Difference In Me - Fabiane
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Que foi o Fabinho tirando com a cara do Bento? "Mico leão prateado"
E o que foi o Bento se intrometendo na vida da Giane?
Giane acabando com a sociedade, Fabinho todo melosinho, dando mordidinha e planejando se aproveitar da maloqueira. Posso com isso gente?
Obrigada pelos comentários!!
Capítulo 9...
– Charlene pelo amor de deus! — ponderou Vinny, tentando puxar a madrasta.
– Pelo amor de deus? Eu vou matar essa vaca! — a organizadora de eventos estapeou Amora com vontade.
– Me solta sua louca! — a it-girl tentava se levantar, sua blusa estava parcialmente rasgada no ombro, seu rosto ardendo, e havia um pequeno corte no seu lábio inferior.
– Sabe o que você merece sua piranha? — ela grudou os cabelos de Amora com força, levantando-a um pouco do chão.
– Solta ela! — tentou puxar Vinny, mas Giane impediu que ele se metesse.
– Essa vagabunda sabotou o Kim Park!
– Você é louca? — tentava se soltar sem sucesso.
– O Bento tá na delegacia por sua culpa! E você tá aqui se fazendo de santa. Mas se você acha que eu não vou te arrastar pra policia e defender meu amigo, você tá muito enganada! Cê mexeu com a mulher errada, além de ferrar com o meu homem, prejudicar a vida dos filhos dele e a minha, você ainda tem a pachorra de querer deixar o Bento levar sua culpa?
– Não vai se safar mesmo! — Giane confirmou. — Você vai se ferrar dessa vez, sua bandida! E você tem muita sorte de ser a Charlene e não eu, a esfolar essa sua cara!
A polícia havia chegado ao fim das investigações, assim que peritos haviam concluído sobre sabotagem no Kim Park. Wilson havia decidido vender o parque, e quem se ofereceu pra comprar foi Bento.
A verdade era que Amora, o convencera que queria começar uma nova vida, e investiria seu dinheiro na compra do parque, e em contrapartida, ele ajudaria Charlene a não ficar na rua da amargura. Bento como sempre acreditara nas intenções da esposa, e procurara Plínio, o cineasta mesmo com um pé atrás, mandou um advogado ir com ele fazer a proposta da compra.
Só que quando o laudo saiu, os compradores tornaram-se suspeitos. E Bento havia sido levado até a delegacia, Wilson estava enfurecido, queria e tinha toda certeza que Bento era o grande culpado por tudo. Charlene que há tanto, vivia engasgada com Amora, pegara seu carro e fora atrás dela, que estava preparando sua mala, na clara intenção de fugir. Foi a gota d'água para fazer sua raiva transbordar. Charlene partira pra cima da falsa e dissimulada, e não pretendia largá-la tão cedo.
...
Delegacia
– Seu delegado, eu juro que não tenho nada ver com a sabotagem! — se defendeu Bento.
– Como não tem nada seu moleque desgraçado? — Wilson esbravejou — Você sempre quis me ver pelas costas, sempre quis me ferrar!
– Senhor Rabelo — disse o delegado — O senhor precisa se acalmar, ou vou ter de retirá-lo da sala. — o homem mesmo bravo voltou a se sentar. — Agora senhor Bento de Jesus, o senhor há de convir que o seu interesse pelo parque, vir justamente no momento que ele é sabotado, é no mínimo suspeito.
– Eu sei que pode parecer suspeito. Mas eu não sou louco, eu não sabotaria ninguém, mesmo sendo esse crápula do Wilson Rabelo.
– Eu to falando, esse moleque me odeia desde pequeno, agora que ficou rico, só tá descontando. É vingança que você queria? To falido, cheio de processos... Me odiar ainda vai, mas você não pensou na Charlene, no Pedrinho? Ela é sua amiga, e o Pedrinho é só uma criança.
– Olha aqui Wilson eu não sou rancoroso, e muito menos tentaria algo tão hediondo. E se eu topei comprar o parque foi justamente pra não deixar a Charlene e o filho em uma situação pior do que vocês estão!
O clima estava muito pesado do lado de dentro, e do lado de fora também.
...
– Se acalma Irene, cê tá grávida, não vai fazer bem pro bebê! — advertiu Fabinho, cuidadoso. A mulher havia ido visitá-lo na Toca, e Giane ligara avisando sobre Bento, e ele acabara deixando escapar. Por mais que não se sentisse mãe de Bento, Irene não podia deixar de apoiar seu garoto, mesmo porque tinha certeza da integridade do filho. Plínio acabou sendo pego de surpresa, por Fabinho ter se oferecido pra ajudar na situação, e acompanhá-la.
– Eu to bem meu filho, só um pouco preocupada com o Bento.
– O Bento pode ser um pé no saco, mas ele não ia sabotar nada. Ele não tem coragem de largar da Amora, o que dirá sabotar um parque. — constatou.
– Que coisa mais linda o que você disse agora, querido! — disse a mulher toda carinhosa. Fabinho não sabia o por quê, mas gostava de Irene, mesmo que não ficasse falando toda hora.
– Linda por quê?
– O Bento vive te atacando, ainda mais depois de você e a Giane terem ficado juntos, e você bem que podia acusá-lo agora!
– Não sou bonzinho não! — ele deu de ombros — Tenho vontade de socar a cara daquele idiota, principalmente porque a Giane não merece gostar de um tonto que nem ele, mas eu não vou ficar querendo achar chifre na cabeça de cavalo. — disse por fim. Os dois chegaram a delegacia, e ele a acompanhou até a recepção, buscou água, e depois ficou ao lado dela até a chegada de Plínio.
– Obrigado meu rapaz. — o homem disse. O cineasta já havia contatado o advogado, que chegou junto com ele. — Irene meu amor, eu vou levar o doutor Junqueira pra ficar a parte do caso, e eu posso ligar pra Malu, vir ficar com você. Aliás, se você quiser ir pra casa, acho melhor.
– Não, eu quero ficar. — pediu a moça. — Fabinho, cê tá muito ocupado?
– Não, eu fico com a senhora, até alguém aparecer, ou quando o Bento for liberado.
– Tem certeza? — Plínio revezou o olhar entre os dois. Ele tinha medo do apego de Irene a Fabinho.
– Vai lá meu amor, esclarece os problemas do nosso filho, e o Fabinho me faz companhia enquanto isso.
Plínio passou a mão no cabelo, e suspirou depois saiu com o advogado.
...
– Giane eu peguei os resultados agora de pouco. — disse Malu.
– Então eles caíram do céu. — comentou — Olha só, eu to indo pra delegacia levar a fruta podre, e a gente vai precisar de tudo que tiver contra ela.
– Como assim pra delegacia?
– O Bento tá sendo acusado por sabotagem no Kim Park, e quem meteu ele nessa foi a Amora, eu aposto que essa vigarista fez tudo isso.
– O meu pai, a Irene já tão sabendo?
– Tão sim! Eu avisei o Fabinho. E a Irene avisou seu pai.
– Tá bom Giane to indo pra lá, vou pegar a Socorro primeiro.
...
Charlene chegou afobada na delegacia, estava vermelha de raiva. A administradora da Para Sempre, passou por Fabinho e Irene na recepção sem olhar pra trás.
– Eu exijo falar com o delegado.
– Ele está num interrogatório no momento. — explicou a recepcionista.
– Bento de Jesus e Wilson Rabelo não é? Meu amigo, e meu marido — explicou. — Eu preciso entrar, eu preciso que ele prenda a verdadeira culpada por tudo.
Giane apareceu arrastando Amora, e Irene se espantou. Enquanto Fabinho corria para namorada.
– Quê isso Giane?
– Essa cobra tava fugindo. — explicou — Tá na cara, que foi ela que aprontou, e tava doida pra deixar o Bento se ferrar sozinho.
– Socorro, essas malucas me agrediram e me arrastaram pra cá! — Amora gritou chamando a atenção de alguns agentes ali.
– Tá com sorte de estar com todos os ossos no lugar — afirmou Giane.
– Tá maluca maloqueira, ameaçar a cocotinha na delegacia? — ponderou Fabinho.
Amora foi conduzida até uma sala, enquanto Charlene se exaltava tentando ser ouvida. Vinny foi tentar acalmá-la, enquanto Giane contava melhor os detalhes do ocorrido.
(...)
– Essa desgraçada não vai sair impune dessa vez! — afirmou convicta a modelo.
– Não tem câmeras, não tem nada que prove que foi a Amora. E aliás, ela não teria sujado as próprias mãos. — alertou Irene.
– Não, mas a gente tem outra carta na manga — disse Giane confiante.
– Oi Irene, oi Giane, Fabinho — Malu entrou.
– Oi Malu — responderam.
– E o Bento, o que aconteceu?
– Tá sendo interrogado, o Plínio trouxe o advogado, e pelo jeito você também. — apontou o outro que vinha entrando.
– Doutor Paranhas. Mas esse não é pro Bento, esse é pra Socorro. — explicou.
– Pra Socorro? — Fabinho ponderou. — Que foi que essa maluca fez
– Cê já vai saber — disse Giane.
– Vamos lá querida? — perguntou o advogado para pedagoga.
– Eu vou formalizar a queixa! A gente já se fala, se preferir Gi, explica pra eles! — Malu piscou apertando a mão da amiga e saindo.
(...)
– Então foi isso, agora a Malu pode acusar a Amora.
– Quer dizer que a doação de sangue, só foi faxada pra isso? — Irene questionou. — E o Fabinho é realmente meu filho. — a senhora abriu um imenso sorriso.
– Não foi faxada, mas a Malu achou o evento da doação de sangue uma ótima oportunidade, ai o Bento doou, o Fabinho e o Plínio. Ela tem um amigo no laboratório, e ela conseguiu o favor entende?
– Nossa eu to tão feliz, quer dizer eu adoro o Bento, mas eu sempre acreditei que você era meu filho — Irene apertou o ombro de Fabinho.
– Agora a polícia vai solicitar um novo exame, mas a tipagem diferente de sangue e o depoimento da Socorro, vão dar base pra isso.
– Com a policia de olho, e a confissão da Socorro, a Amora não vai ter escapatória. — Irene concluiu.
– Fabinho? — Giane chamou o namorado que parecia estar transtornado. Ele estava encarando a parede branca, e quase estático. O olhar que ele acabou lançando pra ela, foi cortantes, gelou o coração da modelo.
– Irene, cê me dá licença, que eu preciso conversar com a Giane! — ele disse cortando o silêncio. E por um segundo Giane preferiu que ele continuasse mudo. Afinal, ele não parecia nem um pouco contente. Irene olhou a nora com carinho e preocupação. Assentiu se levantando, mas Fabinho pediu pra ela se sentar, e puxou a maloqueira pro lado de fora da delegacia.
– Fabinho que cara é essa?
– Desde quando você sabia disso tudo? — ele cortou.
– Um tempo! — ela confessou.
– Um tempo? E não passou pela sua cabeça a ideia de me contar?
– Não teve um dia que eu não quis te contar. Mas não era só você, tem a Malu, o Bento, o Plínio, a Irene e principalmente a Amora, meu amor!
– Meu amor? — apertou os olhos — Você não me contou...
– Porque a gente não podia correr o risco entende? Se eu ou a Malu tivesse soltado antes, você ou alguém podia ter deixado escapar, e há essa altura a Amora podia tá bem longe!
– Aquele papo se eu ficasse rico da noite pro dia, se eu ia te largar... Era disso que você tava falando, cê tava com medo de que quando o Plínio e a Irene me reconhecesse eu te abandonasse.
– Eu sinto muito, mas...
– Mas no fundo não é só os outros que dizem que eu não mudei, você também não acredita nisso. Você não me contou, não é porque queria a Amora presa, era porque você queria ter certeza que eu não sou um babaca! — soltou.
– Fabinho, eu sei que você não é o mesmo cara de antes...
– Sabe mesmo? Poque eu to louco pra ouvir a que conclusão você chegou! Anda me fala?
– Fabinho, para com isso cara. Eu to falando sério, eu realmente confio em você! Mas eu precisava ter certeza antes de jogar a bomba. A Socorro confirmou, a gente pediu o exame só pra ter uma prova contra a Amora.
– Confessa Giane! — pediu alterado — Confessa, fala a verdade na minha cara!
– Tá, eu realmente tive medo, eu fiquei com medo de você surtar e sair querendo passar por cima de todo mundo com um trator.
– Nenhuma das provas do meu amor valem nada, não é mesmo?- ele sacudiu a cabeça, claramente decepcionado.
– Fabinho? — Giane tentou tocá-lo, mas ele se esquivou.
– Deixa pra lá! — ele deu de ombros, se afastando lentamente, até virar de costas e apertar o passo. A corintiana ficou sem saber se gritava, corria atrás dele ou pedia ajuda. Ela amava tanto aquele cabeça dura, e até entendia a dor dele, justamente porque seu peito estava se dilacerando. Ela estava sentindo na pele... Ela desconfiara dele, e ele dela...
...
Fabinho entrou em casa, e agradeceu por Margot estar fora, fechou a porta e se jogou sobre a cama, seus olhos estavam ardendo, sua cabeça doendo e ele começou a chorar sem parar. A dor e a raiva que ele estava sentindo, não era nem de longe o que ele esperava sentir, quando descobrisse que tinha pais, e que eles eram ricos. A infância toda que ele passara alimentando a esperança de encontrar os genitores, as lembranças de quando ele associara o anel de esmeralda, ao de Irene na revista. Como a sua vida havia virado de ponta cabeça. Ele havia voltado a São Paulo, na vontade de ficar rico e poderoso. Desdenhar de tudo e de todos, como Giane mesmo disse: passar com um trator sobre tudo. Ele não se importava em ter um pai, nem uma mãe. Ele queria dinheiro e ponto.
Então tudo havia dado errado, ele fora desmentido, desprezado por Plínio, acusado de incendiário, e virara até mendigo. Nada era mais dolorido, do que viver com medo da própria sombra. De imaginar que a qualquer momento, alguém o reconheceria e o denunciaria, por algo que ele não havia feito. Malu, Irene e Margot e Giane eram as únicas que apostavam nele.
Malu era sua irmã...
Irene sua verdadeira mãe...
Margot...
A senhora abriu a porta.
– O meu filho, chegou cedo hoje! Vim trocar a roupa de cama! — parou ouvindo o filho fungar, mesmo de costas ela sabia que ele estava chorando. — Fabinho meu filho, que foi que aconteceu? — correu até a cama. E paralisou, sem saber o que fazer... Sem saber se podia. Fabinho só girou o pescoço e estendeu a mão, puxou-a pra cama, e ergueu a cabeça para apoiá-la no colo da sua mãe de criação. — Tá bom, pode chorar! A mãe tá aqui, tá querido! — disse beijando o rosto dele, e fazendo carinho nos fios.
Notas finais
Beijos até a próxima!!
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