Diferentes idades
6 A resposta é sim
Notas iniciais
Acordei, mas deixei-me ficar na cama, por mais um pouco.
A Clarissa fazia parte da minha vida agora. Pensava a toda a hora nela. A nossa ida à praia fora há quase duas semanas, mas eu todas as noites sonhava sempre com o mesmo, o nosso beijo.
Continuámos a falar-nos, mas não pessoalmente. Apenas falávamos pelo chat do jogo.
Começava a sentir que podia falar com ela, eu sempre fui uma pessoa muito reservada, era muito raro falar sobre o que quer que fosse, com quem quer que fosse.
Em minha casa não falamos muito uns com uns outros, o que se tornou um hábito para mim. Vivo com o meu pai, o meu irmão e Micas, um gato.
O meu pai, Jaime, é raro se encontrar em casa, ele passa muitas horas a trabalhar. Ele é o diretor de uma empresa de imobiliária e desde a morte da minha mãe que o meu pai se mantem muito tempo na empresa. Depois da sua morte, o emprego tornou-se uma distração para ele, era a única maneira de não pensar todo o tempo na falecida mulher.
O meu irmão, Rafael é a melhor coisa que a minha mãe me podia ter deixado. Claro, ele sente a falta da mãe. Mas ele aprendeu a aceitar. Por coincidência ele têm a mesma idade que Clarissa, muitas vezes pensei que talvez ele fosse mais adequado para ela, mas a idade não me interessa, não mais. O Rafael tem um gato, o Micas. Ele adora aquele gato, é quase como um melhor amigo para ele.
Todos os meus pensamentos foram interrompidos por uma mensagem.
@Clarissa: Bom dia!
Eu: Bom dia princesa!
@Clarissa: Como estás?
Eu: Bem e tu?
@Clarissa: Também. Eu queria-te perguntar uma coisa.
Eu: Pergunta.
@Clarissa: Já que tu não perguntas e que hoje é sábado, queres ir dar uma volta?
Eu: Desculpa, mas não posso.
@Clarissa: Eu pensei que talvez...
Eu: Não tem nada a haver contigo. Eu queria muito ir. Mas o meu pai está a trabalhar. Tenho de cuidar do meu irmão.
@Clarissa: Ok! Olha tenho de ir. Trabalhos de casa.
Eu: Adeus.
Ela ficou desiludida com a minha resposta. Mas, por mais que quisesse, não podia.
Eu tinha de fazer alguma coisa, talvez devesse pedi-la em namoro. Isso iria aproximar-nos. Seria difícil para mim, não sou muito romântico, mal talvez devesse tentar. Ou estaria a precipitar-me.
– Bom dia dorminhoco! Eu e o Micas já estamos com fome. — era o meu irmão, ele entrou e trazia o gato ao colo.
– Tem de ser já? — eu queria ficar a pensar mais um bocado.
– Sim. Deixa-la a tua namoradinha em paz. — ele disse aquilo com um sorriso de gozo, ao ver que eu estava com o telemóvel na mão.
Atirei o telemóvel para cima da cama, e levantei-me.
– Então, o que queres para o pequeno-almoço?
– Tu prometeste-nos panquecas. — ele apontou para si e para o Micas.
(…)
Eram quatro da tarde, já tinha os calções vestidos e estava pronto para mergulhar na piscina do jardim da minha casa. Mesmo antes de mergulhar, ouço a campainha tocar. Suspiro e vou ver quem é.
– Olá! – cumprimentou-me uma rapariga que vinha com o fato de banho por baixo da roupa, que se podia ver bem, e uma toalha ao ombro.
– O que estás aqui a fazer? Não estava à espera da tua visita.
– Estás com amnesia? Tu convidaste-me! — ela parecia bastante convicta.
– Se calhar estou. — respondi ao coçar a cabeça. — Entra, entra. – pedi-lhe que entrasse pois com a surpresa até a deixei ficar na rua.
Fomos os dois até à piscina e ela continuava a insistir que eu a tinha convidado por mensagem.
– Clarissa! — exclamou o meu irmão que já estava dentro de água. — Ainda bem que vieste!
– O quê? – questionei-o. — Tu conheces?
– Na verdade conheço. E digo-te uma coisa. Não esperava que namorasses uma rapariga tão nova. — o meu irmão respondeu-me como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Clarissa olhou para mim e sorriu fraco.
– Talvez tenha sido ele a convidar-me.
– Isso faz muito mais sentido. – sussurrei para Clarissa.
Olhei para o Rafael como se o fosse matar.
– Andaste a mexer no meu telemóvel?! E a enviar mensagens como se fosses eu?! – gritei.
– Eu? Eu nunca faria tal coisa. — falou com uma voz de gozo, de novo.
– Estás morto! — corri até à beira da piscina, saltei e apertei-lhe o pescoço (na brincadeira, claro) dentro de água.
A Clarissa sorri-a ao ver-nos. E como o seu sorriso era lindo. Ao olhar para ela distraí-me o que deu tempo para o Rafael se soltar e me apertar o pescoço.
Ela riu mais.
– Não entras? — perguntei assim que aquele pirralho largou o meu pescoço.
– Sim, claro. — ela também parecia distraída.
Tirou as suas roupas e mergulhou. Como as suas curvas eram perfeitas. Como o seu cabelo estava lindo. Conhecia aquela rapariga há pouco tempo, mas ela já começava a deixar-me louco.
– Para o que estás a olhar? – ela perguntou quando chegou perto de mim.
– Para ti. — sorri ao falar.
– Bem, eu vou deixar-vos sozinhos. — o meu irmão estava feliz por mim. — Vou brincar com o senhor Micas, se não ele fica triste comigo.
– Rafael! — chamei.
– Agradeces depois! — ele gritou para que eu pudesse ouvir, pois já estava a chegar à porta de casa.
Ele entrou em casa. Clarissa olhava para mim, aqueles seus olhos grandes e castanhos estavam vidrados em mim.
– Ainda bem que estás aqui. — sorri de novo, não podia evitar, estava feliz.
O silêncio predominou por alguns minutos.
– Eu conheço o teu irmão. — fez uma pausa — Só não sabia que era teu irmão.
– Ele é mais bonito que eu? — perguntei no gozo.
– Ele não é nada como tu. — ela falou baixinho e pós a sua mão sobre o meu peito.
– Mas é da tua idade.
– Eu dou-me bem com pessoas mais velhas. — aquela garota riu sozinha e em seguida molhou a minha cara.
Eu não tive tempo de a molhar, pois nadou para longe, até ficar junto à pedra na zona mais funda da piscina. Fui atrás dela. Agarrei-me com os dois braços à pedra, ela estava no meio dos meus braços. Eu queria muito sentir os seus lábios de novo. Ela colocou os dois braços à volto do meu pescoço, para puder ficar da minha altura. Aproximei-me mais dela, mas ela voltou a parar-me, pondo a sua testa encostada à minha.
– Eu estava com saudades tuas. — Clarissa sussurrou. Desta vez ela tomou a iniciativa de me beijar.
Foi outro momento mágico, assim esta noite teria um sonho diferente. Os seus braços começaram a enroscar-se com mais força no meu pescoço. Eu encostei-a contra a pedra e os nossos corpos ficaram muito juntos, mas em seguida os nossos lábios separaram-se lentamente.
– O teu irmão deve precisar de ti.
Desencostei-me dela e saí da piscina. Sequei-me numa toalha verde e sentei-me numa das espreguiçadeiras. E comecei a olha-la. Assim que reparou sentou-se ao meu lado.
– Eu tenho andado a pensar. A pensar em nós. Eu sei que não saímos muitas vezes. Mas eu começo a sentir algo forte por ti e acho que sentes o mesmo por mim. Por isso… eu queria perguntar-te… — estava a começar a ficar muito atrapalhado, não estava a correr nada bem.
Respirei fundo, ia tentar de novo, mas Clarissa pós a sua mão sobre a minha perna.
– Eu sinto o mesmo por ti. A resposta é sim.
Não foi preciso dizer mais nada, felizmente ela tinha percebido. Eu não era muito romântico, mas o importante era que estávamos oficialmente a namorar.
Peguei na mão de Clarissa e levantei-me da espreguiçadeira.
– Vamos ver se aquele pirralho precisa ou não de nós.
Ela agarrou nas suas roupas, vestiu os calções e ficou com a camisola e a tolha na mão.
Entrámos em minha casa e encontrei um bilhete na mesa:
Já volto.
O senhor Micas fugiu.
Rafael
– Isto acontece muitas vezes. Ele já volta. — acalmei-a.
Ela poisou a camisola e a toalha numa cadeira e olhou em volta.
– Vais mostrar-me a casa?
– Vou. — pus a minha mão à volta da sua cintura e encostei-a a mim, ela era mais nova mas era quase da minha altura.
Mostrei-lhe toda a casa. Deixei o meu quarto para último.
Ela sentou-se na minha cama, olhou para o chão e em seguida para mim.
– Tu és rico? Piscina, casa enorme… — a sua voz estava receosa.
Ajoelhei-me à sua frente, de modo a que ficássemos da mesma altura.
– Clars, é… — fiz uma pausa para pensar bem no que iria dizer — Mas sim, tenho tudo o que preciso — olhei para os pormenores do meu quarto — e o que não preciso.
– Porque me chamaste Clars? — a sua voz mudou de tom, neste momento parecia assustada.
– Não sei. – respirei fundo e sentei-me ao seu lado. — Porquê? Não gostas?
– Não é isso. É algo que — fez uma breve pausa — apenas Lucas faz.
– E eu? Posso chamar-te assim? — não sabia bem o que dizer.
– Sim. Eu acho que sim. — ela sorriu para mim. — Para mim isso significa: eu preocupo-me contigo. — sorri também.
Nós sorriamos muito um para o outro. Nunca tinha sorrido tanto assim.
– Olha, eu tenho uma pergunta para te fazer, desde há muito tempo. — ela deitou-se para trás e levou-me consigo.
Estávamos deitados lado a lado a olhar um para o outro.
– Não tens de me avisar que tens uma pergunta, perguntas e pronto.
– Assim que nos conhecemos, tu disseste que a tua ex-namorada se chamava Clarissa. Mas afinal era o nome da tua mãe. — ela parou por algum tempo e eu assenti com a cabeça. – E como se chamava a tua ex-namorada?
– Charlotte.
– E o que fez ela para te magoar tanto?
– Clars, é… é complicado. Mas como sabes que me magoou? — não queria mesmo falar no assunto, mas estava curioso.
– Não sei bem. Eu apenas sabia. — ela acariciou-me a cara e eu ri.
– Que foi? — perguntou franzido as sobrancelhas.
– És linda. É só isso. — ela acabou por sorrir também.
Os nossos olhos ficaram presos, eu não conseguia parar de olhar para aqueles olhos, pareciam chocolate, a Clarissa era mesmo perfeita para mim.
– Sabes – ela quebrou o hipnotismo – agora que estamos juntos oficialmente. Vou conhecer os teus amigos?
Aquela pergunta fez-me pensar em Will. O meu melhor amigo. Não falávamos há quase um mês. Que raio de amigo estava eu a ser. Assim, que Clarissa voltasse para casa iria ligar-lhe, a ele e a uma grande amiga minha, Sammanta, era dois anos mais nova, mas era muito simpática, e acho que Clarissa iria gostar de a conhecer.
– Sim. Vais conhecê-los mais cedo do que pensas.
A beijei de novo. Puxei-a mais para mim e tanto os nossos corpos como os nossos lábios estavam bem coladinhos. Senti os seus braços apertarem o meu pescoço. Não resisti, as minhas mãos já estavam nas suas ancas.
Os nossos lábios separaram-se, ela encostou a sua testa na minha, pensei que me fosse beijar de novo, mas levantou-se.
– Já se faz tarde. Tenho de ir. – olhei para ela ainda deitado na cama, revirei os olhos e levantei-me para a acompanhar à porta.
Chegámos à porta.
– Obrigada.
– De nada. – assim que acabei de falar ela deu-me um beijo na bochecha e saiu.
Já eram oito horas, o Rafael continuava sem vir. Talvez se tivesse distraído a brincar com o senhor Micas no parque.
Telefonei para o Will.
– Will! Há quanto tempo?
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