Notas iniciais
Entschuldigung/desculpe pela demora ;w; esqueci o dia de postar e fui lembrar agora kçkç~

~Cheep, cheep~

Ah maldição!… Gilbird ficou sem ração e ficou piando tanto que Gilbert teve de se levantar às sete e meia da manhã, num frio desgraçado, depois da chuva da noite anterior, para ir ao mercadinho comprar a alpiste da ave. Aproveitou para adicionar uns pacotes de salgadinho, doces e sorvete, mesmo naquele frio. Gilbird piou, Gil afrouxou seu casaco deixando o bichinho entrar e acomodar-se.

Em passos de lesma, ele ia caminhando de volta para a casa do amigo, que seria uns três quarteirões no máximo. Com sono e quase morrendo de fome, já imaginava que teria de preparar o café da manhã, duvidava que alguma alma levantasse neste horário para passar o café. Bando de preguiçosos, mas ele era apenas mais um então seria melhor ficar calado.

–É… a vida do incrível eu não é nada fácil. – arrumou o zíper do casaco.

Com certeza não é Gilbert. Mas o que achas que irá fazer para o café da manhã?

–Ainda não pensei. Minha cabeça ainda não está acostumada a pensar muito logo cedo.

Entendo. Acho que deverias passar na padaria comprar pão, geleia ou açúcar.

–Também acho. – parou e foi andando ao lado oposto, onde ficava a padaria.

Já tem uma lista do que precisa?

–Sim.

E onde está?

–Na minha awesome cabeça. – disse enquanto pegava a carteira.

Passou pelo portão mastigando uma barra de chocolate. Gilbird voou todo alegre para sua tigelinha esperando ansioso pelo alpiste matinal, e ao ver a comida enterrou a cabeça entretendo-se na refeição. Deixou as sacolas na mesa e olhou para a escada. Nenhum ser vivo havia descido ainda, suspirou e botou um avental rosa, a contragosto, pois Luciano o usaria como alvo de suas facas se sujasse a cozinha. Era quase que um Ludwig brasileiro.

O prato de porcelana fora deixado no centro da mesa com as torradas ardendo, ao lado pães de queijo que tinha comprado junto de um bolo de chocolate. Suco de laranja, que amava, e café. Tinha enfeitado o vaso do centro, ao lado das torradas, com flores típicas dali, várias delas, coloridas. Pegou uma pequena e de coloração rosada e prendeu aos cabelos do lado direito, se viu no reflexo destorcido do vaso e sorriu, parecia a Elizabeta.

–Olha que romântico nosso Gil, Tonton.

Era Francis. Estava debruçado na ponta da mesa segurando Antônio pelos ombros e fazendo cara de malicioso. Gilbert quase deu um pulo ao teto de susto acompanhado de um gritinho agudo.

–Tá todo apaixonadinho né? Sei que me ama, também te amo. – Francis pulou no prussiano e lhe deu um selinho – Quando teremos nossa lua-de-mel, cher¹?

–Ai, sai pra lá. – limpando a boca no avental – Se fizer isso de novo te jogo pela janela.

–Ou só precise fazer isto Gil. – Antônio deu um tapão nas costas do loiro, que caiu ao chão chorando e gemendo de dor – Opa, foi muito forte.

–Filho da puta, quer quebrar minha linda coluna por inveja, não é?

–Ahaha, foi mal Fran.

–Antônio, cadê o Luh?

–Achei que tinha saído com você Gil.

–Não, eu tinha acordado mais cedo pra comprar alpiste do Gilbird, mas não tinha ninguém acordado, até vocês aparecerem. Achei que ainda estivesse dormindo.

–Aii… non, ele não estava no quarto quando levantamos. – o francês levantou todo dolorido e assado, parecia um velho caquético atacado de reumatismo.

Pouco depois, apareceu Luciano, dizendo que tinha alugado um barco para poderem explorar o mar. Animados, trocaram de roupa e correram para a areia, eles iriam mergulhar.

O relógio na parede da sala marcava quatro da tarde. E nada daqueles três chegarem. Gilbert dormirá até tarde naquela manhã de domingo e não percebeu antes a movimentação de Francis, Luciano e Antônio ao saírem para comprar mais grades de cerveja, algo dizia que a noite haveria muito álcool em seu sangue, óbvio.

–Que clima mais monótono… espero que aqueles desmiolados não demorem.

E o que vais fazer até eles chegarem? E cadê o passarinho?

–Não sei, acho que Gilbird deve estar caçando alguma fêmea por aí.

Haha, então vá logo se preparando para aturar vários filhotinhos em sua cabeça. Aliás, ela ficará pequena demais para todos.

–Tens razão. Terei netos em breve. – emburrou.

O que foi? Aconteceu algo de errado?

–Até mesmo Gilbird foi atrás de uma companheira, enquanto eu estou aqui, mas encalhado como aquela bunda gorda do Alfred no sofá em dia de domingo.

Mas o Alfred não é gordo.

–Eu sei, foi só uma comparação.

E você devia ir atrás de uma garota, sim? Tem tantas nesta praia.

–Mas eu já gosto de uma, e ela não está nesta praia.

Mesmo? E quem seria a coita… digo, sortuda?

–A Elizabeta. – fez cara de bobo.

A húngara? Mas logo ela que te bate tanto com aquela frigideira? E pelo que eu saiba ela está namorando o…

–NÃO! Não diga o nome deste músico engomadinho em minha grande presença.

Hunf, tá seu chato. Mas olha, eles estão vindo.

–Hm. O que estavam fazendo? Orgia sem minha presença? – cruzou os braços.

–Não. Achei que apenas o Francis perguntasse isso.

–Ai Antônio, sei que me ama também. Mas meu coração já tem dono, e ele é canadense.

–Nós sabemos de você e o Matthew. – Luciano sentou ao lado de Gil.

E foi entre mergulhos, paqueras e muita bebida que os quinze dias do trio passaram voando. Aprontaram muito. Desde enterrar um Antônio adormecido, até o pescoço e fazer seios de areia; jogar gelo na sunga de Francis; pintar a cara de Gilbert enquanto dorme e deixa-lo no meio da praia a muitos metros da casa achando que estava longe; deixar Luciano boiar no colchão inflável pelo meio do mar, calmo, não agitado, pela madrugada… enfim, altas traquinagens, pareciam um bando de crianças que descobria o mundo.

Mas semana que vem teremos o último dia deles.

No último dia, resolveram comer caranguejo, o que os levou até o meio de um mangue, de botas dentro de uma canoinha. Francis parecia que tinha se arrumado para ir a uma festa, um erro dele. Pois foi o único que ficou completamente preto de lama.

Iremos do começo. Mas antes, uma prova de que Francis concorre contra Gilbert no quesito “o mais egocêntrico”…

–Quem é o mais gostoso?… Quem? – dava beijinhos para o reflexo dele mesmo no espelho enorme de um dos quartos de hóspedes que Luciano tinha-lhe cedido a ele – Jesus… como eu sou lindo. – rebolava – Se eu tivesse irmã gêmea, ou tivesse um clone perfeito de mim eu me namoraria.

Sentou na beira da cama e pegou um lenço azul quadriculado com bordinhas floridas e amarrou em volta do pescoço. Pegou os óculos escuros e os botou no alto da cabeça, deu uns beijinhos para o reflexo do espelho e saiu dando pulinhos e balançando as mãos, uma cena tão “Féliks” que…

–HEI, tipo, eu totalmente não ando assim.

Féliks? Mas como… Sai daqui seu loiro viciado em pôneis.

–E não culpe os meus queridos pôneis, eles são totalmente meus amigos.

Caham… ignorem essa peça rara. Então, assim que se juntou com os amigos na sala, o quarteto barulhento saiu.

–Para de chorar Francis, assim você acaba virando a canoa. – Antônio se segurava apreensivo, não queria cair dentro do mangue.

–Mas olha só o estado da minha camisa, está toda suja. Você sabe o quanto custou ela? Só por causa do tecido? – mostrava todo choroso, o tecido branco da camisa, ou o que um dia foi branco – Agora está reduzido a pano de chãoooooo…

–E quem mandou querer pular da canoa? – Luciano retrucou.

Sim. Assim que tinham chegado ao mangue, Francis, ansioso como ele só, pulou todo alegre querendo chegar à frente dos outros e poder pegar todos os caranguejos que conseguia. Seu pé afundou até a cintura deixando o outro enganchado na ponta da canoa.

–Aff, para de resmungar, quando disse que íamos ao mangue você devia ter em mente que estaríamos sujos de lama. Não precisava ter se emperiquitado todo.

–Não liga pra ele Luh, é normal já. Kesese~

–Assim você quebra meu coração. – com os olhos brilhando pelas lágrimas, ele fez bico.

–Fica quieto e tenta pegar esses bichos, Luciano disse que vai ser nosso almoço. – Antônio tomou a frente do bando e atolou dois passos depois – Acho que a coisa está meio complicada aqui.

–Ajuda ele Fran.

–O que? MAS EU NÃO…

Luciano o empurrou até o moreno atolado, e lá foi o francês caindo em câmera lenta, mesmo com a sua cara meio distorcida ele ainda soltava brilhinhos umas pequenas rosinhas ao fundo. Antônio, desesperado, ergueu as mãos esperançosas pelo resgate, mas não aconteceu. Com os cabelos, duros de lama… mas enfim, ao vento, foi em direção à lama. Sua face que estava pouco suja logo ficou preta e afundava lentamente. O outro suspirou e os tirou dali deixando-os na canoa.

Foi quando perceberam que Gilbert tinha sumido.

–CADÊ O BRANQUELO? – gritou Francis enquanto limpava o grosso da lama com uma toalhinha que lhe deram.

–Sei lá, deve ter atolado por aí.

–Mas Luh, o ajude. E se o Gil morrer? O que será do Bad touch trio?

–Para de escândalo, espanhol idiota. Pelo que eu conheço dele acho que não.

–Ah é? E o que ele está fazendo agora, senhor sabe-tudo-da-vida-do-Gilbert?

–Se limpe primeiro. – enfiou o pano novamente na cara do francês – E olhe ali.

Virou o rosto imitando Antônio. E realmente lá estava Gilbert… sendo carregado por um bando de passarinhos amarelos, um sorriso do tamanho de uma mão na cara. Se o próprio Alfred visse ficaria com inveja e diria algo como: “Era para eu estar voando, porque eu sou um herói, e heróis voam, e salvam as pessoas. Vou te abater inimigo”.

–KESESE~ VEJAM, POBRES ALMAS HUMANAS, EU ESTOU VOANDO. – abriu os braços, o corpo coberto de pássaros cor de gema, piavam feitos loucos.

–HEI, CARA DE BATATA, DESCE AQUI PARA PODERMOS TERMINAR AO MENOS DE PEGAR O COMEÇO DO ALMOÇO NÉ?

–UI, O BRASILEIRO FICOU COM RAIVINHA. BAIXOU O LOVINO FOI? KESESE~ OLHA, TURISTAS. OLÁ. EU DEIXO VOCÊS TIRAREM FOTO DO MEU GRANDÍSSIMO EU.

–Seguinte, vamos combinar algo. – o moreno puxou Antônio e o loiro – Se alguém perguntar, digam que não o conhecem. – eles acenaram afirmando.

Depois de tudo isso acabou voltando com menos da metade de caranguejos que Luciano pretendia para o almoço. E resolveu completar com frango frito e cerveja.

No final da tarde se despediram dele e foram para o aeroporto, tinham de voltar.

Continua...