Diga-me o mesmo - Stony
2 Save me from Myself
Notas iniciais
Capítulo 2 — Seafret Cover, Drown
What doesn't kill you,
makes you wish you were dead
Got a hole in my soul growing deeper
and deeper and I can't take
One more moment of this silence,
the loneliness is killing me
And the weight of the world's getting harder to hold up,
hold up, hold up
Tony estava sentado na beira de sua cama, ele não sabia como reagir, não sabia o que sentir. Ele finalmente havia desmoronado. A primeira lágrima caiu de uma forma lenta, com uma dor na garganta, junto a uma dor na cabeça e no coração. Por que ele havia se entregado tanto aos seus sentimentos pelo Capitão? Por que encheu seus pensamentos de esperanças e expectativas falsas de um amor que nunca foi e nunca será recíproco?
Ele deixou suas costas irem de encontro com o colchão macio, e seus olhos encontrarem o teto de seu quarto. Porém, ele não estava naquele ambiente, não naquele momento, seus pensamentos estavam em um lugar inexistente do universo.... Um lugar onde os dois por um momento poderiam ter sido felizes, porém, tudo havia sido desmoronado por completo, sem dó ou piedade.
Quando a segunda lágrima caiu, outras se permitiram finalmente cair também. E mesmo que seus olhos estivessem fortemente fechados, as lágrimas continuaram a cair cada vez mais, acompanhado por soluços baixos e abafados. Ele nunca esqueceria aquele momento, em que seu coração foi partido, suas esperanças destruídas e sua mente completamente devastada.
Ele se sentia em um mar, completamente afogado, sem conseguir respirar, sem ninguém para lhe salvar de si próprio. E indo cada vez mais fundo nas águas de sua própria paixão, em desespero por ter tido a ousadia de se aventurar a nadar nesse mar tão perigoso e complicado que era o amor. Agora ele está se afogando cada vez mais, e não há nada que o faça respirar de novo.
Ele não queria sofrer mais, não bastava quando era apenas uma criança e sofria pelo Capitão América? Quando seu pai já havia percebido que ele nunca foi digno, nunca chegou aos pés do patriota. Como iria poderia se achar suficiente para ele?
Havia um vazio em seu peito, que nem mesmo seu reator arc era capaz de suportar e preencher aquilo. Sim, ele estava tendo um dos seus ataques de pânico. Pois tudo estava em total alerta e total desespero para seu corpo e psicológico.
Tony se virou para o outro lado da cama, pegou seu travesseiro e o abraçou o mais forte que pode. E para tentar tirar todo aquele sentimento de sua mente e de seu coração... Ele gritou forte com seu rosto no travesseiro. Houve xingamentos, palavras de baixo calão, frases pedindo por misericórdia e todos os seus sentimentos abatidos foram expostos. Ele colocou para fora tudo que seu coração queria libertar, que não suportaria aguentar.
Ele sabia que aquele momento chegaria, Steve encontrou outro alguém. Seu peito doía só de pensar que aquela tal de Chloe iria ouvir as palavras que ele tanto queria que o loiro dissesse para si. Ela terá um privilégio que ele nunca teria, de sentir ser somente dele, e ele ser somente seu. De sentir os toques tão sonhados em seu corpo, os sorrisos apaixonados e bobos, as conversas bestas e completamente idiotas. Ele queria se sentir assim, aqueles momentos eram para ser dele, e agora tudo se acabou. Pois ele não é ela.
Ele apenas continuou a chorar, parecia que estava a acontecer uma outra guerra em sua mente, uma guerra infinita, um sentimento que nunca iria acabar, cada vez mais lágrimas, mais soluços e sofrimento. Ele queria que apenas tudo aquilo acabasse, mas ele ainda estava lá, deitado em sua cama, abraçado com seu travesseiro e lágrimas em seu rosto já vermelho e seus olhos inchados.
***
Steve estava na sala por um bom tempo. Ele estranhou quando Stark simplesmente mudou suas expressões faciais e sua maneira de conversar com ele tão repentinamente. Afinal, ele saiu tão apressadamente que para o Capitão, o Homem de Ferro apenas não queria ficar conversando sobre sentimentos e paixonites bobas.
Ele até pensou em ir ao quarto do amigo, porém quando estava prestes a subir as escadas, foi interrompido por Bruce.
— Thor retornou para a Terra.... E com um acompanhante já conhecido. – Ele diz encarando Steve
— Fury já sabe? – Ele pergunta se afastando das escadas que levariam ao quarto de Tony.
— Sim, e não está nem um pouco contente com a notícia. – Ele fala se retirando aos poucos da sala
Steve certamente teria que ter uma conversa bem séria com Nick Fury sobre o retorno de Thor e de seu acompanhante nem um pouco bem-vindo pelos Vingadores e o Planeta Terra no geral. Mas antes, resolveu trocar de roupa, já que sua calça moletom e sua camisola não eram nem um pouco apropriadas para esse tipo de reunião.
Ele foi caminhando rapidamente até seu quarto, fechando a porta e abrindo o guarda-roupas rapidamente para escolher qualquer vestimenta com um mínimo de decência naqueles cabides. Ele pegou sua camisa preta, uma calça jeans e sua jaqueta de couro que ele secretamente amava bastante. Porém, quando ele puxou o velho traje de couro marrom, que há bastante tempo não era utilizado pelo mesmo, viu caindo uma foto do bolso da peça.
A foto estava virada para o chão, Steve se agachou e a pegou, a virando rapidamente. Quando olhou para a foto, automaticamente um sorriso se estampou em seu rosto.
Era uma fotografia dele e Tony, em uma festa de negócios. Stark estava lindo fazendo uma careta e Steve apenas sorrindo encarando a câmera. Ah, ele se lembrava muito bem daquele dia, eles e os outros vingadores se divertiram bastante. Stark que fez questão de tirar a foto, mesmo sendo Steve a tirar ela. O Homem de Ferro gostou tanto da fotografia que pediu para revelarem ela em duas cópias, uma para cada um. “Será que Stark ainda guarda essa foto? ” O loiro se perguntava em pensamento.
Mal sabia ele que Tony admirava a fotografia todos os dias
Steve guardou ela novamente em seu bolso da jaqueta e a vestiu rapidamente. Ele se retirou do quarto indo em direção à garagem, onde estava sua bela e velha moto de sempre.
***
Tony ainda estava em seu quarto, suas lágrimas já estavam secas e seus olhos não estavam mais tão inchados, afinal, já fazia quase 2 horas que Tony estava trancando em seu quarto, em um silêncio no ambiente, porém não em sua mente.
Ele pensava repetidamente que precisava levantar da cama e enfrentar aquilo como sempre fez em toda sua vida, ele já superou situações assim, com dores semelhantes…. Porém seu corpo não obedecia, seu coração não estava pronto para encarar Steve novamente. Principalmente quando agora, ele sabe com toda a certeza de que o loiro nunca foi e nunca será seu, que ele nunca dirá o mesmo a ele. Isso fazia Tony continuar deitado e abraçado ao seu travesseiro.
Porém, quando ainda estava perdido em seus pensamentos nada alegres, Natasha bate na porta, o despertando.
— Tony, está tudo bem? Você não saiu do quarto desde manhã. – Natasha pergunta depois de algumas batidas na porta. – Tony??? – Não houve resposta, porém, a Viúva Negra sabia que ele estava no quarto. – Vamos Tony, sei que está aí dentro, vi você entrando.
— Me deixe em paz – Tony falou baixo depois de um tempo.
Natasha desconfiou do seu tom e o jeito como Tony estava falando, ele estava resfriado? Certamente não, Natasha viu como ele entrou no quarto... ele parecia com raiva e chateado. Ele estaria chorando?
— Tony, precisamos nos encontrar com Fury e os outros vingadores, agora! – Ela fala de uma forma rígida, porém sabia que algo estava de errado com o Homem de Ferro. – Você está chorando? – Ela pergunta com cuidado e um certo desconforto
— Claro que não, só estou cansado.... Já estou descendo! – Tony fala nervoso, não queria que ninguém soubesse que passou horas trancado no quarto chorando por um amor não correspondido.
Ela fica esperando na porta desconfiada, enquanto Tony tira suas calças e sua camisa e as joga no chão de qualquer jeito. Vai ao seu closet sem se preocupar muito e pega qualquer roupa que avista pela frente.
Ele abre a porta e Natasha o encara surpresa, Ele estava acabado.
Tony não fala nada e vai saindo rapidamente, não querendo papo. Natasha o avista se retirando aos poucos, ela sabia que ele estava mal, e iria fazer de tudo para lhe ajudar. Mas primeiro, ela teria que descobri tudo de uma forma, ou de outra.
***
It comes in waves, I close my eyes
Hold my breath and let it bury me
I'm not okay and it's not all right
Won't you drag the lake and bring me home again,
home again?
Todos já estavam presentes em uma sala com uma mesa retangular um tanto quanto grande, com cadeiras suficientes para todos os membros da equipe e mais alguns agentes de Nick Fury. Que o mesmo, começa a discutir sobre uma nova missão e sobre o retorno de Thor.
— Essa missão que mencionei... – Ele estava a falar, porém foi interrompido por Tony e Natasha e entraram na sala. – Podem se sentar... – Ele encara os dois – Como estava dizendo, essa nova missão é muito importante, pois envolve o possível retorno da HYDRA. Supostamente alguns agentes estão a querer novamente fazer novos ataques contra os Estados Unidos — Todos ficaram concentrados no que o homem de tapa olho falava – Porém, não darei todo os detalhes agora, minha equipe está cuidando muito bem disso no momento, isso será uma missão futura, então espero que sejam pacientes.
— Agora sobre Thor e seu acompanhante.... Não quero encrencas com raios e trapaças, me entenderam? – Já não basta o que Loki fez no passado...— Nick fala já se retirando da sala acompanhado com seus agentes
A sala tem um minuto de silêncio, até Bruce se pronunciar.
— Vamos atrás de Thor e Loki?
— O quanto antes, verdão! – Fala Clint, o que fez Bruce lhe lançar um olhar nada agradável – Não confio naquele sujeito – O Gavião Arqueiro continua a falar, se referindo a Loki.
Os Vingadores nunca iriam se esquecer do que Loki havia feito com todos e principalmente com Thor, mas o irmão insiste em acreditar que o irmão irá mudar.
Tony estava tão calado, não estava prestando atenção no que todos falavam. Ele não conseguia mais conviver no mesmo ambiente que Steve e não lhe encarar de uma maneira triste, chateada e totalmente quebrada.
Ele estava a encarar Steve conversando com Bruce e Clint sobre como poderiam localizar e tentar fazer algum tipo de contato com Thor, para assim, não se preocuparem tanto com Loki. Ele estava tão concentrado que no primeiro momento não percebeu o olhar do moreno sobre si. Porém, depois de alguns minutos ele virou o rosto e seus olhos se encontraram, fazendo o coração de Tony bater mais forte e a expressão de Steve mudar.
O Capitão percebeu o estado em que Tony se encontrava desde que ele entrou pela porta no início da reunião, ele estava muito diferente de manhã, quando os dois estavam conversando sobre coisas bestas enquanto o moreno ajustava seu escudo. “O que será que aconteceu com ele? ” Steve se perguntava ainda encarando Tony Stark.
Os dois continuaram se encarando, Natasha via tudo com muita atenção, porém sem falar nada, apenas observando e tentando deduzi toda aquela situação de uma vez por todas.
Steve quebrou o contato visual com Tony, voltando a prestar atenção no que Bruce falava com Clint, porém seus pensamentos ainda estavam sobre o Homem de Ferro. Foi então que ele pediu licença do cientista e do arqueiro para se retirar. Ele começou a caminhar em direção a Tony, o que fez o outro ficar nervoso no que ele poderia perguntar.
— Olá, Stark. Está tudo bem? – Steve perguntou já próximo de Tony
— Hurum – Tony apenas concordou sem encarar o outro
— Você não parece nada bem, aconteceu alguma coisa? – O Capitão insiste
— Já falei que está tudo bem, Rogers – Tony se permite olhar rapidamente nos orbes azuis que lhe encaravam
Os dois ficaram em um silêncio longo e constrangedor. Steve não sabia se fez algo de errado de manhã, ou se aconteceu algo sério com Tony. Porém o loiro não queria se intrometer na sua vida, e era óbvio que o moreno também não queria.
— Okay, irei te deixar sozinho, se assim deseja. – Steve fala já se retirando
E Tony o acompanha ir embora com os olhos, o moreno estava triste, porém não poderia confessar que toda aquela tristeza era por conta de sua paixão não correspondida pelo Capitão América.
Tony se levanta da cadeira, indo em direção a porta, fazendo todos os olhos daquela sala irem em sua direção, incluindo um par de olhos azuis. Porém o mesmo não percebeu todos aqueles olhares e se retirou da sala. Ele precisava de uma bebida forte.
— O que aconteceu com Stark? Ele está com uma cara péssima! – Pergunta Clint, para todos que estavam presentes naquela sala
— Não faço a mínima ideia – Fala Wanda
— Talvez stress? – Sugere Bruce
— Steve poderia falar – Natasha fala encarando o Capitão com uma expressão nada agradável
— Eu? Ele não quis falar nada para mim. Tony estava ótimo de manhã. – Steve fala também encarando Natasha
Todos por um momento ficaram calados, até Bruce se pronunciar
— Vou tentar falar com ele...
E todos aos poucos vão se retirando da sala, para fazerem suas respectivas missões diárias. Até sobrar apenas Bruce e Natasha.
Os dois tinham um relacionamento um tanto quanto peculiar, não colocaram qualquer tipo de rótulo nela, apenas faziam o que bem entendiam, na hora e dia que sentiam vontade.
— Anthony tem andando bem estranho, isso não é de hoje – Bruce começa a falar sem encarar Natasha – Eu tento insistir para que ele me fale logo o que se passa naquela cabeça, mas ele não baixa a guarda, ele é muito cabeça dura.
— Sim, tentei também, mas digamos que... não somos muito íntimos, ele não se sente à vontade perto de mim, para confessar ou desabafar certas coisas – Ela fala se aproximando do cientista
Os dois já estavam bastante próximos, o que fez o cientista ficar nervoso e recuar.
— Bom... ah, vou tentar falar com ele, agora. Tipo, agora mesmo. – Ele fala nervoso e se retira da sala, deixando a Viúva Negra sozinha na sala.
***
Who will fix me now?
Dive in when I'm drown?
Save me from myself
Don't let me drown
Who will make me fight?
Drag me out alive?
Save me from myself
Don't let me drown
Tony estava em seu laboratório, com uma garrafa de whisky em uma mão e um copo cheio daquele conteúdo alcoólico na outra. Não fazia muito tempo que ele estava no laboratório bebendo, porém já foi o suficiente para que ele não ficasse totalmente sóbrio. Ele estava sentado em uma cadeira de ferro simples, e apoiado em sua mesa que geralmente fazia alguns cálculos, se recordando do dia em que tentou ensinar algumas fórmulas de Física básica para o Capitão América.
“Save me from myself
Don't let me drown”
— Capitão, preste atenção, é um cálculo bastante simples, não requer um QI tão elevado quanto o meu – Tony falava sem paciência, porém, rindo da dificuldade de Steve em não conseguir concluir o cálculo.
— Tony, na minha época os alunos não aprendiam essas coisas na escola, eram matérias muito avançadas. Não sei fazer esses cálculos confusos – Steve insista que não iria finalizar aquela questão.
— Calma, é claro que consegue. Oh, me passa a caneta. – Tony começou a fazer um desenho de uma pista e um carro nela. – Se o carro anda tantos quilômetros em um certo tempo, basta você dividir esses dois valores que terá a velocidade média. Isso é ensinado no primeiro ano do ensino médio, física básica, picolé. – Tony continuava rindo da cara de confusão do Capitão.
— Okay, acho que entendi, mas por que preciso saber disso? – Steve pergunta encarando o engenheiro.
— Para saber a velocidade média do carro – Tony fala rindo e encarando o Capitão – Não sei, Steve. Você que veio aqui perguntando sobre esses cálculos, achei que estivesse interessando em saber um pouco de física.
— Não estava interessado em saber dos seus cálculos, Anthony. Queria saber como você está, se precisa de alguma coisa, de companhia... – Ele falou, mesmo hesitando no início.
Ah, como Tony ficou feliz ouvindo essas palavras saindo da boca do Capitão América, e para demonstrar a alegria, não resistiu de sorri de uma forma sincera para o loiro, que ainda lhe encarava.
— Nossa, picolé. Me sinto lisonjeado pelo seu interessante em minha pessoa – Tony falou em um tom debochado.
Os dois ficaram rindo por um tempo, falando sobre coisas bobas, até Steve pegar a caneta da mão de Tony e começar a rabiscar o seu reator arc que ficava brilhando em seu peito por baixo de sua camisa branca. E quando Tony percebeu isso, falou algo que no mesmo minuto se arrependeu.
— Se quiser que eu tire a camisa para facilitar seu trabalho, eu faço com maior prazer...
Steve lançou um olhar sério por alguns segundos para ele, o que fez o moreno ficar extremamente envergonhado e arrependido por ter dito tais palavras. Porém, o loiro começou a gargalhar como se fosse a coisa mais engraçada do mundo, como se fosse uma piada. Mesmo não sendo.
Mas Tony o acompanhou na risada, se sentindo aliviado pela reação positiva do Capitão por seu comentário um tanto quanto sincero....
— Stark e suas brincadeiras... – Steve falou cessando as risadas e encarando o outro novamente. – Não preciso dessa ajuda, já finalizei o desenho – Steve fala destacando o papel do pequeno caderno e entregando a Tony
— Uau picolé, você realmente não precisa de ajuda, ficou ótimo, posso ficar? – Tony perguntou com o papel em mãos e os olhos fixos no outro.
— Claro, posso fazer outro para mim – Ele fala pegando novamente a caneta e rabiscando o papel.
— Tem certeza que não quer que eu tire minha camisa? – Tony tirou toda coragem e vergonha na cara para repeti tais palavras novamente.
— Não Stark, não precisa. – Steve falando rindo um pouco
Então eles continuaram ali, por mais algumas horas, aproveitando a companhia um do outro, as piadas velhas de Rogers e as piadas sem graça e estranhas de Stark, que o mesmo sempre fazia de tudo para fazer o outro rir, mesmo que fosse necessário falar bobagens, besteiras ou qualquer coisa parecida. Ele adorava fazer o Steve sorrir, assim como sabia que o outro também se esforçava para fazer a mesma coisa, além de esforçar para que ele também cuidasse melhor do corpo, dormisse mais, comesse mais adequadamente.... E Tony adorava toda aquela preocupação que o Capitão América tinha sobre si.
E Tony continuava lá, em seu laboratório, com metade da garrafa de whisky cheia e a outra metade em seu corpo, seu objetivo não foi alcançado, ele queria esquecer o supersoldado, porém seus pensamentos não facilitavam nem um pouco. Ele queria beber até esquecer de tudo, de todos os momentos, de sua paixão. Mas ao mesmo tempo não queria, pois aqueles eram os poucos momentos que ele estava realmente feliz e esperançoso ao lado de quem ele realmente gostava.
Tony ainda estava perdido em seus pensamentos até que Bruce entra em pequenos e lentos passos para o laboratório em que o Homem de Ferro se encontrava bêbado e apaixonado. Ah, e quando Bruce viu sua situação, sabia que havia ocorrido algo de muito errado com seu amigo.
— Hey, Tony. Tudo bem aí? – Ele fala ainda longe de Stark
— Por que todo mundo insiste em fazer essa pergunta para mim? – Tony pergunta, ele não estava mais sóbrio
— Estou preocupado com você, saiba que pode confiar em mim, estou aqui para lhe ajudar no que for necessário. – Bruce fala se aproximando e se sentando ao lado de Tony
— Eu só preciso ficar sozinho e bêbado, posso resolver isso sozinho. – É claro que Tony estava tentando afastar o outro de qualquer forma.
— Sei que quer ficar sozinho, mas pense melhor. Não acha que seria mais fácil resolver seu problema com alguém confiável ajudando e principalmente mais sóbrio que você? – Bruce fala tentando convencer o outro, o que nunca era um trabalho fácil.
Tony ficou calado por um tempo, encarando sua garrafa que se encontrava quase vazia no momento.
— Não vai rolar, Banner – Tony fala, enchendo novamente seu copo com o conteúdo alcoólico.
Bruce achou melhor não insistir naquele assunto, o Homem de Ferro poderia não reagir muito bem, comparado com ele, quando alguém o deixa com raiva.
— Qualquer coisa, qualquer coisa mesmo... pode me chamar. Só estou preocupado com você, Tony. – Bruce fala se retirando rapidamente do laboratório, deixando o moreno sentando, bêbado e de coração partido para trás.
***
A noite estava bastante calma para o Capitão, ele estava em sua moto, se preparando para voltar ao quartel dos Vingadores, quando decidiu tomar um chá, apenas isso, nada mais e nada menos que um chá. Porém o mesmo sabia que não era esse o real motivo dele ir até a pequena cafeteria.
Ele desviou de seu caminho convencional e virou a rua, indo até o local desejado. Chegando lá, ele percebeu que havia poucos carros no pequeno estacionamento que havia ao lado da cafeteria. Ele estacionou sua moto, e foi até a porta do local. Ele adentrou lá rapidamente, passando os olhos para toda a paisagem do pequeno estabelecimento, e encontrando um par de olhos castanhos lhe encarando com um sorriso no rosto.
— Sabia que iria voltar... – Chloe fala se aproximando do Capitão – esqueceu seu troco.
— Ah, claro, sim, acabei esquecendo... estava um pouco apressado – Ele fala nervoso pegando as moedas da mão da moça. Aquela foi uma desculpa perfeita para ele ir até o local.
— Deseja mais alguma coisa, Capitão?— Ela deu ênfase na última palavra
— Sim, mais uma xícara de chá... E pode me chamar de Steve. – Ele sorrindo para a moça.
— Certo, Steve— Ela fala retribuindo o sorriso. – Vou pegar seu chá. Já volto
Steve se senta na cadeira de sempre em frente ao balcão que ele já conhecia muito bem. Ele não sabia até onde iria, ou o que poderia acontecer daqui alguns dias e semanas. Ele queria apenas aproveitar a companhia daquela mulher, que ele considerava encantadora.
A garçonete não demorou muito para voltar com seu chá e alguns biscoitos em uma bandeja, que ela segurava apenas com uma mão e um sorriso no rosto, como sempre.
— Aqui seu chá e alguns biscoitos por conta da casa... – ela fala servindo o Capitão – Então, Steve... o que pretende fazer depois de ir embora daqui? – Ela fala apoiando seus cotovelos no balcão e colocando suas mãos em seu queixo, fazendo seus seios ficarem apertadamente juntos e destacados. O que não passou despercebido pelo Capitão
— Pretendo voltar para casa e descansar, afinal, hoje o dia foi bem cansativo. – Ele fala tentando não encarar os grandes seios da moça e bebendo um pouco do conteúdo de seu chá.
— Você precisa relaxar, Steve... – Ela fala o encarando – Posso fazer isso acontecer em poucos minutos, ou em várias horas se preferir. – Ela fala com um olhar malicioso, o que faz o loiro se engasgar com seu chá — Calma, Steve. Está tudo bem? – Ela pergunta rindo
O loiro fica tossindo por certo tempo, quase não acreditando no que havia escutado. “Meu Deus! Estava claro que ela era uma daquelas mulheres que oferecem seu corpo para qualquer homem” – pensou Steve
— Obrigada pela oferta, Chloe. Mas eu adoraria relaxar em minha cama... sozinho – Ele fala depois das várias tosses se cessarem. – Obrigada pelo chá e pelos biscoitos, mas preciso ir agora. – Ele fala já se retirando e colocando o dinheiro no balcão, porém a mão de Chloe o impede de ir embora.
— Calma, Steve. Desculpa se me entendeu mal, é que eu também sou massagista, trabalho em um local perto daqui, pegue o cartão do local, faço meu expediente aos sábados, se quiser. – Ela fala entregando o cartão e soltando o braço de Steve.
— Ah,sim. Entendi. Aos sábados? Posso pensar, não sei se tenho tempo... – Ele fala aliviado, foi tudo um mal-entendido.
— Ok, irei te esperar lá. Boa noite, Steve – Ela fala sorrindo.
— Boa noite, Chloe. – Ele fala indo embora do local. Com um sorriso aliviado no rosto
***
Tony estava completamente bêbado em seu laboratório que já se encontrava escuro, sua garrafa de whisky havia acabado e ele já estava prestes a pegar a segunda, se não estivesse caído no chão ouvindo repetidamente a música “i follow rivers” da Lykke Li, pela sua caixinha de som vermelha, do mesmo modelo que ele havia dado de presente para Steve. Ah, Steve. Era apenas isso que passeava pelos seus pensamentos confusos e conturbados. A música já tocava pela 26°vez, e o moreno estava deitado no chão, com um copo de vidro do lado e uma garrafa vazia de whisky do outro.
“Oh, I beg you. Can I follow? Oh, I ask you. Why not always?” — Ele cantava baixo ainda no chão e de olhos fechados, pensando no quanto o cabelo loiro de certo alguém parecia tão macio, igual os seus lábios, que os olhos azuis dele esquentavam seu corpo como fogo.
“Be the ocean where I unravel. Be my only, be the water. And I'm wading” – Ele canta já se levantando e deixando a garrafa e seu corpo no chão, ele estava tentando se equilibrar aos poucos – “You're my river running high. Run deep, run wild” – Ele fala já começando a se balançar, pois já sabia que estava a chegar o refrão e a parte mais animada da música – “I, I follow, I follow you. Deep sea, baby. I follow you. I, I follow, I follow you. Dark doom, honey. I follow you! ” – Ele já estava dançando em vários pulos e cantando altamente a música, mesmo bêbado tentava pular conforme o ritmo da canção, mesmo que fossem pulos desengonçados.
Anthony estava se libertando naquela dança e naquela música, deixando que todas as suas mágoas de certa forma, estivessem saindo para fora naquela escuridão, com aqueles pulos e ritmo contagiante, e por isso ele se balançava tanto, mexia a cabeça de um lado para o outro, tentando esquecer tudo aquilo e apenas se focar no ritmo daquela música animada.
Porém, ele não percebeu que alguns passos estavam a se aproximar de seu laboratório, de modo singelo, calmo, devagar e curioso. Steve se aproximava do laboratório escuro, ele conseguia ouvi a música e se encantou pelo ritmo. Ele já conhecia aquela canção, era da playlist de Tony... E Steve, naquele momento teve a certeza que era o moreno que estava a escutar ela. Então foi se aproximando e abrindo a porta devagar.
E se deparou com a visão de Tony pulando desengonçadamente e mexendo a cabeça devagar de um lado para o outro enquanto cantava a música perfeitamente. Ah, ele não poderia negar, aquela visão o fez sorri, Tony ficava lindo daquela forma, “dançando” aquela música. Porém, Steve percebeu que o mesmo não estava com uma expressão feliz e sóbrio. Era bem óbvio que ele estava completamente bêbado e triste.
Foi então que ele resolveu entrar devagar, tentando não assustar o outro, ele não queria que Tony parasse de dançar, porque de certa forma, era maravilhoso prestigiar aquele momento tão raro do grande Homem de Ferro dançando “i follow rivers” ás meia noite e meia em seu laboratório escuro.
Steve se aproximou calado, mas mesmo assim o outro lhe observou. E por um momento Tony sorriu, se esquecendo completamente de tudo que o fez chorar naquela mesma tarde, que o fez beber uma garrafa inteira de whisky. Mesmo que ambiente estivesse com as luzes apagadas, Stark reconheceu aquelas curvas e aqueles olhos que ainda se encontravam brilhantes naquela escuridão.
— Ah, Steve, venha dançar comigo, por favor, não seja tímido, venha, faça pelo menos isso por mim – Ele falava se aproximando de Steve, que estava um tanto quanto envergonhado de ter que dançar.
— Acho melhor não, Tony. Você está bêbado e já está tarde, vamos, vou te ajudar a dormir. – Ele falou esticando os braços para o outro, que encarou suas mãos e as agarrou.
— Venha, Steve, apenas hoje, apenas essa noite.... – Ele puxa sua mão para perto de si, encarando os olhos brilhantes do supersoldado, que também o encarava.
Steve não disse nada, apenas deixou que Tony puxasse sua mão e começasse a pular, fazendo o loiro ri e começar a fazer tímidos passos e pulos de dança. A música se iniciou novamente, pela 27° vez “Oh, I beg you. Can I follow? Oh, I ask you. Why not always? ” Tony começou a cantarolar ainda segurando nas mãos de Steve e pulando.
— Cante comigo, Steve, cante para mim. “Be the ocean where I unravel. Be my only, be the water. And I'm wading” — Tony cantou olhando nos olhos de Steve que o encarava sorrindo, feliz com toda animação de Stark, que o mesmo se encontrava sorrindo, por estar finalmente ao lado de quem desejava.
— “You're my river running high. Run deep, run wild” – Steve cantou não tão alto para Tony, ele não sabia o porquê, mas desejava ficar mais tempo lá, com Tony, talvez por mais algumas horas, talvez para sempre.... Ele não lembrou da Chloe, ou que ele era um super-herói, ele apenas sabia que estava e queria estar lá com Tony. Que quando o mesmo escutou Steve cantando olhando em seus olhos, apenas sorriu mais ainda e permitiu se aproximar mais do outro.
— “I, I follow, I follow you. Deep sea, baby. I follow you. I, I follow, I follow you. Dark doom, honey. I follow you” – E os dois cantaram juntos, agarrados e pulando em sincrônia como nunca haviam feito antes, os dois com um mesmo sorriso no rosto. E mesmo bêbado, Tony sabia que nunca iria se esquecer desse dia. E Steve, também tinha a mesma certeza.
Os dois continuavam dançando e se divertindo, fazendo sua própria festa naquele laboratório escuro e a música alta. Eles estavam tão próximos e naquele momento, com os olhos colados e em contato visual intenso, Tony sentiu que seu sentimento era recíproco, que o Steve também sentia a mesma coisa que ele naquele momento. E isso fez Tony parar de dançar, fazendo Steve parar também.
— O que foi, Tony? – Perguntou Steve
— Steve, preciso te falar uma coisa... – Tony continuava a encarar o outro, ele agarra a borda de sua jaqueta de couro marrom, tentando arranjar coragem para falar tudo que sentia pelo outro – Eu... eu sempre... eu... – Ele gagueja, porém não é possível ele continuar sua fala.
Natasha, Clint, Wanda, Visão e Thor, junto com Loki, aparecem todos juntos. Wanda aperta o interruptor, fazendo todas as luzes do laboratório se acenderem. E todos olham para Steve e Stark com uma expressão surpresa e desconfiança ao mesmo tempo.
— O que que ta acontecendo aqui? – Clint fala, estranhando toda aquela situação, junto com todos os outros presentes naquele local.
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