Notas iniciais
Espero que gostem! É o último.

Num movimento rápido sento-me e abraço-o com força.

– Todos queriam ser os primeiros… mas tu ganhaste… — olhei-o com felicidade.

Ele agarrou as minhas bochechas e beijou-me de novo. Mas era um de novo velho, pois já la vão quatro anos desde que nos beijámos… Ele estava quase igual…

No momento em que se afastou levou um empurram da Sammanta, ela abraçou-me também. Retribui o aperto como sinal de ‘paz’. Eu queria dizer qualquer coisa, mas acho que não tinha palavras.

Ela olhou para com o seu olhar ‘’esgrouviado’’, sorriu, apertou as minhas bochechas com força, depois correu para a porta e gritou:

– Ela acordou!

A sala rapidamente se encheu com todas as minhas visitas. Faltava lá o meu pai e o meu irmão… espera… o meu irmão!?

Saltei da cama, puxei os fios que estavam ligados a mim e corri para fora do quarto, todos ficaram a olhar para mim com um ar surpreendido, não quis saber. Enquanto corria, apertava bem a minha bata atrás. O chão estava frio, olhei para os pés estava descalça. Comecei a pensar de novo no quarto do Lucas. 254!

Já estava no corredor certo, quando ouvi alguém correr atrás de mim. Olhei para trás, era um médico. Ele agarrou o meu pulso.

– Tens de voltar para o quarto para te examinarmos.

– Eu só quero ver uma coisa.

– Vamos.

– Por favor… deixe-me ir.

– Não!

– Mas tenho de ir!

– Menina, tens de voltar para o quarto.

Soltei o meu pulso e voltei a correr, desta vez mais rápido, apesar de o médico ter parado de correr. O médico era mesmo parvo! Fogo!

Entrei no quarto. Lucas estava sentado na cama, de olhos fechados, com a cabeça apoiada na mão. Andei devagar, para que não me ouvisse. Dei-lhe um beijo na bochecha. Ele abriu os olhos, aqueles olhos abriram de felicidade, nunca tinha visto aquele olhar. Ele abraçou-me com força.

– Estava preocupado contigo.

Continuamos a abraçar-nos.

– Eu estava só a fazer uma pausa… temos de voltar à lição de condução.

– Mais tarde… mas como é que estás? — ele agarrou os meus braços com firmeza e olhou-me nos olhos.

– Estou bem. — comecei a abanar os braços para que ele diminui-se a força.

– Acordaste agora?

– Sim.

– E já fizeram os exames?

– Eles tentaram… mas eu vim para aqui primeiro.

– Tu és louca? — ele fez o seu olhar de ‘’o quê?’’.

– Eu queria ver-te primeiro… como não estavas lá… eu vim ter contigo.

– Mas eu já lá fui.

– Eu sei. Mas não devias. — mandei-lhe uma pancada leve no braço. — Se a Tânia disse que não podias não ias!

– Tu ouvias o que eu dizia?

– Sim… foi um momento um pouco estranho…

Ele levantou-se e pôs-me o braço direito por cima, vamos lá ter com os médicos.

– Achas que podemos chamar a Tânia.

– Eu aposto que ela já lá está à tua espera.

Estávamos a andar pelos corredores, em silêncio.

– A mãe foi-me la visitar… — interrompi o silêncio.

– Eu sei… ela também me veio ver.

– Correu bem?

– Nem por isso…

– Gritaste muito com ela? — perguntei um pouco preocupada.

– Talvez não o suficiente. Só lá foi um segurança.

– Lucas… — chamei-o à atenção.

– Clarissa! — Anna gritou e abraçou-se a mim.

– Sim, estás perdoada. — disse no seu ouvido.

– Sim, eu conseguia ouvir-te. — ela disse também baixinho.

Agarrei-a firme pelos braços.

– O quê!?

Levei um encontram, o Robert ficou entre nós, antes que ela me pudesse responder. Ele abraçou-me, mas antes de retribuir o abraço, fiquei a olhar uns segundos, estupefacta para Anna. Ela apenas encolheu os braços.

– Desculpa Robert. – disse baixo.

– Também peço desculpa.

– E fico feliz por estares com a Sammanta.

Ele afastou-se e olhou-me com um ar surpreso, ele não devia acreditar que eu o tinha ouvido. Eu sorri e encolhi os braços.

– Minha querida! – a minha tia meteu-se entre nós e abraçou-me.

– Eu perdoou-te… mãe. Mas fica só entre nós? — sussurrei.

– Claro.

– Já chega de abraços temos de fazer exames. – Tânia puxou-me pelo braço e abraçou-me.

Ri-me.

– Só este… e mais um.

Ela largou-me e fez sinal de que sim com a cabeça.

Cruzei um olhar com a minha mãe e abracei-a. Os seus abraços ainda eram iguais. Como eu senti a falta deles.

– Vai fazer os exames. — Lucas quase rosnou e lançou um olhar de raiva à minha mãe.

Levada por Tânia, lá foi fazer os exames de que tanto falavam. Felizmente, não demoraram muito tempo.

– Pelos vistos está tudo bem. — disse a Tânia enquanto lia uns papéis.

– Podes pedir desculpa ao teu colega por mim? — ainda sentada na cama, perguntei.

– Qual?

– Era bem giro.

– Já sei quem é. Sim eu digo-lhe. — ela riu.

– Tens alguma roupa que me emprestes?

– Deixa-me só ir buscar.

Tânia pousou os papéis e quando abriu a porta estava lá Daniel, que perguntou se podia entrar. Ela olhou para mim, acenei que sim com a cabeça e ela foi buscar as roupas.

– Então… — ele disse ficando de seguida à minha frente.

Eu permaneci sentada na cama.

– Então… — retribui.

– Como estás?

– Não vamos ter esta conversa de treta. – aumentei um pouco o tom de voz. — Perdoa-me por ter beijado Robert, por não te ter dito, por te ter traído… eu não sei bem o que aconteceu… eu naquele dia… não estava bem e só fiz… — fui interrompida por um beijo.

Ele aproximou-se mais da cama e as minhas pernas ficaram à volta da sua cintura. Comecei a pensar porque não tinha entrado em coma mais cedo… depois lembrei-me de que me queria suicidar… ou talvez não… eu queria Daniel. E já tinha quase tudo de volta… talvez não valesse a pena.

Tânia entrou. E nos ainda nos estávamos a beijar. Afastamo-nos ajeitamos a roupa. O Daniel ficou muito vermelho e um sorriso enorme não saía da minha cara.

– Desculpem. — Tânia foi contagiada pelo meu sorriso. — Vim só deixar as roupas.

Pousou as roupas as roupas em cima da cama e saio de novo.

– Calculo que isso signifique que estou perdoada.

– Sim.

Ficámos presos no olhar um do outro por alguns segundos.

– Estás diferente. – ele olhou para mim de cima abaixo.

– Estou evoluída?

– Estás mais crescida, sim.

– Sabes eu já tenho 21.

– Pois é! Parabéns! Hoje ainda é o teu dia de anos? Eu estive em coma por pouco tempo.

– Obrigado. Sim ainda é o meu dia de anos… mas esse é o problema…

– Não estou a perceber.

– Eu tenho 21 e tu 17.

– O quê? — franzi as sobrancelhas. – Estás preocupado com a pedofilia?

Ele olhou para o chão como sinal de culpado.

– Daniel! A sério? Cala-te! – mandei-lhe um encontram.

– Mas é verdade.

– E então? Só é pedofilia se eu não quisesse! E para além do mais eu já estou na idade de consentimento.

O meu irmão entrou.

Agora sim senti vergonha… ele ouviu pelo menos o fim da conversa.

– Daniel, podes sair?

Ele nem respondeu, saio e pronto.

– Posso me vestir primeiro?

– Não precisaste de te vestir para falar com ele, não precisas de te vestir para falares comigo.

– Desculpa. Nós só estávamos a falar.

– Eu não quero saber o que estavam a fazer. – O Lucas entrou no seu modo autoritário. – Vamos retomar a nossa conversa.

– Ah! Então porque gritaste com ela.

– Porque como deves saber… ela abandonou-nos porque tinha um problema de saúde e agora vem voltar para nós.

– Não estou a ver qual é o mal.

– Não? Abandonou-nos porque tinha um problema de saúde! Achas razoável?

– Lucas, calma. Eu sei lá. Mas, não sabes o que ia na sua cabeça.

– Em vez de ficar connosco e ter algum apoio, foge! – ele já estava a gritar.

– Lucas, ouve uma coisa. Eu sei que lhe tens raiva por ela nos ter abandonado, ainda por isso devido à idade que tinhas, deve ter sido complicado perceber o porquê. Mas ela só queria paz.

– Paz? E nós?

– E ela? Não podia ser feliz?

– E a sua felicidade tinha de me causar infelicidade.

Farta dos seus gritos, saltei da cama e gritei também.

– E por causa da tua felicidade ela tinha de ser infeliz!?

– Como ainda a defendes?

– Sabes que não tens razão, certo? – parei de gritar. – Se tens a razão do teu lado expressa--a, não me insultes.

– Os pais não deviam fazer tudo pelos filhos? – ele parou de gritar também.

– Sendo infelizes? – franzi as sobrancelhas.

– Eles é que nos tiveram! Se não nos quisessem aturar não nos fizessem! – ele falava irritado, mas sem gritar.

– E se ela tivesse tido um esgotamento e morrido? Era justo? Morrer para seres feliz?

– Eu morria por ti. – uma lágrima começou ver-se no canto do seu olho.

– Lucas… por favor… não digas isso outra vez.

Ele enxugou a lagrima antes de ela escorrega-se pela cara.

– Porquê?

– Porque eu não quero perder-te! Nunca!

– Também eras capaz de fazer o mesmo por mim.

– Claro! – gritei.

– Nem penses numa coisa dessas!

Sorri e abracei-o.

– Percebes o que eu quero dizer? – ele perguntou, mas não nos largámos.

– Sim… mas isto somos nós. Ela não é assim.

– Mas ela só pensou nela… eu não percebo como.

– Porque era SÓ ela que estava a morrer.

– Então mas e o pai? Ela não pensou em como ele ia ficar?

– A tia não veio falar contigo, pois não?

– Não, porquê?

– Por nada.

Ele afastou-se e perguntou outra vez, desta vez com um tom mais sério.

– Porquê?

– Não posso dizer.

– E vais me deixar nesta infelicidade?

– Não posso. Tu vais te passar e bater em alguém.

– Eu prometo que não vou.

– Mas não vais conseguir.

– Tu vieste aqui para quê? – tentei mudar o assunto.

– Eu precisava de falar com alguém.

Senti um aperto no peito… foi a melhor conversa que já tive com ele, ele estava a abrir-se como não era costume.

Abracei-o com força e evitei as lágrimas ao máximo.

– Por favor… conta-me.

– A tua mãe não é a mesma que a minha. – disse muito rápido.

– O quê? – ele perguntou pensando que eu estava a gozar.

– A minha mãe é na verdade a tia.

– Clarissa, eu vi a mãe grávida. – ele não estava a acreditar nem um bocadinho.

– Ela usou uma barriga falsa, para só ela, o pai e a tia saberem.

– E quem é o pai?

– Tu não estás a acreditar.

– Quem é o pai? – ele perguntou autoritário.

– O mesmo que o teu.

– Isso não está bem contado.

– Ou acreditas em mim ou não acreditas?

– Ou confronto a mãe.

– Não! — elevei a voz.

– Não porquê? Ela deve saber.

– Não faças isso. Não agora.

Ele dirigiu-se à porta.

– Por mim! – gritei assim que ele tocou na maçaneta.

– Vamos lá para fora. – ele ordenou.

Eu conhecia aquele olhar, ele ia perguntar, mas não agora.

– Devíamos ir para casa. Todos! — Lucas falou alto, para que todos ouvissem.

Olhei para mim, ainda não estava vestida.

– Lucas, vou-me só vestir. – disse de forma a que só ele me ouvisse.

Entrei no quarto. Tranquei a porta e vesti-me. A Tânia tinha me trazido uma blusa preta larga, umas calças de ganga e uns ténis pretos.

Saí do quarto.

– Eu posso dar-vos boleia para casa. – disse Daniel a Lucas.

– Se não te importares.

Estavam todos a ir-se embora. E eu nem me despedi!

Corri até eles, dei um beijinho a cada um e agradeci. À Sammanta, ao Robert, à Anna, e ao Rafael, que ainda mal me tinha falado, disse que nos encontrávamos amanhã em minha casa para pormos a conversa em dia e todos concordaram.

Eu, Daniel e Lucas fomos para minha casa.

Quando chegámos Lucas disse que ia sair e que só voltava tarde. Daniel ficou comigo.

– Doce casa. – disse assim que abri a porta.

– Mas estiveste em casa ontem.

– Mas o dia de hoje, pareceu uma eternidade.

Daniel beijou-me. Ele andava com saudades! Levantou as minhas pernas e eu enrolei-as na sua cintura. Ele levou-me até ao quarto e pousou-me na cama.

Deitei-me para trás e ele ficou por cima de mim. Ele beijou-me desde o canto da boca até ao ombro. E começou a levantar a minha blusa.

Agarrei-a com as duas mãos e puxei para baixo.

– Não consigo. – disse assustada.

– Eu não te vou fazer o que te fizeram.

– Daniel… eu tenho medo.

Sentei-me encostada para trás na cama e ele sentou-se à minha frente.

– Se quiseres parar, parámos.

– Mas eu não sei…

Ele beijou-me suavemente nos lábios e afastou-se.

– Tu é que mandas.

Respirei fundo.

Ele beijou-me outra vez e eu fiz que sim com a cabeça, como sinal de que queria tentar.

(…)

Eu estava com medo… mas tudo correu bem… ele acabou por fazer desaparecer o medo.

(…)

No dia seguinte, estivemos todos juntos e revivemos ‘’o antigamente’’. Eu não tinha coragem de me matar. Não agora que tinha a minha mãe de volta, os meus amigos, o meu namorado e o meu irmão.

(…)

Três meses depois, estou na casa de banho… com um teste de gravidez na mão… POSITIVO! Eu estou grávida! Não sei se é bom… se é mau…. Fico feliz…, mas tenho um problema maior que a idade… eu não sei se o filho é do Daniel ou do Violador!

Fim

Notas finais
Eu sei que não é um bom final, muito menos concreto, mas eu também não me sinto motivada para continuar a escrever esta fic. Realizei o fim que acho que pediram, eu pedi em quase todos os capítulos que comentassem, e foram poucos os leitores que o fizeram. Obrigada a quem comentou! Não fazem ideia do bom que é ter um comentário cada vez que chegámos ao Fanfiction, mesmo que seja um ''gostei muito, continue''. Eu ficava tão feliz. Eu não irei pegar mais nesta fic, para escrever seja o que for. Eu vou tentar de novo com uma outra história e ver o que acontece, a ver se tem mais comentários. Obrigada a quem acompanhou e quem comentou, foi a primeira fic que realizei com um principio e um fim, vamos ver o que acontece na segunda. Espero que um dia venha a ter 500 comentários para responder... ter recomendações quando abro a página... vir a ser um dia uma boa escritora... Obrigada a quem leu!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!