Difícil De Prender
26 Capítulo 26
Notas iniciais
atualizar!
Gente, estou sem pc e, com o carnaval, a lan aqui perto
de casa estava fechada.
Para compensar a demora, um capítulo no capricho!
Bjs e boa leitura!
O restaurante ficava à duas quadras de distância. As duas foram andando e conversando. Já havia anoitecido e uma leve brisa soprava em seus cabelos. O local era decorado com simplicidade, mas com muito bom gosto. Era um restaurante bem amplo e com dois ambientes, sendo que no primeiro andar ficava o bar, por isso era mais movimentado. Olivia e Sara seguiram para o andar superior, lá era mais aconchegante e calmo. As mesas eram forradas com toalha branca e sob elas, um lindo arranjo de flores e algumas pequenas velas. Do teto, pendiam fios com flores nas pontas e alguns lustres com luz bem fraca, o que tornava o ambiente bem agradável.
O lugar não estava muito movimentado, somente algumas mesas estavam ocupadas, o que Olivia achou bom, já que queria conversar despreocupadamente com a irmã. Escolheram uma mesa que ficava mais afastada das outras, no canto e ao lado da janela, fazendo com que tivessem a visão da rua. Um garçom aproximou-se, elas fizeram o pedido e enquanto esperavam, Sara contou sobre a viagem.
- Os lugares eram lindos – falava toda animada – nós assistíamos às palestras pela manhã e depois nos juntávamos e passeávamos pela cidade. Até as pessoas são diferentes, sabe? Não é como aqui em Nova York, onde todos parecem estar sempre apressados. Lá as pessoas sentam nas praças e conversam – deu um sorriso – lembrei lá de casa.
Olivia demorou um pouco para entender que quando ela disse “casa”, estava se referindo ao local onde nasceram e cresceram e onde Sara viveu até antes de Serena morrer.
- Você sente falta de lá? – perguntou a olhando.
Sara colocou o braço na mesa e apoiou o queixo nas mãos, olhou para a rua, parecendo se recordar de algo, ficou tão pensativa que por um momento Olivia achou que ela não tinha ouvido a pergunta. Voltou a olhar para irmã.
- Só de algumas coisas. Gostava das pessoas, da tranqüilidade – sorriu – de você me levando ao cinema e na padaria do Sr. Jerry...
- A padaria do Sr. Jerry... – Olivia também sorriu ao lembrar – Adorava passar por lá depois da aula. Sempre levava um sonho para você.
As duas ficaram pensativas, cada uma com a sua lembrança daquela época.
- Também sinto falta do lago... – Sara mexia no arranjo da mesa enquanto comentava – Lembra daquele dia em que a mamãe nos jogou na água e nós três ficamos lá, brincando e nos divertindo? – fez uma pausa e suspirou – nem parecia que era ela...
Olivia já havia se esquecido daquela ocasião. Era um dos poucos momentos em que Serena demonstrava estar feliz, e mais raro ainda porque não estava bêbada. Isso foi pouco antes da morte dela, e era um momento especial porque já havia um bom tempo que ela não bebia mais. Olivia já morava em nova York, mas havia ganhado folga no final de semana, então foi passar o tempo com a mãe e a irmã.
Benson olhava na direção da irmã, sentada do outro lado da mesa, no restaurante, mas não era isso que ela via. O que ela enxergava agora era uma época que já havia passado, uma manhã em que houve risos, muitos risos...
Era a manhã de um sábado ensolarado e Olivia tinha acabado de chegar para passar o final de semana. As três tomaram café na manhã juntas, na cozinha, e Serena colocou o avental de jardinagem e foi cuidar do jardim, que circundava toda a propriedade. Aquela era um atividade que ela adorava e levava a sério, chegou até a participar de concursos e se orgulhava por ter conseguido ganhar vários. Olivia e Sara ficaram sentadas na varanda, em frente a casa, e observavam a mãe enquanto conversavam.
- E a escola, como está? – perguntou Olivia
- Bem, agora faço parte do jornal! Tenho até uma coluna semanal! – falou Sara, toda animada.
- Isso é muito legal, Sara. Fico feliz por você – colocou a mão no ombro da irmã – Sabe que em Nova York existem várias universidades ótimas. Sei que ainda faltam dois anos para você acabar a escola, mas se quiser, pode ir morar comigo e estudar lá quando chegar a hora.
- Eu sei... seria legal, obrigada – sorriu para a irmã e depois olhou para a mãe que estava concentrada regando algumas flores – Mas eu não quero que ela fique sozinha... sei que ela não iria se opor, principalmente sabendo que eu vou estudar, mas é que... agora ela está tão bem – suspirou – não quero que ela fique sozinha e volte... você sabe.
Olivia sabia do que ela estava falando, mesmo não tendo concluído a frase. Ela olhava para a mulher que mexia no jardim e parecia que não era a mesma pessoa com a qual conviveu por todos esses anos. Até a feição dela havia mudado, estava mais leve. É claro que ela sentia que ainda existia algo entre ela e a mãe, algo que impedia uma completa aproximação, mas já era um começo o fato dela ter parado de beber. Olivia também sabia que apesar do jeito animado e intenso da irmã e do fato de amar o centro de Nova York, seria difícil convencê-la a mudar-se para lá. Embora tenham passado por momentos de tensão, Sara era muito grudada com Serena, gostava de estar com ela e por outro lado, sabia que a mãe sentia a mesma coisa pela filha mais nova.
- Por que me olham tanto? Será que estou tão bonita assim? – Brincou Serena, enxugando o suar do rosto com as mãos e olhando para as filhas.
- Está linda! – Sara fez um biquinho – Uma gatinha! – gritou.
Olivia se recostou na cadeira e riu da forma como a irmã falou.
- Sara Benson, mais respeito! – Serena tentou falar sério, mas acabou rindo também.
- Ah, mãe! Qual é o problema? Está linda mesmo – levantou-se o foi para o jardim – Acho até que a senhora podia seguir a moda e colocar botox e silicone! O que acha, Liv? – virou-se para irmã, fazendo poses.
- Acho que ficaria horrível! – Olivia mal conseguia falar de tanto que ria. Era incrível como Sara podia ser engraçada.
- Sara, de onde você tira essas idéias? – Serena colocou as mãos na cintura, tentava se manter séria, mas com Sara era impossível.
- Não sei... elas simplesmente aparecem – deu de ombros.
Sara foi rindo na direção da mãe e lhe deu um beijo. Olivia observava a cena da varanda.
- Agora chega de tanta imaginação e venha me ajudar a regar as plantas – falou Serena entregando a mangueira para Sara.
- E o que a Olivia vai fazer? – questionou, estreitando os olhos.
- Nada. Ela está aqui para descansar. Já trabalha muito a semana toda – respondeu Serena, dando uma piscadinha para a filha que estava na varanda.
- Eu concordo! – Olivia retribuiu o sorriso e fez uma cara de vitória para a irmã.
- Tudo bem... se a senhora acha que isso é justo – pegou a mangueira, foi na direção do canteiro que ficava rente à escada da varanda e começou a molhar as plantas.
Olivia estava lendo uma revista e bebendo um chá gelado que a mãe havia feito, pois sabia que era o seu preferido. De repente, só ouviu Serena gritar:
- Sara, não faça isso!
Antes que Olivia pudesse olhar o que a irmã estava prestes a fazer, foi atingida por um jato de água. Olivia levantou-se da cadeira, mas a irmã continuava apontando a mangueira para sua direção.
- Bem vinda ao lar! – Sara gargalhava no jardim.
Serena olhava a cena, e parecia não acreditar no que Sara havia feito. Como uma criatura tão sem juízo poderia ser sua filha, pensava.
Serena puxou a mangueira da mão dela e olhou para a varanda. Olivia estava completamente ensopada e a varanda toda molhada. Olhou para a filha terrorista e depois para a filha encharcada. Viu o que ainda viria pela frente.
- Deus tenha misericórdia de você... – sussurrou Serena.
Sara estava abaixada, apoiada nos joelhos. Teve que tomar ar para conseguir falar.
- O que... o que a senhora disse? – perguntou em meio ao riso.
- Corre! – gritou Serena.
A perseguição teve inicio.
Olivia passava a semana tento que correr atrás de um ou outro suspeito de algum crime. Agora ela corria atrás de Sara, no jardim de casa.
- Mãe, manda ela parar! – gritava a filha caçula.
- Eu não vou me meter! – respondeu Serena, rindo descontroladamente.
- Sabe que quando eu te pegar, estará perdida! – Riu Olivia.
- Não vai me pegar! – retrucou.
Sara foi na direção do lago, que ficava ao lado da casa. Olivia parou de correr e tentou negociar com a irmã, assim como fazia com os suspeitos, mas que pertos de Sara eram completamente inofensivos.
As duas estavam cerca de três metros de distância uma da outra, e não conseguiam para de rir.
- Sara, é só pedir desculpas e eu não faço nada – a olhava.
- Não vou pedir desculpas! – gritou – Jamais!
Serena aproximou-se para ver a cena mais de perto, ficou ao lado de Olivia.
- Você que sabe – respondeu, indo na direção de Sara.
Ela tentou correr, mas foi em vão. Olivia era muito mais rápida, pois isso fazia parte da sua rotina. Ela agarrou a irmã e começou a fazer cócegas nela.
- Para! – gargalhava.
- Só quando pedir desculpas! – ria Olivia.
- Não! – ela não desistia.
Serena aproximou-se e começou a fazer cócegas em Olivia, para que Sara conseguisse escapar.
- Corre, Sara! – gritou a mãe, em meio as risadas.
Mas Olivia ainda segurava a irmã, fazendo com que ela não conseguisse correr. As três já estavam praticamente sem fôlego, riam e se divertiam. Porém, não perceberam que estavam cada vez mais perto do lago. Foi aí que Serena agiu, pegando as duas de surpresa. Agarrou Olivia pelo braço e a jogou na água.
- Mãe! – Olivia estava surpresa, boiando no lago.
- Ninguém mexe com a minha caçulinha! – falou abraçando Sara.
- Mas eu fui a vítima! Ela me molhou! Lembra? – falou rindo e indignada.
- Bem feito! – Sara ria.
- Mas eu também não posso permitir que molhem a minha filha mais velha... – olhou para Sara.
Sara olhou para a mãe, mas antes que pudesse falar, estava sendo puxada por Serena para ser jogada no lago.
- Vai, mãe! – gritava Olivia, rindo.
As duas riam, a filha tentava se soltar, mas a mãe era insistente. No final, elas se atrapalharam e quando Serena foi jogar a filha no lago, ela a segurou pelo braço e as duas caíram na água.
- Oh, meu Deus! – falou Serena, cuspindo a água que engoliu – Eu só queria regar as minhas plantas! O que há de errado com vocês duas? – passava os dedos no cabelo.
Sara e Olivia riam da mãe que estava com um ar inconformado, parecendo ainda não acreditar que estava dentro do lago, de roupa e tudo.
- Viu! Foi se meter, defender a Olivia... Se tivesse ficado do meu lado, estaria seca! – disse Sara, batendo a mão na água e espirrando gotículas para todos os lados.
- Isso tudo é culpa sua, Sara! Você é impossível! – Olivia apontava o dedo para ela.
- Você reclama, mas tenho certeza que sente a minha falta quando está em Nova York – falou, mandando um beijo para a irmã.
- Nada convencida... – disse Serena, jogando água na filha.
Olivia puxou a irmã para perto e lhe deu um beijo na bochecha.
- Mas até que ela tem razão, mãe – olhou para Sara – Sinto muita falta de você quando estou lá.
- Viu – Sara olhou para a mãe com ar de vitória – Sou irresistível! – jogou as mãos para o ar.
Olivia riu da declaração, pois apesar do jeito de Sara que ela definia como “intenso”, sentia falta da gritaria, palhaçada e risadas dela, quando estava sozinha em Nova York.
No lago, as três jogavam água uma na outra. O riso tomou conta do lugar...
Notas finais
Queria trazer um pouquinho das lembranças no antigo lar
e de um momento agradável com Serena... espero que
tenham gostado, porque eu amei escrecer esse capítulo!
Será que mereço comentários? rsrs
Bjs e eté o próximo capítulo!
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