Dia de Inverno
1 O Trem
Notas iniciais
Trem no Rio de Janeiro sempre me foi torturante em vista da quantidade de pessoas que o usavam na mesma hora. Aquela correria de entra e sai, as pessoas se empurrando e seus rostos com feições sérias pelo desgosto de permanecer grudado em outros presentes. Se salvavam os poucos adolescentes com seus amigos rindo. Naquele dia em especial as plataformas não se encontravam tão cheias, talvez fosse o horário, ou o frio, mas ainda seria raro este tipo de acontecimento, então eu estava apreciando a paisagem fria da estação melancólica que fazia.
Me encontrava sentado entre os muitos bancos disponíveis com minhas mãos se aquecendo nos bolsos de meu casaco e cara fechada, apenas esperando o trem que me levaria para casa e o mesmo não tardou a chegar, mas ao passar meu olhar distraído nas pessoas de dentro do vagão uma em especial chamou minha atenção, e como uma hipnose, sem controle nenhum, fui andando para o exato vagão em que ele se encontrava e só lá dentro vim a reparar a presença de uma garota ao seu lado, a qual ele afagava a cabeça como uma criança. A cena me incomodou mas não soube dizer o por quê, então apenas fui andando na direção deles, até que faltando uns 3 passos ele me nota e trocamos olhares, seus olhos castanhos pareciam enxergar minha alma através dos meus olhos negros e me senti suar apesar do frio.
Seu nome é Pedro, já o conhecia porém não era pessoalmente, e devo dizer que estava bem nervoso por isso. Nossa conversa acabou por ser uma apresentação informal breve, seu ponto de chegada estava próximo então apenas permanecemos ao lado um do outro, com nossas mãos próximas na barra de ferro que utilizávamos para se equilibrar, eu o via dar leves tremidas ao frio do ar – condicionado e quando pensei em oferecer meu casaco a ele o mesmo saiu pela porta próxima a nós, e antes que o trem voltasse a andar demos uma ultima olhada um no outro e foi assim que senti meu coração ser aquecido pela primeira vez naquele dia de inverno.
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