Notas iniciais
O julgamento.
DUN, DUN!
bjs!

Quando a juíza Petrovsk entrou no Tribunal, todos ficaram de pé. Joseph e Diego estavam muito bem vestidos com terno, gravata e um ar inocente estampado no rosto, um artifício da defesa, é claro, assim como também foi uma estratégia desde o início o fato de terem advogados diferentes, porém um único julgamento. É claro que Casey tentou reverter essa situação, mas infelizmente a lei permitia e os advogados souberam usar muito bem essa brecha, com esse fato buscavam unir forças para acabar com a acusação. Num primeiro momento, Novak imaginou que Diego e Joseph fossem trocar acusações entre si, jogando a culpa um em cima do outro. Mas os advogados não eram bobos. Fazer isso seria admitir que pelo menos um dos dois era culpado pelos crimes, então resolveram trabalhar juntos e justificar o injustificável. Era o que restava, a única saída.

A escolha do júri já foi uma prévia da rivalidade entre os dois lados, pois os advogados apresentaram como escolha pessoas entre 25 e 30 anos e a maioria homens, o que era uma tentativa nada sutil de fazer com que os jurados enxergassem algo em comum com os acusados. A promotora protestou, mas nem precisou gastar muita energia, pois a própria juíza viu o que os advogados tentavam fazer.

- Dr. Miller e Dr. Stevan, é claro que prefiro acreditar que isso se trata de uma brincadeira – os olhava séria – Não posso acreditar que realmente acharam que essa escolha tão – enfatizou a palavra – pertinente e nada sutil seria aceita – olhou para a promotora – manteremos cinco jurados, a promotoria escolhe mais cinco e peço que as partes cheguem a um consenso para a escolha dos outros três.

- Obrigada, Meritíssima – Novak deu um pequeno sorriso vitorioso e depois virou-se para Kevin.

Ele retribuiu o sorriso discretamente e virou-se para a juíza. Assim, o júri passou por uma mudança e claro, Novak também agiu para que a escolha favorecesse a promotoria. Escolheu mulheres, entre 35 e 40 anos, pois ainda que não fossem mães, toda mulher tem esse instinto dentro de si e isso ajudaria a criar uma antipatia pelos acusados diante dos fatos. Já os outros três escolhidos eram neutros, fazendo com que não desse para tentar prever de ante mão para qual lado penderiam.

Durante o julgamento, defesa e promotoria se revezavam fezendo perguntas à colegas de faculdade e professores dos dois acusados, para mostrarem aos jurados quem eles eram. Nessa parte, houve um favorecimento para a defesa, pois por mais que Casey não gostasse de admitir, eles eram os típicos estudantes perfeitos. Eram populares, tiravam boas notas, participavam de atividades extras da faculdade e eram bonitos, algo que todos sabiam que ajudava muito.

O Dr. Stevam e Kevin eram experientes e sabiam muito bem conduzir as coisas para o lado que desejavam e sabiam o que era conveniente. Olivia e Elliot observavam tudo atentamente e, assim como Casey, também perceberam que o júri parecia estar sendo realmente convencido de que os dois apenas cometeram “um pequeno erro”, palavras de Kevin que fizeram Novak tirar algumas cartas da manga. Na sua vez de falar, levantou-se indignada e virou-se para os jurados.

- Senhoras e Senhores, tudo o que a defesa falou, a emoção que tentaram transmitir, a estratégia de fazer com que aqueles dois – apontou para os acusados que mantinham a cabeça baixa, com um olhar de medo devidamente ensaiado – pareçam doces criaturas, não é nada mais que isso: estratégia. Agora que já vimos como eles são exemplares estudantes, populares e todas essas coisas que são muito bonitas, vamos ver o outro lado que eles possuem – virou-se para a juíza – a promotoria chama como testemunha a detetive Benson.

- Protesto!- gritou Kevin — Ela não consta nos autos como testemunha! – levantou-se.

- Indeferido – respondeu a juíza – Deveria saber que como agente da lei, ela pode ser chamada para dar depoimento a qualquer momento do julgamento, Dr. Miller. Desaprendeu as regras? – dirigiu-se à promotora – a testemunha pode apresentar-se.

Olivia já sabia que seria chamada e que seu nome não constaria nas notificações justamente para que a acusação fosse pega de surpresa. Kevin estava impaciente e conversava com o Dr. Stevan. Ela saiu da platéia e foi par ao banco das testemunhas. Sara prestava atenção a todos os detalhes e os anotava no seu bloco.

- Seu nome, por favor – disse Casey.

- Olivia Benson.

- Qual sua ocupação?

- Detetive da Unidade de Vítimas Especiais.

- Bom, pelo o que consta nos autos, a Sra. juntamente com o detetive Stabler, Toutuola e Munch efetuaram a prisão de Joseph Demiris e Diego Serpas, correto?

- Sim.

- E poderia nos dizer, desde o início, como ocorreu a prisão?

Ela contou os fatos, com detalhes. Era conduzida por Novak durante o relato, para que falasse as partes de maiores importâncias. Os advogados de defesa estavam inquietos e o júri atento.

- É verdade que o acusado, Joseph Demiris, tentou matá-la durante a prisão? – perguntou a promotora.

- Protesto, Meritíssima! Ela não pode afirmar que o que ele fez foi tentar matá-la! – interveio Dr. Miller.

- Bom, aqui no relatório consta que ele envolveu o seu pescoço com as duas mãos e a sufocou, fazendo com que perdesse a consciência por um momento – olhou para os jurados – Isso não é tentar matar?

- Não, promotora! Isso foi apenas tentar se defender da truculência com a qual foi tratado durante a prisão! – rebateu.

- Ordem! – falou a juíza – Protesto negado — fez um sinal para Casey – Pode continuar.

- Detetive, por favor, responda a última pergunta – continuou a promotora.

- Sim, é verdade – respondeu Olivia olhando para Joseph, porém ele continuava de cabeça baixa.

- E como aconteceu?

- O detetive Stabler estava efetuando a prisão de Diego Serpas e eu fui para o andar superior para prender o Joseph que estava tentando fugir – falava calmamente – Quando estava revistando o local para encontrá-lo, fui atacada – sentiu um desconforto – ele tentou me enforcar e só não me matou porque o detetive Stabler chegou a tempo – concluiu dando uma leve olhada para Elliot.

- Obrigada – falou Casey – Sem mais perguntas – sorriu, virou-se para a juíza, olhou o júri e sentou-se.

Kevin foi na direção de Olivia.

- Detetive Benson, a Sra. já realizou quantas prisões? Umas quinze, vinte... – falava parecendo curioso.

- Mais de duzentas – respondeu fingindo simpatia com ele.

- Nossa! – olhou surpreso para os jurados – e em todas elas você é agredida?

- Não.

- Detetive, quem a Sra. disse que a ajudou durante o suposto ataque? – a encarava.

- O Detetive Stabler.

- E o que ele fez para aJudá-la?

- Tirou o seu cliente de cima de mim para que parasse de me sufocar – respondeu ironicamente.

Kevin caminhou na direção dos jurados e virou-se para Olivia. Casey apertava uma caneta que tinha na mão direita.

- Quando pedi para me contar o que ele fez – apontou para Elliot que estava sentado na platéia – quis dizer realmente tudo. Vou ajudá-la – sorriu – depois que ele tirou o Joseph de cima da Senhora, o que mais aconteceu?

Benson sabia exatamente onde ele queria chegar e o pior, não tinha escolha. Teria que contar tudo. Antes olhou para Casey, mas ela não a olhava. Somente fuzilava Kevin com os olhos, também sabia para aonde as coisas estavam caminhando.

- O detetive Stabler o imobilizou .

- Não acha que ele se excedeu? – questionou.

- Protesto! Não pode se basear em opiniões! – Casey estava irritada.

- Retirado – disse Kevin olhando para Novak e dando um sorriso – Vou reformular – voltou-se para Benson – Como, exatamente, ele imobilizou o acusado?

- O encostou contra a parede.

O Dr. Miller perdeu a paciência.

- Meritíssima, tenho um laudo que atesta que após a prisão o meu cliente tinha marcas de dedos em volta do pescoço, além de um machucado na boca e algumas marcas roxas. Ele não foi simplesmente encostado contra a parede – falou energicamente – Não entendo o porquê da Detetive Benson estar tão relutante em contar tudo. Por favor, peça para que ela pare de dar respostas vagas e colabore com o julgamento.

- Detetive, gostaria de lembrá-la que está sob juramento – Petrovsk a olhava fixamente – agora, responda à pergunta de forma clara e sem omitir os detalhes.

Olivia respirou fundo e olhou para a platéia. Elliot sabia que ela estava tentando protegê-lo, mas não queria que ela se prejudicasse. Ele a olhou e fez um pequeno sinal com a cabeça, a encorajando. Ela seguiu as ordens da juíza.

- O detetive Stabler o tirou de cima de mim, o jogou contra algumas telhas e — fez uma pausa – apertou sua garganta.

Ouve um burburinho no júri.

- E ele o sufocou por muito tempo? – perguntou Kevin, ele a olhava com intensidade.

- Sim...

- É verdade que você teve que convencê-lo a parar – ele falava cada vez com mais intensidade.

Olivia olhou para Casey e desta vez seus olhos se encontram, mas a promotora não podia intervir.

- Sim.

Um falatório tomou conta do júri.

- Ordem! – disse a juíza.

O advogado fez questão de olhar para Novak antes de continuar. Ela desviou o olhar.

- Detetive, a Sra. mesma disse que já fez mais de duzentas prisões e afirmou que não é agredida em todas – fez uma pausa – Por que foi agredida nessa?

— Ora, ele me atacou por trás. Eu estava desprevenida – estava ficando irritada, mas tentou manter a calma – não consegui me defender – assumiu com uma pontada de constrangimento.

- Isso é o que a senhora diz – olhou para o júri – Senhoras e Senhores, vou lhes dizer o que aconteceu: uma armação! – olhou para Olivia – Detetive Benson, a Sra. é uma pessoa treinada e preparada, já fez inúmeras prisões muito bem sucedidas, diga-se de passagem. Mas o seu Capitão e toda a equipe estavam sendo pressionados pela imprensa para que o caso tivesse uma solução. Então o que você e o seu parceiro fizeram? – olhou para Elliot – descontaram o estresse que estavam sentindo no meu cliente. A Sra. não foi atacada, se deixou ser agredida para que pudessem ter uma desculpa para tratar o meu cliente com agressividade.

- Ele resistiu a prisão! – falou Olivia impaciente.

- É mesmo? – sorriu – então por que mesmo depois de Joseph já ter sido retirado de cima da Sra. e já estar imobilizado, me responda: Por que o seu parceiro continuou o enforcando?

Olivia ficou em silêncio. Apenas balançava a caneça mostrando indignação com tudo aquilo.

- Não quer responder, mas sabe a resposta – olhou para o seu cliente – Agora nos esclareça outra coisa: Por que a senhora agrediu o meu cliente durante o interrogatório?

Estava ficando cada vez pior e Olivia se sentiu péssima por saber que o seu ato poderia prejudicar tudo.

- Perdi o controle quando ele descreveu a forma cruel como matou os vítimas – Ela encarava Kevin.

- Parece que os detetives dessa unidade são muito descontrolados – disse olhando para os jurados e voltou para o seu lugar – sem mais perguntas.

- A testemunha pode se retirar – disse a juíza.

O caso tinha começado com tudo a favor da acusação, mas diante de tantas provas contra Joseph e Diego, a jogada dos advogados era apontar os erros da promotoria e assim, tentar minimizar os fatos. Bem, estava dando certo.

Olivia voltou para o seu lugar e, ao passar por Casey, teve a impressão que a qualquer momento ela explodiria de raiva.

Notas finais
O julgamento está pegando fogo!!!! rsrsr
O que estão achando????????
bjs!