Different names for the same things - Jily

5 Maybe you'll change your mind - James


Notas iniciais
"You say you don't love me. Well, that's alright with me 'cos I have got the time to hang around and hope that maybe you'll change your mind. I'm determined not to make the same mistake this time around."

Ninguém teve coragem de acordá-la, pois Lily dormia toda encolhida em um dos cantos do sofá, os livros espalhados ao redor. Parecia estar em um sono tão tranquilo que chegava a suspirar vez ou outra. As amigas esperaram com James até o último minuto, mas se deram por vencidas, após tentar chamá-la uma ou duas vezes e Lily nem se mexer, e foram dormir.

James, fingindo que continuaria ali para terminar a leitura de um livro — e as pessoas fingiram não notar que ele não mudou de página nem uma vez desde que começou a ler -, se despediu das garotas com um sorriso.

Assim que elas saíram, o garoto correu para o próprio dormitório — ignorando a reclamação de Sirius pelo barulho — e pegou o cobertor da cama bagunçada, quase tropeçando nos sapatos e roupas que os colegas haviam deixado espalhados pelo quarto. Andou na ponta dos pés e estendeu o cobertor em cima da garota, que imediatamente se enroscou nele feito um burrito. James achou que ela iria acordar e já previu uma série de xingamentos, mas ela apenas virou pro lado e continuou dormindo.

Espiou o relógio. 02h19min.

— Droga, Evans. As coisas que faço… – resmungou.

Se jogou no sofá próximo ao dela e afofou as almofadas, na tentativa de dormir.

Já passava das duas da manhã e todos os alunos já estavam dormindo há horas. Mas James Potter não havia pregado o olho até então, preocupado com certa ruiva que ele não teve coragem de deixar sozinha na Sala Comunal.

Passará o dia todo abalado pela conversa que teve com Lily no armário de vassouras. Abalado pois nunca havia visto a garota perder a “pose” daquela forma, pois desde o primeiro ano sempre foi muito decidida e prática em suas decisões e crises.

Sim, James a conhecia muito bem, tão bem que se ela soubesse disso o chamaria de perseguidor maluco. Mas não era bem assim. Os Potter haviam sido presenteados com o fato de serem extremamente observadores, então pegavam as coisas no ar com uma facilidade incrível. Quando queriam, é claro.

De qualquer forma, ele sabia o quanto aquele maldito futuro-comensal era importante para Lily e o quanto ele — finalmente — ter tirado a máscara, e mostrado quem realmente é, tinha machucado a garota. Ela parecia durona, mas tinha um coração mole e sensível. Vê-la tão devastada por causa de um seguidor cego de Voldemort, deixou James devastado também.

Ele odiava Snape. Detestava o nariz empinado com que passava por todos que não fossem da Sonserina; exceto Lily. Detestava o risinho de desprezo que ele lançava à todos os nascidos trouxas; exceto Lily. James via tudo. E via com uma clareza impressionante o quanto amar Lily Evans machucava aquele bastardo. O que era ironia, é claro. Amar aquilo que mais odiava.

E Lily sabia também. Que Snape a amava, mas não havia ido embora até a última gota. Isso corroía James com um ciúme que ele não sabia que tinha. Se ela ficava, talvez o amasse também? E era por isso que James fazia uma besteira atrás da outra quando estava perto dela. O desespero de ver alguém tão cheio de luz com alguém que a sufocava em uma escuridão que, cedo ou tarde, a desbotaria até não sobrar nada.

Ele queria ser visto. Queria ser notado, não importava a forma.

Não que ele gostasse de Lily dessa forma, é claro. Gostava dela como alguém que gosta de um gato arisco, que pode sempre representar um desafio. É claro que ela era a criatura mais gentil de Hogwarts, mesmo que para ele pouco sobrasse desse lado, pois em 90% das vezes eles acabavam brigando.

Lily Evans feria o ego de James. E isso o incomodava muito, pois não era só pela rejeição.

O garoto encarava o teto da Sala Comunal e divagava sobre isso quando ouviu a voz da Mulher-Gorda de forma abafada.

— Sim, professora. Alunos fora da cama essa hora! Não consigo dormir pelo barulho que estão fazendo… E Merlin sabe que preciso do meu sono da beleza e descansar minha voz… Por coisas assim que perdi a vaga no coral para aquela pequena encapetada do sexto andar, assim não tem condições, Minerva...

James parou de prestar atenção, xingando baixo ao perceber que estariam em apuros.

Há alguns meses um quartanista começou a implicar com os colegas de dormitório (ao menos foi a desculpa que ele usou, mas os marotos achavam que havia mais coisa nessa história) e acabou indo de mudança para um dos sofás da Sala Comunal. Era um caos, pois ele deixava roupas espalhadas e reclamava se alguém passava das 22h por lá. Até que a professora McGonagall precisou intervir e proibiu a estadia na Sala Comunal depois da meia noite, implicando em detenção para quem não seguisse a nova regra; que seria temporária, mas dura.

James acabou fazendo a única coisa que foi capaz de pensar: cutucou o ombro de Lily de leve duas ou três vezes, tentando manter-se focado ao perceber aqueles olhos verdes o encarando por entre os cílios quando ela despertou. Percebeu que nunca estivera tão perto dela, aquilo fez os pelos dos braços dele arrepiarem-se de um jeito que o fez sentir-se estúpido, mas, por um momento, pode jurar que Lily estremeceu de leve ao vê-lo ali, não parecendo nem mesmo um pouco contrariada. Antes que ela acordasse o suficiente para analisar a situação, e acabassem brigando, James murmurou:

— McGonagall. Você precisa se esconder. Rápido.

Estendeu a mão para uma Lily um tanto grogue de sono, puxando-a da forma mais educada que pode na situação em que se encontravam, apontando para trás de uma das grandes poltronas da sala. Aquilo daria. Lily era pequena o suficiente para camuflar-se atrás dela.

Não conseguiu ver se ela fez o que ele pediu, pois o barulho do quadro da Mulher-Gorda girando o fez precipitar-se para a porta da sala comunal quase ao mesmo tempo que a dona do quadro abria espaço para a professora, tendo a visão de um James Potter desnorteado, como se estivesse fugindo da cena de um crime.

— Imagina se não tinha que ser você, Sr. Potter – a voz zangada o atingiu antes que ele tivesse tido tempo de pensar em algum jeito de Lily passar despercebida. McGonagall tinha os cabelos escondidos em uma touca e usava um robe da mesma cor. James já havia visto a professora tantas vezes com tais vestes que já havia superado a vontade de rir toda vez que acontecia. Ele e os amigos eram campeões em atrapalhar o sono da diretora da Grifinória.

— Onde estão os outros? Definitivamente deve ter dedo do Sr. Black nessa história também – ela vasculhou a sala com o olhar, ajeitando os óculos — que até então estavam tortos — antes de voltar a encarar James. – Sr. Potter, realmente gostaria de saber quando vamos superar essa sua mania de estar fora da cama em horários indevidos. Achei que a última detenção havia lhe ensinado uma lição, pois vejo que ainda tem um dos pulsos enfaixados de tanto polir taças! Por Merlin, quer estragar o outro pulso e nos fazer perder o campeonato de quadribol deste ano?

— Mas professora… Eu só estava indo buscar um pouco de água, nosso estoque terminou e… Bom, a senhora sabe como o Peter é. – finalizou com um sorriso que, geralmente, baixava um pouco a guarda dos professores.

McGonagall sabia que ele mentia, pois viu as almofadas afofadas e o sofá com aquele aspecto de “alguém acabou de dormir aqui”, mas parecia cansada demais para discutir.

— Certo, certo… – disse ela, sacudindo as mãos que estavam quase escondidas pelo robe. – Já para a cama! E se a Mulher-Gorda fizer os quadros da minha sala me acordarem de novo por causa de qualquer barulho, não haverá taça de quadribol no mundo que salve sua pele de um mês de detenção, Potter!

James sacudiu a cabeça em concordância, fazendo com que o sorriso se alargasse no rosto, deixando-o ainda mais parecido com uma criança que acabou de aprontar.

— Está esperando o quê, Potter? Cama! – ralhou a professora ao perceber que James não moveu um músculo em direção ao dormitório.

— Ok! Boa noite. – respondeu James a contragosto, dando uma espiada rápida em Lily, ainda encolhida atrás da poltrona, os olhos arregalados. Ela assentiu com a cabeça, devagar.

Um agradecimento, talvez?

Estava virando um hábito, pensou James Potter enquanto fechava a porta do dormitório atrás de si, torcendo para ter conseguido livrá-la de um encontro embaraçoso com a severa McGonagall.

Notas finais
O título é um trecho da música You Say You Don't Love Me, do Morrissey.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.