Eu amava a chuva. Sempre fui fascinado por chuva, e sem contar que, era ótimo dormir enquanto a chuva caía lá fora. E pelo o que parecia, a chuva me favorecia durante o apocalipse já que os zumbis ficavam mais lentos, pelo o que eu observei. Eu estava agora observando a cidade pela janela do segundo andar de um armazém abandonado, a noite reinava, estava tudo escuro, sem vida, como se estivesse sem esperança. A sala em que eu estava parecia ser o antigo escritório do chefe do armazém, estava muito escuro e eu não conseguia enxergar muito. Mas algumas coisas eram bem notáveis, tais como: um globo terrestre, um mapa múndi, um cabideiro, alguns papéis revirados no chão, uma escrivaninha, uma poltrona e um armário. Me afastei da janela com medo de que fosse notado por algum zumbi, ou até mesmo pior, por algum sobrevivente que quisesse me matar. Me certifiquei de que a porta estivesse fechada, e me sentei na poltrona reclinável.

Mil pensamentos vieram à minha mente. E se eu não conseguisse chegar à tempo na Zona de Quarentena? Se o que o Canni disse fosse verdade e eles não me aceitassem lá? Eu não poderia ficar de fora, tinha que entrar e encontrar os meus pais.

Eu acabei adormecendo. E pela primeira vez, não sonhei com absolutamente nada.

O sol raiava forte no dia seguinte. Tudo parecia estar bem, exceto pelo fato de eu estar perdido num apocalipse zumbi sem saber se eu chegaria na Zona de Quarentena. Me levantei e caminhei até a janela, observei cada ponto da rua: havia um cabeleireiro e meia duzia de zumbis em frente tentando adentrar no prédio. Havia um uma loja de roupas chamada "Hozir", uma padaria toda depredada e um café. Me certifiquei de que ainda tinha as minhas coisas na mochila, a peguei e sai da sala. Caminhei agachado até o final do corredor, até avistar uma porta de metal, a abri e sai do prédio. Sai numa espécie de varanda do segundo andar, lá havia uma daquelas meias escadas que não alcançavam o chão, em caso de um incêndio. Fui descendo a escada lentamente até o último degrau e então, pulei em cima de uma caçamba de lixo que ali estava. Olhei ao redor: nada. Arrumei a mochila nas minhas costas e caminhei pelo beco estreito até chegar numa rua vazia, lá havia um ônibus parado e fumaçando. Me aproximei da porta que estava aberta, entrei e olhei para o fundo do ônibus até avistar uma cena horrível: o motorista estava morto na última poltrona do ônibus. Me aproximei devagar, espantei algumas moscas e retirei o crachá dele do pescoço. O nome dele era José, ele tinha cabelos grisalhos e tinha mordidas pelo braço todo e pescoço. Dei um passo atrás e pensei que deveria sair daquele lugar imediatamente, se aquele homem tivesse sido realmente mordido, a última coisa que eu gostaria de fazer é estar ali quando ele se transformasse. Joguei o crachá dele no chão, e sai agachado sem fazer o mínimo de barulho possível até a porta da frente do ônibus. Quando sai, escutei sons de zumbis próximos de mim, e quando olhei para trás, uma horda zumbis vinha na minha direção. Eles andavam devagar e pareciam que não tinham me visto ainda. Então corri na direção oposta, corri o mais rápido que podia no momento até chegar na esquina e virar à direita na rua Downing. Passei correndo por uma estação de metrô e por um momento hesitei em entrar na estação, mas eu sabia que nem o subterrâneo estava seguro agora, então continuei em frente até chegar no Par que Ibirapuera. Eu simplesmente adorava aquele lugar, era calmo, convidativo e o melhor de tudo era que eu ia lá direto com meus amigos. Me perguntei se um dia eu iria voltar a ir lá com eles novamente. Virei à esquerda em frente ao parque e continuei reto, me agachei a medida que eu me aproximava de carros abandonados no meio da rua. E então escutei sons de algo pesado vindo na minha direção, me agachei atrás de um carro preto e observei pela janela do carro, e então, não pude acreditar no que eu estava vendo: um tanque do exército camuflado vinha em minha direção, e torci para que eles não tivessem me visto ali.

O tanque parou subitamente, e três soldados desceram dele.

– Argh! Isso tudo começou hoje e eu já não aguento mais isso, não tive contato com a minha família desde ontem! — resmungou o primeiro soldado.

– E não terás tão cedo, Jack. De acordo com o capitão, só teremos contato com nossos familiares no mais tardar. Ao menos o capitão disse que estão todos seguros. — rebateu o segundo soldado. — Já estamos na Zona Sul, Clayder?

– Sim senhor. Precisamos agora, de acordo com o chefe, averiguar a situação nos postos de medicamento. Precisamos de mais estoques para suprir as necessidades, Josh.

– Pouco me importo! Quero que tudo isso acabe logo. Enfim, vamos chegar logo nesse lugar e acabar com essa palhaçada. — disse Josh nervoso.

Josh saiu caminhando em direção ao parque e os outros soldados o seguiram. Fiquei abaixado até os três passarem e... Sucesso! Eles não haviam me visto. Os observei entrar no parque e fiquei agachado e caminhei em direção ao tanque. O tanque era alto, cerca de dois metros de altura. Estava bem quente, como se viesse de uma guerra, apesar de que... Isso era uma guerra. Resolvi entrar no tanque e verificar se havia armamento e munição, então subi pelas escadas laterais e adentrei. O espaço interno não era dos maiores, havia um pequeno sofá e duas poltronas na frente: piloto e copiloto. Avistei uma bolsa, abri e revistei: tinha algumas munições de revolver, e duas granadas. Eu esperava mais, sinceramente. Chutei a parede e me virei para sair quando avistei no fundo do tanque uma Escopeta de cano Serrado, corri para pegá-la. A peguei e chequei as balas: estava lotada.

– Isso, Isso! — eu disse animado. — Vem para o papai, vem!

Enfiei a arma dentro da mochila e sai do tanque antes que aqueles soldados voltassem e me encontrassem lá. Corri pela rua Andreosi até achar uma placa azul largada no meio da rua, na qual lia-se com tinta preta: ZONA DE QUARENTENA: 1KM. E então, eu sabia que eu estava cada vez mais próximo. E sai em disparada.