Die Tonight
1 Capítulo 1
Charles andava por entre as árvores da floresta que havia ali perto. O lugar possuía um ar de sombrio. Estava claro ainda, dava para ver a luz do sol distante entre as folhagens secas. Mas mesmo assim, podia-se notar a escuridão profunda que penetrava por cada canto. A estranha neblina esverdeada só piorava a situação. Estava por toda a parte, do chão até o alto das árvores. Às vezes, ele se sentia sufocado com aquilo. O chão, coberto por folhas secas e plantas estranhas, completava o cenário.
Fiction, da banda The xx, tocava em seu celular. Era difícil ouvir qualquer coisa com aqueles phones velhos, mas mesmo assim, ele gostava daquilo. Caminhava devagar, olhando sempre para cima, ou para frente, observando o ambiente. Tomava cuidado para não tropeçar em nenhuma pedra, mas ele era esperto para isso e, além disso, não havia muitas pedras.
Repentinamente, ele ouviu um barulho ao longe. Soou por um breve instante e depois parou. Não parecia ser de nenhum animal da floresta e nem humano. Não era um assovio, passos, vozes ou gritos. Parecia mais o barulho de chaves quando balançadas. Mas aquilo não fazia sentido. Quem estaria portando chaves naquela floresta? Quer dizer, isso se o barulho fosse de chaves. Charles ainda não tinha certeza.
Ele olhou para um lado e depois para o outro. Aquilo o assustara. Seu coração começou a bater mais rápido. Podia ter sido só impressão dele. Poderia ser apenas um chiado dos phones velhos. Mas ele soube que não quando o som soou de novo. Só que dessa vez, mais perto. Ele queria correr, mas, ao mesmo tempo, estava curioso. Começou a perguntar, quase gritando:
— Alguém aí?
Ele começou a olhar ao seu redor, de modo insano. Agora, o barulho se repetia com mais freqüência, cada vez mais perto. Teve a impressão de ver algo se movendo por entre as árvores, mas no fundo, sabia que era só sua imaginação brincando com sua mente. Ele queria se afastar, sair correndo, mas, por um instante, sentia que não podia, literalmente: suas pernas estavam paralisadas. Aquilo era mais estranho do que podia ser. Ele olhava diretamente para suas pernas e pés, mas eles não moviam nenhum centímetro.
Desesperado, começou a se debater e puxar os membros, numa tentativa enlouquecida de fazê-las se moverem. O barulho cessou, de forma que seu pânico diminuísse um pouco, mas não acabasse completamente: ele ainda não podia andar. Sua respiração foi se acalmando, enquanto ele olhava para os lados.
— Quem está aí? — Sua voz ecoou pela floresta, fazendo alguns pássaros voarem para longe. Pareciam corvos, mas as árvores eram altas e não dava para ver muita coisa.
Charles sentiu que seus batimentos cardíacos aceleraram novamente quando olhou para o lado e viu que seus braços se estendiam, paralisados também. Sentia um leve tremor percorrer desde o pescoço até a ponta dos dedos. Um estranho e doloroso choque começou a andar por sua cabeça. O homem gritava conforme dor aumentava. Por fim, fechou os olhos, sem ânimo.
Quando os abriu novamente, percebeu que suas vistas estavam direcionadas para cima, de forma que via a luz que penetrava por entre as folhas secas. Lentamente, ergueu o pescoço e percebeu, em um susto, que seu corpo levitava. Era a sensação mais estranha que já sentira. Ele podia sentir algo por baixo do corpo, como uma pressão, mas não havia nada lá. O som do vento era claro e alto, fazendo-o notar que seus phones haviam caído ou sumido.
De repente, leves ondas de choque começaram a percorrer seu corpo por inteiro, dos cabelos à ponta dos pés. Era meio que um tremor e, por um segundo, foi quase que relaxante. Mas a boa sensação logo passou, assim que as ondas se tornaram mais frequentes, rápidas e intensas. A combinação gerava uma dor aterrorizante em seus músculos, que se contraíam de forma intensa.
Charles sofreu por mais uns cinco minutos. Na verdade, nem notou quando a “sessão de tortura” terminou. Só sabe que fechou os olhos e tentou relaxar ao máximo, apesar do ocorrido. Ele continuaria daquele jeito se não fosse pela claridade do lugar, que o homem jurava que aumentara. Abriu os olhos rapidamente e olhou ao redor. Sim, a claridade aumentara. Mas ela vinha de um lugar único, como a luz de uma estrela.
Ao longe, ele percebeu que duas figuras avançavam lentamente por entre as árvores, em sua direção. A luz estava atrás dos dois seres e por isso, Charles não pôde dizer o que eram de início. Mas à medida que foram chegando perto, ele identificou o que pareciam ser...
— Robôs?
O homem ficou boquiaberto. Eram dois robôs, um feito de prata e outro de ouro. Usavam um macacão preto, assim como seus sapatos perfeitamente engraxados. Suas mãos possuíam forma humana, mas eram feitas de seus respectivos materiais. Suas cabeças pareciam com capacetes. Pelo menos, na interpretação de Charles. Quando estavam quase ao seu lado, um deles disse, em voz robótica:
— Sim, humano, nós somos robôs. E você vai morrer hoje à noite.
Notas finais
The xx - Fiction
Daft Punk - Touch
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