Dia após dia.
3 Briga?
Notas iniciais
– Gentil seu amigo, não acha? — pergunta minha mãe enquanto devoro minha lasanha.
– Gentil e muito engraçadinho.
– Se você diz... — Ela responde. — Já que chegou mais cedo, o que você vai fazer?
– Que tal ver um filme com a minha maravilhosa mãe?
– Ótima idéia.
– Qual vai ser dessa vez?
– Que tal maze runner?
Botei o filme e assistimos pela milionésima vez.
– Nunca me canso desse — diz minha mãe.
– Qual seu personagem favorito? O meu é o Newt.
– Thomas, mas também adoro o Newt.
– Okay, mãe vou tomar um banho e descansar, hoje fiz um pequeno esforço — disse, lembrando da corrida. — Aconselho você a fazer o mesmo.
– Estou precisando mesmo.
– Boa noite — digo e beijo sua testa.
– Boa noite, durma bem — ela disse me abraçando.
Subi correndo as escadas e fui direto para o banho, pus umas músicas em meu computador, música sempre me acalma e fiquei pensando em coisas aleatórias. Até que a imagem de Ethan segurando meu queixo e beijando minha bochecha me vem em mente, sacudo levemente minha cabeça para esquecer-me dessa lembrança.
Ao sair do banho, abro meu computador, dou uma olhada em alguns sites e quando abro meu Facebook reparo que tem uma solicitação de amizade — era de Ethan -, aceitei, desliguei meu computador e fui dormir.
● ● ●
Meu despertador toca, como o habitual, me levanto, tomo um banho, me arrumo, tomo café e saio de casa.
Chego na metade do caminho, onde encontro Natalie.
– Olha, ela está viva — falo ironicamente.
– Muito engraçada — fala e da uma risada sarcástica.
– Por que não me disse que Ethan morava perto de mim?
– Como descobriu?
– Encontrei seu primo bonitinho, segundo Rachel, enquanto andava de skate — eu digo dando ênfase em "Rachel".
– Primo bonitinho? Rachel?
– Longa história — eu disse e contei o ocorrido.
– Ai meu deus! Você sabe que ela não vai deixar barato, está ciente disso, certo?
– Infelizmente tenho certeza disso — desabafei. — Vamos, já está ficando tarde.
– Tenho que esperar o meu primo.
– Ah... aquele idiota. Ele me chamou de Kay, quem me chama de Kay?
– Ele e eu, de agora em diante.
– Ai meu deus... Nem pense nisso, te mato.
– Olá — disse Ethan atrás de mim.
Não tinha percebido que ele estava atrás de mim até esse instante, desde quando estava ali?
– Oi — eu e Natalie dissemos em coro.
– Vamos? Já está tarde — ele fala.
– Será por que está tarde?! — falo revirando meus olhos.
Ele ignora.
Jogamos conversa fora e entramos no tema filme/livro.
– Eu estou louca para ver insurgente, é o melhor livro da trilogia — Eu disse.
– Verdade, é mais desenvolvido, tem mais história e mais ação — Ethan afirma.
– Vamos ver? — pergunta Natalie.
– Por mim tudo bem — respondo.
– Por mim também — Ethan consente.
– Pode ser hoje? — pergunta Natalie e nos olha esperando uma resposta.
– Pode — respondemos em coro.
– Então está tudo certo, vamos sair seis e meia de casa e nos encontramos no portão da Kaly, pode ser?
– Uhum — Ethan murmura.
– Okay — digo.
Um minuto de silêncio se passa, até que Ethan quebra o silêncio:
– Ah! Quase me esqueço. Kay, me dê seu número.
– Eu não tenho celular, e, não me chame de Kay.
– Okay, anjo está melhor?
– Não melhorou nada, na verdade só piorou — cruzo os braços e continuo andando.
– Não se zangue anjo. E sobre o celular... Ontem você estava ouvindo música, e eu o vi na sua mão.
– Ah... meu celular é muito antigo, só desperta, faz ligações e tem umas músicas, então eu falo que não tenho, já que é muito antigo relacionado ao das outras pessoas.
– Me dê seu número mesmo assim.
– Se você insiste — digo ironicamente e passo-lhe o número.
– Só para avisar, hoje não irei andar de skate — ele fala.
– Terei meu momento de sossego de novo — levanto os braços insinuando felicidade.
– Então aproveite todas as suas terças-feiras e suas quintas-feiras.
– Não anda esses dias por que?
– Motivos pessoais — ele responde com um sorriso no rosto.
– Pessoais demais, não acha? — pergunta Natalie.
– Então você sabe o que ele vai fazer?
– Sei sim, e acredite, não é tão pessoal — ela diz e revira os olhos.
Ficamos em silêncio o restante do trajeto. Chegamos na escola e cada um foi para seu armário, pegamos nossas coisas e fomos para a sala de aula.
As aulas se passaram lentamente, mas, finalmente chegou o recreio.
Olhei para Ethan para ver se ele ia comprar algo, e como eu imaginava, ele iria. Ele parou ao meu lado, me virei e andei até a porta, quando Natalie fala:
– Espero não encontrarmos a cobra.
– Compartilho o mesmo sentimento — eu disse.
– Por que vocês têm medo dela? — pergunta Ethan.
– Eu não tenho medo dela, eu só não quero confusão, diferente dela — eu digo e Natalie acena com a cabeça em concordância.
Saímos da sala e andamos em direção à cantina. Chegando lá compramos nossos lanches e nos sentamos. Rachel estava na mesa à nossa frente e nos encarava, mas eu a ignorava totalmente.
– Mas é sério, como consegue ficar sem celular? É tão útil! — diz Ethan.
– Útil para você, não para mim, eu tenho meu computador, então não preciso de celular, e além disso, não sou igual a vocês que tem duas vidas, uma no celular e outra na vida real, eu tenho uma só e me sinto bem com ela — menti.
Natalie começou a rir descontroladamente, logo eu também estava rindo e Ethan nos encarando com uma cara de quem não gostou do que ouviu, mas, um instante depois acabou rindo também, Rachel pareceu não gostar muito de nos ver rindo.
– Está rindo do quê, loira oxigenada? — Rachel se refere a Natalie.
– De nada quê lhe interesse — respondo no lugar de Natalie.
– Cale a boca, transparente. Falei com a oxigenada, não com você — ela me chama assim por minha pele ser muito clara.
– Uow, pra quê a agressão verbal? — Ethan interrompe. — Olha lá como você fala da minha prima e da Kaly.
– Ah... gato, você está ai? Não tinha notado. Agora cale a boca e nos deixe resolver isso.
– Você.... — Ethan começa.
– Cale a boca você, e, tudo bem Ethan, pode deixar — eu o interrompo.
– Quem você acha que é pra falar dessa maneira comigo? — diz Rachel se levantando.
– Alguém com um caráter muito melhor que o seu — responde Natalie em meu lugar.
Nesse momento todos já prestavam atenção em nós. Rachel vai até Natalie, segura seus cabelos loiros e o puxa.
Ethan se levanta, sou mais rápida, e dou um empurrão em Rachel, soltando Natalie de suas mãos. Ethan para ao meu lado, viro para ele e digo:
– Cuide de Natalie — ele olha para mim, espantado. — Vá! Deixa que eu cuido dela! — Ethan se apressa e sai do pátio junto com Natalie.
– Você está louca? — pergunta Rachel.
– Não mais que você — respondo.
Ela pega um copo que se encontrava em cima da mesa e arremessa o líquido que estava dentro do copo em mim, manchando minha blusa com uma cor púrpura.
Sinto a raiva fluir dentro de mim e parto pra cima dela, ela perde o equilíbrio e cai no chão, eu a chuto umas três vezes até que ela segura minha perna, me fazendo cair no chão também. Puxo seus cabelos ruivos enquanto ela se debate tentando se livrar de mim, ela acerta um soco em meu rosto, me fazendo recuar, mas logo me recomponho e dou um tapa em seu rosto e em seguida um soco em sua barriga.
Pelo canto do olho vejo Ethan entrar no pátio, ele me puxa, fazendo-me sair de cima de Rachel e me segura, Christian — um garoto da classe de Rachel — ajuda Rachel a se levantar.
– Me solta! — diz ela.
– Denada — Chris diz ironicamente.
Ethan me solta e eu saio do pátio, andando em direção ao vestiário para me limpar, ele me segue.
– Com cuidar dela, você quis dizer isso? — ele pergunta.
– Ela que jogou essa coisa em mim, ela que começou.
– Você está toda grudenta, o que é isso?
– Sei lá! — eu grito. — Cadê a Natalie?
– Está na enfermaria, foi tomar um remédio para dor de cabeça e depois vai na diretoria.
– Ótimo.
Chegamos no vestiário feminino e eu entrei, logo Ethan veio atrás.
– Você não pode entrar aqui — eu disse me virando em sua direção.
– Eu não vou deixar você sozinha nessa situação — ele disse entrando.
– Eu sei me virar sozinha! — falo irritada.
– Não é o que parece — ele responde e eu me calo.
– Okay... — suspiro e fecho a porta.
Paro em frente ao espelho e me olho, meu rosto e meu pescoço estavam arranhados, não me lembro disso, meu cabelo despenteado e minha pele clara estava toda vermelha.
– Sabe o que ela merecia? — ele pergunta.
– O que?
– Um feitiço, sendo mais específico, um Avada Kedavra.
– Não, ela merecia um cruciatus.
Um sorriso se forma em seu rosto, e vai se tornando cada vez maior, até que ele começa a rir e dar muitas gargalhadas, eu, que até segundos atrás estava séria, começo a rir também. Como eu conseguia rir em uma situação dessas? Eu não sei, mas ele tem esse efeito sobre mim, ele me alegra.
– Toma um banho, lhe empresto minha toalha — ele fala. — Os meninos me chamaram pra jogar hoje, por isso que eu a trouxe.
– Claro que não, não precisa.
– Eu insisto, vá.
– Não.
– Eu admiro sua teimosia, mas, vá.
Ele retira sua toalha da mochila e estende sua mão esperando eu pega-la. Eu faço cara feia e a pego.
– Não me siga, eu posso ir para o chuveiro sozinha — ironizo.
– Okay senhora "eu sei fazer tudo sozinha".
Entro no chuveiro, retiro minha roupa e inicio o banho.
– Então os meninos te chamaram para jogar... Já fez novas amizades? — brinco.
– É, fiz sim. Falando nisso... Está afim de ir no jogo? Gosta de futebol?
– Se eu gosto? É sério que você está me perguntando isso?
– Nossa, eu não sabia que você não gostava, não precisava falar assim.
– Não! Você entendeu errado! Eu amo futebol! E sim, eu quero ir.
– Vai ser no final da aula.
– Tudo bem, estarei lá.
Acabo meu banho e fecho o chuveiro. Visto minha roupa, menos a minha blusa. Cadê a minha blusa? Ai meu deus! O que eu faço agora?
– Está tudo bem aí anjo? — pergunta Ethan.
– Não, não acho minha blusa, e não me chame assim.
– Ah, sua blusa... Está aqui comigo.
Coloco minha cabeça para fora do chuveiro — sim, eu me troquei no chuveiro — e o olho incrédula, ele estava com minha blusa em suas mãos.
– Me dê agora! — elevo o tom da voz.
– Claro que eu não vou deixar você pôr essa blusa, ela está suja.
– Ethan, eu não me importo se ela está suja ou limpa, eu não posso é ficar sem blusa!
– Calma, você está muito exaltada — ele ri -, toma.
Ele faz um movimento retirando sua jaqueta, logo em seguida tira sua blusa, revelando um abdômen e bíceps malhados. Meu queixo caiu, esqueça totalmente a idéia de ele ser magro. Totalmente! Aquela jaqueta disfarça bem...
Desvio o olhar constrangida, ele parece notar, mas não fala nada.
– Eu não vou vestir sua blusa.
– Veste logo — ele fala e a joga para mim.
Visto-me, saio do chuveiro e fico de frente para ele. Ouve-se um barulho, a porta se abre e Natalie entra.
– O que você está fazendo aqui? Você não pode entrar aqui — ela fala.
– Eu disse a mesma coisa — comento.
– E por quê está sem blusa? — Natalie pergunta e Ethan faz um movimento com a mão em minha direção. — Vai vestir o que? — Ele pega a jaqueta e a bota, escondendo totalmente qualquer vestígio de sua pele nua.
Eu, que até esse momento estava apenas observando, pego minha escova em minha mochila e penteio meu cabelo.
– O que a enfermeira falou? — pergunto a Natalie.
– Ela só passou um remédio para dor de cabeça — ela responde -, e, falou para você ir fazer uma visitinha a ela.
– Eu com certeza vou — suspiro.
Fui à enfermaria, Natalie e Ethan postos ao meu lado, a enfermeira aplicou um líquido transparente em meus machucados, um curativo em meu braço e outro no pescoço. Depois, fomos na diretoria, eu, Natalie, Ethan e Rachel, todos em silêncio, falando somente quando solicitados, Rachel ganhou três dias de detenção, a diretora me deixou impune, não sem antes me dar uma reprimenda, ela disse que agi em legítima defesa, mas, que a minha reação não foi adequada.
Nessa brincadeira perdemos dois tempos de aula, e, quando acabamos já estava na hora da saída, de repente lembrei-me:
– Ethan! Seu jogo!
– Já ia me esquecendo — ele responde -, valeu.
Nós fomos para a quadra, Natalie, que não estava muito afim de ir, sentou-se ao meu lado. Ethan se despediu, mas antes que ele pudesse ir em bora eu falei:
– Boa sorte.
– Obrigado anjo — nesse momento eu desejei não ter falado nada.
– Ethan, certo? — fala o treinador se aproximando -, não pode jogar de casaco.
– Mas eu emprestei minha blusa para a Kay — ele responde.
– Joga sem blusa, com casaco não pode.
– Ta bom... — ele fala e tira a jaqueta — Natalie, segura pra mim?
– Deixa aí que eu fico olhando — ela responde.
O jogo ocorre normalmente, Ethan marcou dois gols, e algumas garotas gritaram com esses atos, e Natham — um garoto da minha sala — marcou outro. O resultado foi três — time de Ethan — à um — adversário. Ethan vem caminhando em nossa direção quando Camila o para, fala alguma coisa, Ethan balança a cabeça negativamente e Camila vai embora com uma cara que não aparentava felicidade.
– Bom jogo — falo quando ele se aproxima -, parabéns.
– Só ganho um parabéns? Eu quero um abraço! — ele pula na arquibancada e puxa nós duas para um abraço.
– Eca! Que nojo, você está suado! — reclama Natalie.
Eu só sabia rir, da situação e da cara que Natalie fazia. — Ta bom, vou tomar um banho e já volto — ele fala, se vira e vai correndo para o vestiário.
– Nojento — murmura Natalie — o que você acha que a Camila queria com ele?
– Não faço a mínima idéia — respondo.
– Acho que ele está afim de você — ela revela.
– O que?! — engasgo. — Você está louca?! Nós nos conhecemos ontem!
– Eu li sobre um estudo que diz que uma pessoa só precisa de quatro minutos para descobrir se gosta da outra pessoa.
– Isso aqui é vida real, Natalie.
Mas, nesse instante Ethan chega.
– Vamos? — ele fala.
Nós nos levantamos e nos encaminhamos à saída.
Fale com o autor