Notas iniciais
Espero que gostem! Boa leitura!

Era segunda-feira, estava super nervosa. Iria falar com Robert. Estava com medo do que ele pudesse dizer.

Durante o fim de semana falei muito com o Daniel. Ele é bastante simpático. E acho que de momento está a substituir a minha melhor amiga. Consigo falar com ele sobre tudo. Ele é um excelente ouvinte e também dá bons conselhos. Não fala muito de si, não gosta muito que lhe fação perguntas. Mas é o feitio dele. Tenho de aceitar. Estou-me a apegar muito a ele.

Estava preparada, tinha de ir para a escola.

A escola da Anna hoje iria estar fechada, devido a uma explosão que houve no laboratório de ciências. Por isso, a minha ex-melhor amiga, deveria ficar todo o dia em casa. Assim não me iria chatear.

Estava mesmo a chegar quando vejo Robert e uma rapariga, mas estava de costas não a conseguia identificar. Eles estavam do lado de fora da escola, junto às grades do portão. Devia ser apenas uma amiga sua.

O Robert e a amiga estavam apenas a uns dois ou três metros de distância de mim.

Eu ia cumprimentá-lo, mas arrependi-me. Ele estava ocupado. A beijar a amiga. Não podia ser, eu conhecia aquela amiga.

– Anna! — gritei, assim que terminaram o beijo.

– Oh! Olá Clarissa. Eu não queria que descobrisses assim…

Robert estava com os seus olhos dirigidos para mim, mas era um olhar de infinito.

– Robert! – chamei-o e o olhar de infinito desapareceu.

Anna virou costas, como se o assunto não fosse com ela, e segui-o caminho para casa.

– Clarissa, olha isto… — estava bastante atrapalhado e quase tão surpreendido quando eu.

– Andaste a falar mal de mim? — cheguei-me perto dele e olhei-o nos olhos. Por mais que o beijo me tivesse surpreendido e magoado, ele tinha o direito de estar com quem quisesse, não era meu namorado.

– Eu?! Quem te disse isso?! — quando falei, Robert não esperava aquela pergunta.

– Ela! — gritei dirigindo o meu olhar para Anna que já ia bem longe, mas Robert não olhou para trás, sabia bem quem tinha sido.

– Clarissa eu não disse nada. Porque haveria de falar mal de ti! E à tua melhor amiga. – ele estava irritado, e disse exatamente o que eu pensava.

– Mas tu andaste a falar mal de mim. — ele não estava a perguntar, mas a afirmar. O que me deixou desarmada. Sempre falei bem daquele moreno.

– Acreditas nisso?! – estava quase a gritar – Acreditas mesmo?! Que eu disse mal de ti?! — nada daquilo fazia sentido na minha cabeça, como poderia aquele moreno pensar que disse mal dele. Ele sabe o que eu sinto.

– Não. — o seu tom de voz estava bem mais baixo, custava-lhe admitir que tudo aquilo era um absurdo.

– Robert, quem te disse isso? — suavizei o meu tom de voz tal como ele tinha feito.

– Não posso dizer. — o seu olhar dirigia-se para o chão.

A campainha tocou. Já estávamos a discutir à algum tempo, pois eu vim vinte minutos mais cedo.

– Tenho de ir para as aulas. — o moreno falou sem nunca olhar para mim e voltou costas.

– Espera. – agarrei-o pelo braço – eu também. — sorri o que o fez olhar para mim e sorrir também.

Estava ao lado dele, ambos agarrávamos as alças da mochila com as duas mãos, para evitarmos contacto físico.

– Robert. — os olhos azuis dele prenderam-se nos meus, ele estava com medo do que eu ia dizer, soltei a mochila e agarrei-o em ambos os braços para que parasse de andar — Gostas dela?

– Eu não sei o que foi aquele beijo. — ele sorriu fraco ao falar, e percebi porque ficou tão assustado com tudo isto.

– Ela queria apenas virar-nos um contra o outro. — não consegui esconder o meu sorriso, estava feliz por Robert não sentir nada pela minha ex-melhor amiga.

Sentia-me feliz e infeliz ao mesmo tempo, tinha perdido uma amiga, uma grande amiga. Mas mais vale sozinha do que mal acompanhada. E foi bom perceber quem era Anna de verdade agora, mais tarde seria ainda pior.

(…)

Assim que cheguei da escola, peguei no telemóvel e sentei-me no sofá. Ainda ninguém tinha chegado a casa.

O Lucas trabalhava como segurança no hospital e o meu pai é pediatra no mesmo hospital. Para pouparem gasolina vão e voltam do trabalho juntos.

Eu: Oi Dani!

Danieldri: Oi!

Eu: Como foi o teu dia? Alguma novidade?

Danieldri: Foi bom. Sem novidades.

Danieldri: E o teu como foi?

Não me importava de lhe contar, precisava mesmo de falar com alguém e ele até já sabia do Robert e do que Anna disse. Contar não iria fazer diferença.

Eu: Cheguei à escola, e o Robert e a minha ex-melhor amiga estavam a beijar-se.

Danieldri: Como sempre. Tens sempre algo interessante para me contar.

Danieldri: E o que fizeste?

Eu: Perguntei-lhe aquilo que ia perguntar antes de ver o beijo.

Danieldri: E então?

Eu: Então… alguém andou dizer que eu falei mal dele e ele de mim. E nenhum de nós tinha dito nada. Resolvemos as coisas e já estamos bem.

Danieldri: Aposto que esse alguém foi a tua amiguinha.

Eu: Eu tenho a certeza.

Danieldri: E sobre o beijo? Não disseste nada?

Eu: Perguntei-lhe se gostava dela. Ele disse que não sabia o que tinha sido aquele beijo.

Danieldri: E a tua amiguinha o que disse?

Eu: A Anna disse que não queria que eu descobrisse assim e foi-se embora para casa.

Danieldri: Que grande cabra.

Eu: Não quero falar mal dela.

Danieldri: Queres falar sobre o quê?

Eu: Sobre ti. Nunca me dizes nada. E não te atrevas a ir embora.

Danieldri: O que queres saber?

Eu: Como és?

Danieldri: Sou um rapaz.

Eu: Pois sim… Manda-me uma foto.

Danieldri: Não me parece uma boa ideia.

Eu: Estás com medo que uma menininha te faça alguma coisa.

Danieldri: Eu envio-o. Mas com uma condição.

Eu: Qual?

Danieldri: Envias uma foto tua também.

Eu: Ok. Mas tu primeiro.

Ele enviou a foto sem hesitar mais. Ele era lindo! Era o segundo rapaz mais lindo que já conheci. Claro, que o primeiro era o meu irmão.

Os seus cabelos eram pretos, os seus olhos verdes, os lábios eram carnudos, era perfeito. Eu estava hipnotizada. E a foto foi tirada na praia. Ele não tinha camisola. Aqueles músculos. Eram quase tão definidos como os do Lucas.

Eu: Oh meu deus!

Danieldri: O que foi?!

Eu: Nunca me disseste que eras lindo de morrer.

Danieldri: Que exagero! Envia lá a tua foto.

Enviei uma foto onde estava na praia, também. Provavelmente não iria fazer diferença por eu ser mais nova. Mas ele podia sempre ver as curvas do meu corpo.

Eu: Espera! Em que praia tiraste a tua foto?

Na Suíça não existem muitas praias, pois a Suíça situa-se longe do mar. As praias que existem são fluviais.

Danieldri: No lago Lemán.

Eu: Em Préverenges?

Danieldri: Sim, porquê?

Eu: A minha foto foi tirada exatamente no mesmo local que a tua.

Danieldri: Eu moro muito perto da praia.

Eu: Eu também. 20 minutos a pé.

Danieldri: Da minha casa são apenas 5 minutos a pé.

Eu: Encontramo-nos lá em 25 minutos.

Danieldri: O quê!? Nem pensar! Já é tarde.

Eu: Não me vais deixar pendurada?

Danieldri: Clarissa! Não.

Eu: Ainda bem que não vais. Adeus até já.

Desliguei o telemóvel para que ele não pudesse dar resposta.

Levantei-me do sofá. Vesti um biquíni preto, uns calções de ganga e uma camisa branca. Lavei os dentes, penteei o cabelo. Meti uma toalha e o meu telemóvel numa mala. Coloquei a mala às costas e corri porta fora.

Ao chegar cá fora dei de caras com Lucas.

– Onde vais a esta hora?

– Vou sair. — desviei-me dele pronta a correr outra vez.

– Isso eu já vi. — ele colocou-se à minha frente de novo.

– Vou à praia. Vou-me encontrar com uma pessoa. — soltei um suspiro.

– Um encontro?! Então e quem é? O Robert? — ele estava com um sorriso malicioso.

– Não, vou conhecer uma pessoa. — desviei-me dele.

– Conhecer?! Espera aí?! Tu não sabes quem é?! — o sorriso desapareceu por completo.

– Ainda não o conheço pessoalmente. Agora deixa-me ir que já me atrasaste muito. — revirei os olhos eu só queria ir conhecer o Daniel.

– Está bem. Anda eu levo-te.

Não me parecia nada mal. Assim recuperava o tempo que tinha perdido.

Entrámos no carro. O Lucas sentou-se no lugar do condutor, claro e eu no banco do pendura.

Acenei ao meu pai, que tinha assistido à conversa. Mas como ele, ao contrário do meu irmão, confiava em mim, não fez uma única pergunta. Limitou-se a acenar também.

Quando estávamos quase a chegar, o Lucas quebrou o silêncio, que durava desde que entrámos no carro.

– Leva isto. — era um spray de gás pimenta.

– Porquê? — arquei uma sobrancelha.

– Porque sim! E eu vou ficar no carro à tua espera. Qualquer coisa liga.

– Sim, pai. — disse-lhe com uma voz de gozo, mas ele não ligou.

Chegámos. E vi um rapaz de cabelos escuros chegar também. Calculei que fosse ele. Porque como não estávamos na época balnear, não havia ninguém na praia se não esse tal rapaz.

– Tens o spray? — o Lucas estava tão preocupado.

– Tenho. Não te preocupes. Vai correr bem. – com as minhas palavras ele ficou mais calmo.

Corri até à areia.

– Olá! – exclamei, estava a sorrir descontroladamente.

– Eu estava mesmo para não vir.

– Então porquê? Senta aqui, ao pé de mim. — sentei-me e esperei que se sentasse também.

– Não posso. — ele disse baixinho, olhou para mim, com aqueles olhos lindos e coçou a cabeça.

– Estás preocupado com o que as pessoas vão pensar. Não está aqui ninguém. — fiquei triste por ele estar tão preocupado com isso.

Ele olhou à volta e sentou-se.

– Está um rapaz no carro, lá em cima.

– Não te preocupes. É o meu irmão. — sorri, mas ele não retribui-o o sorriso.

– Ele veio contigo? – ele estava assustado.

– Para garantir que não fazias nada. Mas não penses nisso. — eu estava muito relaxada.

Olhei para o céu, para o lago, para o horizonte. Estava um dia lindo.

Deitei-me na areia, com os braços apoiados para que conseguisse observar a vista.

– Gostas de praia? — perguntei-lhe sem deixar de olhar para a linha do horizonte.

– Eu adoro a praia. — olhei diretamente para ele, reparei que estava na mesma posição que eu e a olhar o horizonte, mas mantinha distância. Também reparei nas suas roupas, tinha uma camisola branca e umas calças de ganga.

– Eu também. Mas o que gosto mesmo é de nadar. – ele falou e desviou o olhar para mim, os nossos olhares ficaram presos. Como ele era lindo. Os seus cabelos eram relativamente compridos, mas assentavam-lhe mesmo bem.

– Eu não trouxe fato de banho. — ele quebrou todo aquele hipnotismo.

– Obrigada. — sorri ao dizer.

– Pelo quê? – ele olhou para mim, era mesmo o que eu queria.

– Por teres vindo, disseste que pensaste em não vir. – ao explicar o porque ele sorriu também.

– Não te iria deixar pendurada. — os nossos olhares voltaram a ficar presos, mas eu estava a adorar.

– Anda. Vamos até ali ao fundo. — foi a minha vez de quebrar o hipnotismo.

Eu queria que nós fossemos até a uma espécie de plataforma.

– Eu gosto muito daquele lugar. — levantei-me e olhei para ele, pois continuava deitado.

– Então… vamos até lá. — ele sorriu ao falar e levantou-se.

Deixei a minha mochila e os chinelos que tinha calçados na areia e corri até ao fundo da plataforma para me poder sentar, esperava ter crescido o suficiente, esperava que os meus pés tocassem na água, mas eu continuava pequenina.

Com ele sentia que podia ser eu mesma, não tinha de me esconder. Não era o mesmo que estar com Anna, eu com este rapaz sentia-me feliz, livre. Ninguém me fazia sentir assim há muito. Era o que estava a pensar enquanto esperava por ele.

– Parece que temos muito em comum. — ele sentou-se ao meu lado e interrompeu os meus pensamentos.

– Deixa-me adivinhar, também gostas de pensar neste lugar. — estava à espera de um sim e de um sorriso.

Mas ele olhou para o horizonte, sorriu e finalmente começou a falar.

– Gosto de vir para aqui pensar na minha mãe. Ela disse, para vir aqui sempre que a quisesse ver. E eu venho vê-la. – ele estava a abrir-se, a falar de si, eu queria muito fazer perguntas, mas não quis estragar o momento, apenas esperei que ele continuasse a falar.

– Ela morreu. Devido a uma doença. Eu amava-a. – pronunciou as palavras com calma e quando acabou suspirou.

– Eu estava curioso com o teu nome, porque a minha mãe se chamava Clarissa. – ele deixou de olhar o horizonte e olhou para mim, ao ver a minha expressão de comovida sorriu.

– Não vamos chorar pois não?! — ele sorriu de novo. — Agora um mergulho sabia bem, para aliviar. – eu sorri maliciosamente com as palavras dele.

Levantei-me, e comecei a despir-me.

– Eu não tenho calções! Não posso ir nadar! – eu sorri maliciosamente de novo com as suas palavras.

– Vai de boxers! – ele olhou para mim com uma cara de gozo. — Qual é o problema? Eu não conto a ninguém. – sorri, tinha a certeza de que o tinha convencido.

Ele começou a despir-se também.

– Aos três entramos! — gritei.

– Um! Dois! – ele começou a contar e a olhar para a água.

– Três! — terminei a contagem e ambos saltamos.

Ele era apenas sete ou oito centímetros maior que eu, mas era o suficiente para ele chegar com os pés ao fundo e eu não.

Começamos a brincar. A salpicar-nos um ao outro. Estávamos ambos a rir descontroladamente. Foi um momento fixe.

Agarrei as mãos dele para o fazer parar.

– Tu tens pé. Mas eu não. Estou a ficar cansada. – sorri e ele também.

Eu ainda estava a agarrar as suas mãos, ele solto-as e colocou os meus braços à volta do seu pescoço.

Foi um momento mágico. Acho que me estava a apaixonar. Não podia ser. As nossas idades eram muito diferentes. Iria ser um amor não correspondido. Mais valia acabar com isto agora. Ela nunca iria sentir nada por mim.

Ele começou a aproximar a sua cara da minha. Mas eu parei-o, encostei a minha testa na dela, conseguia sentir a sua respiração.

Estava enganada, talvez ele sentisse algo por mim. Mas era errado na mesma.

– Eu não posso. — disse baixinho, apesar de não ser a minha vontade.

– Estás preocupada com o que as pessoas vão pensar? — ele falou baixinho tal como eu tinha falado, olhou-me nos olhos e sorriu.

Eu sorri também.

Ele levou isso como uma permissão e beijou-me. Eu apertei mais o seu pescoço e ele tinha as suas mãos nas minhas ancas, para eu não cair, claro, já que eu não tinha pé.

Foi calmo, mas emocionante. Era o meu primeiro beijo. E era mágico. As nossas línguas estavam a tocar-se com calma. Foi longo e perfeito. Durou até eu ficar sem respiração.

Voltei a encostar a minha testa na dele e a sentir a sua respiração de novo.

– Obrigada mais uma vez.

– E estás a agradecer o quê?

– Este momento mágico. — sorri e ele sorriu também.

Pegou-me como uma noiva e levou-me até à areia.

Eu peguei na minha mochila tirei a toalha e dei-lha.

– Não te vais limpar? — ele perguntou ao agarrar a toalha.

– Eu senti o teu corpo a tremer enquanto me trazias. Estás com frio. Mas eu não. Este momento deixou-me bem quente. – sorri forte e ele também.

Ele secou o seu corpo e os seus cabelos e entregou-me a toalha. Enquanto eu me secava ele correu até ao fim da plataforma e trouxe as nossas roupas.

Vestimo-nos. Guardei a toalha. Calcei os chinelos. E olhei para ele.

– O meu irmão está no carro. À minha espera. — dei-lhe um beijo na bochecha e corri até ao carro do meu irmão.

Eu estava tão feliz. Não conseguia parar de sorrir. Foi o melhor encontro de sempre. Tudo isto quase me fez esquecer Robert. Para dizer a verdade não pensei nele um único segundo enquanto estávamos na praia.

O carro estava trancado e o Lucas estava a dormir. Bati no vidro até ele acordar.

Sentei-me no banco do pendura, e sorri para o meu lindo irmão.

– Como correu?

– Bem! Não se vê? — eu ainda não tinha parado de sorrir por um segundo.

– Foste beijada. É o que se vê. – ele sorriu e pós o carro a trabalhar.

– Vamos para casa. Eu depois decido se te conto ou não.

Notas finais
Este capítulo foi especial para mim! Espero que tenha sido também para vocês! Imagens da praia: http://www.panoramio.com/photo/78933970 ; https://www.flickr.com/photos/diegojack/4413527588/in/photostream/ ; Comentem muito! E vejam as imagens!