Não sou do tipo de garota certinha, tipo daquelas que tiram notas excelentes na escola, ou que é uma santa que não sabe se defender. Tenho problemas familiares, escolares e principalmente com o meu irmão mais velho, Júnior. Ele é simplesmente o tipo de irmão que não gosta de ficar calado e que ao invés disso prefere ficar estressando completamente a sua irmã mais nova (que infelizmente sou eu). Caterine, minha mãe parece que é a única que me entende, não acredita em nenhuma das armações bobas e quase infalíveis de Júnior. Já meu pai Jonny, cisma em passar suas delicadas mãos gigantes na cabeça dele, e isso realmente me deixa abismada.

Hoje estou com 15 anos e Júnior com 16, o que o faz achar que tem liberdade pra tudo, arrancar plantas dos vizinhos, sair pra algum lugar sem menos avisar, pegar o carro do papai escondido, arruinar a minha vida durante 24hrs por dia e ser o garoto mais chato da vizinhança, bem isso é comum por aqui, sempre temos uma surpresa com Júnior e se houver dias que ele não aprontar pode ter certeza: Ele está morto!

Acabamos de nos mudar para essa cidade completamente gigante, as coisas são diferentes, os jeitos são diferentes parece até que eu mudei de país, mais infelizmente não, continuo no mesmo lugar de onde eu nasci: Rio de Janeiro, morar nessa cidade não está sendo tão difícil, a casa pelo menos tem três cômodos a mais que a nossa antiga moradia, o que poderíamos chamá-la de “Caixinha de Fósforo melhorada”.

As coisas por aqui são diferentes, no lugar aonde moro não tem muitas coisas por perto. Caterine e Jonny (meus pais) me disseram que escolheram este lugar por ser perto da vovó Candida, um doce de pessoa.

-Loola! Me ajuda com essas caixas aqui, estão super pesadas.

-Chama o Júnior, ele é mais forte que eu!

-Não gracinha eu quero você aqui, agora!

Isso realmente me deixava furiosa, minha mãe às vezes parecia tão chata que eu conseguia virar um tremendo camarão de tanta raiva. Fui à encontro dela. A caixa era realmente pesada, mas custava chamar outra pessoa? Por que eu? Justo eu?

-E nem adianta ficar com essa cara por que você vai ter que passar o pano nesta casa.

-O quê? -surtei- A faxineira não vai vir amanhã?

-Sim querida, e daí? Custa passar um pano? Eu vou pegar as outras caixas que seu pai está me passando. Anda, o pano está ali em cima do armário e o desifetante está dentro dele. Ah! E o rodo está atrás da porta.

Eu não parecia um camarão, agora eu estava parecendo alguma ave desconhecida que cagou em cima de mim no ultimo acampamento do papai. Eu estava realmente furiosa. Olhei para o lado ao escutar umas risadinhas bem conhecidas.

-Júnior seu idiota, mané, psicopata, volta aqui! -disse, berrando em volta da casa.- Passei ao lado de Caterine e Jonny que ainda estavam recolhendo as caixas. Peguei meu chinelo e arremessei contra a cabeça de Júnior, infelizmente o panaca deu tanta sorte que pegou nas costas. Escutei o som da Caterine berrando atrás de mim, imaginei que ela iria me matar e corri para a cozinha peguei o pano o desifetante e o rodo com uma rapidez que me deixou tonta. Escutei os passos estrondosos de Cate vindo por aqui.

-O-oi mããã-e, já estou com o rôô-do. — disse gaguejando, e logo depois dei um sorrisinho pra compensar.

Aquela manhã não tinha sido tão, tão ruim, eu apenas tinha passado por uma crise de fúria com Júnior e Caterine. Mas eu estava bem. Bem cansada. Naquela manhã não foi apenas passar um "paninho" na casa, ainda tive que passar o "lustra móveis" em todos os móveis que tinham chegado -sendo que faltavam mais 5 dos outros quatro cômodos e fui obrigada a passar também- e depois ainda tive que arrumar todas as roupas em seus respectivos lugares. Isso é realmente injusto! Enquanto Júnior apenas ficou ajudando Jonny a concertar seu maldito carro que quebra de semana em semana. É, meu dia foi pior. Às vezes eu penso -"Se eu fosse homem eu não teria que fazer nada"! — A maioria dos homens tem toda a mordomia do mundo. Não tem mestruação, não fica com um barrigão quando engravida, pode ser livre, não precisa ser homem de família, já que um dia sempre vira um biscate... Já refleti isso umas quinhentas e cinquenta vezes, mas o-k! As coisas nunca mudam.

Notas finais
Vai algum review?