Dia após dia.
5 Festa!
Notas iniciais
Depois daquele dia, as três semanas que se passaram correram naturalmente, eu estava sempre acompanhada, quando não estava com Natalie eu estava com Ethan ou vice versa.
Encontrei Rachel algumas vezes, mas, todas as vezes ela desviara o olhar e corava, não era medo, parecia que ela estava com vergonha do que tinha feito. Rachel com vergonha? Duvido muito.
Nós não temos aula sábado, mas, tinha um jogo do nosso time contra nosso mais importante rival, então, eu, Natalie e Ethan fomos, não iríamos perder esse jogo por nada! Todos estavam muito apreensivos e agitados — menos Natalie, que nós obrigamos a ir -, esse jogo definiria o campeão do intercolegial, que era disputado desde o meio do ano passado.
Nos sentamos no primeiro degrau da arquibancada, esperando os jogadores entrarem. Ficamos observando as pessoas que passavam conversando animadamente.
Os times finalmente entraram em campo e dava-se o início do jogo.
Aos dezoito minutos de jogo Justin, um dos nossos melhores jogadores, se machuca. O técnico vem em nossa direção e pergunta a Ethan se havia possibilidade dele jogar, por quê os reservas não aguentariam vencer aquele time. Ethan quase de imediato se prontifica.
– Me deseje boa sorte — ele fala e vai em direção ao vestiário.
Quando entra em campo leva todos a loucura, já havíamos ganho, não digo isso por ele ser meu amigo, ele era realmente bom.
O resultado foi dois a um, um gol de Ethan e outro de Natham, capitão do time. Todos estavam em completo êxtase. A torcida invade a quadra e lança os dois, que estavam rindo muito, para o ar.
Eu desço junto com a torcida, animada. Soltam Ethan, ele vem correndo em minha direção, me abraça e me tira do chão. Começa a rodar comigo em seus braços. Ele realmente ama futebol. Apesar de estar pouco tempo no colégio, ele parece ter entrado totalmente de cabeça em nosso time.
Os jogadores vão para o vestiário, no caminho sendo parabenizados por todos, as pessoas ainda mais animadas do que antes.
A poeira abaixou e todos os jogadores já haviam retornado do vestiário. Saímos do ginásio e ficamos conversando e andando pelos corredores.
Depois de muito tempo, nós nos encostamos em alguns armários.
Vejo Natham vindo em nossa direção.
– Estava procurando vocês! Ótimo jogo, cara! — Ele fala e faz um "bate aqui!" com Ethan. Considerando que Natham nunca falou comigo, ele parecia bem íntimo. — Aquela disputa foi acirrada, mas, nós conseguimos!
De repente ele apoia seu braço em um armário perto de minha cabeça e se vira em minha direção.
– Hoje vai rolar uma festa em minha casa, em comemoração a nossa vitória — ele fala quase colado ao meu rosto. — Vocês estão afim de ir?
– Estamos sim — Ethan fala e puxa Natham pelo colarinho da camisa, o afastando de mim. — Só isso?
– Sim, espero que vocês apareçam por lá! — ele vai embora rindo.
– Ele é um idiota! — Ethan fala. Em sua voz havia uma pontada de... Ciúmes?
– Quem disse que estou afim de ir? — pergunto.
– Ah! Você vai sim! Um dos caras mais populares do colégio te chama para uma festa e você vai recusar?! — Natalie fala. — E além do mais, você me obrigou a vir aqui, e, agora você vai na festa.
– Mais que saco! — reclamo.
– Se você está preocupada com o quê Natham possa lhe fazer, relaxe, ele não vai encostar um dedo em você — Ethan fala.
– Ethan deixe de ser careta! A Kaly não pega ninguém, já está na hora dela sair dessa seca e ficar com alguém! Tem muitos gatos atrás dela e ela nem dá bola — Natalie fala, perdendo completamente a sanidade.
– Natalie, eu não estou afim de ser difamada. Ótimo convite, mas, não obrigada. E pare de inventar, não tem nenhum "gato" atrás de mim — faço aspas com os dedos na pronúncia da palavra "gato".
– Na verdade tem muita gente interessada em você — fala Ethan me surpreendendo. O olho, boquiaberta. — Mas, concordo com você. Não vire mais uma dessas garotas.
– Ele não disse a hora nem o endereço da festa — Natalie resmunga.
– Nós com certeza vamos receber umas sete mensagens contendo as informações, e, geralmente quando rolam festas assim, começam em torno de dez horas e não tem hora pra acabar.
Quando ele disse essa frase, eu senti que algo aconteceria nessa festa...
– E como você pode saber tanto sobre festas? — pergunto.
– Digamos que eu era bem... conhecido, na outra escola.
– Não imagino você no grupo dos populares — menti, na verdade eu imaginava sim, e também penso que isso irá acontecer aqui.
De repente surge uma vontade de que ele fosse aquele garoto magricela que eu imaginava, aquele nerd envergonhado, inteligente, não que ele não seja, mas... Não! Não posso ficar imaginando coisas! A realidade é essa e devo aceita-la!
– Pego vocês dez e meia — ele fala.
– Vamos de táxi — Natalie fala.
– Vamos de táxi. Dez e meia? Não começa dez? — pergunto.
– Sim, você acha que vamos chegar na hora? Nessas festas você nunca deve chegar na hora. Na verdade pego vocês às onze.
– Vamos de táxi — eu e Natalie falamos em uníssono.
– Okay, vamos para casa, e às onze espero vocês — ele fala e se afasta antes de mais protestos.
O dia correu normalmente, as quatro horas Ethan estava em meu portão me esperando.
Andamos, conversamos sobre coisas aleatórias e sobre a festa.
As oito horas fomos para minha casa. Sentamos lado a lado no meio fio, Ethan começou a brincar com meus cabelos, fazendo cachos e soltando-os, vendo-os se alisarem, e fazendo tudo novamente. Jogamos conversa fora até nove horas, até que minha mãe aparece na porta.
– Ethan esqueci de falar pra ela sobre a festa — sussurro para somente ele ouvir.
– Você precisa de permissão?– ele sussurra em resposta.
– Não é permissão... É como um aviso.
– Ah... Entendi.
Ele se levanta e vai em direção à porta, eu o sigo para ver o que ele irá fazer.
– Boa noite Sra. Monroe — ele fala.
Como ele sabia nosso sobrenome? Ah... Natalie.
– Boa noite Ethan, e pode me chamar de Marissa. Oi Kaly.
– Oi mãe — respondo.
– Sra. Mon...
– Marissa — ela o corrige.
– Marissa — ele fala de um jeito esquisito -, hoje teve um jogo muito importante no colégio, a senhora soube?
– A Kaly não parou de falar um segundo desse jogo. Bom trabalho Ethan — mães... sempre nos envergonhando.
– Obrigado! — Ele fala animado, o comentário final de minha mãe pareceu o deixar mais confortável — Então, como comemoração, nosso amigo vai dar uma festa essa noite. E eu gostaria de saber se Kaly poderia ir comigo, a Natalie também vai.
– Pode sim, mas que horas começa e que horas acaba? — Minha mãe pergunta.
– Esse é o problema... Começa às onze e acaba bem tarde.
– Tudo bem, traga Kaly para casa bem tarde, não a deixe voltar cedo, ela precisa se divertir — levanto uma sobrancelha e abro a boca.
– Okay Sra. Monroe irei cuidar bem dela. Nada irá lhe acontecer. Prometo! — ele fala feliz.
– Obrigada Ethan, conto com você. Agora preciso entrar, boa noite e boa festa.
– Tchau Sra. Mon... Marissa!
Minha mãe entra em casa.
– Como você fez isso? — pergunto.
– Eu sou especial — nós dois rimos.
– Tchau anjo — ele beija minha testa e se vira para ir embora.
– Tchau...
Entro em casa e vou direto para a cozinha.
– O que foi isso? — pergunto.
– Eu deixando você ir à festa — minha mãe responde.
– Mas por que tão naturalmente? A festa acaba tarde!
– Simplesmente porque confio em Ethan.
– Mas você nem o conhece!
– Acredite em mim. Eu sei o que eu faço.
– Ta bom...
– Agora vai jantar e depois se arrumar.
Dito e feito, comi, tomei banho e estava me arrumando quando minha mãe aparece na porta e fala:
– Não vá de calça e blusa como sempre... bote um vestido.
– Vestido? Eu não uso vestido.
– Hoje vai usar. Combina mais com festas — ela fala e vai embora.
– Ótimo — falo e retiro a roupa que eu já havia vestido.
Procuro algum vestido em meu armário e acho um vestido listrado na parte de cima e preto na parte de baixo, boto um cinto vermelho — que divide a parte listada da parte lisa — e calço uma sandália.
Como eu iria de vestido, deixei meus cabelos soltos. Passei um batom vermelho, não muito chamativo, uma sombra preta clara, rímel e delineador. Pego meu celular e boto dentro de meu vestido, já que eu não levaria bolsa.
Desço às escadas faltando vinte minutos para o horário marcado e sento no sofá de minha sala.
– Vestido com sandália? Não mesmo. Como eu sabia que você iria fazer isso, separei isto para você — minha mãe segurava um pequeno par de sapatos vermelhos com salto alto.
– Eu não sei andar de salto — falo envergonhada.
Minha mãe pareceu um pouco surpresa, mas não falou nada.
– Então vai aprender agora — ela me entrega os sapatos.
Eu os calço, cabem perfeitamente em meus pés, e me levanto. Tento dar um passo, quase caio, minha mãe tenta me ajudar. Dou um passo atrás do outro, como um bebê aprendendo a andar. Fiquei fazendo isso durante dez minutos, já estava pegando o jeito, já andava sozinha e não caia mais. Depois de mais cinco minutos sentei, acho que já dava pra passar uma noite assim, sem cair.
– Obrigada mãe — falo.
– Não há de quê — ela responde. — Boa sorte, tenha uma ótima noite.
– Tomara — ri.
Ouço a campainha tocar. Vou até a porta para abri-la.
– Oi Anjo... Meu deus! Quem é você e o que fez com a Kaly?! — Ethan pergunta.
Eu não me aguento e começo a rir.
– Tudo culpa dela — aponto para minha mãe, ela sorri.
– Marissa, assim fica difícil tomar conta! Linda desse jeito os garotos vão me bater pra falar com ela! — meu rosto começa a esquentar e eu sinto que se eu me olhasse no espelho me encontraria mais vermelha que um tomate.
– Não é pra tanto — rebato.
– E ainda é modesta! — Um sorriso de canto se forma em nossos rostos.
– Vamos lá pra fora, esperar a Natalie — falo. — Tchau mãe.
– Tchau Marissa — fala Ethan.
– Tchau crianças, divirtam-se — ela responde.
Saímos e ficamos em pé em frente ao meu portão.
– Você também está bonito — puxo assunto.
E estava mesmo, vestia uma blusa Polo salmão — ele deve gostar de vermelho — acompanhada de um jeans e de um tênis azul marinho, quase preto, tinha também um cordão, pareciam ser duas plaquinhas, seus cabelos negros cacheados como sempre, e usava um perfume maravilhoso, desejei poder senti-lo para sempre.
– Não tanto quanto você — desvio o olhar.
Comecei a divagar em meus pensamentos, me perguntando onde Natalie estaria.
– Ei, você está linda, mas, te acho mais linda ainda quando você é você– ele fala, arrancando-me de meus pensamentos enquanto olhava para frente.
– Quando eu sou eu?– pergunto sem entender muito bem.
– Sim, — ele me encara, seus olhos, que mais pareciam esmeraldas, se tornam reluzentes sob a luz do luar — eu sei que você não queria usar vestido e muito menos um salto alto e eu não me importo com isso. Você não tenta agradar ninguém. Você é você, e não tenta ser alguém que não é. E isso é uma beleza muito rara hoje em dia, e isso, por algum, motivo me encanta.
– Se essa é a definição de ser eu, então você também é você, e isso é bom — falo tentando não sair correndo ou começar a tremer na frente dele.
Ele continua me encarando em silêncio por um tempo, depois direciona seu olhar para frente. Eu abaixo a cabeça e quando percebo seu olhar novamente fixo em mim também o olho, mas, com esse ato algumas mexas rebeldes de meus cabelos caem sobre meu rosto.
Ele pousa sua mão em meu rosto e leva as mexas até minha orelha, botando-as para trás. No término desse ato ele escorrega seus dedos pelo meu rosto, quase como uma carícia, eu estremeço da cabeça aos pés. Ele permanece com sua mão em meu rosto, me olhando em silêncio.
– Tire suas mãos nojentas da minha amiga! — Natalie fala aparecendo diretamente do limbo. — Mentira, se casem.
Me afasto de Ethan imediatamente, deixando sua mão pairando no ar, ele a abaixa lentamente.
– Meu cabelo tinha caído no meu rosto e ele... — começo.
– Aham, tudo bem, depois você me conta tudo, agora vamos porque está na hora! — ela fala animada e eu suspiro aliviada por não ter que dar explicações.
Ethan destrava o carro e abre a porta de trás para Natalie, pega em minha mão e me leva para o outro lado do carro, onde também abre a porta para mim, entra no carro e o liga.
O clima está um pouco tenso, só Natalie que não percebeu isso, pois na metade do caminho ela fala:
– Ethan, você sabe se Justin está bem? Ele vai para a festa?
– Ah sim, ele está melhor, não foi nada demais, ele falou para mim que iria — Ethan responde.
A tensão se desfez no momento seguinte, quando ele acrescentou:
– Por que o interesse repentino em Justin, Natalie?
Natalie tinha uma pequena paixão por Justin a algum tempo, e eu como uma ótima amiga não perderia essa chance.
– Porque ela gosta dele! — disparo.
– M-me-mentira! — ela gagueja.
– Ah, que pena... ele até tinha perguntado por você... — vejo um sorriso maligno se formando nos lábios de Ethan.
– O que? Quando? O que ele falou? — ela se desespera, nos fazendo cair na gargalhada.
– Tem certeza que não gosta dele? — Ethan fala quase sem ar.
– Ta, eu gosto, mas, fala! O que ele falou? — ela fala quase gritando.
– Ele só perguntou se você ia para a festa, e, se você algum dia já tinha falado dele. Eu disse que você ia, mas, quando eu disse que você nunca tinha falado dele ele não pareceu ficar muito feliz com a resposta.
– Ai meu deus! — a reação dela só me fez rir mais.
– Chegamos! — Ethan anuncia.
Suspiro, eu quase não ia nas festas do colégio, sempre me convidavam, mas eu me sentia deslocada perto de toda aquela gente, só aceitei vir hoje porque estaria acompanhada de dois amigos. E dessa festa eu não sabia o que esperar.
Ethan estaciona o carro e abre a porta para nós, novamente. Vou conversar seriamente com ele, eu posso entrar e sair do carro sem ajuda, não que não seja legal... mas não me sinto a vontade.
Andamos até o portão da casa de Natham e... meu deus! Como essa casa é enorme. Se eu me perdesse desses dois levaria um ano para encontrar cada um... com sorte, não encontraríamos Natham.
– Ei pessoal! Pensava que vocês não iam vir! — a sorte não está do meu lado.
– É... conseguimos convencer Kaly a vir — Natalie minha amiga.... cale a boca.
– Você está linda — ele fala se dirigindo a mim.
– Obrigada — falo.
Ele abraça Natalie e dá um beijo em cada lado de seu rosto, aperta a mão de Ethan e dá aquele abraço típico de meninos se cumprimentando, ele chega perto de mim, passa um de seus braços pela minha cintura, me puxa ao seu encontro e beija minha bochecha, luto contra sua força, e tento manter o máximo de distância que eu consigo, finalmente ele me solta e fala:
– A noite é uma criança, fiquem a vontade, a casa é de vocês! — ele se vira e se mistura no meio da multidão.
Continua...
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