Diary Of Death

1 Uma carta, uma morte e um envelope


Luke,

Sinto muito, mas não podemos mais nos ver. Não tente saber mais sobre a minha vida.

Por favor, não insista.

Adeus, Alice.

Luke terminou de ler a curta carta pela décima vez somente naquele dia e continuou sem entender o que levaria Alice a mandá-lo ficar longe; não conheciam-se há muito tempo, mas eram bastante próximos. Mas, mesmo assim, preferira respeitar a vontade da moça e não falava com ela há duas semanas e meia.

O que mais o deixava intrigado com a carta, era a letra de Alice, que sempre fora escrita com perfeição; na carta recebida, a letra era identica à dela, porém tremida e borrada, como se, quando a escrevera, estivesse nervosa ou ansiosa. Ou talvez chorando.

Levantou-se da poltrona em que estava e foi para a mesa de seu escritório, sentou-se e abriu uma das gavetas, pegou a foto de uma jovem sorridente e ficou olhando-a, algo que tornara-se um hábito desde que conhecera Alice. Como pôde apaixonar-se por uma jovem quase uma década mais nova? Como poderia não apaixonar-se pela jovem sorridente de bochechas coradas?

Luke olhou no fundo dos olhos negros de Alice, os olhos misteriosos que faziam com que o rapaz cada vez mais ficasse curioso sobre a garota, os olhos que o levaram a descobrir que o sorriso era somente uma máscara para esconder quem ela realmente era: um alguém que fez Luke apaixonar-se por Alice mais ainda. Um alguém que podia até não ser tão sorridente e feliz como aparentava, porém tentava.

O telefone tocou e fez com que Luke se assustasse; ele pegou o fone desajeitadamente.

- Alô?

- Sr. Lucas Dennett?

- Sim?

- Aqui é Dennis Dust, delegado da polícia local. Tenho algumas perguntas que gostaria de fazer, se posível.

- Claro, claro.

- É sobre a jovem Alice McKenna, sua conhecida, correto?

- Hmm, sim. — o que Alice teria aprontado desta vez?

- Sr. Dennett, você era muito próximo da jovem? Um parente distante, um amigo muito próximo ou namorado, talvez?

- E...Era? No passado?

O policial suspirou pesadamente do outro lado da linha. Um tipo de suspiro que era dado antes de más notícias serem dadas.

- Sinto muito em afirmar, Sr.Dennett, mas Alice McKenna fora encontrada morte hoje. Suicidou-se.

Luke deixou o fone cair de sua mão e, se não estivesse sentado, cairia igualmente. Sentiu que o ar lhe faltava e a sua vista escureceu.

Não era possível.

Ficou assim por um momento, até perceber que o delegado continuava na linha e chamava por ele.

- Sr.Dennett? Sr.Dennett, está aí?

- Estou.

Luke tentava conter a vontade de chorar.

- Sinto muito ter dado a notícia assim. A moça era sua... ahn... amiga?

- Sim, éramos amigos.

- Sr.Dennett, achamos um envelope ao lado do corpo de miss McKenna endereçado a você. Talvez seu conteúdo possa ser útil para investigar-mos o caso, mas, para isso, precisaremos de permissão.

Um envelope endereçado a ele? Não, não poderia deixar os policiais verem qualquer coisa que tivesse nele. Se Alice o deixara para Luke, era porque queria que somente ele lesse.

- Desculpe, mas não posso, Sr.Delegado. Estarei na delegacia em quinze minutos para pegar o envelope.

E antes que o delegado tivesse tempo para negar, o fone já estava no gancho e Luke, no carro.

Mesmo com a dificuldade para dirigir, por conta da vista embaçada, Luke chegou à delegacia em apenas doze minutos. E, sem perder tempo, entrou na delegacia a procura do delegado. Ele estava a sua espera.

- Sr.Dennett, não o aconcelharia a dirigir à noite no estado em que se encontra...

- Onde está o envelope?

- Não podemos dá-lo assim, ele precisa ser investigado.

Luke procurou rapidamente por sua carteira, enquanto o delegado exclamava:

- Ora, Sr.Dennett, aqui somos policiais de respeito. Não aceitamos propina.

Mas Luke não ligou, abriu sua carteira e mostrou para o delegado.

- Agente Lucas Dennett, do FBI. — guardou sua carteira. — Agora, se me permite, o envelope.

O delegado entregou o envelope, Luke murmurou um obrigado e saiu da delegacia.