* 3 Meses Depois *

Aquela droga de lugar estava me dando nos nervos. Sério, como sobreviver em um lugar no qual nós mal conseguimos respirar? Eu quero ajudar, mas eles continuam no meu pé e estão sempre repetindo "você não é bom o suficiente" ou "não está preparado." Isso realmente cansa. Estamos nessa de apocalipse há meses, e eu não estou preparado? Eu só estou de boca calada porquê preciso continuar ali. Preciso dos mantimentos, seguranças e amizades que tenho ali. Não pretendo sair daqui e correr pros zumbis lá fora, muito menos Everthon, que já havia se acostumado com a ideia de ficar ali. Ele estava se saindo muito bem nas tarefas diárias, foi até chamado para tomar conta do lugar uma vez.

Me levantei cedo e fiquei fitando o teto na minha cama, o sol estava bem forte lá fora e os seus raios atravessavam fortemente minha janela. Os raios projetavam sombras da persiana na porta do quarto. Eram cerca de sete da manhã e o primeiro alarme soava no corredor, pessoas e vozes apressadas passavam pelos corredores me deixando um pouco desconfortável. Everthon não estava na sua cama, mas havia deixado uma espécie de bilhete sobre a escrivaninha.

"Treinamento anti invasão, te vejo no almoço."

Ótimo, eu teria que passar a minha manhã sozinho. Eu tinha alguns amigos ali que fiz há alguns meses, mas raramente os encontrava antes do almoço no refeitório. Vesti meu Jeans, camiseta do Pink Floyd, meu colete preto e coloquei minhas botinas de caça. Quando sai, o sinal não tocava mais e apenas duas garotas que conversavam entre sim estavam passando na minha frente. Passei pela porta de vidro e sai do prédio, o sinal no meio da réplica de uma praça começou a fazer um barulho ensurdecedor e então uma voz começou a falar:

"Sexta-feira, sete e doze da manhã, o café começa às sete e meia. Atividades secundárias se iniciarão após isso. Para mais informações, cheque o mapa de atividades no corredor do seu dormitório."

Ela continuou dando informações sobre as atividades para os novatos, mas como eu já ouvi isso milhares de vezes, apenas fui para o armazém de armas.

Entrei no armazém e fui avançando pelos corredores, passei por Bill, o técnico em informática dali, por Joe, um dos guardas e por Eduardo que é encarregado das atividades diárias. Entrei no armazém e me encontrei com o pessoal que ajudava no estoque de armas.

– Hey, Can, como foi a semana? — Luke se aproximou.

– A mesma coisa de sempre, Lukas. — bocejei.

Me aproximei de algumas armas e comecei o trabalho. Taylor entrou na sala no momento em que eu serrava uma escopeta, ele usava um óculos de proteção, jaleco branco e o seu cabelo era uma espécie de loiro platinado.

– Fiquei sabendo que ontem teve rodada de poker, não?

– Nem fui, aquela chuva não me deixou sair. — respondi.

– Apareci no final, o Joe estava revoltado por perder três vezes. — Luke riu ao sentar na mesa.

– Aquele ali não aceita derrota. — Taylor cruzou os braços. — Bem, ah, quase esqueci, Derby que falar contigo Canni.

Soltei a arma e fitei Taylor por alguns segundos.

– Como assim?

– Só sei disso, ele não disse mais nada além de que é sobre nossa proteção, sabe? Está cada vez pior... — Taylor bocejou.

– Ih, boa sorte... — Luke se levantou e caminhou até a saída.

– Aonde vai? — Taylor perguntou.

– Esqueci algo no quarto, volto logo. — Luke saiu em disparada da sala.

Ao final do expediente, corri para o refeitório e sentei na mesa mais distante dos outros possível. Havia pouca gente, muitas estavam trabalhando e os guardas tomavam conta dos muros. Terminei meu almoço e fui em direção à sala de Derby, eu estava sim um pouco nervoso. Mas quem não estaria? Estou aqui há três meses e já levei a minha primeira chamada. Bati na porta e entrei, encontrei Everthon sentando no sofá aos fundos da sala. Ele abriu um sorriso ao me ver

– Canni, tenho ótima notícias. Que bom que veio!

– Entre. — Derby revirava uma papelada na mesa. — tenho uma proposta a te fazer. Bem, irei direto ao ponto.

Entrei e me sentei na poltrona da direita.

– Bem, — continuou Derby. — Nós temos poucos soldados a nossa disposição na área, e precisamos de.... Digamos, um reforço extra. Precisamos também de mais mantimentos, mas já saqueamos os mercados da região. Precisamos enviar um grupo de algumas pessoas para trazerem mais mantimentos e outras coisas. O Joe irá guiá-los nessa 'missão', escolhi vocês pois os observo desde que chegaram e vejo que têm potencial. A missão é simples: viajarão até São Paulo em um grupo e me trarão o que eu pedi à Joe, a missão se inicia amanhã, às sete em ponto. Vocês topam?