Different names for the same things - Jily

3 She is beautiful, but she don't mean a thing to me - Sirius


Pôr do sol, pensou Sirius enquanto acompanhava com o olhar a garota se afastando. Tinha longos cabelos lisos castanhos. tão escuros que poderiam passar por pretos. Mas na luz, pareciam ter mechas claras e brilhosas, em degradês que sempre o remetiam ao pôr do sol.

Não que ele ficasse reparando. Não mesmo. Jamais repararia em tom algum daquela garota.

Nunca em seus olhos azuis acinzentados, que pareciam ter pontinhos escuros aqui e ali, o que acentuavam ainda mais o olhar de “gato” que o formato dos olhos já davam.

Nunca nas pouquíssimas sardas que só existiam ao redor do nariz e algumas — poucas — subiam pela maçã do rosto.

Nem mesmo na boca carnuda, digna de um clichê de se pensar em “altamente beijável”. Não que ele um dia fosse beijá-la. Jamais.

E Sirius nunca, nunquinha, a acompanhava com o olhar quando ela passava com o queixo empinado de um jeito arrogante, aqueles malditos cabelos de pôr do sol sacolejando às costas…

Sirius bufou, xingando baixo ao ser cutucado por Remus.

— De novo não. – reclamou o amigo, parecendo cansado.

— Que foi? De novo não o quê? – retrucou Sirius, fingindo não ter notado do que Remus estava falando.

— Birkin. – foi só o que Lupin respondeu.

— Ficou maluco, Aluado? Nunca! – Sirius parecia furioso. Levantou-se e saiu apressado, deixando o amigo com um riso frouxo e debochado no rosto.

Talvez fosse coincidência ou puro instinto do cachorro dentro dele, mas em menos de três minutos esbarrou nela.

Morgana grunhiu irritada, virando-se apressada para ver quem tinha quase lhe derrubado. Sirius já ia pedindo desculpas, mas ao perceber quem era…

— Você não! – exclamaram juntos.

— Por acaso está me seguindo, traidor de sangue? – Morgana recuperou-se antes, sacudindo as vestes, como se tivessem rolado juntos pelo chão, em sinal óbvio de desprezo.

Morgana Birkin. Para Sirius, Birkin era a garota mais bonita e a mais feia que já havia encontrado na vida. Em todos os sentidos. No momento, olhando-o de cima a baixo, a boca carnuda franzida em desgosto, parecia-lhe igualzinha à todas as primas Black. De fato, aquela expressão combinaria perfeitamente com a árvore da família. Quartanista da Sonserina, vivia metida com todos aqueles que Sirius não suportava: os sangue-puro, os sangue “Black”. Porém, de alguma forma, sentia um magnetismo, impossível de ser explicado, pela garota.

Ela o detestava, é claro. Assim como ele a detestava.

Morgana continuava encarando-o, a sobrancelha erguida, como se questionasse porque o garoto ainda estava parado na frente dele, como se fosse um anormal.

— Bem que você queria, Birkin. Mas não, não estou seguindo você. – retrucou, tentando manter a mesma expressão indiferente com que era presentado.

Ela ajeitou um mecha teimosa para trás da orelha, evitando encará-lo, virou e saiu sem dizer mais nada, novamente deixando Black naquele estado. Será que Birkin era meio veela?

Havia sido assim desde o dia em que se conheceram. Gato e rato. Mil vezes pior do que Evans e James. Ao menos Evans era gentil, ao passo que James era apenas um cara tentando se divertir ao não ser gentil com certas pessoas. Era óbvio que aqueles dois se completavam.

Já a Morgana. Birkin e Sirius Black… Não poderiam ser mais diferentes. De fato, eles eram exatamente o oposto um do outro, como se tivessem nascido em constelações diferentes. Sirius vinha de uma longa linhagem de sonserinos, porém era a ovelha negra ao ir para Grifinória. O “traidor de sangue”, como Birkin vivia chamando-o tão carinhosamente. Já o passado de Morgana era um tanto misterioso para Sirius, que vivia repetindo para si mesmo que só se importaria com isso se tal coisas o ajudasse a tirar aquele sorrisinho arrogante da cara dela. Mas para terminar na Sonserina, rodeada por bruxos e bruxas que só se importavam com sangue, só poderia ser exatamente como todos eles.

— Siiirius. – o garoto encolheu-se ao som daquela voz um tanto esganiçada. Vinha evitando-a o dia inteiro. Aliás, há dias. Mas a garota sempre parecia estar aonde quer que ele fosse.

— Melina – respondeu seco. – O que quer?

— Estava passando e vi você… Não posso passar um tempo com meu namorado? – respondeu Melina, fazendo um biquinho que teria ficado adorável em outra pessoa. Não nela.

Não que não fosse bonita. Era. E muito. Mas Sirius já havia enjoado. E quando isso acontecia… Nunca durava. Aliás, nada durava. Talvez fosse algum bloqueio ou o jeito que foi criado. Seus pais brigando feito gato e rato. Se aquilo fosse romance, Sirius queria ficar o mais longe possível. Então não conseguia passar mais de um mês com uma garota sem querer fugir para mais longe possível. Tão complicadas, tão grudentas. Tinham sempre que ser assim? Em uma semana consideravam-se donas dele. Aí vinha o grude, o ciúme, a perseguição.

Melina já estava na parte da perseguição, que era a última parte que Sirius aguentava sem estourar.

— Hum – foi só o que disse, virando a costas para continuar seu caminho.

Melina foi atrás, como sempre.

— Que foi? Não vai falar comigo porque agora? – seguiu-se um longo silêncio.

Sirius havia aprendido que o melhor era não discutir. Só que o silêncio geralmente trazia a ira e em seguida o término. Era um atalho que ele sempre poderia pegar caso quisesse evitar o papo de “não é você, sou eu, sabe…”.

— É assim? Não vai responder? É por causa daquela… daquela… vaca da Birkin? – Melina estreitou os olhos muito azuis, jogando o cabelo claro para trás ao perceber que o sobrenome surtirá efeito no garoto. – Eu vi vocês conversando e o jeito que ficou secando-a quando ela saiu. Agora vai se misturar com sonserinas nojentas, é?

O garoto apertou os olhos, sentindo uma raiva súbita que até mesmo o surpreendeu.

— Não fale assim dela. Olha, Melina… Nós dois sabemos que já deu, certo? Você já está dando uma de histérica para cima de mim e eu não suporto isso. Então chega, segue com a tua vida.

A garota inchou de raiva, parecendo por um fio de avançar em Sirius e arrancar-lhe os olhos. Sempre a mesma expressão, pensou Sirius entediado.

— Sinto muito, você é uma garota legal. Só não mais para mim.

Era verdade, haviam se divertido como há muito Sirius não se divertia. Só que ele acordou um dia, olhou para ela e pensou “essa garota não significa nada para mim”. O cheiro dela, que antes ele achava tão bom, agora o enjoava. Os lábios, antes tão macios, agora parecia ásperos e cheios de um desespero que Sirius não queria para si e tão pouco poderia corresponder. Ele precisava sair fora. E ela o odiaria, como todas as outras.

Ele tocou-lhe o ombro de leve, limpando com o polegar uma lágrima gorducha que escorria pela bochecha macia dela.

— Não fique assim, Mel. Éramos amigos antes disso tudo, não éramos? Podemos ser ainda… Um dia… – abriu um sorriso enorme, achando que aquilo seria reconfortante, mas ao invés disso a garota o empurrou com raiva, apertando os olhos de um jeito ameaçador antes de sair correndo e soluçando.

Black suspirou, cansado, ajeitando a mochila nos ombros antes de seguir seu caminho pelo lado oposto ao de Melina. Birkin estava sentada logo à frente e tinha um sorriso convencido nos lábios que deixou Sirius com a certeza de que ela havia escutado tudo.

De fato, era um vaca sonserina. Mas só ele poderia chamá-la assim.

Notas finais
O título é um trecho da música Tiny Vessels, da banda Death Cab for Cutie.