Notas iniciais
Tá, eu posso explicar a demora. Estou envolvida em 4 projetos e perdi totalmente a inspiração pra essa fic, tanto que quase a exclui. Mas como recebi um review inesperado, eu resolvi apressá-la e dar uma resumida em vez de excluir e o resultado foi esse penúltimo capítulo.

O barulho insistente do despertador e os cutucões do irmão acordaram Do Contra antes do normal, mas dessa vez ele não reclamou. Tomou banho e fez seu habitual moicano, indo pra escola sem tomar café mesmo. Assim que chegou no local que normalmente chamava carinhosamente de inferno, notou os olhares e comentários que infelizmente eram esperados. Estava perto de sua sala quando Carmem pulou em seu pescoço.

–Olá meu lindo!

–Ah, oi Carminha. Como foi com a sua mãe ontem?

–Tudo como eu esperava.

–Saco.

–É, ela nem prestou atenção e...

–Não é isso. O ruim foi a resposta previsível.

–Por que eu ainda me surpreendo?

–Enfim, pelo menos eu não fui obrigado a limpar a caixa de areia do gato com a língua.

–DC eu não tenho um gato.

–Tanto faz.

–Oooooooi Cacá! Oi novo bofe da Cacá!

–Ah, oi Dê. Que animação hein?

–E como não estar animada gatz? Vocês dois me renderam ótimos comentários lá no blog.

–Falou gente, eu vou entrar.

–Mas meu chuchu da contradição, a Momô quer quer trocar uma ideia com você.

–Eu não vou.

–Por que não?

–Porque ela espera que eu vá, então eu não vou.

–Mas babe, ela também pode estar pensando que você não vai porque tá ficando com a Carmenzitcha.

–Então ela pode estar pensando o contrário do que eu estou pensando?

–Na verdade você é que pensa o contrário do que os outros pensam. Apesar de que, dessa vez ela é que estaria pensando o contrário e...

–Denise, vamos lá pra sala que eu te conto as novidades.

–Novidades? Tem mais novidades diva?

–Tem. Vamos deixar o DC e a Mônica se acertarem.

–Okaaaaaay!

As duas foram até a sala delas, enquanto o garoto seguiu para o pátio onde Mônica o esperava com uma expressão...triste?

–E aí Mô?

–Oi DC. Que bom que você veio, nós precisamos conversar.

–Fala.

–Eu percebi que a cena de ontem foi ridícula e que eu gosto mesmo é do Cebola, então eu quero te desejar muita felicidade ao lado da Carmem. Desculpa.

–De boa Mô, mas a Carminha deve estar chateada.

–Eu sei, vou falar com ela na sala. E então, vocês estão ficando, namorando ou o quê?

–A gente tá namorando, mas não tá.

–Como assim?

–É uma experiência. Quero provar que pode dar certo mesmo sendo tão diferente.

–Boa sorte, então. Eu vou pra sala e você deveria fazer o mesmo.

–Nem. Vou esperar o sinal bater pra chegar atrasado.

Ela revirou os olhos e seguiu para sua sala, onde Denise fazia uma espécie de interrogatório com Carmem.

–Então quer dizer que você e o bofe do contrário estão namorando mesmo?

–É Denise, já é a quinta vez que eu te confirmo.

–Sorry diva, mas é que é tão estranho...

–Carmem, será que a gente podia conversar?

–Desculpa florzinha, mas eu estou ocupada.

–Então tá, eu falo aqui mesmo. Vim me desculpar com você pelo barraco de ontem, aquilo não teve o menor sentido.

–É claro que teve, meu bem. Você estava muito acostumada a ter o DC te paparicando e do nada viu ele fazendo isso com outra pessoa, super normal a crise de ciúmes.

–Não era ciúmes!

–Claro, e eu sou a Megan Fox.

Mônica virou as costas e foi sentar ao lado do Cebola, que colocou a mão sobre seu ombro e apoiou a atitude. Depois da aula, Denise, Carmem e Maria Mello estavam papeando na saída quando Nimbus e Do Contra passaram.

–Carminha, vamos sair? O Nimbus e a Maria também vão.

–Sorry lindo, mas eu já tinha combinado com a Denise de ajudar com o blog dela.

–Que é isso gatz, vai lá dar uma saída com o seu bofe.

–É “gatz” dá uma saída comigo.

–Mas darling, se eu aceitar tão fácil você não vai querer mais. A gente dá uma passeada amanhã, tudo bem?

–Você me entende!

Ele abraçou-a e deu um selinho, estava com os olhos brilhando.

–Amanhã no shopping às 4:32.

Do Contra foi embora e logo as duas também seguiram para a casa da garota das maria-chiquinhas.

No dia seguinte, às 4:36, Do Contra chegou ao shopping. Mau sabia ele do quanto teria que esperar...Carmem aproveitou que ele detestava pontualidade e ficou enrolando com a maquiagem.

–Oi gato!

Ele a cumprimentou com um beijo e eles foram fazer algo incomum para uma tarde de verão: patinar no gelo. Foi uma tarde super divertida, Carmem se ocupava mostrando os dotes naturais da família Frufru no esporte e ele apenas patinava...de costas. Depois de lá eles deram uma passada não tão rápida pelo quarto do rapaz e assistiram um filme de terror (nem romance nem ficção científica pra não dar briga) com Nimbus e Maria Mello, o qual as garotas aproveitaram para ficarem bem coladinhas com seus namorados. Acabou que Maria dormiu na casa de Carmem, mesmo elas tendo aula no dia seguinte.

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Três meses depois eles eram considerados o casal de namorados mais fofo do bairro. Do Contra acabou gostando mesmo do jeito de Carmem (mais porque ninguém gostava) e ela adorava ter um namorado que fazia tudo que ela queria, apesar de precisar de um pouquinho de jeito ao se falar com ele. Estava tudo lindo, calmo...tedioso. A perfeição era tamanha que um dia Do Contra chamou-a para uma conversa séria.

–E então DC, o que precisava falar comigo?

–Eu gosto mesmo de você Carminha.

–Eu também te adoro, babe.

–Nós temos um namoro perfeito.

–Concordo.

–Mas eu não gosto de perfeição. Sinto ter que contrariar meus sentimentos, mas minha causa é maior.

–Você tá...terminando comigo?

–Temporariamente. É só até as coisas ficarem mais movimentadas.

–E-eu tenho sentimentos, sabia?

–Não Carminha, não chora por favor.

Ela rejeitou o abraço que estava por vir e saiu correndo do shopping até a praça.

–O que uma moça tão linda faz chorando?

–Cala a boca, eu não to no clim...

Ela parou de falar ao ver quem estava sentado a seu lado: Ângelo.