Difference In Me - Fabiane
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Capítulo 6...
Socorro terminou seu desjejum e correu até a padaria para buscar o café de sua musa, abriu a porta da casa de Bento toda eufórica.
- Amoríssima você não sabe a bomba que eu tenho pra você.
- Ah Socorro, que você trouxe hoje? – perguntou abrindo as embalagens. – Pão francês de novo? Tá tentando me deixar gorda que nem você queridinha?
- Ai Amora, eu to meio caída hoje. – se desculpou. Amora pegou o pão passou manteiga e encheu seu copo de café preto. Como ela sentia falta de um café de manhã descente.
- Vai anda, que de tão bombástico você quer me contar?
- Aii, sabe quem eu vi saindo agorinha mesmo da casa da Giane?
- Quem Socorro? – Amora soou desinteressada.
- O Fabinho! – bateu palma entusiasmada.
- E daí? Qual a novidade? O marginal e o projeto de mulher andam grudados pra cima e pra baixo direto!
- É minha deusa, mas o Fabinho tava usando a mesma roupa de ontem no Cantaí, e tava todo animado!
- Cê tá insinuando que...
- Isso mesmo. Esses dois tão se pegando! – concluiu a fã.
- Socorro, você não podia ter trazido notícia melhor! – Amora sorriu maléfica.
- Eu sei, eu sei minha rainha. Agora a Giane vai parar de encher o seu saco e o do Bento.
- Não Socorro presta atenção – largou o copo –, eu quero só vera cara do Bento, quando descobrir que a melhor amiguinha dele se juntou ao marginal do Fabinho. Ele vai ficar louco de raiva e a Giane vai perder a amizade dele, e é muito pouco perto do que ela merece depois de tentar sabotar minha vida com o Bento, tantas vezes. – concluiu.
...
- E ai Bento? – Giane entrou na Acácia Amarela.
- Olha só quem resolveu dar o ar da graça. – o florista limpou a mão no avental e beijou a amiga.
- Tava com saudades era? – debochou.
- É claro né? Eu sinto muito sua falta. – confessou.
- Pena né? Quando eu tava aqui nem me notava. – cutucou.
- Que maldade Giane, cê sabe...
- Sei Bento, eu sei só to brincando. Como hoje é sábado e eu to sem nada pra fazer, eu vim dar uma mãozinha pra você. Aceita?
- Por favor. – pediu – To todo enrolado, hoje é folga do Willian.
Giane tratou de por as mãos na massa, ajudando Bento com os buquês e os arranjos.
- Que cara é essa ein? – questionou por fim. – Ontem você nem apareceu no Cantaí. Não enquanto eu fiquei!
- Ah nada demais.
- Anda conta! – a jovem pediu.
- Ah, eu e a Amora tivemos uma discussão daquelas, ai eu tava sem cabeça.
- Conta uma novidade! Sem cabeça? Tu deve é ter muitas cabeças pra aguentar aquela entojada isso sim. – Bento estreitou os olhos.
- Ah a senhora não pensa que eu me esqueci de ontem não.
- Nem eu. – devolveu – Não tinha nada que se meter nos assuntos do Fabinho, nem deixar a Amora meter o bedelho. – acusou.
- Eu fiz uma pergunta, e o Fabinho já começou a ofender a Amora.
- Bento a Amora vive atravessada na garganta de todo mundo. Se ela não quer ser ofendida que fique em casa. – a moça sugeriu.
- Mas você também não facilita né, Giane?
- Olha meu sábado tá muito incrível pra eu ficar perdendo tempo falando da naja. E Bento pela nossa amizade vamos mudar de assunto.
- Ah tá. – revirou os olhos. – Vamos falar de quê?
- Eu tava pensando... A Acácia tá meio caidinha, né? Precisa de uma pintura nova, uma nova placa... Que cê acha?
- Acho que você tem razão Gi, mas precisamos dar uma olhada no orçamento. – ponderou.
- Vamos aproveitar que baixou o movimento e dar uma olhada?
...
Enquanto isso Fabinho chegou a Toca do Saci. A avó de Malu que já sabia da proposta da neta ao Fabinho, torceu o nariz quando o viu chegando. Mas não arrumou empecilho e o deixou ir encontrar a pedagoga.
- Oi Malu. – Fabinho saudou a moça.
- Fabinho! – sorriu largando os livros que organizava. – Que bom te ver. – o beijou também o abraçando.
- É bom te ver também. A proposta ainda tá de pé?
- Lógico! Claro que tá! – confirmou. – Você quer começar segunda?
- Posso começar agora, se você estiver precisando de ajuda. – ofereceu. Malu apoiou as mãos na cintura olhando as caixas em volta.
- Se você realmente tiver afim eu ia adorar uma ajuda com esses livros novos que chegaram da doação. To conferindo os títulos e arrumando nas prateleiras.
- Já era. – ele se dispôs.
...
A papelada toda em cima da mesa era a base dos cálculos que Giane e Bento usavam pra saber se tinham dinheiro suficiente pras melhorias.
- Bom dá pra pintar de imediato, mas a nova placa a gente tem que adiar.
- Pode deixar que a placa eu mesmo pago.
- Se for tão importante assim, eu posso pedir um empréstimo pro Plínio, e depois eu pago.
- Pagar o dinheiro que é seu?
- Eu posso ser o filho do Plínio como diz o exame, mas não acho justo pegar o dinheiro que ele batalhou pra conseguir.
- Tem razão, eu também penso assim! – explicou – Então vamos fazer o que der com o nosso dinheiro, o que não der a gente faz depois.
- Oi amor. – Amora interrompeu a reunião deles e beijou o rosto do marido. – Oi Giane querida.
- Que foi patricinha sem salto?
- Nossa pensei que seu humor tivesse melhorado. Aliás, parabéns!
- Parabéns? – Bento revezou o olhar entre as duas. – Parabéns pelo quê?
- Eu sei lá o que se passa na cabeça de louca? – Giane revirou os olhos.
- Ah, eu to feliz por você querida. Eu to muito agradecida por você finalmente ter encontrado alguém a sua altura. Vê se sossega agora e deixa meu marido em paz. – comentou ardilosa.
- Do que você tá falando? – Bento arqueou a sobrancelha.
- Bento, já pensou que lindo? Nós quatros que crescemos juntos pelas ruas na Casa Verde, agora estamos formando casais? – sorriu como se estivesse animada, mas só estava sendo venenosa.
- Pelo amor de deus, Amora! – Bento esbravejou. – Fica quieta pelo menos uma vez na vida. Giane? – se voltou para amiga, juntando os pontos. – O que a Amora falou é verdade? – Giane apertou a caneta entre os dedos, mas queria era apertar o pescoço de Amora, como ela podia ser tão cínica? Ela estava tentando fazer a cabeça de Bento contra ela, mas aquela naja não iria se sair por cima.
- Verdade! – Giane contou – Sim, eu e o Fabinho estamos juntos sim.
- Como assim Giane?
- Como assim o quê Bento? Você não sabe como é namorar alguém?
- Alguém não, a gente tá falando do Fabinho.
- É Bento, é claro que estamos falando dele.
- Giane você enlouqueceu né? Você acreditar na suposta inocência do Fabinho é uma coisa, daí namorar? Namorar Giane?
- Olha aqui Bento, dobra a língua pra falar do Fabinho. Eu e ele estamos juntos, e eu gosto dele pra valer. E eu sinto muito, mas você é o ultimo que pode me aconselhar na matéria de namorar suspeitos. Porque você até casou com uma bandida. E o Fabinho ao contrário dessa daí, tá se empenhando de verdade em ser uma pessoa melhor.
- Ai que piada. – Amora gargalhou.
- Piada vai ser a sua cara depois que eu deixar ela irreconhecível. – a it-girl foi ameaçada pela new face.
- To morrendo de medo.
- Amora pelo amor de deus, vai pra casa, pra rua, pro shopping, pra Marte, mas sai daqui! – Bento se levantou quase ficando vermelho de raiva.
- Não, deixa a bisca ficar, eu vou indo. – Giane largou suas coisas e saiu.
- Giane volta aqui? – pediu Bento.
- Ai Bento desculpa. Você e ela são tão amigos, que eu achei que você ia ficar feliz, ou pelo menos que ela já teria te contado. – dissimulou.
- Nossa Amora falando assim eu só consigo pensar que você realmente é muito baixa. – disse impaciente. – Vai embora vai! – pediu – Eu vou fechar a Acácia mais cedo.
...
- A culpa é das estrelas, Reinações de Narizinho, Memórias de Emília... – leu Fabinho.
- Nossa dizem que esse livro é fantástico, acho que eu vou dar uma lida primeiro. Os do sitio você coloca naquela pilha, que eu vou juntar com os que a gente já tinha. – Malu disse.
- Bom, essa foi a ultima caixa. – Fabinho virou o papelão de ponta cabeça e mostrou pra dona da ONG.
- Nossa Fabinho, você deu uma força e tanto. Foi uma mão na roda.
- Até que passou rápido. – ele checou o relógio do celular.
- Fabinho, deixa eu te perguntar uma coisa? – Malu mordeu a boca, tentando parecer despreocupada, e se apoiando na mesa.
- Que cara é essa Malu? – ele sorriu – Pergunta.
- Percebi hoje que cê tá todo sorridente, mais leve. Felizinho...
- Ué posso ficar feliz não? – disse sorridente.
- Olha só esse sorriso. Tem coisa ai, e eu adoraria saber.
- Curiosa a senhora né?
- A senhora aqui, tá louca pra saber se tem alguma coisa a ver com certa moça, que mora lá na Casa Verde. Até porque ontem quando eu cheguei no Cantaí, nem ela nem você estavam. Ai de vez em quando a gente soma 1+1 e descobre o resultado.
- A Giane? Tá falando da Giane?
- Ai Fabinho, não me deixa na curiosidade. Eu to sacando o clima entre vocês faz um tempão! – estalou o dedo.
- Tá é? – sorriu – Sacou certo. Aquela maluca aceitou namorar comigo hoje cedo!
- Ah eu sabia, eu sabia! – bateu palmas. – Quando eu vi ela outro dia com aqueles olhinhos agoniados, e toda confusa, eu tinha certeza que vocês estavam apaixonados.
- Outro dia?
...
Giane passou a tarde limpando a casa minuciosamente, tentando dar um jeito na bagunça que havia se acumulado. Estava extremamente irritada com Amora. E quem era Bento pra dar pitaco em sua vida? Ele podia ser seu melhor amigo, podiam ter crescido juntos, mas ele não ia ditar o que ela podia ou não fazer. Ela já se apaixonara, mas o que andava sentindo por Fabinho, ia muito além do que ela já pensara ser possível. Parecia algo tão grande que nem cabia no peito, tinha sido assustador no começo, mas ela tinha certeza que se acostumaria com os fatos...
Mal percebeu quando a noite caiu. Correu pra tomar banho e se arrumar. Mais cedo Fabinho havia mandado mensagem avisando sobre o jantar que Margot ia preparar e eles iam oficializar o namoro. Silvério chegou em casa e esperou a filha terminar, os dois saíram na hora marcada.
Fabinho veio receber os dois na porta, saudou Silvério o deixou entrar, enquanto agarrava e apertava Giane num beijo entusiasmado.
- Bebeu foi maluco? – Giane disse.
- Maluco só se for de felicidade. – fechou a porta entrelaçou a mão dela à sua. Margot veio vê-los, sorriu contente animada demais com o relacionamento do filho, afinal ele havia ficado todo ansioso enquanto esperava as visitas chegarem, o que só confirmou as suspeitas dela pelo filho chego só de manhã em casa.
Os quatros dividiram um frango com batatas, pavê de chocolate com morango e muita conversa animada. Fabinho não perdeu a chance de fazer piada com o clima entre a mãe e o sogro, mas também não perdoou Giane. A gata não saiu por baixo, sempre rebatendo o namorado com esperteza, garantindo boas risadas.
Depois de ajudar a sogra a tirar a mesa, foi liberada. Fabinho a convidou para darem uma volta, a moça aceitou o convite e fez questão de sair de mão dada. Ela pouco ligava para os comentários que aquilo iria gerar. Seu coração estava tão contente que estava a ponto de explodir. Ela amava aquele encrenqueiro e isso era o suficiente. Por mais que um pedacinho de si estivesse triste por causa de Bento, ela só desejava que um dia ele pudesse entender. E que Amora ou mudasse, ou fosse pastar bem longe da vida do amigo. No entanto sabia muito bem que aquela lá merecia era ver o sol nascer quadrado.
- Que cara é essa de quem tá resolvendo o problema mundial da fome? — Fabinho a despertou.
- Nada não. To pensando aqui com os meus botões. – pararam. Giane soltou a mão dele para ficarem de frente. Abraçou a cintura dele com seus braços, enquanto ele fazia o mesmo com ela.
- E eu to pensando que aqui foi onde tudo começou. – comentou. Giane olhou em volta e deu de cara com o banco, onde dias antes ela incentivara Fábio pedir um amor, abriu um sorriso sincero e apaixonado.
- Será? Olha que parece que deu certo.
- Parece? – ele a beijou, ambos se acomodaram no banco, ela com a cabeça apoiada em seu ombro e de mãos dadas. – Se bem, que eu acho que já tava rolando. A gente é que não tinha se dado conta ainda.
- Pode ser. De vez em quando acontece de a gente se apaixonar por um tranqueira.
- Eu não sou tranqueira Giane. – se defendeu.
- É sim. Meu tranqueira. – ela levantou a cabeça e o fitou. – E na nossa língua isso significa: meu namorado oficial.
- Eu esqueci que a gente tem o próprio dialeto. – sorriu. – Olha só quem tá de olho na gente. – confidenciou. – A fã da Amora.
- A Socorro? – ele confirmou – Aquela não tem vida própria coitada.
- Cê não tá preocupada não? Amanha ela corre e conta pra Amora, que corre e conta pro amiguinho da natureza.
- Eu preocupada? – riu – Além do mais pra sua informação o Bento já tá sabendo.
- Você contou pra ele?
- Nem precisei, a naja correu e jogou a notícia nele.
- E ele?
- Ficou bravo, falou que eu tava doida, mas eu não ligo. – concluiu. – Que foi esse sorrisinho ein?
- Nada não.
- Pode falar, cê tá todo se achando.
- To mesmo. Pensa que eu não sei que você correu pra abrir o coração com a Malu depois que a gente se beijou da primeira vez?
- Eu não acredito que ela te contou.
- Ah por que não? Eu gostei de saber que eu te deixei toda agoniada. – provocou.
- Mas é muito besta mesmo. Já não se acha de natureza, agora então... – revirou os olhos.
- Agora eu posso. – retrucou.
- E ai, o trabalho na Toca? Vai continuar mesmo lá?
- Até eu arranjar algo melhor.
- Por que você não dá outra chance pra Crash Mídia?
- Bebeu moleque?
- Fabinho, olha pra mim? Você é bom no que faz. Aliás, você gosta disso.
- Eu gosto Giane. E não to desistindo da publicidade. Só não vou voltar pra lá por baixo, enxotado. Eu só boto meus pés lá, como sócio.
- Sócio Fabinho?
- Eu sei que eu não tenho um puto no bolso, mas quem sabe daqui a algum tempo eu consiga.
- Tá pensando em quê? Arrumar outro pai rico?
- Não tem graça.
- Desculpa. Só tava te testando.
- Eu lá sou equipamento com defeito pra você ficar testando? – ralhou.
- Ah fica quieto seu imbecil – o repreendeu, acabando a briga da forma mais diplomática conhecida, com um beijo.
Notas finais
Comentário casual e adicional: Se o beijo já foi 'daquele jeito' o que esperar quando os dois resolverem se 'pegar pra valer'?
Hoje Giane com 'pena' do Fabinho --'
Beijos
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