Notas iniciais
:B hallo~ Prometi a mim mesma e a uma leitora que postaria amanhã de tarde, mas acabei de lembrar que tenho um compromisso amanhã e provavelmente não iria conseguir postar, então terminei rapidamente o capítulo e resolvi fazer isto hoje. Tentarei não atrasar com o capítulo da semana que vem. Gute Lese.

Jogado na cama e apenas de jeans, agarrou o travesseiro e se enroscou nos lençóis, o rosto vermelho demostrando resquícios de choro. Gilbird pousou na cabeça do seu dono, viu-o daquele jeito deprimente que raramente presenciou. Inteligente, voou até o celular – que por sinal estava jogado no carpete – e, agilmente, deslizou as patinhas pela tela deixando tocar a música favorita do albino.

Stacheldrahtfresse, so nennt man dich

Hast nicht den Mut und birgst dich nicht

Sie wollen Tränen sehen

Heida! Heida!

Stacheldrahtfresse, mit voller Wucht

Schläge Jahr um Jahr, du willst die Flucht

Lentamente o rosto fora se afastando do travesseiro e encarou o pássaro.

–Querendo me animar né Gilbird? – deu meio sorriso – Obrigado por tentar amigo. Venha aqui. – bateu no travesseiro.

A ave voou até ele e aninhou-se ao seu lado.

–Por que Gilbird? Até mesmo Antônio tem alguém para se preocupar e eu não? Por que ninguém se importa com minha incrível pessoa? – olhou-o achando que a bolinha amarela diria algo – Só mesmo meu irmão, Feli e meus amigos, mas não é desse “importar” que eu digo. – sentou-se – Se ao menos Elizabeta me olhasse diferente… Que merda, eu acho que estou ficando com TPM.

Jogou-se no travesseiro novamente, achou melhor tentar dormir e não pensar mais nisso… por enquanto.

.x.

Elizabeta resmungou e pensou o que diabos aquele branquelo estaria fazendo? Mais cedo tinha recebido uma ligação de Ludwig para que pudesse tomar conta do irmão enquanto sairia com o italiano; aceitou, já que tinha o dia livre e realmente estava imaginando que o dia seria entediante. Agora estava ali, e fazia mais de quinze minutos que tocava a campainha e nada de ser atendida, é uma merda mesmo!

–Mas que Pokol[1]… -sacou o celular e ligou, a paciência querendo transbordar.

.x.

O cérebro já fritando de tanto que tocou o celular; enfureceu-se e pegou o aparelho.

Scheiße, o que quer?

–Mais respeito comigo, não sou tuas putas, eu lhe meto esse celular no…

–Ok, ok! O que quer Elizabeta? – fez cara de desgosto.

–Hunf! Seu irmão me pediu para ficar com você. E eu estou aqui fora faz mais de vinte minutos, é melhor você abrir esta porta ou eu mesma o faço.

Como um relâmpago, desceu da cama e disparou pela escada. Sim, ela dava medo, e sim, ela realmente poderia arrombar a porta e nem duvidava que pudesse taca-la na cabeça dele. Se Lud ficasse sabendo que a porta estivesse sido transformada em um monte de madeira levaria outro sermão.

–Bom menino.

–Menino? Achei que fosse seu escravo. – corou, ela devia ter entendido em outro sentido, mas até explicar… — Eu… queria dizer que…

–Eu entendi. – sentou-se no sofá – Eu vim também porque me parece que seu irmão anda preocupado.

–Com quem?

–Com você. – juntou as mãos e olhou para um fio aleatório no tapete – Preocupado até demais, ele me disse que você não anda nem se alimentando direito. – seu semblante mudou – E isso é verdade?

–Bem! Mais ou menos. – engoliu em seco, os olhos dela pareciam lhe perfurar a alma – É algo pessoal Liz, não quero lhe contar.

–Eu sei, respeito sua decisão. Afinal, eu só vim para lhe fazer companhia. – levantou e foi até a cozinha – Vou lhe preparar um lanche e se você não comer… vai ver o que eu posso fazer com uma frigideira. – um brilho assassino fez com que sentisse um frio na espinha.

Pensava quando e/ou como havia se tocado que estava apaixonado pela húngara. Oh que enrascada!

.x.

Lovino andava a passos largos, desesperado, aflito, ansioso. Não sabia o que demônios tinha acontecido com ele a ponto de tanto nervosismo. Nossa! Que burrice, é claro que sabia, mas não queria admitir para si mesmo. É muita vergonha. Chegou a uma praça, perto de uma igreja, e sentou em um banco; os pombos ciscavam as pipocas que eram jogadas por um velhinho do outro lado. Respirou fundo, passou a mão nos cabelos e tentou se concentrar em algo que não tivesse “Antônio, tomates, vermelho” na mesma frase, tentou. Seria um progresso!

Mas o que ele não sabia era que o próprio tinha visto a agitação e de dentro da cafeteria viu o italiano sair de casa meio que correndo. Sem mais saiu atrás, mas claro, sem antes medir a distância em que se encontrava, não queria ser pego tão cedo. Viu Lovino aquietar-se no banco e esconder o rosto nas mãos, pensou no que ele estaria pensando; era difícil de saber sendo ele.

Fechou o punho determinado e marchou até o jovem, a cada passo queria recuar dois, temia um escândalo por parte do outro, por isso tratou logo de pensar em uma frase que o acalmasse da melhor forma. Sentou-se devagar e o abraçou, sentiu-o tremer de leve. Lovino levantou o rosto assustado e o viu.

–Antô… — gritou, mas foi calado com um aperto no abraço, com dificuldade para falar ele resmungou – O que infernos está fazendo aqui? E me larga!

–Eu liguei avisando que queria te ver, precisamos conversar e você vai ter que me ouvir desta vez. – recuou um pouco, estava receoso – Mas primeiro trate de não gritar, isso já ajudaria.

Desfiando um mantra de palavrões em italiano, Lovino levantou e o puxou; caminharam até a casa dele. Surpreso, o espanhol sorriu.

.x.

–Amo-te!

Lovino estagnou. Nem ao menos tinha fechado a porta e ouvira aquela frase que, sinceramente, nunca achou que fosse proferida por aqueles lábios; a não ser em seus sonhos. A mão ainda na maçaneta, o corpo não conseguia seguir qualquer ordem sequer para se mover dali e sentar, nem se fosse ao chão. Por um milésimo de segundo perdera até mesmo a capacidade de falar, ou mesmo de raciocinar. Qual era mesmo seu nome?

–Que disse?

–Que te amo! – impossível! Ele ria? Ele ria diante da frase que causou tal impacto no corpo do Vargas?

Foi preciso mais dois minutos inteiros para finalmente conseguir “desenterrar” seus pés dali e correr até a pia da cozinha, enfiou a cara debaixo da torneira. Antônio apareceu atrás e tocou-lhe o braço.

–Está tudo bem? – e claro que o outro voltou a se assustar e virou-se; bateu a cabeça na torneira e mandou o espanhol ir para certo lugar – Ai que coisa feia Lovi. Fusoso~ Eu achei eu fosse mais carinhoso.

–Percebe-se que não sabe de nada sobre mim. – massageou a cabeça, fez bico.

–Sei sim, mas do que qualquer outro. – e seu sorriso murchou – Por isso eu queria saber por eu essa decisão tão repentina de voltar a morar aqui?

–Porque eu quis, estava com saudades de minha terra natal.

–Mentira! – e ficou sério. Era raro Antônio ficar sério, para se ter uma noção, nem mesmo Lovino tinha o visto assim. Sua surpresa só aumentava a cada ponto – Conheço quando você mente, a sua voz muda e você fica inquieto.

–Mas que merda! Por que insiste tanto em continuar me seguindo?

–Eu já expliquei. Porque te amo!

–Não repita essa mentira novamente! – aumentou seu tom de voz.

–Não é mentira, e você sabe muito bem!! Faço qualquer coisa para ficar ao seu lado, estou falando sério.

Lovino calou-se. Só faltava espumar de raiva; simplesmente não conseguia enfiar na cabeça oca a frase. Para ele, um “eu te amo” seria o mesmo que kriptonita para o Super Homem, Féliks sem uma saia rosa e/ou pônei, Ivan sem vodka, ou um Ludwig sem Feli… riscou o casal do seu pensamento; queria se torturar.

–Pois bem. Faça o que achar necessário. – sentou no sofá, exausto de brigar, com seu estado discutir só o faria perder mais energia; energia esta que precisava repor depois de mais uma noite mal dormida.

O moreno poderia simplesmente o encurralar ali e beija-lo, mas fez o contrário; afastou-se e dirigiu-se a porta. Vários pontos de interrogações vagaram pela sua cabeça.

–Se despreza meu sentimento eu não tenho mais nada a conversar. Passar bem! – e bateu a porta.

.x.

Um fracasso! Era o que se julgava no exato momento.

Saiu depressa daquela casa, queria exterminar aquele músculo cardíaco idiota que tanto o maltratava; finalmente teve coragem de desistir de tudo, depois de tantos foras, tantas frases ignoradas e desprezadas. Cansou-se de correr atrás de quem o machucava, não merecia isso. Estava quase no fim da tarde, e queria um lugar para descansar e dormir até amanhã.

.x.

Ludwig e Feliciano estavam na fila do cinema; o loiro carregava um enorme saco de pipocas e refrigerantes, tentava entender o desespero do italiano que estava a alguns metros dali falando ao celular. Resmungou um palavrão; não queria ter a sua tarde desmanchada por problemas.

–Lud. – aproximou-se guardando o celular no bolso – Parece que Antônio não teve muito sucesso.

–Scheiße! – entregou os bilhetes – Depois resolveremos isso, vamos. – caminhou pelo corredor à procura da sessão.

.x.

A tarde avançou e a casa ficou mais escura depois que a Tv fora desligada. Elizabeta dormia escorada em seu ombro, tão singela que poderia velar seu sono até morrer de torcicolo. Pena que nunca seria sua. Abraçou-a delicadamente; fazia frio e não queria acorda-la enquanto tentava encaminha-la para o quarto; ela tinha sono leve. Olhou em volta e achou seu casaco preto jogado entre as almofadas – desde quando ele estava ali? – e passou pelos braços finos dela, voltando a aperta-la contra si; beijou a sua testa.

–Tão próxima… mas tão longe de mim. – sussurrou para si mesmo, fechou os olhos; o sono o puxando para o mundo inconsciente.

Mal sabia ele que a frase fora compreendida. Por ela.

Um sorriso abriu-se minimamente nos lábios rosados.

–Está na hora de deletar a última parte, Gil.

Notas finais
[1]Pokol: "Inferno" em húngaro. Scheiße: "merda" em alemão e-e O refrão em negrito é da música Heldmaschine da banda Heldmaschine, eu amo