Diary Of Death
6 A presa
Notas iniciais
COntinuem lendoo. Beijoos!
Armadilhas fazem doer.
Você não percebeu?
É claro que não.
Eu também só percebi quando a presa fui eu.
No fim de junho, e início do verão, as coisas continuaram na mesma: Frank dava a Alice mais do que devia.
Mas com o fim de julho, as coisas mudaram de rumo.
Ele a convidou para sua sala e pediu para que ela se sentasse. Com a cara mais cínica, ele disse:
– Sinto muito, querida. Não posso lhe pagar.
– Como assim? Eu trabalhei, não trabalhei?
– Sim, trabalhou. Mas o problema não é com você...
Alice perguntou com quem era o problema então e recebeu a ultima resposta que esperava na vida.
– Seu pai.
Na realidade ela só queria acreditar que era a ultima resposta que esperava, mas, na realidade, ela sabia.
– O que meu pai fez?
– Muitas coisas, querida. Muitas coisas... Como, por exemplo, dever dinheiro para mim.
– Impossível.
Mas não era.
– Oh, não. Nunca se perguntou de onde eu conheço seu pai? Pois deixe-me lhe contar. Ele freqüentava muito este local, mas seus débitos foram aumentando cada vez mais... Sabe com é: eles sempre deixam para pagar depois. Bem, mas o caso é: você é o pagamento de seu pai.
Alice levantou-se, sentindo-se mais insultada que nunca.
– Meu pai jamais admitiria isto!
– Tem certeza?
– Pois eu não admito. Você não me forçará a fazer nada.
– Acredite, eu não lhe forçarei a fazer nada. Você virá por vontade própria.
Alice limitou-se a lançar um olhar de repugnância para Frank e saiu daquele local, perguntando-se onde ele queria chegar com aquilo? Por que tinha feito ela se iludir, lhe pagado por dois meses, se não iria paga-la?
Saiu pela rua, chorando e dando voltas e mais voltas. Até que esbarrou num ombro amigo.
– Alice McKenna? – ele lhe perguntou. – O que aconteceu? Venha. Você não está bem.
Levou-a para uma praça que ficava ali perto e sentaram-se num dos bancos.
Por vários minutos ele ficou calado, somente esperando que Alice se acalmasse e parasse de chorar. Não que quisesse que jovem largasse-o ou algo do tipo. Claro que não. Ele fazia questão de ser útil para aquela moça que o cativara com sua pureza e espontaneidade desde o início, e que agora estava mostrando seu outro lado, um lado sofredor. Aquilo atiçou sua curiosidade.
Finalmente Alice parou de chorar. Mas ele não perguntou logo o que havia acontecido, esperou que ela falasse.
– Por que as pessoas são tão...
– ... Cruéis? – ele tentou completar a frase da garota, já que ela parecia não achar a palavra correta.
– É. Cruéis, falsas, mentirosas, egoístas...
– Pelo visto você não conhece o mundo muito bem.
– Você conhece?
Ele ficou em silêncio por alguns segundos.
– Infelizmente participo dele todos os dias.
– Isso deve ser difícil.
– Dá para se acostumar. A parte mais difícil é ver o modo como ele atinge as pessoas inocentes.
– Você fala com uma sabedoria...
– Sou detetive. FBI. – não se incomodou em falar aquilo para a garota: confiava totalmente nela. Ela arregalou os olhos de surpresa e murmurou um ‘legal’. – Se precisar, é só chamar.
– Faria isso?
– À hora que quiser.
– Obrigada, Luke. – ela o abraçou, esquecendo momentaneamente de seus problemas.
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