abrisse a porta.
– Bruno, eu já estou mais calma. Pode ir.
– Então vai pro seu apartamento.
– Não! Eu quero dormir aqui. E também o Vitor vai dormir lá com a Lia.
– E você aceita isso numa boa?
– Por que não aceitaria? O Vitor é meu irmão e ele está ficando com a Lia.
– Irmão? Sei. — eu disse indo pra longe dela.
– Você não acha que eu tenho alguma coisa com ele não, acha?
– Acho. — eu disse quase que sem querer, na verdade, eu não sabia de nada, eu estava confuso.
– Lógico. Eu sou uma periguete, né? Eu devo estar ficando com ele mesmo, aí chamei ele pra morar comigo. Só que aí minha amiga gostou dele e eu decidi dividir ele com ela. — ela disse e parecia estar com raiva.
– Fatinha, eu só achei que..
– Bruno, vai embora por favor. — ela disse já alterando a voz.
– E se eu não quiser?
– Infelizmente eu não estou te dando a opção de ficar.
– Mas eu sei que você quer que eu fique.
– Vai embora por favor, eu quero dormir e a ultima coisa que eu quero é ouvir suas babaquices.
Me aproximei dela e a encostei na parede. Eu sabia que ela queria ficar comigo e eu tive que admitir pra mim mesmo. Eu também queria ficar com ela. E queria muito.
Fim do POV Bruno
POV Fatinha
O Bruno beijava meu pescoço e minha orelha. Eu já estava completamente arrepiada e sem forças pra conseguir empurrá-lo. Eu tentava falar e minha voz não saia. Eu só conseguia pensar no porque ele estava fazendo isso. Eu não podia deixar isso acontecer, de novo. Ele me magoaria outra vez e eu não aguento mais sofrer.
Ele me beijou e cada vez mais fomos ficando presos um no outro. Ele então começou a desabotoar a minha blusa.
– Não Bruno, por favor. Para. — eu disse tirando a mão dele de mim e indo pra perto da cama. Eu respirava com dificuldade.
Ele veio pra trás de mim e beijou minhas costas. Meu deus, como eu desejo esse garoto.
– Bruno, vai embora por favor. — eu disse quase que em súplica.
– Olha pra mim. — ele disse me virando pra ele e voltamos a colar nossos lábios. — Me deixa ficar aqui com você.
– Não.
– Por que não?
– Por que amanhã você vai me ignorar e vai fingir que nada aconteceu e eu não...
Ele não me deixou falar mais nada. Pegou na minha nuca, agarrou meu cabelo com força e me beijou. Eu não aguentava mais tentar resistir e acabei caindo em tentação.
Eu tirei a blusa dele e ele tirou a minha. Ficamos nos beijando ali mesmo. Eu não conseguia parar de beijá-lo. Ele estava me deixando cada vez mais louca. Eu cravei minhas unhas nas costas dele e pude sentir que eu o arranhava. Mas já que ele não estava reclamando, enquanto beijava meu pescoço eu me contorcia de desejo.
– Bruno, isso não é certo. Para por favor.
Ele ignorou minha palavras e me deitou na cama. Foi até a porta e apagou a luz, somente a do abajur ficou acesa. E voltou a me beijar. Ficamos daquele jeito ali por um tempo, sem tentar nada mais. Ele me beijava descontroladamente e eu o apertava, o arranhava e o beijava descontroladamente também.
Até que depois de um tempo nos deitamos um do lado do outro e ele me olhava de um jeito tão.. diferente. Sorrindo.
– O que houve? — eu perguntei
– Nada. — ele disse me dando um selinho e voltando a se deitar do meu lado e agora, olhando para o teto.
– Você se arrependeu de novo, né? Eu sabia que.. — ele me interrompeu com outro beijo. Eu o empurrei e me sentei na cama. — Você não me deixa falar porque sabe que é verdade, não sabe? Sabe que amanhã eu vou chorar porque você vai me ignorar.
Ele se sentou do meu lado e segurou meu queixo, fazendo com que nossos olhos se cruzassem. Pegou na minha mão.
– Bruno, será que um dia você vai gostar de mim? — eu perguntei e ele não respondeu, ficou apenas parado me observando. Talvez por medo de magoar e não me fazer chorar, dizendo que não.
– Fica comigo? — ele perguntou e meu coração bateu muito forte.
Tudo bem que eu já estava com ele, mas por um momento pensei que ele tivesse realmente querendo ficar comigo, namorar mesmo, mas lógico que não. Ele estava falando pra eu passar a noite com ele mesmo, já que só tínhamos ido até o beijo.
– Eu já estou aqui, Bruno. — eu disse a dei de ombros e fiz cara de triste.
– Eu sei. — eu esperava que ele fosse dizer algo mais. Voltei a ficar triste e uma lágrima caiu sem querer do meu olho.
– Não chora, por favor. — ele disse me abraçando e colando minha cabeça no seu peito descoberto.
– Eu não aguento mais. — eu disse sem querer. Não me permiti continuar.
– Eu também não aguento mais.
– Então vai embora por favor. Não queira me ver chorando.
– Eu não vou embora. — ele disse e eu me descolei dele.
– Mas você disse que não aguenta mais.
– E não aguento mesmo.
– Bruno, eu que não aguento mais o seu desprezo. Esse teu jeito de me tratar como ninguém. Vai embora, por favor. Agora eu to falando sério.
– Eu não aguento mais esconder o que eu sinto por você. — ele disse e eu corei.
– Todo mundo já sabe Bruno.
– Está tão na cara assim?
– Lógico. Todo mundo já percebeu que eu sou uma babaca e te deixou me usar, enquanto você não quer nada comigo. — eu disse e ele riu.
– Falei alguma piada?
– Falou.
– Falei?
– Sim, Fatinha. Você falou. E uma piada sem graça ainda.
– Se foi sem graça, por que está rindo?
– Por que não é verdade que eu não quero nada com você.
– Como assim?
– Eu disse que não aguentava mais, mas é ficar longe de você. Eu disse que não aguento mais esconder que eu te quero e quero te fazer feliz, entende? — ele disse e eu fiquei paralisada. Seria um sonho ou realidade mesmo estar ouvindo aquilo?
– Bruno, para de dizer ess...
– Fatinha, namora comigo? Eu te amo. E muito.
Foi só o que eu consegui ouvir. Eu não sabia o que falar, nem o que fazer. Ele perguntou de novo, de novo, de novo e de novo. Acho que ele percebeu que eu fiquei paralisada, um tanto quanto surpresa ao ouvir aquilo. Me atirei nos braços dele dizendo "sim, sim, sim" e nos beijamos e ficamos juntos aquela noite.
Fale com o autor